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Loucos

O Doce Veneno da Rendição

A luz da manhã infiltrava-se pelas cortinas de seda rosa, mas não trazia o terror das madrugadas anteriores. Quando Izabelle abriu os olhos, sentiu um peso estranho, mas não era o metal frio das correntes. Seus pulsos e a palma de sua mão direita estavam cuidadosamente enfaixados com gazes brancas e limpas. Ela piscou, confusa, sentindo o corpo moído. Cada movimento enviava um eco de dor lombar e uma sensibilidade aguda entre as pernas, lembretes físicos da intensidade possessiva de Kageyama na noite anterior.

Ela olhou ao redor. O quarto estava silencioso. Ele não estava lá.

A primeira reação de Izabelle, instintiva como a de um animal enjaulado, foi pensar na porta. Ela poderia correr. Poderia tentar a janela quebrada ou o porão. Mas então, a lembrança das consequências a atingiu como um balde de água gelada. Todas as vezes que tentou fugir, o castigo foi pior. A dor que sentia agora era o preço da sua rebeldia, e ela não tinha certeza se seu corpo aguentaria outra "lição" de Tobio tão cedo.

— Um banho — murmurou para si mesma, a voz rouca. — Eu só preciso de um banho.

Ela se levantou devagar, sentindo-se tonta. Sabia que a porta estaria trancada; sentia aquela presença invisível, como se câmeras ou os próprios olhos dele estivessem incrustados nas paredes, vigiando cada suspiro seu. Mas ela decidiu ignorar. Izabelle queria desesperadamente sentir-se humana de novo, e não um troféu de caça.

No banheiro, ela ligou o chuveiro no máximo. A água quente atingiu sua pele, fazendo-a soltar um gemido de alívio. Ela lavou os cabelos com cuidado, deixando o vapor limpar a sensação de sujeira que a alma parecia carregar. Depois de se secar, ela sentou-se diante do espelho da penteadeira. Com mãos trêmulas, mas decidida, ela modelou os cachos loiros, aplicou seu blush preferido para devolver a cor às bochechas pálidas e borrifou seu perfume de baunilha.

Ela queria fingir que era apenas um dia normal em Royale High. Que ela sairia dali para uma aula de poções ou para fofocar com as amigas. Era a sua forma de não enlouquecer, já que não podia recorrer à sua fiel dose de tequila para afogar os pensamentos.

Exausta pelo esforço de parecer bem, ela voltou para a cama e deitou-se de barriga para cima, encarando o teto. O silêncio era opressor. Ela ficou ali por horas, perdida em um limbo entre a realidade e o trauma, até que o sono a venceu novamente.

Quando acordou, o susto a fez saltar. Kageyama estava sentado em uma poltrona ao lado da cama, observando-a. Ele não dizia nada, apenas a estudava com aquele olhar azul profundo e insondável.

— Há quanto tempo você está me olhando? — perguntou ela, sentando-se e puxando o lençol para cobrir o peito, apesar de estar vestida.

— O tempo suficiente para saber que você não tentou forçar a fechadura desta vez — disse ele, a voz calma, quase melodiosa. — E para notar que você decidiu se arrumar para mim. Está linda, Izabelle.

Ela sentiu o rosto esquentar. Era uma mistura de ódio e uma vergonha ridícula, porque uma parte dela — a parte que ela mais desprezava agora — sentiu-se lisonjeada pelo elogio.

— Você deve estar com fome — continuou ele, apontando para uma bandeja sobre a mesa. Havia frutas frescas, croissants dourados e um omelete que exalava um aroma delicioso. — Eu trouxe isso para você.

— Não estou com fome — respondeu ela, desviando o olhar.

A expressão de Kageyama mudou instantaneamente. O brilho suave nos olhos deu lugar a uma rigidez fria. Ele se levantou, aproximando-se da cama com uma aura de autoridade que a fez encolher-se.

— Não teste minha paciência, Izabelle. Eu estava disposto a ser generoso hoje porque você foi uma boa menina e não tentou fugir. Não estrague o seu progresso.

Izabelle engoliu em seco, permanecendo calada. Ela o observou enquanto ele se afastava para pegar uma caixa de primeiros socorros sobre a cômoda. Só então ela reparou nas roupas dele. Ele não usava o uniforme escolar nem o traje de esgrima. Kageyama vestia um terno preto sob medida, com uma camisa social branca impecável e uma gravata escura. O corte do paletó realçava seus ombros largos e a musculatura poderosa de seus braços, fazendo-o parecer um príncipe herdeiro de algum império sombrio.

Ele voltou para a beirada da cama e estendeu a mão.

— Dê-me sua mão. Vou trocar os curativos.

Izabelle hesitou por um segundo, olhando para os dedos longos e fortes dele. Então, quase contra sua vontade, ela estendeu a mão machucada. Enquanto ele desfazia as faixas com uma delicadeza desconcertante, ela o observava. Como aquele monstro podia parecer tão gentil por fora? Como ele conseguia ser tão bonito enquanto destruía sua vida? O pior de tudo era a percepção amarga de que ela ainda sentia aquela atração magnética por ele. Era uma loucura, uma burrice total, mas o toque dele em sua pele causava arrepios que não eram apenas de medo.

"Eu sou uma idiota", pensou ela. "Isso deve ser a tal Síndrome de Estocolmo. Eu deveria odiá-lo com cada fibra do meu ser, e no entanto..."

