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Lee Minho

Táticas de Guerra e Chantagens Felinas

O silêncio do dormitório às três da tarde era uma raridade que eu deveria ter aproveitado para ler um dos meus clichês favoritos, mas minha mente estava ocupada demais arquitetando um plano de contra-ataque. Lee Minho havia descoberto, com a precisão de um cirurgião, o meu "ponto de desligamento". Bastava ele deslizar os braços pela minha cintura por trás, apoiar o queixo no meu ombro e depositar um beijo casto e demorado na minha bochecha para que meu cérebro derretesse. Eu perdia a fala, perdia o argumento e, principalmente, perdia a postura de garota independente.

— Isso é jogo sujo, Minho — murmurei para o nada, enquanto observava pela fresta da porta ele sentado no sofá da sala, concentrado em um vídeo de coreografia no tablet.

Eu precisava descobrir a fraqueza dele. Todos têm uma. Bang Chan amolece com palavras de afirmação; Felix se derrete com carinho físico óbvio; mas Minho... Minho era uma fortaleza de sarcasmo e olhares de desprezo. Eu já havia tentado de tudo: elogios inesperados (ele apenas riu e disse que eu queria dinheiro emprestado), toques sutis no cabelo (ele ronronou, mas não perdeu o controle) e até cozinhar algo especial (ele criticou o sal, embora tenha comido tudo).

Respirei fundo, ajustando minha camiseta larga. Se o carinho não funcionava como distração, talvez a provocação sensorial fosse o caminho. Minho era visual, mas também muito atento a sons e reações.

Saí do quarto com passos silenciosos, deslizando pelo corredor como se estivesse em uma missão de espionagem. Ele não se moveu. Aproximei-me por trás do sofá, imitando exatamente a abordagem que ele usava comigo. Coração martelando, inclinei-me e, em vez de um abraço, apenas sussurrei perto da orelha dele, deixando minha respiração roçar a pele sensível ali.

— O tempo daquela transição no segundo 45 ainda me parece um pouco... frouxo — disse eu, com a voz mais baixa e rouca que consegui produzir.

Vi os ombros dele subirem um centímetro. O tablet tremeu levemente em suas mãos. Bingo.

— Você acha? — ele respondeu, a voz perfeitamente estável, mas os olhos fixos na tela sem realmente ver nada.

— Acho. — Aproximei-me mais, deixando meus lábios quase tocarem o lóbulo da orelha dele, mas sem completar o contato. — Talvez o mestre precise de uma lição de foco.

Passei a ponta dos dedos de leve pela nuca dele, subindo para a raiz do cabelo, e fiz algo que aprendi lendo sobre comportamento felino: um leve puxão, quase imperceptível, seguido por um sopro quente.

Minho travou. Ele fechou os olhos por um segundo longo demais para ser apenas cansaço. Eu estava ganhando. Eu estava finalmente quebrando a barreira de gelo...

— Se vocês dois não pararem com essa cena de dorama barato, eu vou vomitar meu almoço aqui mesmo — a voz de Seungmin cortou o ar como uma guilhotina.

Afastei-me num sobressalto, sentindo meu rosto entrar em combustão instantânea. Seungmin estava parado na entrada da cozinha, segurando um copo de suco e nos olhando com aquele seu clássico olhar de "eu estou te julgando e você é patético".

— Não estamos fazendo nada, Seungmin-ah — disse Minho, recuperando a compostura com uma velocidade irritante, embora suas orelhas ainda estivessem vermelhas.

— Claro que não — Seungmin deu um gole no suco, sem desviar os olhos de nós. — E eu sou o dançarino principal do grupo. Sohee, você está literalmente exalando culpa. E Minho, você está com aquela cara que faz quando um dos seus gatos morde o seu dedo e você gosta.

— Vá ler um livro, Seungmin — Minho retrucou, voltando a atenção para o tablet, mas eu notei que ele não deu o play no vídeo.

Saí dali apressada, fingindo que precisava de água, mas a verdade era que a desconfiança dos membros estava crescendo. Bang Chan andava nos lançando olhares significativos durante os ensaios; Hyunjin já havia comentado que nossa "química de dança" estava perigosamente intensa; e Felix... bem, Felix apenas sorria para nós como se soubesse de um segredo universal.

O problema real, porém, não era o julgamento silencioso de Seungmin. O problema real tinha um nome, uma risada escandalosa e um talento nato para o caos: Han Jisung.

Duas noites atrás, após um ensaio exaustivo, Minho e eu ficamos para trás para "limpar a sala". O que começou com correções de postura terminou comigo prensada contra o espelho frio, os braços de Minho ao redor da minha cintura e um beijo que definitivamente não era adequado para colegas de grupo. Foi intenso, longo e cheio daquela necessidade que só quem vive um romance escondido entende.

