Invincible X ALTEREGO
Frequências de Ressonância
A luz vermelha do estúdio de gravação em Los Angeles era a única coisa que denunciava a passagem do tempo. Eram quatro da manhã. Alexander Rio Valentino estava diante do microfone, os fones de ouvido apertados contra os cachos escuros, a voz saindo como uma lixa sobre veludo. Ele estava gravando uma faixa bônus para a edição especial de *ALTER EGO*, algo visceral, quebrado.
— Pare a fita — a voz de Michael veio pelo comunicador, calma, mas carregada de uma autoridade que fez os pelos do braço de Rio se arrepiarem.
Rio abriu os olhos e olhou através do vidro da cabine. Michael estava sentado na mesa de som, as mãos longas operando os controles como se estivesse tocando um piano. Ele não deveria estar ali. Tecnicamente, era o estúdio de Rio, o tempo de Rio. Mas Michael Jackson não pedia permissão; ele simplesmente aparecia, uma sombra elegante de jaqueta social e óculos escuros, mesmo em um ambiente fechado.
— O que foi agora, Michael? — Rio perguntou, encostando a testa no filtro de ar do microfone. — Eu estava no clima.
— Você estava fingindo, Alexander — Michael respondeu, levantando-se e entrando na cabine. Ele fechou a porta acústica atrás de si, o silêncio tornando-se absoluto. — Você está cantando sobre desejo, mas sua voz soa como se você estivesse lendo um manual de instruções. Onde está a fome que você me mostrou no Carlyle?
Rio soltou uma risada ríspida, jogando o cabelo para trás.
— Talvez eu precise de inspiração real, e não de um crítico de poltrona me dizendo como fazer o meu trabalho.
Michael caminhou até ele, o espaço entre os dois desaparecendo em segundos. Ele agarrou o cabo do microfone, puxando-o para o lado, e envolveu a mão livre em volta do pescoço de Rio. Não foi um toque gentil. Foi um enforcamento deliberado, os dedos de Michael apertando a traqueia de Rio o suficiente para que a respiração do mais jovem ficasse curta, mas não o suficiente para machucar.
— Você quer inspiração? — Michael sussurrou, o rosto a centímetros do de Rio. — Eu ouvi as gravações que você mandou para a gravadora. Você está tentando ser eu em alguns acordes, Rio. Pare de tentar ser o Rei e comece a ser o meu problema.
Rio sentiu o sangue latejar onde a mão de Michael o prendia. A agressividade do gesto acendeu algo sombrio em seu peito. Ele adorava como Michael conseguia ser letal sem nunca perder a compostura.
— Eu nunca quis ser você, Michael — Rio sibilou, a voz saindo espremida devido ao aperto no pescoço. — Eu quero superar você. Quero que, quando as pessoas ouvirem esse disco, elas esqueçam que *Invincible* sequer existe.
Michael sorriu, um brilho perigoso nos olhos. Ele soltou o pescoço de Rio, apenas para descer a mão e segurá-lo pela nuca, forçando-o a se ajoelhar ali mesmo, no chão acarpetado da cabine de gravação.
— Então me prove — ordenou Michael, a voz baixa e rouca. — Me prove que você tem coragem de tirar o que quer, em vez de apenas pedir.
Rio olhou para cima, a visão de Michael dominando o espaço acima dele. O desafio estava lançado. Sem desviar o olhar, Rio desfez o cinto de Michael com mãos rápidas e famintas. Ele não tinha medo daquela dinâmica; ele se alimentava dela. Quando Michael se libertou da calça social, a visão de sua masculinidade pulsante fez Rio sorrir de forma predatória.
Rio avançou, envolvendo Michael com a boca de uma vez só. Ele queria ser agressivo, queria mostrar que não tinha limites. Michael soltou um suspiro longo, as mãos cravando-se nos ombros de Rio enquanto ele começava o movimento. Rio não foi delicado; ele usou a língua e a pressão de forma rítmica, mas profunda, sentindo Michael crescer ainda mais em sua garganta.
