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Love or obssesion?

O Ritmo do Desejo e a Obediência do Olhar

O silêncio do apartamento de Mizi era agora preenchido apenas pelo som da respiração ritmada das duas. No sofá de couro, a tensão agressiva de antes havia se transformado em uma entrega lânguida e faminta. Sua não parecia mais a garota retraída da biblioteca; ela estava sentada entre as pernas de Mizi, com as costas apoiadas no peito da mais alta, movendo o quadril de forma lenta e manhosa contra ela.

— Você não cansa, não é? — sussurrou Mizi, sua voz saindo como um trovão baixo e rouco, enquanto suas mãos apertavam a cintura de Sua, mantendo-a firme ali.

Sua não respondeu com palavras. Em vez disso, jogou a cabeça para trás, expondo a linha pálida de seu pescoço. Ela começou a se esfregar em Mizi com mais insistência, sentindo o calor que emanava da rosada. Com um movimento fluido, Sua virou o rosto e começou a trilhar beijos úmidos e sucções leves pelo pescoço de Mizi, subindo até a mandíbula.

— Mizi... — murmurou Sua, a voz carregada de uma carência que só Mizi parecia ser capaz de saciar.

Mizi fechou os olhos, sentindo os arrepios percorrerem sua espinha. Aquele lado de Sua — possessivo, manhoso e físico — era algo que a desarmava completamente. Ela, que sempre fora o centro das atenções, agora se via orbitando o desejo daquela garota de olhos roxos.

— Vem — disse Mizi, levantando-se com Sua ainda agarrada ao seu corpo como uma trepadeira.

No quarto, sob a luz suave de um abajur de sal, a cena se intensificou. Sua estava no colo de Mizi, as pernas entrelaçadas na cintura dela, beijando-a sem parar. Não eram beijos calmos; eram urgentes, uma mistura de línguas e dentes que buscavam marcar território. Sua se esfregava em Mizi com uma audácia que fazia a mais alta soltar palavrões baixos de puro prazer, as mãos de Mizi explorando cada curva do corpo pálido sob os lençóis de seda.

***

Enquanto isso, em uma parte muito menos luxuosa da cidade, o clima na casa de Till era de uma eletricidade estática prestes a explodir. Ivan estava sentado na beira da cama de Till, observando o guitarrista guardar as partituras com uma impaciência evidente.

— Você vai ficar me encarando a noite toda ou vai dizer logo o que quer? — perguntou Till, jogando o caderno de qualquer jeito na escrivaninha.

Ivan deu aquele sorriso de lado, o olhar escuro fixo em Till.

— Eu já disse o que eu queria no parque, Till. Achei que você fosse mais esperto.

Till se virou, o rosto queimando. Ele caminhou até Ivan, parando entre as pernas dele.

— Você é um idiota, sabia? Um completo idiota por achar que pode falar aquelas coisas e esperar que eu...

Ivan não o deixou terminar. Ele puxou Till pela gola da camiseta, forçando-o a se inclinar. O beijo foi um choque de realidade. Till resistiu por meio segundo antes de ceder, suas mãos agarrando o cabelo preto de Ivan com uma força que beirava o desespero. Era um beijo amargo, doce e confuso, exatamente como a relação deles. Quando se separaram, ambos estavam ofegantes, os olhos fixos uns nos outros com uma nova compreensão.

— Eu ainda te odeio — sussurrou Till, embora não fizesse menção de se afastar.

— Eu sei — Ivan sorriu, limpando o canto da boca. — É o que eu mais gosto em você.

***

De volta ao santuário de vidro de Mizi, a manhã começava a dar seus primeiros sinais no horizonte. O caos da madrugada havia cedido a uma calmaria doméstica e estranha. Sua estava sentada no chão da sala, vestindo apenas uma camiseta oversized de Mizi que ficava enorme nela. Ela fazia carinho em um Golden Retriever de pelagem brilhante que descansava a cabeça em seu colo.

— Você é uma boa garota, não é? — disse Sua, com uma voz doce que Mizi raramente ouvia. — Sim, você é a melhor garota desse mundo.

