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Loucos

O Labirinto de Vidro e o Sangue nas Mãos

A luz da lua filtrava-se pelas janelas altas do Casarão 13, desenhando sombras retorcidas sobre o mármore frio da cozinha. Ali, sobre a mesa onde facas ainda estavam cravadas como um aviso fúnebre, a atmosfera havia mudado de terror para uma luxúria desesperada. Kageyama pressionava o corpo de Izabelle contra a madeira, suas mãos grandes e firmes apertando a cintura dela com uma possessividade que beirava a agressividade.

— Você não tem ideia do perigo em que está se metendo, Izabelle — sussurrou ele contra os lábios dela, a voz rouca, carregada de uma tensão que não era apenas sexual. — Esta escola consome pessoas como você.

— Então me deixe ser consumida — rebateu ela, ofegante, puxando a camisa dele para fora da calça. — Mas por você, Kageyama. Não por essas sombras.

Izabelle não era uma vítima passiva. Ela enlaçou as pernas na cintura dele, sentindo o volume rígido entre as coxas do esgrimista. Kageyama soltou um rosnado baixo, um som que vibrou no peito de Izabelle, e a beijou com uma fome devastadora. Suas mãos desceram, rasgando a meia-calça dela com uma urgência bruta, expondo a pele macia ao ar gelado da cozinha.

Ele a ergueu da mesa sem interromper o beijo, levando-a em direção ao sofá da sala, onde os lençóis brancos que ela havia retirado ainda estavam amontoados no chão. Kageyama a deitou sobre o tecido, posicionando-se entre suas pernas. A luz azulada da lua realçava os músculos definidos de suas costas enquanto ele se livrava da própria camisa.

— Se eu começar, não vou parar — avisou ele, os olhos azuis brilhando com uma intensidade predatória. — E eu não sou um homem gentil, Izabelle.

— Eu nunca pedi por gentileza — ela arqueou as costas, sentindo o toque gélido das mãos dele subindo por suas coxas até encontrar a intimidade úmida.

O prazer foi imediato e agudo. Izabelle jogou a cabeça para trás, soltando um gemido que ecoou pelas paredes vazias do casarão. Kageyama a observava com um olhar analítico e sombrio, como se estivesse memorizando cada reação dela, cada tremor. Ele entrou nela com uma estocada firme, preenchendo-a de uma forma que a fez perder o fôlego. O ritmo que ele impunha era implacável, uma cadência de prazer e domínio que a fazia esquecer, por instantes, o sangue na mesa e o morto no armário.

No auge do ato, quando o suor misturava seus corpos e a respiração era o único som na sala, Izabelle abriu os olhos e viu, por cima do ombro de Kageyama, um vulto parado no topo da escada. Era uma figura pálida, com o rosto desfigurado por marcas de corda no pescoço. O espírito de Haru apontava para Kageyama com uma expressão de puro terror.

Izabelle soltou um grito, mas Kageyama a calou com um beijo, apertando seu pescoço com uma mão enquanto continuava o movimento rítmico.

— Olhe para mim — ordenou ele, a voz fria. — Não olhe para as sombras. Olhe para o que é real.

O orgasmo a atingiu como uma onda de choque, misturando o êxtase físico com o pavor absoluto. Quando o silêncio finalmente retornou, Kageyama se afastou, vestindo-se com uma calma perturbadora, enquanto Izabelle permanecia trêmula sobre os lençóis.

— O que foi aquilo? — perguntou ela, a voz falha. — Haru... ele estava lá. Ele estava apontando para você.

Kageyama parou de abotoar a camisa e se virou. O rosto dele estava na sombra, mas o brilho dos olhos era inegável.

— Talvez ele queira te avisar sobre a companhia que você escolhe — disse ele, com um sarcasmo que agora soava cruel. — Ou talvez ele só tenha inveja de que você ainda respira.

Ele caminhou até ela e estendeu a mão, mas Izabelle recuou. Havia algo errado. O cheiro de sândalo desaparecera, substituído por um odor metálico e forte. Ela olhou para as mãos de Kageyama. Sob as unhas dele, havia vestígios de algo escuro. Sangue.

— Kageyama... o que é isso nas suas mãos? — ela perguntou, o coração voltando a martelar.

Ele olhou para as próprias mãos e deu um sorriso de canto, um gesto que não alcançava os olhos.

— Eu disse que limpei o ginásio antes de vir para cá. Alguns alunos não sabem quando calar a boca sobre o que aconteceu com o Haru. Às vezes, a esgrima exige mais do que apenas técnica. Exige disciplina.

Ele se aproximou dela novamente, desta vez ignorando seu recuo, e segurou seu queixo com força, obrigando-a a encará-lo.

— Ouça bem, Izabelle. Royale High é um ninho de cobras. Haru não se matou. Ele foi eliminado porque descobriu que a diretoria e os representantes de turma — ele fez uma pausa, enfatizando as últimas palavras — usam este casarão para rituais que você nem consegue imaginar.

— Rituais? — Izabelle sentiu a bile subir. — E você? Você faz parte disso?

— Eu sou o executor — confessou ele, a voz desprovida de qualquer emoção. — Eu era o melhor amigo de Haru. Eu o ajudei a "partir". Ele estava sofrendo, Izabelle. Ele não aguentava mais o que faziam com ele aqui. Eu dei a ele a paz.

