Lee Minho
Vícios e Vulnerabilidades
A primeira coisa que fiz quando pisamos no alojamento da empresa naquela noite foi desferir uma sequência de tapas no braço de Minho. Não eram tapas fortes o suficiente para machucar, mas eram carregados de toda a minha frustração acumulada pelo dia exaustivo e por aquele aroma amadeirado que ainda impregnava minhas narinas.
— Ai! Sohee, para com isso! — reclamou ele, tentando proteger o rosto enquanto ria da minha indignação.
— Eu já disse que odeio esse perfume! — exclamei, dando o último tapa antes de cruzar os braços. — Parece que eu passei o dia inteiro abraçada com um móvel antigo de carvalho. Tira isso agora, Lee Minho!
Ele revirou os olhos, mas no dia seguinte, o cheiro cítrico e fresco de sempre estava de volta, para o alívio dos meus sentidos. No entanto, se eu achei que as coisas voltariam à "normalidade", eu estava redondamente enganada. Minho parecia ter decidido que, se eu ia ser difícil com os beijos, ele seria criativo com as punições.
Tudo começou quando eu neguei um selinho a ele na despensa da cozinha. Ele não ficou emburrado como das outras vezes. Em vez disso, ele sorriu de um jeito predatório, aproximou-se e, antes que eu pudesse reagir, suas mãos envolveram meu rosto, apertando minhas bochechas com força suficiente para me fazer fazer um biquinho de peixe.
— Já que você não quer usar esses lábios para o que eles foram feitos — murmurou ele, a voz rouca de diversão —, eu vou ter que punir essas bochechas gordinhas.
E então, ele deu uma mordidinha carinhosa, mas firme, na minha bochecha direita.
— Minho! — eu gritei, abafada pelo aperto das mãos dele. — Isso dói!
— É para você aprender a não ser tão pão-dura com os seus beijos — respondeu ele, soltando-me e saindo da cozinha com um ar de vitória, deixando-me para trás com o rosto ardendo e o coração disparado.
A partir dali, Minho desenvolveu uma série de vícios novos que pareciam projetados especificamente para testar minha sanidade e me manter em um estado constante de alerta emocional. O primeiro deles era a obsessão matinal.
Todos os dias, sem exceção, era Minho quem entrava no meu quarto para me acordar. Ele não ligava as luzes ou gritava; ele simplesmente se sentava na beirada da cama e ficava me observando até que eu sentisse o peso da sua presença e abrisse os olhos.
— Hum... Minho? — eu resmunguei em uma terça-feira, com a voz rouca de sono e os olhos vermelhos, tentando entender se ainda estava sonhando.
— Você fica tão vulnerável quando acorda — disse ele, passando o polegar pela minha pálpebra inchada. — Parece um gatinho que acabou de ser resgatado da chuva. Sem defesas, sem garras, apenas... Sohee.
— Eu estou horrível — protestei, tentando puxar o cobertor sobre o rosto.
— Você está perfeita — ele rebateu, impedindo o movimento do cobertor. — É o meu momento favorito do dia. Ver você antes que você coloque todas as suas camadas de "garota estilosa e intensa" para o resto do mundo.
O segundo vício era mais tátil e, de certa forma, mais íntimo. Quando estávamos sentados no sofá assistindo a algum programa ou discutindo novas letras com o grupo, ele pegava a minha mão. Mas ele não a segurava de forma romântica. Ele ficava obcecado em passar a ponta dos dedos dele pelas minhas unhas, arranhando levemente a própria pele com elas, como se estivesse testando a textura e o corte.
— O que você está fazendo? — perguntei uma tarde, enquanto Bang Chan falava sobre os arranjos de uma nova demo.
— Gosto da sensação — respondeu Minho, sem desviar os olhos da TV, enquanto guiava minha unha do indicador para fazer um pequeno sulco na palma da mão dele. — É como se você estivesse me marcando, mesmo sem querer.
