Love or obssesion?
O Eco do Desejo no Telhado
O vento no telhado da Escola Preparatória Anakt soprava com uma liberdade que não existia nos corredores lá embaixo. O céu, um azul pálido que começava a ceder aos tons dourados da tarde, parecia uma tela infinita sobre as duas garotas. Sua estava sentada com as costas apoiadas na casa de máquinas, um volume de poesias aberto, enquanto Mizi, em um gesto que parecia natural demais para o pouco tempo de convivência, repousava a cabeça nas pernas da menor.
A voz de Sua era um fio de seda, lendo versos sobre o isolamento e a beleza do frio. Mizi mantinha os olhos fechados, a respiração lenta, o cabelo rosa e azul espalhado sobre o tecido escuro da saia do uniforme de Sua. O silêncio que se seguiu ao fim do poema foi preenchido apenas pelo zumbido distante da cidade.
Sua parou de ler. Ela observou o rosto de Mizi, as pálpebras relaxadas, os lábios entreabertos. De perto, Mizi não parecia a "rainha" intocável da escola; ela parecia alguém que, por trás de todo o sarcasmo e da voz rouca, carregava um cansaço que os outros nunca se davam ao trabalho de notar.
— Você é tão bonita... — sussurrou Sua, tão baixo que achou que o vento levaria as palavras embora.
Pensando que Mizi havia finalmente sucumbido ao sono, Sua hesitou por um segundo antes de estender a mão. Seus dedos pálidos e trêmulos tocaram os fios rosa, sentindo a textura macia. Ela começou a fazer um carinho suave, traçando a linha do couro cabeludo até as pontas azuladas, sentindo o coração martelar contra as costelas como um pássaro enjaulado.
— Se você continuar fazendo isso, eu vou acabar acreditando que você realmente gosta de mim, nanica.
A voz de Mizi, embora baixa, cortou o silêncio como uma lâmina. Sua recolheu a mão instantaneamente, o rosto explodindo em um vermelho escarlate.
— Você... você estava acordada? — Sua gaguejou, fechando o livro com tanta força que o som ecoou no terraço.
Mizi abriu os olhos lentamente. O dourado de suas íris parecia mais intenso sob a luz direta do sol. Ela deu um sorriso de lado, aquele olhar sedutor que costumava desarmar qualquer um, mas que agora parecia carregado de uma intenção muito mais específica.
— Eu disse que queria ouvir — Mizi disse, sentando-se e alongando o pescoço. — E eu ouço tudo, Sua. Inclusive o jeito que seu coração está batendo agora. Parece um tambor.
Sua tentou se levantar, a timidez voltando a ser sua armadura principal.
— Eu... eu devia ir. As aulas já vão acabar e o Luka vai me procurar para o clube de...
— O Luka pode esperar — Mizi interrompeu, levantando-se com uma agilidade predatória.
Antes que Sua pudesse dar um passo, Mizi a cercou. Com um movimento rápido, a garota mais alta prendeu Sua contra a parede de metal da casa de máquinas. O impacto leve fez Sua soltar um suspiro surpreso. Mizi apoiou as mãos de cada lado da cabeça de Sua, mas foi o movimento seguinte que fez o mundo da menor girar: Mizi pressionou o joelho firmemente entre as pernas de Sua, aplicando uma pressão sutil, mas deliberada.
— Mizi... o que você... — A voz de Sua sumiu quando Mizi inclinou a cabeça, enterrando o rosto na curva do pescoço dela.
— Eu disse que ia aquecer você, não disse? — A voz de Mizi era puro veludo e pecado.
Mizi começou a depositar beijos úmidos e lentos no pescoço de Sua. O contraste da pele fria de Sua com o hálito quente de Mizi era inebriante. Sua sentiu os joelhos fraquejarem, as mãos agarrando instintivamente os ombros da jaqueta de Mizi para não cair. Cada beijo que descia em direção à clavícula arrancava um arrepio novo, uma sensação que Sua nunca soubera que existia.
Enquanto uma das mãos de Mizi subia para acariciar o rosto de Sua, a outra começou a trabalhar nos botões da blusa social branca do uniforme.
— Mizi, alguém pode... — Sua tentou protestar, mas o som que saiu foi mais um gemido do que um aviso.
— Ninguém sobe aqui, Sua. Só a gente — Mizi sussurrou contra a pele dela, desabotoando o terceiro botão. — Relaxa. Deixa eu ver o que você esconde debaixo dessa fachada de garota séria.
***
Enquanto o ar no telhado ficava denso e carregado de eletricidade, o clima na quadra de esportes era de pura combustão.
— Você é um egoísta do caralho, Ivan! — Till gritou, a voz ecoando pelas arquibancadas vazias. Ele estava ofegante, o cabelo cinza grudado na testa pelo suor da aula de educação física que tinha acabado de terminar.
Ivan, que estava sentado no primeiro degrau da arquibancada com uma expressão de tédio forçado, apenas revirou os olhos.
— E você é um dramático, Till. Eu só disse a verdade. Você toca aquela guitarra como se estivesse tentando se vingar do mundo, mas no fundo, só quer que alguém te dê um abraço.
— Cala a boca! Você não sabe nada sobre mim! — Till avançou, agarrando a gola da camisa de Ivan. — Você acha que pode entrar na vida das pessoas, bagunçar tudo e sair rindo com a boca cheia de doce? Você me odeia tanto assim?