— Isso... — Michael murmurou, a mão descendo para o cabelo de Rio e apertando com força, guiando o ritmo. — Mostre-me o quanto você consegue aguentar, Alexander.
Rio foi mais fundo, sentindo o início de um engasgo, mas ele não recuou. Ele queria aquela sensação de perda de controle, o desconforto misturado ao prazer absoluto de ter o homem mais poderoso da música à sua mercê, e ao mesmo tempo, ser completamente dominado por ele. As lágrimas de esforço surgiram nos cantos de seus olhos, mas ele continuou, aveludando a garganta para receber Michael por inteiro.
O som abafado dos engasgos de Rio e o ritmo da respiração de Michael preenchiam a cabine. Michael puxava o cabelo de Rio com uma urgência crescente, o corpo teso, a outra mão apoiada na parede de espuma acústica.
— Você é um pecador brilhante, Rio — Michael ofegou, o quadril movendo-se com mais força contra a boca de Rio. — Tão faminto... tão desesperado.
Quando Michael finalmente atingiu o limite, ele segurou a cabeça de Rio com firmeza, forçando-o a receber tudo, cada gota de sua liberação. Rio não se afastou; ele aceitou cada grama daquela posse, engolindo o gosto de Michael como se fosse o único sustento que precisaria para terminar o álbum.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som do ar-condicionado e pela respiração pesada de ambos. Rio permaneceu ajoelhado por um momento, limpando o canto da boca com o polegar, olhando para cima com um desafio renovado nos olhos escuros.
Michael o ajudou a levantar, puxando-o pelo braço com uma firmeza que ainda carregava o eco do que acabara de acontecer. Ele ajustou a própria roupa com a calma habitual, como se não tivesse acabado de ser servido no chão de um estúdio.
— Agora — disse Michael, caminhando até a porta da cabine e parando com a mão na maçaneta —, grave a porcaria da música. E se eu não ouvir essa mesma sujeira na sua voz, eu apago as fitas eu mesmo.
Rio riu, o som rouco e genuíno. Ele se posicionou diante do microfone, sentindo o calor de Michael ainda presente em seu corpo.
— Você é um ditador, Michael.
— Eu sou o produtor executivo da sua vida esta noite, Rio. Não se esqueça disso.
Michael saiu da cabine e voltou para a mesa de som. Rio colocou os fones. A música começou a tocar nos ouvidos dele, e desta vez, a voz que saiu de sua garganta era algo que a indústria nunca tinha ouvido. Era crua, perigosa, carregada de uma sexualidade que não podia ser fabricada em um escritório de marketing.
***
Três dias depois, Rio estava em seu quarto de hotel em Londres, no meio da turnê promocional de *ALTER EGO*. O telefone tocou às três da manhã, o horário favorito deles.
— Alô? — Rio atendeu, a voz ainda pesada de sono.
— Eu ouvi a mixagem final — a voz de Michael veio através da linha, clara e sem preâmbulos. — "Dangerous Liaison". Foi esse o nome que você deu à faixa?
Rio sentou-se na cama, sorrindo para a escuridão do quarto.
— Achei apropriado. O que achou?
— Ficou... aceitável — Michael disse, mas Rio conseguia ouvir o sorriso na voz dele. — Mas você sabe que a imprensa vai dissecar cada letra. Eles já estão ligando os pontos, Alexander. Estão perguntando por que você soa como se estivesse tendo um orgasmo no meio do refrão.
— E eu não estava? — Rio retrucou, baixando o tom de voz. — A memória muscular é uma coisa poderosa, Michael. Eu fecho os olhos e ainda sinto suas mãos no meu pescoço.
Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio carregado que Rio aprendeu a ler como o maior dos elogios.