Depois vieram as mordidas. Não apenas nas bochechas, mas no meu ombro quando eu passava por ele no corredor, ou no meu cotovelo quando estávamos sentados perto demais. Eram ataques rápidos, quase felinos, seguidos por ele cheirando meu cabelo do mais absoluto nada, enterrando o rosto nos meus fios e respirando fundo antes de se afastar como se nada tivesse acontecido.
— Você está agindo como um animal selvagem — eu disse, rindo, quando ele me deu uma mordidinha no ombro durante um intervalo de ensaio.
— Talvez eu seja — ele sussurrou perto da minha orelha. — E você é a única pessoa que eu deixo me domesticar.
Mas então, o ciclo mudou. A leveza dos nossos jogos e a doçura dos seus novos vícios colidiram de frente com a minha pior versão: a Sohee com TPM.
Eu sempre fui uma pessoa intensa, mas durante aqueles dias do mês, minha intensidade se transformava em uma tempestade elétrica. Eu ficava irritada com o som da respiração das pessoas, chorava vendo comerciais de ração de cachorro e sentia uma cólica que parecia que alguém estava tentando redecorar meu útero com um martelo.
Minho conheceu essa versão de forma traumática.
— Sohee-ah, você viu onde eu deixei o meu... — ele começou a perguntar, entrando na sala onde eu estava encolhida em posição fetal com uma bolsa de água quente.
— Se você terminar essa frase, eu juro que jogo esse controle remoto na sua cabeça! — eu gritei, as lágrimas já inundando meus olhos sem motivo aparente.
Minho parou no meio do caminho, os olhos arregalados. Ele nunca tinha me visto assim.
— Nossa... tudo bem. O que aconteceu? Você está machucada?
— Eu estou morrendo, Minho! — eu solucei, escondendo o rosto na almofada. — Minhas costas doem, eu quero comer um quilo de chocolate, mas se eu comer eu vou me sentir gorda, e o Han não para de rir alto na cozinha e eu quero bater nele!
Ele se aproximou cautelosamente, como se estivesse lidando com uma bomba prestes a detonar.
— Quer que eu peça para o Han calar a boca? — perguntou ele, sentando-se no chão, ao lado do sofá.
— Não! Ele tem o direito de ser feliz, eu é que sou uma amargurada! — eu chorei ainda mais forte.
Minho soltou um suspiro longo. Ele não fugiu, o que me surpreendeu. Ele se levantou, saiu da sala e voltou dez minutos depois com uma barra de chocolate com avelãs e uma caixa de morangos frescos.
— Coma — ordenou ele, colocando os doces na mesinha de centro.
Eu olhei para o chocolate como se fosse um tesouro sagrado. Peguei um pedaço e, enquanto mastigava, senti outra onda de irritação.
— Por que você está me olhando assim? — perguntei, limpando uma lágrima. — Você me acha ridícula, não acha? Pode falar. Você está me julgando com esse seu olhar de desprezo.
— Eu não estou te julgando, Sohee — disse ele, aproximando-se e tentando colocar a mão no meu cabelo.
Eu retrai a cabeça como se ele fosse me bater.
— Não me toca! Eu estou suada, estou feia e meu corpo é uma zona de guerra.
— Você é muito dramática quando quer — ele murmurou, mas não se afastou. — Deite aqui.
Ele me puxou, apesar dos meus protestos e dos pequenos tapas que eu dei no peito dele, e me forçou a deitar com a cabeça no colo dele. Suas mãos, que normalmente faziam carinhos estranhos ou mordidas provocativas, agora eram suaves. Ele começou a massagear minha lombar com uma pressão constante e reconfortante.
— Dói aqui? — perguntou ele, a voz baixa e calma.
— Sim — eu funguei, sentindo a tensão começar a ceder um pouco.
Ficamos em silêncio por um tempo, apenas o som da minha respiração ainda entrecortada e o movimento das mãos dele. Mas, como eu disse, eu estava irritada com *tudo*.
— O seu dedo está encostando no meu brinco e está fazendo um barulho irritante — eu reclamei, virando o rosto.
— Meu Deus, Sohee, você é impossível — ele riu baixo, mas não tirou a mão. — Quer que eu pare?
