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Loucos

O Beijo do Aço e a Doce Agonia do Abismo

O silêncio do Casarão 13 era uma ilusão alimentada pelo medo. Izabelle sentia o peso do corpo de Kageyama sobre o seu, uma pressão que antes lhe trazia calor e agora lhe causava náuseas. O florete frio contra sua garganta não era apenas uma arma, era a extensão da vontade dele. Os olhos azuis de Tobio, antes apenas gélidos e sarcásticos, agora brilhavam com uma satisfação doentia, refletindo a visão da garota extrovertida e vibrante reduzida a uma presa acuada entre lençóis cor-de-rosa.

— Você achou que este era um conto de fadas gótico, não foi? — sussurrou ele, a voz deslizando como seda sobre a pele dela. — A mocinha que salva o monstro com um beijo e uma dose de tequila.

Izabelle tentou mover os pulsos, mas a mão de Kageyama era como uma algema de ferro. O sangue do corte em sua palma, provocado pelo medalhão partido, manchava o lençol, criando um contraste obsceno com a decoração delicada que ela havia feito.

— Eu achei que você era humano — cuspiu ela, a voz trêmula mas carregada de veneno. — Mas você é só um covarde que precisa de uma espada e de uma casa vazia para se sentir poderoso.

O sorriso de Kageyama não vacilou. Ele inclinou a cabeça, observando-a como um entomologista observa um inseto raro prestes a ser espetado por um alfinete.

— O insulto é a última arma dos desesperados. — Ele deslizou a ponta do florete pelo colo dela, cortando a seda fina da camisa do uniforme com uma precisão cirúrgica. — Mas eu gosto disso. Gosto quando você luta. Dá mais sabor ao momento em que você finalmente se entrega.

Com um movimento brusco, ele se afastou, libertando-a. Izabelle rolou para o outro lado da cama, o coração martelando contra as costelas. Ela viu Kageyama caminhar até a porta do quarto, trancando-a por dentro e guardando a chave no bolso da calça de esgrima. Ele jogou o florete sobre a poltrona e começou a retirar o restante do uniforme, revelando o tronco esculpido, as cicatrizes de treinos intensos e uma aura de perigo que parecia eletrificar o ar.

— Você tem dez segundos — disse ele, voltando o olhar para ela. — Dez segundos para tentar sair deste quarto. Se conseguir chegar à porta e me convencer de que merece a liberdade, eu deixo você ir.

Izabelle não esperou o "já". Ela se lançou em direção à porta, a adrenalina queimando em suas veias como a tequila que costumava beber. Mas Kageyama era um atleta de elite, um esgrimista cujos reflexos eram treinados para antecipar cada milímetro de movimento. Antes que ela pudesse tocar a maçaneta, ele a interceptou, agarrando-a pela cintura e jogando-a contra a parede com força suficiente para tirar seu fôlego, mas não para feri-la seriamente.

— Um segundo — contou ele, a voz baixa e perigosa, pressionando o corpo contra o dela. — Você é lenta, Izabelle.

— Me solta! — Ela tentou acertar um tapa no rosto dele, mas ele capturou sua mão no ar, torcendo o braço dela levemente para trás das costas e forçando-a a se arquear.

— Você tentou fugir — murmurou ele, o rosto enterrado na curva do pescoço dela, aspirando o perfume de baunilha misturado ao suor do medo. — E agora, como consequência da sua falha, vamos estabelecer novas regras. Você queria saber o que aconteceu com o Haru? Ele tentou fugir três vezes. Na terceira, ele perdeu o direito de falar.

Ele a puxou pelo cabelo, não com força excessiva, mas o suficiente para obrigá-la a olhar para o espelho. Lá, a mensagem "TOO LATE" parecia brilhar com uma luz própria.

— Olhe para você — ordenou Kageyama. — Veja como seus olhos verdes ficam escuros quando você está apavorada. É a coisa mais linda que já vi nesta escola de hipócritas.

— Você é louco... — ela arfou, sentindo a mão dele descer por suas curvas, apertando sua coxa com uma força que deixaria marcas.