O mundo de Izabelle girou. O homem que acabara de possuí-la com tanta paixão era o mesmo que admitia ter matado o amigo — ou, no mínimo, facilitado sua morte. O "suicídio" era um assassinato de misericórdia distorcido, orquestrado pela própria instituição.

— Você é um monstro — sussurrou ela, as lágrimas finalmente caindo.

— Eu sou o que este lugar me transformou — Kageyama soltou o queixo dela e caminhou até a porta. — E agora você sabe demais. Eu deveria te entregar para o Conselho, mas... eu gostei do seu gosto, Izabelle. Gostei de como você grita meu nome.

Ele parou na soleira da porta, a silhueta recortada contra a névoa lá fora.

— Fique no quarto. Não tente fugir. Se você sair deste casarão esta noite, os outros representantes vão te encontrar. E eles não serão tão "carinhosos" quanto eu fui.

Ele fechou a porta e o som da chave girando na fechadura ecoou como uma sentença de morte. Izabelle estava trancada.

Ela correu para a janela, mas as trancas eram reforçadas por dentro com um mecanismo eletrônico que ela não sabia operar. O pânico a dominou. Ela subiu as escadas correndo, precisando de sua garrafa de tequila, de qualquer coisa que a fizesse esquecer o toque de Kageyama e a confissão sangrenta.

Ao entrar no quarto, ela parou. O armário estava escancarado. Dentro dele, não havia apenas o medalhão. Havia uma câmera escondida, apontada diretamente para a cama.

Izabelle sentiu um frio gélido percorrer seu corpo. Ela se aproximou da câmera e viu um pequeno visor. Nele, passavam imagens. Imagens dela dormindo. Imagens dela se trocando. E imagens do que acabara de acontecer na sala de estar.

— Não... — soltou ela, cobrindo a boca.

Abaixo da câmera, havia um diário. Ela o abriu freneticamente. Era o diário de Haru.

"Dia 45: Kageyama não é quem diz ser. Ele finge me proteger, mas ele é o favorito da Diretora. Ele assiste. Ele sempre assiste. Ele me obriga a fazer coisas... coisas que me quebram por dentro. Se alguém encontrar isso, corra. Ele não mata por ódio. Ele mata por prazer. Ele gosta de ver a luz apagar."

Izabelle deixou o diário cair. O plot twist a atingiu como um soco no estômago. Kageyama não era o herói sombrio tentando desvendar um mistério. Ele era o mistério. Ele era o predador que a atraíra para aquela casa, usando a fachada do "excesso de contingente" para tê-la isolada, sob seu controle total.

De repente, a luz do quarto piscou e se apagou. O cheiro de sândalo retornou com uma força sufocante. Pelo reflexo do espelho, onde a palavra "RUN" brilhava em vermelho, ela viu a porta do quarto se abrir lentamente.

— Izabelle... — a voz de Kageyama veio do corredor, mas não era a voz séria de antes. Era uma voz suave, quase melódica, carregada de uma loucura latente. — Eu esqueci de te contar uma coisa. O Haru não foi o primeiro. E você... você é tão mais divertida que ele.

Ela se encolheu no canto do quarto, agarrando o medalhão partido. O metal cortou sua palma, e o sangue escorreu, pingando no tapete felpudo que ela mesma havia comprado.

— Por que você está fazendo isso? — gritou ela, a voz embargada. — Eu achei que... que você se importava!

Kageyama entrou no quarto, segurando seu florete de esgrima. A ponta da lâmina brilhava na penumbra.

— Eu me importo — disse ele, aproximando-se com passos lentos e deliberados. — Eu me importo tanto que quero que você fique aqui para sempre. Como parte desta casa. Como parte de mim.

Ele parou à frente dela, a lâmina do florete tocando suavemente o decote da camisa de Izabelle, descendo devagar até o abdômen.

— Você disse que queria desvendar o mistério, não disse? — Ele se inclinou, o rosto agora a centímetros do dela. — O mistério é que Royale High não é uma escola. É um matadouro. E eu sou o açougueiro chefe.

Izabelle olhou para os olhos dele e, pela primeira vez, não viu gelo. Viu um fogo negro, uma depravação que a fez perceber que o abuso físico que sofrera na sala era apenas o começo. Ele não queria apenas o corpo dela; ele queria sua alma, sua vontade, sua vida.

— Eu vou te matar — sussurrou ela, o ódio começando a superar o medo.

Kageyama riu, um som seco e arrepiante.

— Muitos tentaram, Izabelle. Haru tentou. Olhe onde ele está agora.

Ele a puxou pelo braço, jogando-a sobre a cama rosa que ela havia decorado com tanto carinho. Ele subiu sobre ela, prendendo seus pulsos acima da cabeça com uma das mãos, enquanto a ponta do florete pressionava sua garganta.

— Agora — murmurou ele, o hálito quente contra o ouvido dela —, vamos ver quanto tempo você leva para quebrar.

Lá fora, a névoa de Royale High engoliu o Casarão 13 por completo. Ninguém ouviu os gritos. Ninguém viu as luzes piscando. O mistério havia sido resolvido, mas para Izabelle Mariana, a verdade era um pesadelo do qual ela talvez nunca mais acordasse. O romance que ela imaginara era apenas a corda que Kageyama usara para prendê-la, e o terror sobrenatural era apenas um prelúdio para o horror humano que agora a dominava.

No espelho, a palavra "RUN" escorreu, transformando-se em uma nova mensagem, escrita com o sangue que pingava do medalhão:

"TOO LATE" (TARDE DEMAIS)