— Por que você está tão bem vestido? — perguntou ela, tentando quebrar o silêncio e seus próprios pensamentos traidores. — Geralmente você só usa o uniforme.

Kageyama ergueu os olhos para ela, um meio sorriso sarcástico brincando em seus lábios enquanto limpava o corte na palma da mão dela.

— Curiosa? — Ele aplicou uma nova pomada cicatrizante. — Tenho uma reunião com o Conselho Estudantil hoje. Assuntos burocráticos sobre a administração das alas.

O coração de Izabelle deu um solavanco.

— Reunião? — A voz dela falhou. — Eles... eles vão perguntar de mim? Alguém sabe que estou aqui?

Kageyama terminou de enrolar a gaze nova e apertou a mão dela suavemente, inclinando-se para frente até que seus rostos estivessem a centímetros de distância.

— Relaxe, pequena investigadora. Ninguém sabe sobre você. Para o resto da escola, você foi transferida para uma unidade externa por falta de vagas. Você é o meu segredo. Apenas meu.

Ele depositou um beijo casto na palma da mão enfaixada dela, os olhos fixos nos dela com uma possessividade que a deixava sem fôlego.

— Como você se comportou tão bem hoje — sussurrou ele, a voz descendo para um tom rouco e vibrante —, eu decidi que você merece uma recompensa. Ou melhor, eu mereço uma recompensa pelo esforço que estou tendo para... educar você.

Izabelle franziu a testa, sem entender.

— Recompensa?

Kageyama levantou-se e parou em pé ao lado da cama, desabotoando o paletó e, em seguida, levando as mãos ao cinto. O som do metal da fivela ecoou no quarto silencioso.

— Você vai me agradecer por ser tão compreensivo, Izabelle. Ajoelhe-se.

O sangue fugiu do rosto dela. Ela olhou para ele, os olhos verdes arregalados de choque.

— O quê? Eu... eu ouvi direito? — As palavras saíram em um sopro.

— Você ouviu perfeitamente — disse ele, a voz carregada de uma autoridade inquestionável.

— Eu não... eu não sei como fazer isso — gaguejou ela, o pânico misturando-se a uma curiosidade proibida. — Eu nunca fiz isso antes, Tobio. Por favor...

Ele se aproximou, segurando-a pelo queixo e forçando-a a olhar para cima. O olhar dele não era de raiva, mas de uma luxúria sombria e paciente.

— Eu vou te ensinar, Izabelle. Vou te guiar em cada passo, como fiz na esgrima. Você só precisa ser a boa menina que foi hoje cedo.

Ele a puxou da cama com suavidade, mas firmeza, conduzindo-a para o tapete felpudo diante dele. Izabelle sentia-se pequena, ridícula e, ao mesmo tempo, estranhamente ansiosa. Ela se ajoelhou, as mãos apoiadas nas coxas dele, sentindo o tecido caro do terno sob seus dedos.

— Isso — murmurou Kageyama, passando a mão pelos cabelos cacheados dela. — Não tenha medo. Eu estou aqui com você.

O que se seguiu foi uma lição de entrega e domínio. Sob a orientação sussurrada de Tobio, Izabelle explorou um território novo e assustador. Ele era paciente, elogiando cada movimento dela, sua mão firme na nuca de Izabelle guiando o ritmo. O contraste entre o homem impecável de terno e a situação em que ela se encontrava era surreal.

A cada som de prazer que ele soltava, Izabelle sentia uma pontada de poder misturada à sua submissão. Ela o odiava, sim, mas a sensação de tê-lo vulnerável ao seu toque, mesmo que sob as ordens dele, era inebriante. Quando Kageyama finalmente atingiu o seu limite, ele segurou o rosto dela com as duas mãos, ofegante, os olhos azuis nublados de êxtase.

— Perfeita — sussurrou ele, inclinando-se para beijá-la. O beijo era intenso, meloso, marcado pela possessividade de quem acabara de marcar seu território de todas as formas possíveis. — Você aprende rápido demais, Izabelle.

Ele a ajudou a se levantar e a deitou na cama novamente, cobrindo-a com o edredom como se fosse uma porcelana preciosa.

— Agora eu preciso ir para a reunião — disse ele, ajustando a gravata diante do espelho, voltando instantaneamente à postura do representante de turma perfeito. — Coma a comida que eu trouxe. Se eu voltar e a bandeja estiver cheia, teremos outra lição, e dessa vez não será tão... prazerosa para você.

Ele caminhou até a porta, mas parou antes de sair.

— Eu volto logo, minha pequena. Pense em mim enquanto eu estiver fora.

A porta se fechou e o som da tranca ecoou. Izabelle ficou ali, deitada, o sabor dele ainda em seus lábios e o perfume de baunilha e sândalo impregnado no quarto. Ela olhou para a bandeja de comida e, desta vez, pegou um pedaço de fruta.

Ela se sentia uma burra. Uma ridícula. Uma prisioneira que estava começando a amar as mãos que a prendiam. Mas, enquanto mastigava devagar, ela sabia que a batalha pela sua alma estava longe de terminar, e que Kageyama Tobio estava ganhando terreno a cada beijo, a cada toque e a cada ordem que ela, loucamente, começava a desejar cumprir.