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Jujutsu kaisen juai 2

O Labirinto de Emoções e o Fio da Navalha

O ar dentro da colônia de Tóquio era denso, saturado com o cheiro de ozônio e o eco distante de explosões que nunca pareciam cessar. Hitoshi Konami caminhava entre os escombros de uma rua comercial, seus passos calmos contrastando com o caos visual ao redor. Ele havia mudado. O cabelo, agora mais comprido, caindo até a metade das costas, exibia uma divisão drástica: as raízes pretas crescidas fundiam-se com o laranja desbotado das pontas, um lembrete visual de sua transição entre o que era e o que se tornara.

Ao seu lado, Mahito caminhava com uma leveza quase irritante. A maldição vestia um uniforme da Escola Jujutsu, roubado de algum cadáver nos túneis de Shibuya, uma ironia que ele parecia saborear a cada passo.

— Você está mais silencioso que o normal, Hitoshi-kun — comentou Mahito, ajustando a gola do uniforme que o fazia parecer um aluno rebelde, se não fossem as cicatrizes retalhadas em seu rosto. — Ainda pensando na técnica nova?

Hitoshi parou por um momento, fechando os olhos. Ele sentia o fluxo de sua energia amaldiçoada, agora muito mais refinada após os dias de treinamento intenso no esconderijo. Ele a chamava de "Sobrecarga Empática". Era uma extensão de sua manipulação de sentimentos, mas levada ao extremo absoluto. Em vez de apenas sugerir uma emoção, ele agora era capaz de inundar o sistema nervoso do oponente com todas as sensações humanas possíveis simultaneamente: o luto mais profundo, a alegria mais eufórica, o medo paralisante e a raiva cega. O resultado era um curto-circuito cerebral que deixava o inimigo em estado catatônico.

— Ela funciona — respondeu Hitoshi, a voz monótona. — Mas o custo mental para manter o foco é alto. Não podemos perder tempo com lutas desnecessárias.

Eles chegaram ao limite da barreira invisível que demarcava a zona de entrada. Diante deles, surgiu o Kogane, a pequena e grotesca criatura alada que servia como interface do Jogo do Abate.

— Um novo jogador! Um novo jogador! — guinchou a criatura, pairando diante de Hitoshi. — Você deseja se registrar no Jogo do Abate, Hitoshi Konami?

— Sim — respondeu o ruivo, sem hesitar.

O Kogane começou a ditar as regras com sua voz estridente, mas logo seus olhos multifacetados se voltaram para a figura ao lado de Hitoshi. O pequeno espírito parou, tremendo no ar.

— E esse... esse acompanhante? — O Kogane voou em volta de Mahito, parecendo confuso. — A assinatura de energia é... estranha. Você é humano?

Mahito abriu um sorriso predatório, inclinando a cabeça de forma que os fios de seu cabelo azulado caíssem sobre os olhos heterocromáticos.

— Continue me irritando, meu parceiro, e você vai descobrir rapidinho o que eu sou — sibilou a maldição, sua mão começando a se contorcer levemente.

O Kogane soltou um guincho de pavor e desapareceu em um estalo de luz, deixando o registro de Hitoshi concluído no ar.

— Foi uma boa ideia você não se registrar — disse Hitoshi, voltando a caminhar. — Se o Kenjaku souber que você sobreviveu e está aqui, ele vai vir atrás de você antes mesmo de encontrarmos o Itadori.

— Eu sei, eu sei — resmungou Mahito, chutando um pedaço de asfalto. — É chato ficar nas sombras, mas admito que ver a cara daquele bichinho foi divertido.

Eles não andaram muito antes de serem interceptados. Dois feiticeiros modernos, atraídos pela pontuação de Hitoshi que acabara de ser criada, saltaram de cima de um prédio. Um deles controlava lâminas de vento, enquanto o outro parecia capaz de endurecer a própria pele como diamante.

— Mais dois pontos para a coleção! — gritou o das lâminas.

Hitoshi nem sequer sacou sua arma. Ele apenas estendeu a mão.

— Sobrecarga — sussurrou.

Em um instante, os dois atacantes travaram no ar. Seus olhos se arregalaram, as pupilas dilatando até o limite. Eles caíram no chão como sacos de batata, os corpos tremendo em espasmos, enquanto seus cérebros tentavam processar a cacofonia impossível de sentimentos que Hitoshi injetara neles. Mahito, rindo, apenas passou por eles e deu um chute casual no que tinha pele de diamante.

— Que desperdício de potencial — comentou a maldição.

Eles continuaram avançando em direção ao centro da colônia, onde os relatos indicavam maior atividade. Após algumas horas de caminhada e alguns confrontos rápidos, eles chegaram a uma praça ampla e devastada. No centro dela, um jovem de cabelos escuros e expressão melancólica estava parado, segurando uma katana. Ao lado dele, uma presença massiva e aterrorizante pairava como uma nuvem de morte: Rika.

Yuta Okkotsu virou-se lentamente. Seus olhos encontraram os de Hitoshi, e uma ruga de confusão surgiu em sua testa.

— Eu tenho a impressão de que conheço você de algum lugar... — disse Yuta, a voz calma, mas carregada de uma pressão esmagadora. — Mas não consigo me lembrar de onde. E quem é esse outro com o uniforme da escola? Eu nunca o vi por lá.