— Não! Se você parar de massagear, eu vou ter uma crise de choro de novo.
— Então decida-se. Ou o barulho incomoda, ou a massagem é necessária.
— Os dois! — eu exclamei, sentindo uma pontada de cólica mais forte. — Ai, Minho... dói muito.
Vi a expressão dele mudar. O brilho de deboche sumiu, dando lugar a uma preocupação genuína que ele raramente mostrava. Ele se inclinou e, pela primeira vez naqueles dias, não tentou apertar minhas bochechas ou morder meu ombro. Ele apenas beijou minha testa, um toque longo e casto.
— Eu vou buscar mais água quente para a sua bolsa — disse ele. — E vou avisar aos meninos para não entrarem aqui se não quiserem perder um membro.
— Obrigada — murmurei, sentindo-me um pouco culpada por ter batido nele minutos antes. — E desculpa pelos tapas.
— Eu já estou acostumado — ele deu de ombros, levantando-se. — Você é um gato de rua, Sohee. Às vezes ronrona, às vezes arranha. Eu só preciso aprender a lidar com as garras.
Durante os dias seguintes, Minho foi o meu herói improvável. Ele trazia doces escondidos, afastava os membros mais barulhentos e, no topo da sua lista de novos vícios, ele adicionou um quinto: cuidar de mim quando eu estava na minha pior fase.
Ele não reclamou quando eu chorei porque meu livro favorito tinha um final triste, nem quando eu o chutei sem querer durante a noite enquanto tentava achar uma posição confortável no sofá. Ele apenas ficava por perto, cheirando meu cabelo e garantindo que eu tivesse tudo o que precisava.
No último dia daquela semana infernal, eu já me sentia humana novamente. Estávamos na sala de prática, sozinhos, após o ensaio oficial. Eu estava sentada no chão, alongando, quando Minho se aproximou por trás.
Senti o nariz dele roçar no meu pescoço, o cheiro cítrico me envolvendo.
— O perfume antigo voltou de vez? — perguntei, inclinando a cabeça para dar mais acesso a ele.
— Voltou. O Hyunjin ficou ofendido, mas eu prefiro não ser espancado pela minha namorada por causa de uma nota de madeira — disse ele, a palavra "namorada" saindo de sua boca com uma naturalidade que me fez estremecer.
— Namorada, é? — sorri, virando-me para ele.
Minho não respondeu com palavras. Ele usou as mãos para apertar minhas bochechas, fazendo meu rosto ficar espremido.
— Sim. Uma namorada muito agressiva, chorona e que gosta de me dar tapas — ele disse, olhando-me com aquele brilho provocador. — Mas é a única que eu deixo morder o meu braço de volta.
Ele se inclinou para um beijo, e desta vez eu não virei o rosto. Eu o recebi com toda a intensidade que me definia, sentindo o sabor de morango nos meus lábios e o calor das mãos dele agora descendo para a minha cintura.
— Você ainda vai me morder? — perguntei entre beijos.
— Com certeza — respondeu ele, dando uma mordidinha rápida no meu lábio inferior. — É o meu vício favorito.
Eu ri, abraçando o pescoço dele. Minha imaginação sempre foi fértil, criando cenários de romances perfeitos e clichês de cinema. Mas a realidade com Lee Minho, cheia de mordidas, unhas arranhando peles, massagens em dias de TPM e o cheiro cítrico de um amor real, era muito mais criativa do que qualquer coisa que eu pudesse inventar.
— Eu te amo, seu gato maluco — sussurrei.
— Eu sei — respondeu ele, com o seu clássico desdém de fachada. — Agora vamos, o Chan comprou pizza e, se não chegarmos logo, o Changbin vai comer a sua parte.
Caminhamos de mãos dadas para fora da sala, sob a luz fluorescente que agora parecia mais suave. Eu sabia que novos vícios viriam, que eu teria outras crises e que ele continuaria me punindo com mordidas nas bochechas sempre que eu fizesse jogo duro. E, sinceramente? Eu não mudaria um único passo dessa nossa dança caótica.