O que não tínhamos visto era que Han havia voltado para buscar o fone de ouvido que esquecera. Ele não disse nada na hora. Ele apenas ficou parado na porta, de boca aberta, antes de sair correndo como se tivesse visto um fantasma.

Desde então, Han vinha agindo como um agente duplo de filme de espionagem de baixo orçamento.

— Sohee-ah! — Han apareceu do nada no corredor lateral da JYP, bloqueando meu caminho. — Que dia lindo para ser um membro do Stray Kids que não esconde segredos dos seus melhores amigos, não acha?

— O que você quer, Han? — suspirei, já sabendo que vinha problema.

— Eu? Nada! — Ele sorriu, um sorriso largo demais para ser honesto. — Mas o meu estômago está clamando por aquele cheesecake caro da confeitaria da esquina. Aquele que custa o preço de um álbum autografado.

— E o que eu tenho a ver com o seu estômago?

— Ah, sabe como é... — Ele se inclinou, sussurrando. — Às vezes, as pessoas veem coisas. Coisas que acontecem contra espelhos de salas de prática. Coisas que envolvem um certo dançarino principal e uma certa vocalista intensa. Seria uma pena se o Chan-hyung descobrisse que as regras de "não namoro entre membros" estão sendo... digamos... dançadas em cima.

Senti um frio na espinha. Han era meu amigo, mas ele era um mestre da chantagem lúdica.

— Você não ousaria — eu disse, estreitando os olhos.

— Eu não quero ousar! Eu só quero cheesecake. E talvez que você convença o Minho-hyung a não me chutar do quarto quando eu quiser jogar videogame até tarde.

— Você é um monstro — murmurei, mas já tateando minha carteira no bolso da calça.

— Sou um monstro com fome de doce. Vejo você no lanche, noona! — Ele saiu saltitando, deixando-me com os nervos em frangalhos.

O resto do dia foi uma tortura. Eu tentava agir normalmente, mas toda vez que Minho se aproximava, eu me afastava como se ele estivesse carregando uma placa luminosa escrito "NÓS ESTAMOS NAMORANDO".

— O que há com você? — Minho me encurralou na escada de emergência durante o intervalo. — Você está fugindo de mim como se eu fosse o perfume de madeira do Hyunjin.

— O Han viu a gente, Minho — disparei, a voz trêmula. — Na sala de prática. Anteontem. Ele está me chantageando por comida e silêncio.

Minho ficou em silêncio por um momento. Eu esperava que ele ficasse preocupado, talvez até bravo. Em vez disso, ele soltou uma risada curta e seca.

— Aquele esquilo atrevido... — Ele cruzou os braços, encostando-se no corrimão. — Ele tentou a mesma coisa comigo hoje de manhã. Pediu para eu lavar a louça no lugar dele por uma semana.

— E o que você fez? — perguntei, esperançosa.

— Eu disse a ele que, se ele abrisse a boca, eu contaria para o Chan sobre a vez em que ele quebrou o monitor do estúdio e fingiu que foi uma queda de energia — Minho sorriu, aquele seu sorriso de gato que acabou de comer o canário. — Acho que estamos quites com as ameaças.

— Mas Minho, e os outros? O Seungmin está desconfiado, o Hyunjin não para de comentar...

Minho deu um passo à frente, entrando no meu espaço pessoal. O cheiro cítrico dele, misturado com o esforço do treino, me atingiu como uma onda de conforto. Ele colocou a mão no meu pescoço, o polegar acariciando minha mandíbula com aquela ternura que ele tentava esconder do mundo.

— Deixe que desconfiem — disse ele, a voz baixando de tom. — Nós não estamos fazendo nada de errado, Sohee. Estamos apenas sendo nós mesmos. Se eles descobrirem, o Chan vai dar um sermão de duas horas, o Changbin vai fazer piadas por um mês e a vida vai seguir. Mas eu não vou deixar de ficar perto de você porque o Han quer cheesecake.

— Você diz isso porque é corajoso — murmurei, encostando minha testa na dele. — Eu sou emotiva demais, Minho. Eu crio cenários de desastre na minha cabeça.

— Então crie um cenário onde eu te protejo de todos eles — ele sussurrou.

Ele se inclinou para me beijar, mas antes que nossos lábios se tocassem, a porta da escada se abriu com um estrondo.

— EU SABIA! — a voz de Hyunjin ecoou pelo espaço, seguida pelo som de algo caindo. — Felix, me dá os dez won! Eu ganhei a aposta!

Olhamos para cima e vimos Hyunjin e Felix espiando pela fresta da porta. Felix parecia desapontado ao entregar uma moeda para Hyunjin, enquanto Han apareceu logo atrás, com a boca cheia de alguma coisa que parecia... cheesecake.

— Han Jisung! — eu gritei, apontando para ele. — Você me disse que guardaria segredo!

