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Lee Minho

Perfume de Outono e Faíscas de Ciúme

A rotina de um idol é composta por repetições, mas os meus dias com Lee Minho haviam se tornado um jogo estratégico de esquiva e recompensa. Eu aprendi que o poder não estava apenas em ser talentosa no palco, mas em saber exatamente quando oferecer um selinho e quando virar o rosto no último segundo, deixando-o beijar o ar com aquela expressão de indignação que eu tanto amava.

— Você está sendo cruel, Sohee — murmurou ele em um dos cantos escuros do camarim, antes de subirmos para uma gravação.

Ele se inclinou, os olhos focados nos meus lábios, mas eu desviei o rosto milimetricamente para a esquerda. O beijo dele atingiu minha bochecha, perto da orelha. Sorri, sentindo o calor da sua respiração e o imediato tencionar de seus ombros.

— Cruel? Eu? — perguntei, fingindo inocência enquanto ajeitava o microfone. — Só estou seguindo o seu conselho, Minho-oppa. Você disse que eu precisava de foco. Beijar você agora seria uma distração terrível para a minha performance.

Ele estreitou os olhos, as íris escuras brilhando com uma mistura de desejo e puro ódio brincalhão.

— Vou me lembrar disso quando você implorar por ajuda naquela sequência de solo — ele sibilou, mas não conseguiu disfarçar o canto da boca que subiu em um sorriso involuntário.

Eu me pegava sorrindo sozinha constantemente. No meio das coreografias, enquanto tomava café ou quando lia meus romances clichês sob a chuva, a imagem daquele garoto durão sendo desarmado por um simples "não" meu era o meu combustível secreto. Minha imaginação fértil agora não criava apenas cenários; ela celebrava a realidade.

No entanto, a leveza do nosso jogo foi testada quando a agenda do Stray Kids se cruzou com a do Enhypen para uma entrevista especial e um conteúdo colaborativo de variedades.

O clima nos bastidores era de amizade e respeito mútuo, mas eu senti a mudança na temperatura assim que entramos no set. Minho, que normalmente mantinha uma distância profissional e sarcástica, de repente se tornou uma sombra. Ele não estava me abraçando ou segurando minha mão — isso seria arriscado demais sob as luzes do estúdio —, mas ele estava *lá*.

Sempre que eu me sentava, ele encontrava um jeito de se posicionar logo atrás de mim. E os carinhos bizarros, aqueles toques de "dono de gato", tornaram-se constantes. Enquanto eu conversava com os apresentadores, sentia a ponta dos dedos de Minho traçando o contorno do meu ombro ou pressionando levemente a base do meu pescoço, como se estivesse marcando território sem dizer uma única palavra.

O problema tinha nome e sobrenome, e estava sentado no sofá oposto ao nosso: um dos membros do Enhypen, conhecido por seu charme natural e olhar intenso. Durante a entrevista, ele não fez questão de esconder o interesse.

— Sohee-ssi — disse ele, sorrindo de uma forma que faria qualquer fã desmaiar —, eu assisti ao seu último vídeo de dance practice. Sua técnica melhorou muito, mas o que mais me impressionou foi a sua expressão. Você tem uma intensidade única.

— Ah, obrigada! — respondi, sentindo minhas bochechas esquentarem. — Eu tenho treinado muito com o Minho-oppa, ele é um professor exigente.

Senti a mão de Minho, que estava apoiada no encosto da minha cadeira, fechar-se em um punho por um milésimo de segundo antes de ele voltar a acariciar a minha nuca com uma pressão um pouco mais firme.

— Ela é uma aluna dedicada — Minho interveio, a voz calma demais, gelada como o Alasca. — Mas a intensidade dela é algo que só quem treina com ela todos os dias consegue realmente entender. É... particular.

O membro do Enhypen não pareceu intimidado. Pelo contrário, ele inclinou o corpo para frente, ignorando o clima pesado que começava a se formar.

— Eu adoraria fazer um desafio de dança com você depois, Sohee-ssi. Talvez você possa me ensinar alguns desses toques "particulares".

O silêncio que se seguiu foi cortante. Bang Chan, percebendo a tensão, soltou uma risada nervosa para tentar aliviar o ambiente.

— Seria incrível! — disse nosso líder. — Colaborações são sempre bem-vindas, não é, Minho?

Minho não respondeu. Ele apenas inclinou a cabeça, olhando para o outro idol com um olhar de desprezo tão afiado que eu tive medo de que o garoto saísse dali com cortes literais. O resto da entrevista foi um campo minado. Toda vez que eu ria de algo que os meninos do Enhypen diziam, Minho encontrava uma desculpa para tocar meu pulso ou ajustar o meu cabelo, sempre de forma possessiva.

Quando finalmente tivemos uma pausa para o almoço e saímos do alcance das câmeras, eu arrastei Minho para um corredor lateral, longe dos ouvidos curiosos de Seungmin e Han.

— O que foi aquilo, Minho? — perguntei, cruzando os braços. — Você estava agindo como se eu fosse um objeto de estimação que alguém tentou roubar.

— E você estava agindo como se estivesse em um encontro — ele rebateu, encostando-se na parede. — "Obrigada, sua intensidade é única" — ele imitou, com uma voz fina e irritante. — Por favor, Sohee. Ele estava praticamente pedindo o seu número na frente de todo mundo.