Mizi, que estava encostada no portal da cozinha observando a cena, sentiu um estalo de ciúmes bobo. Ela arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços sobre o peito. Sua percebeu o olhar e levantou os olhos roxos, encontrando o dourado intenso de Mizi. O olhar de Mizi dizia claramente: "E eu?".

Sua sentiu uma pontada de diversão. Ela queria testar os limites daquela nova dinâmica. Queria ver até onde a "rainha" da Anakt iria por ela.

— Mizi? — chamou Sua, com um tom de voz que misturava inocência e comando.

— Fala, nanica.

— Estou com sede. Pode pegar um copo de água para mim?

Mizi piscou, surpresa. Normalmente, ela mandaria qualquer um se ferrar e pegar a própria água. Mas, sob o olhar espectador de Sua, ela apenas descruzou os braços.

— Folgada — resmungou Mizi, mas caminhou até a cozinha, voltando momentos depois com um copo de água gelada e entregando-o a Sua.

Sua bebeu um gole, escondendo um sorriso atrás do vidro.

— Meus pés estão doendo — continuou Sua, esticando as pernas em direção a Mizi. — Acho que foi de tanto ficar na ponta dos pés ontem à noite. Faz uma massagem?

Mizi soltou uma risada incrédula, mas seus olhos brilharam com um desafio aceito. Ela se sentou no chão em frente a Sua, pegou os pés pequenos e pálidos dela e começou a apertá-los com uma pressão firme e experiente.

— Você está abusando da sorte, Sua — comentou Mizi, embora suas mãos fossem gentis.

— Estou? — Sua inclinou a cabeça. — Sabe o que eu queria agora? Aqueles doces que o Ivan vive comendo. Uns marshmallows ou balas de goma.

Mizi parou a massagem por um segundo, olhando para o relógio. Eram seis da manhã.

— Você quer que eu saia agora pra comprar doce?

— Uma boa garota faria isso — Sua disparou, o olhar desafiador.

Mizi soltou um palavrão baixo, levantou-se e pegou a jaqueta.

— Se eu for assaltada ou morrer de sono no caminho, a culpa é sua — disse Mizi, mas antes de sair, inclinou-se e deu um beijo rápido na testa de Sua.

Sua ficou sozinha no apartamento por vinte minutos, o coração batendo forte. Ela não conseguia acreditar que Mizi realmente tinha ido. A garota mais sarcástica, independente e desejada da escola estava agindo como um cachorrinho obediente para ela.

Quando a porta se abriu, Mizi entrou com uma sacola de conveniência, jogando-a no colo de Sua. Ela estava um pouco descabelada e parecia exausta, mas havia um brilho de satisfação em seu rosto.

— Satisfeita? — perguntou Mizi, sentando-se ao lado dela.

Sua olhou para a sacola cheia de doces e depois para Mizi. Ela se aproximou, engatinhando até o colo da rosada, e envolveu o pescoço dela com os braços.

— Sim — sussurrou Sua, aproximando os lábios do ouvido de Mizi. — Você é uma boa garota, Mizi. A melhor de todas.

Mizi sentiu um arrepio violento. Aquelas palavras, ditas com aquela voz, eram mais viciantes do que qualquer droga. Ela não esperou mais. Agarrou a nuca de Sua e a puxou para um beijo devastador. Mizi enfiou a língua com força, dominando o espaço, e no meio do beijo, deu uma mordida firme e possessiva na língua de Sua.

Sua soltou um gemido de surpresa e dor, que logo se transformou em um suspiro de prazer.

— Não brinca comigo, Sua — rosnou Mizi contra os lábios dela, os olhos dourados brilhando com uma intensidade selvagem. — Porque se eu sou a sua boa garota, você é a minha única dona. E eu não aceito dividir.

Sua sorriu entre o beijo, sentindo o gosto metálico e doce da entrega. Naquele apartamento de vidro, as regras da escola não existiam. Só existia o comando de uma e a obediência — perigosa e apaixonada — da outra.

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