— Você está brincando com fogo — Michael disse finalmente. — A Sony está em pânico. Eles acham que nossa "competição" está saindo do controle. Eles querem que façamos uma coletiva de imprensa juntos para acalmar os ânimos.
— Uma coletiva? — Rio soltou uma gargalhada. — Eles querem nos colocar na mesma sala, com microfones e câmeras, depois de tudo o que aconteceu? Eles são loucos.
— Eles são gananciosos — corrigiu Michael. — Eles querem o espetáculo. Mas eles não sabem que o espetáculo real acontece quando as câmeras são desligadas.
— O que você vai dizer a eles, Michael? Quando perguntarem se eu sou seu rival ou seu protegido?
— Eu vou dizer a verdade — Michael respondeu, a voz tornando-se um sussurro aveludado que parecia lamber o ouvido de Rio através do telefone. — Vou dizer que você é o único artista que eu não consigo prever. E que, quando estamos sozinhos, a coroa não pertence a nenhum de nós.
Rio sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A tensão entre eles era uma corda esticada ao máximo, pronta para estourar e chicotear o mundo inteiro.
— Eu sinto sua falta — Rio admitiu, a arrogância de *ALTER EGO* falhando por um breve segundo.
— Eu sei — disse Michael. — Por isso, deixei um presente para você no estúdio de Londres. Uma gravação. Ouça quando chegar lá. E, Rio... tente não se engasgar com a própria ambição.
A ligação caiu. Rio olhou para o aparelho por um longo tempo antes de se deitar novamente. Ele sabia que a "Guerra dos Gigantes" estava apenas começando a ficar interessante.
No dia seguinte, no estúdio em Londres, Rio encontrou uma fita DAT sem etiqueta sobre o console. Ele a colocou para tocar, esperando uma mensagem de voz ou uma instrução técnica.
O que saiu pelos alto-falantes de alta fidelidade não foi música. Era o som de uma respiração pesada, o roçar de tecido contra pele, e então, a voz de Michael, gravada de forma tão íntima que parecia que ele estava parado logo atrás de Rio.
— Você acha que me conhece, Alexander — a voz de Michael na gravação era sombria, quase predatória. — Mas você apenas conhece as partes de mim que eu permito que você veja. Você quer ser o Rei? Então aprenda a governar o seu próprio desejo primeiro. Porque, da próxima vez que nos encontrarmos, eu não serei tão paciente.
A gravação terminava com o som metálico de um zíper sendo fechado e o clique de uma porta trancada.
Rio sentiu o rosto esquentar e o corpo reagir instantaneamente. Ele se apoiou na mesa de som, rindo baixinho enquanto a estática da fita preenchia a sala. Michael estava jogando com ele, usando a própria mídia que os criou para manter o controle.
— Você quer jogar, Michael? — Rio sussurrou para a sala vazia, pegando uma caneta e escrevendo no verso de uma partitura.
Ele dobrou o papel e o entregou ao seu assistente, ordenando que fosse enviado para a suíte de Michael em Nova York imediatamente.
O bilhete dizia apenas:
"O Rei pode governar o desejo. Mas o Alter Ego o torna realidade. Vejo você na coletiva de imprensa. Tente manter o zíper fechado desta vez."
A mídia continuaria escrevendo sobre números, recordes e rivalidades. Eles continuariam analisando cada olhar e cada gesto em busca de sinais de guerra. Mas Alexander Rio Valentino e Michael Jackson sabiam que a verdadeira batalha não era por troféus de platina. Era pela posse absoluta de uma alma que se recusava a ser domada, e por um prazer que era tão perigoso quanto a fama que os cercava.
A coletiva de imprensa em Nova York seria o epicentro do mundo. E Rio mal podia esperar para ver o brilho de reconhecimento nos olhos de Michael quando eles subissem ao palco, fingindo ser estranhos, enquanto o gosto um do outro ainda estivesse, secretamente, em suas pelas.