— Sou o seu dono nesta casa, Izabelle. — Ele a virou de frente para ele, segurando seu rosto com as duas mãos. — Você escolheu entrar neste labirinto. Agora, vai aprender a apreciar as sombras. Como você não conseguiu fugir, vou garantir que você não tenha forças para tentar novamente esta noite.

Kageyama a pegou no colo e a jogou de volta na cama, mas desta vez ele não usou o florete. Ele usou o próprio corpo como uma âncora. Ele a dominou com beijos que alternavam entre a ternura fingida e a crueldade real, mordendo seu lábio inferior até sentir o gosto de sangue. Izabelle lutava, seus sentidos entrando em colapso entre o ódio que sentia por aquele homem e a resposta involuntária de seu corpo ao toque experiente dele.

— Diga meu nome — exigiu ele, enquanto suas mãos exploravam cada centímetro da pele dela, despojando-a do que restava de suas roupas.

— Nunca — ela sibilou, embora um gemido traidor escapasse de sua garganta quando ele encontrou um ponto sensível em sua coxa.

— Diga.

Ele a penetrou sem aviso, um movimento possessivo que a fez agarrar os ombros dele, as unhas cravando-se na pele firme de suas costas. Kageyama não parou. Ele manteve um ritmo intenso, quase violento, seus olhos fixos nos dela, desafiando-a a desviar o olhar. Ele queria que ela visse quem ele era. Queria que ela aceitasse o abismo.

— Tobio... — ela finalmente soltou, um sussurro carregado de agonia e um prazer sombrio que ela odiava sentir.

— Isso — ele sorriu, um brilho de triunfo cruzando seu rosto. — Você me pertence. Cada grito, cada lágrima, cada gota de sangue.

Após o que pareceu uma eternidade de uma entrega forçada e eletrizante, Kageyama se deitou ao lado dela, mas não a soltou. Ele a manteve presa em seus braços, uma perna por cima das dela, como se temesse que, mesmo exausta, ela pudesse tentar escapar novamente.

— Se você tentar sair da cama antes do amanhecer — ele avisou, a voz voltando ao tom calmo e letal —, eu vou ter que ser muito mais criativo na forma de manter você ocupada. E eu garanto que você não vai gostar da próxima lição.

Izabelle ficou imóvel, ouvindo a respiração dele se estabilizar. Ela olhou para o teto, onde as sombras pareciam dançar. O brilho extrovertido que sempre a definira estava se apagando, substituído por uma chama fria de sobrevivência. Ela não era mais a garota que viera para Royale High em busca de festas e diversão. Ela era uma prisioneira em um palácio de mármore e sangue.

As horas passavam lentamente. Izabelle esperou até ter certeza de que Kageyama estava em um sono profundo. Com movimentos milimétricos, ela começou a se desvencilhar do abraço dele. Cada centímetro que sua pele se afastava da dele parecia uma vitória. Quando finalmente conseguiu se sentar na beirada da cama, ela não olhou para trás.

Ela pegou o robe de seda no chão e vestiu-o rapidamente. Seus pés descalços não faziam barulho no tapete. Ela sabia que a chave estava no bolso da calça dele, que jazia perto da poltrona. Com o coração na garganta, ela se aproximou da calça. Suas mãos tremiam tanto que ela teve que respirar fundo várias vezes para não fazer barulho.

Ela tateou o tecido e sentiu o metal frio. Sucesso.

Ela deslizou a chave para fora e caminhou até a porta. Mas, ao inserir a chave na fechadura, um som metálico estalou no silêncio do quarto.

— Eu avisei, Izabelle.

A voz de Kageyama veio da escuridão da cama, perfeitamente desperta. Ele não se moveu, mas sua presença parecia preencher todo o quarto.

— Eu disse que haveria consequências se você tentasse fugir de novo.

— Você não pode me manter aqui para sempre! — ela gritou, girando a chave com desespero.

A porta se abriu, mas antes que ela pudesse dar um passo para o corredor, Kageyama estava sobre ela. Ele a agarrou pelos cabelos e a puxou de volta para dentro, fechando a porta com um estrondo que pareceu sacudir as fundações do casarão.