— Eu guardei! — ele disse, tentando engolir a comida. — Eu não contei nada. Eles me seguiram porque eu estava agindo de forma "suspeita", segundo o Hyunjin. Eu sou uma vítima aqui!

— Uma vítima com o estômago cheio — Minho disse, soltando-me lentamente, mas mantendo a mão possessiva no meu ombro.

Ele olhou para os três membros na porta com o seu olhar de desprezo mais afiado, aquele que normalmente faria qualquer um sair correndo. Mas desta vez, não funcionou.

— Ah, pare com isso, Hyung — Felix disse, entrando na escada e nos dando aquele sorriso angelical que desarmava qualquer bomba. — Nós estamos felizes por vocês. Sério. O clima entre vocês estava tão tenso que estava começando a afetar a nossa sincronia na dança.

— É verdade — Hyunjin concordou, limpando uma lágrima dramática do rosto. — É como um dorama de verdade acontecendo bem na nossa frente. O mestre de dança frio e a talentosa vocalista intensa... é poético!

— Se você escrever uma música sobre isso, Hyunjin, eu te jogo da escada — Minho ameaçou, mas havia uma leveza em seus olhos que eu nunca tinha visto antes.

O segredo estava fora da caixa. Não era mais apenas "nós contra o mundo", mas "nós com o apoio caótico do grupo".

Naquela noite, o dormitório estava mais barulhento do que o normal. Bang Chan havia sido informado — não por nós, mas por uma "reunião de emergência" organizada por Han e Hyunjin. Como esperado, o líder nos deu um olhar longo, suspirou e disse que, desde que isso não afetasse o trabalho e que fôssemos discretos em público, ele não interferiria.

— Mas se eu ver vocês se pegando na sala de prática de novo — Chan disse, apontando uma colher de pau para nós —, eu vou fazer vocês limparem os banheiros por um mês.

— Entendido, líder — respondemos em uníssono, embora Minho tenha me cutucado por baixo da mesa.

Mais tarde, quando a agitação diminuiu e os outros começaram a se recolher, eu estava na varanda, observando a garoa fina que começava a cair. O som da chuva sempre me trazia para o meu lugar de paz, alimentando minha criatividade e minhas conexões internas.

Senti os braços familiares envolverem minha cintura por trás. O calor do corpo de Minho contra as minhas costas era a minha âncora.

— Você está bem? — ele sussurrou, apoiando o queixo no meu ombro.

— Estou. É estranho que todo mundo saiba agora, mas... é um alívio — confessei, fechando os olhos e aproveitando o momento.

Ele depositou aquele beijo suave na minha bochecha, o meu ponto fraco, fazendo minhas pernas fraquejarem levemente.

— Eu ainda não descobri a sua fraqueza — murmurei, virando-me nos braços dele. — Eu tentei a nuca, tentei o sussurro... você é impossível, Lee Minho.

Ele sorriu, mas não era o sorriso de gato. Era algo mais profundo, mais real. Ele pegou a minha mão e a colocou sobre o seu próprio coração. Através do tecido da camiseta, eu senti as batidas: rápidas, descompassadas, quase frenéticas.

— Você acha que eu sou invulnerável, Sohee? — ele perguntou, a voz quase sumindo sob o som da chuva. — Minha fraqueza não é um toque ou um lugar específico. Minha fraqueza é o fato de que eu não consigo mais imaginar essa sala de prática, esse dormitório ou essa vida sem você neles.

Eu fiquei sem palavras. Minha imaginação, que sempre tinha um cenário pronto, simplesmente parou diante daquela declaração.

— Você... — comecei, mas ele me silenciou com um beijo.

Desta vez, não havia espelhos nos observando, nem Han nos chantageando, nem membros apostando dinheiro. Havia apenas a chuva, o cheiro cítrico que eu tanto amava e a certeza de que a realidade, com todas as suas chantagens de cheesecake e olhares desconfiados, era mil vezes melhor do que qualquer ficção que eu pudesse escrever.

— Agora — Minho disse, afastando-se apenas um pouco, voltando ao seu tom provocador —, já que o segredo acabou, você não tem mais desculpas para me negar aquele hidratante de cereja.

— Você nunca vai esquecer isso, não é? — rimos juntos.

— Nunca. Um mestre nunca esquece as ferramentas de trabalho da sua aluna favorita.

Caminhamos de volta para dentro, prontos para enfrentar o caos do Stray Kids no dia seguinte. Eu ainda tinha muito o que melhorar na dança, e Minho certamente continuaria sendo um professor exigente e, às vezes, irritante. Mas agora, eu sabia que não importava o quanto eu caísse ou o quanto a chuva caísse lá fora, eu tinha alguém que não apenas me impediria de cair, mas que dançaria comigo em meio à tempestade.

E quanto ao Han? Bem, eu ainda teria que comprar aquele cheesecake, mas ver o rosto de Minho quando ele finalmente confessou sua vulnerabilidade valia cada won da minha carteira.