Ivan se levantou, a diferença de altura fazendo com que ele olhasse para baixo, diretamente nos olhos verdes e furiosos de Till. Por um segundo, a máscara de sarcasmo de Ivan caiu, revelando uma intensidade sombria.
— Eu não te odeio, seu idiota. Esse é o problema.
Till congelou. O aperto na camisa de Ivan afrouxou, mas ele não soltou. O silêncio entre eles era pesado, carregado de tudo o que não era dito há meses.
— O que você quer dizer com isso? — Till perguntou, a voz falhando.
Ivan bufou, empurrando as mãos de Till para longe.
— Quer saber? Esquece. Você é burro demais para entender.
Ivan deu as costas e saiu caminhando em direção aos vestiários, deixando Till sozinho no meio da quadra, com o peito doendo de uma forma que nenhum exercício físico explicaria. Frustrado e sentindo as lágrimas de raiva arderem nos olhos, Till chutou uma bola de basquete com força e saiu na direção oposta.
Ivan não foi para a próxima aula. Ele entrou no banheiro masculino do bloco C, trancou-se em uma das cabines e encostou a cabeça na parede fria. Ele tirou um pirulito do bolso, mas não o abriu. Seus dedos tremiam levemente.
— Porra, Till... — sussurrou para o vazio, sentindo o gosto amargo da própria incapacidade de ser honesto.
***
De volta ao telhado, a blusa de Sua estava aberta, revelando a pele pálida que parecia brilhar sob a luz do entardecer. Mizi já havia deslizado as alças do sutiã de Sua, expondo-a completamente ao ar fresco e ao olhar devorador que agora a encarava.
Mizi não perdeu tempo. Ela envolveu um dos seios de Sua com a mão, sentindo a maciez enquanto sua boca encontrava o mamilo ereto da outra. Sua soltou um grito abafado, a cabeça pendendo para trás contra o metal. As sensações eram intensas demais, um turbilhão de prazer e choque que a faziam arquear o corpo contra Mizi.
— Mizi... ah... — Sua murmurava, os dedos enterrados no cabelo rosa de Mizi, puxando-a para mais perto enquanto a língua da garota maior trabalhava com uma perícia que denunciava experiência.
Mizi subiu o olhar por um momento, vendo a expressão de entrega total no rosto de Sua. Os olhos roxos estavam nublados pelo desejo, a boca entreaberta buscando ar. Mizi sentiu uma satisfação profunda. Ela sabia que tinha Sua em suas mãos.
Ela desceu a mão livre, deslizando-a por cima da saia de Sua, sentindo o calor que emanava entre as pernas da garota. Sua estava quente, muito quente. Mizi deu um sorriso predatório, roçando os dedos ali, provocando, ouvindo os gemidos de Sua aumentarem de volume.
E então, abruptamente, Mizi parou.
Ela se afastou, deixando Sua tremendo e ofegante, com a blusa aberta e o corpo clamando por mais. Mizi começou a abotoar a própria jaqueta, que havia se desalinhado, e olhou para Sua com uma calma irritante.
— Acho que por hoje está bom, não acha? — Mizi disse, a voz voltando ao tom casual e sarcástico. — Não queremos que você desmaie aqui em cima.
Sua piscou, tentando processar a interrupção súbita. A frustração subiu como uma onda, misturada com uma confusão dolorosa.
— O quê? Mizi, você... você não pode simplesmente parar agora!
Mizi riu, um som curto e charmoso, enquanto ajudava Sua a subir as alças do sutiã com uma impessoalidade que doía.
— Eu posso fazer o que eu quiser, Sua. E agora, eu quero ir embora. A gente se vê amanhã?
Mizi terminou de fechar a blusa de Sua com dedos ágeis, deu um tapinha leve na bochecha da garota ainda em choque e caminhou em direção à porta do telhado, bocejando.
— Ah, e Sua? — Mizi parou na porta, olhando por cima do ombro com um olhar que prometia muito mais do que entregava. — Se contar para alguém, eu nego tudo. Mas eu sei que você não vai contar. Você gosta de ter segredos comigo.
A porta se fechou com um clique metálico, deixando Sua sozinha no telhado, com o coração acelerado e o corpo em chamas.
Minutos depois, Sua desceu as escadas, ajeitando o uniforme e tentando recompor a expressão melancólica de sempre. Ela encontrou Luka e Hyuna perto da saída.
— Onde você estava? — Hyuna perguntou, arqueando uma sobrancelha. — Mizi passou por aqui agora pouco dizendo que você tinha ficado presa na biblioteca terminando um ensaio.
— É... foi isso — Sua mentiu, sem conseguir olhar nos olhos de Hyuna. — Eu me perdi no tempo.
Luka observou Sua por um momento, seus olhos amarelos analíticos notando um botão da blusa dela que estava na casa errada, mas ele não disse nada. Ele apenas ajustou os óculos e olhou para Hyuna.
— Vamos? Temos muito o que estudar hoje.
— Vamos, loirinho — Hyuna sorriu, entrelaçando os dedos nos dele.
Enquanto o grupo se dispersava, cada um carregando seus próprios segredos e tensões, Mizi caminhava em direção ao portão da escola, sentindo o gosto de Sua ainda em seus lábios. Ela sabia que tinha cruzado uma linha, mas para Mizi, as linhas só existiam para serem apagadas.
Ninguém desconfiava. Ninguém sabia que, sob o céu alaranjado da Anakt, a garota mais desejada da escola e a garota mais invisível haviam começado um jogo onde ninguém sairia ileso. E para Mizi, aquele era o melhor tipo de jogo.