— Para sempre é muito tempo — disse ele, prendendo-a contra a madeira da porta. — Mas eu tenho paciência.

Ele a pegou pelo pescoço, não para sufocá-la, mas para forçá-la a olhar para ele. O rosto de Kageyama estava transformado por uma fúria fria.

— Como você quebrou o nosso acordo de ficar na cama, agora vamos para o porão. Onde o Haru passou suas últimas semanas. Talvez o isolamento total ajude você a entender que a sua única realidade agora sou eu.

— Não! Por favor! — Izabelle implorou, a animação que um dia a definira agora completamente substituída por um terror visceral.

— "Por favor" é uma palavra que eu adoro ouvir — ele sussurrou, arrastando-a para fora do quarto.

Eles desceram as escadas em direção às profundezas da casa. O cheiro de sândalo foi substituído por um odor de terra úmida e metal oxidado. Kageyama abriu uma porta pesada de carvalho que levava ao subsolo. Lá embaixo, a luz era inexistente, exceto por uma pequena lâmpada de óleo que ele acendeu.

O porão não era apenas um depósito. Era uma cela luxuosa e aterrorizante. Havia correntes presas à parede, mas também um colchão de seda e garrafas de vinho caro.

— Este é o seu novo quarto, Izabelle — disse ele, empurrando-a para dentro. — Você vai ficar aqui até aprender que fugir é inútil. E, para garantir que você não se sinta solitária...

Ele pegou uma corda de seda preta que estava sobre uma mesa.

— Vamos garantir que você fique exatamente onde eu quero.

Kageyama a forçou a se sentar em uma cadeira de madeira pesada. Ele amarrou seus pulsos aos braços da cadeira e seus tornozelos às pernas do móvel. A seda era macia, mas a pressão era firme, impedindo qualquer movimento significativo.

— Você disse que gostava de doses para afastar os pensamentos, não é? — Ele pegou uma garrafa de um líquido âmbar e despejou em um copo de cristal. — Beba.

— Eu não quero nada de você.

Ele segurou o queixo dela com força, forçando-a a abrir a boca, e derramou o líquido. Izabelle tossiu, sentindo o álcool queimar, mas também sentindo uma estranha dormência começar a se espalhar por seu corpo. Não era apenas whisky; havia algo mais ali.

— Isso vai ajudar você a relaxar enquanto eu decido como vou lidar com a sua desobediência — disse ele, sentando-se à frente dela e observando-a como um rei observa um súdito caído.

— Por que você faz isso? — ela murmurou, a língua começando a enrolar devido à droga no álcool. — O que Royale High fez com você?

— Royale High me deu o poder de ser quem eu realmente sou — respondeu ele, limpando uma gota de bebida do canto da boca dela com o polegar. — Aqui, os fortes fazem as regras. E as regras dizem que você é minha propriedade.

Ele se levantou e começou a acariciar o rosto dela com a ponta de uma adaga pequena que tirara do cinto.

— Você é tão linda quando está quebrada, Izabelle. Quase tão linda quanto o Haru foi no final. Mas você tem algo que ele não tinha. Você tem fogo. E eu vou me divertir muito apagando esse fogo, faísca por faísca.

Ele se inclinou e a beijou, um beijo que sabia a álcool, sangue e desespero. Izabelle sentiu suas pálpebras pesarem. O mundo estava desaparecendo, e a última coisa que viu antes de mergulhar na escuridão foram os olhos azuis de Kageyama Tobio, brilhando com a promessa de um sofrimento que ela agora sabia que não teria fim.

A névoa lá fora continuava a abraçar a academia, ocultando os segredos de Royale High. No Casarão 13, a alma de Izabelle Mariana estava sendo moldada pelas mãos de um mestre da dor, e o mistério de Haru não era mais uma investigação, mas sim o seu próprio destino. O jogo de sedução e terror havia atingido um novo nível, onde o prazer era a moeda de troca pela sanidade, e a fuga era apenas um sonho distante no labirinto de vidro e aço que Kageyama construíra ao redor dela.