Hitoshi sentiu o suor frio escorrer por sua nuca. Ele conhecia a reputação de Yuta. O feiticeiro de nível especial era uma força da natureza.

— Não queremos encrenca com você — disse Hitoshi, tentando manter a voz firme. — Estamos apenas procurando por Yuuji Itadori. Você tem alguma informação sobre o paradeiro dele?

A expressão de Yuta escureceu instantaneamente. A pressão da energia amaldiçoada ao redor dele dobrou, fazendo o chão rachar sob seus pés.

— O Itadori? — Yuta apertou o cabo da katana. — Eu tenho que matá-lo.

Hitoshi piscou, chocado.

— Como é que é a parada?

— O conselho superior me deu ordens diretas — explicou Yuta, começando a caminhar na direção deles. — A destruição em Shibuya, o selamento do Gojo-sensei... tudo foi atribuído ao Sukuna e ao seu receptáculo. Eu sou o executor. É o que eu tenho que fazer.

— Você só pode estar brincando — sibilou Mahito, dando um passo à frente de Hitoshi, sua forma começando a se expandir. — O garoto é a nossa única chance de consertar essa merda toda, e você quer matá-lo por causa de uns velhos gagás?

— Rika — chamou Yuta, sem desviar os olhos.

A Rainha das Maldições soltou um rugido ensurdecedor, avançando como um trem desgovernado. Mahito reagiu instantaneamente, transformando seus braços em clavas gigantescas de carne e osso para bloquear o impacto. O choque entre as duas maldições criou uma onda de impacto que estilhaçou os vidros de todos os prédios ao redor.

Hitoshi avançou contra Yuta, tentando usar sua técnica de sobrecarga, mas Yuta era rápido demais. Ele se moveu como um borrão, a katana brilhando com energia pura. Hitoshi mal conseguiu desviar, sentindo o ar cortado passar a milímetros de seu rosto.

— Você é bom — disse Yuta, girando a espada para um novo ataque —, mas sua alma está em conflito. Eu sinto o cheiro dessa maldição em você.

— E você cheira a obediência cega! — rebateu Hitoshi, lançando uma onda de depressão profunda na direção de Yuta.

Yuta cambaleou por um segundo, o peso emocional da técnica de Hitoshi atingindo-o, mas Rika soltou um grito que pareceu dissipar a influência negativa. A luta tornou-se um borrão de golpes. Mahito e Rika trocavam socos devastadores que destruíam a infraestrutura da praça, enquanto Hitoshi e Yuta travavam um duelo de velocidade e técnica.

Embora Hitoshi e Mahito estivessem conseguindo manter o empate, e até ganhando terreno em certos momentos devido à imprevisibilidade da transfiguração de Mahito, a maldição percebeu que a luta não levaria a nada além de exaustão mútua.

— Hitoshi! — gritou Mahito, após desferir um soco potente que jogou Rika contra um prédio. — É melhor a gente cair fora! Esses dois são fortes demais, e lutar aqui é perda de tempo. Nosso objetivo é o Itadori, não esse carrasco!

Hitoshi sabia que ele tinha razão. Ele lançou uma última carga de "Sobrecarga Empática" em Yuta, forçando o feiticeiro a se ajoelhar enquanto lutava contra um turbilhão de memórias e sentimentos alheios.

— Vamos! — ordenou Hitoshi.

Eles se viraram e começaram a correr, saltando por cima dos escombros. Rika, recuperando-se do golpe, tentou ir atrás deles com uma fúria renovada.

— RIKA, PEGUE ELES! — gritou Yuta, ainda tentando recuperar o foco.

A maldição gigante saltou, suas garras prontas para esmagar os fugitivos. Mahito, em um movimento acrobático, virou-se no ar e concentrou toda a sua energia em um punho maciço, acertando o rosto de Rika com um soco que a fez recuar tempo suficiente para que eles dobrassem a esquina e desaparecessem no labirinto de becos de Shibuya.

Eles correram por vários minutos, mudando de direção constantemente até terem certeza de que a pressão da energia de Yuta havia diminuído. Eles pararam em um beco estreito, ambos ofegantes. Hitoshi encostou as costas na parede, sentindo o peito arder.

— Aquele cara... ele é um monstro — murmurou Hitoshi, limpando o suor da testa.

— É, ele é problemático — concordou Mahito, voltando à sua forma normal, embora o uniforme da escola estivesse agora em farrapos. — Mas pelo menos sabemos que o Itadori ainda é o alvo principal de todo mundo. Se quisermos achá-lo, temos que ser rápidos.

Eles mal tiveram tempo de descansar. Assim que saíram do beco, deram de cara com outro grupo de jogadores, feiticeiros reencarnados que pareciam famintos por pontos.

— Mais um? — perguntou Hitoshi, vendo os oponentes se aproximarem com armas amaldiçoadas em punho.

— Parece que sim — respondeu Mahito, estalando o pescoço e exibindo seu sorriso sádico novamente. — Esse jogo parece que não vai acabar nunca, não é?

Hitoshi suspirou, sentindo o peso do cabelo comprido e a exaustão acumulada, mas preparou sua energia amaldiçoada mais uma vez. O Jogo do Abate estava apenas começando, e o caminho até Yuuji Itadori parecia pavimentado por um ciclo infinito de sangue e desespero.

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