— Ele estava sendo gentil! É um elogio profissional — eu disse, embora soubesse que ele tinha um pouco de razão.

— Eu não gosto do jeito que ele olha para você — Minho disse, dando um passo em minha direção. — E eu não gosto de como você sorri para ele.

— Você está com ciúmes? — provoquei, aproximando-me dele. — O grande Lee Know, o mestre do desdém, está inseguro por causa de um júnior?

Ele soltou uma risada curta e seca, mas seus olhos não estavam rindo. Ele me puxou pela cintura, colando nossos corpos com uma urgência que me pegou de surpresa.

— Eu não estou inseguro, Sohee. Eu só não gosto de compartilhar o que é meu. Especialmente quando eu tive que trabalhar tanto para conquistar.

Ele se inclinou para me beijar, mas, fiel ao meu novo hábito, eu virei o rosto no último momento. O beijo pegou no canto da sua boca.

— Agora não, "mestre" — sussurrei. — Você precisa se acalmar primeiro.

O ódio nos olhos dele foi instantâneo, mas antes que ele pudesse protestar, eu senti algo diferente. Um cheiro. Não era o perfume cítrico e fresco que ele usava desde que o conheci. Era algo mais pesado, amadeirado, com notas de couro e tabaco. Um cheiro de homem maduro, sedutor e... completamente estranho.

Eu me afastei bruscamente, franzindo o nariz.

— Que cheiro é esse? — perguntei, quase com nojo.

Minho piscou, confuso com a minha reação súbita.

— O quê? O meu perfume?

— Você trocou de perfume? — Minha voz subiu uma oitava. — Minho, por que você trocou o seu perfume?

— O Hyunjin me deu de presente — ele deu de ombros, parecendo ofendido com a minha indignação. — Ele disse que combinava com a minha "aura misteriosa" para a entrevista de hoje. Por que? Você não gostou?

— Eu odiei! — exclamei, sentindo uma onda de irritação irracional. — Você não é esse perfume, Minho. Esse cheiro é... é pretensioso. O seu cheiro de sempre é o que me faz sentir em casa. É o cheiro que eu associo aos nossos treinos, à chuva, ao... a nós.

Ele me olhou como se eu tivesse perdido o juízo, mas havia um brilho de satisfação crescendo em seu rosto.

— Então a garota que gosta de filmes clichês está brava porque eu troquei a "essência da nossa história"? — ele zombou, aproximando-se novamente para que o cheiro me inundasse.

— Não chegue perto! — eu disse, dando um tapa leve no peito dele. — Eu estou falando sério. Eu quase bati em você agora. Parece que estou abraçando um estranho.

— Um estranho que você quer beijar, aparentemente — ele disse, aproveitando o meu momento de fraqueza emocional para me prender contra a parede. — Se você odeia tanto o perfume, talvez precise de algo para mascarar o cheiro.

Ele não me deu tempo de desviar. Desta vez, ele segurou meu rosto com as duas mãos, impedindo qualquer jogo de esquiva. O beijo foi dominante, possessivo, uma resposta direta a todo o ciúme que ele acumulou durante a manhã e uma punição por eu ter rejeitado seus selinhos nos últimos dias.

Eu tentei resistir por um segundo, mas a intensidade de Minho era impossível de ignorar. Mesmo com o perfume estranho, ele ainda era o meu Minho — o garoto que me tratava como um gato abandonado, que me olhava com desprezo e que, no fundo, era a pessoa mais cuidadosa que eu já conheci.

Quando nos separamos, eu estava ofegante e meu batom cereja estava completamente borrado.

— Se você usar esse perfume amanhã, eu juro que jogo o frasco pela janela do dormitório — ameacei, tentando recuperar a dignidade enquanto limpava a boca.

— Vou considerar o aviso — ele disse, limpando o rastro de batom do próprio lábio com o polegar. — Mas admita, Sohee... você gosta quando eu fico assim.

— Assim como? Possessivo e com cheiro de madeira velha?

— Assim — ele disse, voltando àquela expressão de desdém que agora eu sabia que era apenas uma máscara. — Completamente louco por você.

Ele se afastou, voltando para o set de gravação com a confiança de quem acabara de vencer uma batalha. Eu fiquei ali por um momento, encostada na parede fria, sentindo o coração desacelerar.

Eu era intensa, emotiva e vivia criando conexões na minha cabeça. Mas a conexão que eu tinha com Lee Minho não precisava de cenários imaginários. Ela era feita de ciúmes bobos, trocas de perfumes odiadas, selinhos negados e a certeza de que, não importa quantos idols charmosos cruzassem o meu caminho, só havia um "mestre" que realmente conhecia o ritmo do meu coração.

A chuva começou a cair lá fora, visível pelas janelas altas do estúdio. Sorri para mim mesma. O cenário estava pronto, mas a história já estava sendo escrita da melhor forma possível: com a verdade caótica de quem se amava entre passos de dança e olhares felinos.

— Próxima cena! — gritou o diretor.

Ajeitei minha roupa, respirei fundo e caminhei de volta para a luz, pronta para enfrentar o mundo, o Enhypen e, principalmente, o garoto de perfume novo e coração antigo que me esperava no centro do palco.