Love or obssesion?
O Ritmo das Estrelas e o Gosto do Erro
A manhã na Escola Preparatória Anakt parecia vibrar em uma frequência diferente. O sol atravessava as janelas do corredor principal, mas o foco de todos os olhares não era a arquitetura ou as aulas que estavam prestes a começar. O epicentro do choque era Mizi. A garota que costumava caminhar como se fosse a dona do mundo, com um olhar de tédio soberano e uma aura de intocabilidade, agora seguia Sua como se estivesse presa a um fio invisível.
Sua caminhava calmamente, o exemplar de poesia russa apertado contra o peito, mantendo sua expressão melancólica habitual. No entanto, havia um brilho sutil em seus olhos roxos. Atrás dela, Mizi carregava a mochila de Sua em um ombro e, com a outra mão, segurava a ponta do cachecol da menor, mantendo-se a exatos dois passos de distância.
— Cara, eu estou vendo isso mesmo ou o álcool da festa da Hyuna fritou meus neurônios de vez? — perguntou Till, encostado nos armários ao lado de Ivan.
— O que você está vendo, meu caro guitarrista revoltado — Ivan respondeu, mastigando um pirulito de uva com um sorriso malicioso —, é a queda de um império. A Mizi não está apenas gostando da minha irmã. Ela está, literalmente, na coleirinha.
Hyuna e Luka observavam a cena de longe. Hyuna soltou uma gargalhada alta, batendo palmas.
— Eu sabia! Eu disse que a Sua tinha garras. Olha a cara da Mizi... ela parece um Golden Retriever esperando um comando.
— É fascinante — comentou Luka, ajustando os óculos com sua frieza nerd habitual. — A inversão de poder em dinâmicas sociais baseadas em desejo costuma ser súbita, mas a Mizi levou isso a um nível performático.
Sua parou diante de seu armário e virou-se para Mizi. A rosada parou instantaneamente, os olhos dourados fixos nos de Sua, aguardando.
— Mizi, eu esqueci meu chiclete de menta no carro. Você busca para mim? — pediu Sua, com uma voz doce que escondia uma autoridade implacável.
— Agora? O sinal vai bater em dois minutos, nanica — Mizi começou a protestar, mas Sua apenas inclinou a cabeça, sustentando o olhar. Mizi soltou um palavrão baixo, mas já estava entregando a mochila para Sua. — Tá, tá bom! Porra, eu vou correndo. Não sai daí.
Mizi saiu disparada pelo corredor, trombando em alguns alunos do primeiro ano que ficaram boquiabertos ao ver a "deusa" da escola correndo para cumprir um favor mundano.
— Você é cruel, Sua — disse Ivan, aproximando-se da irmã assim que Mizi sumiu de vista. — Gostei disso.
— Eu não sou cruel, Ivan — Sua respondeu, guardando os livros no armário sem olhar para ele. — Eu só estou dando a ela o que ela secretamente queria: alguém que não se impressiona com a fachada dela.
***
Horas depois, o cenário mudou do caos escolar para a quietude luxuosa do apartamento de Mizi. O pôr do sol pintava as paredes de vidro com tons de laranja e roxo, mas as duas garotas não estavam interessadas na vista.
Assim que a porta se fechou, a dinâmica mudou. A "boa garota" que carregava mochilas deu lugar a uma Mizi faminta, mas Sua foi mais rápida. Ela empurrou Mizi contra a porta, prendendo-a ali com o próprio corpo.
— Você foi muito obediente hoje — sussurrou Sua, sua voz descendo para um tom perigosamente grave.
Sua começou a se esfregar contra Mizi, sentindo o calor do corpo da rosada através das roupas. Ela subiu as mãos pelos braços de Mizi, prendendo os pulsos dela contra a madeira da porta, e começou a beijar o pescoço da mais alta. Não eram beijos castos. Sua usava a língua, lambendo a pele quente e subindo até a orelha de Mizi, onde desferiu uma mordida pequena, mas firme.
— Você gosta quando eu mando em você na frente deles, não gosta? — Sua sussurrou contra o pavilhão auditivo de Mizi. — Gosta de sentir que todo mundo sabe que você é minha.
Mizi soltou um gemido abafado, a cabeça pendendo para trás.
— Porra, Sua... você fala demais — Mizi reclamou, mas seu corpo estava trêmulo.
Sua soltou os pulsos de Mizi e a puxou em direção ao sofá de couro. Ela sentou-se no colo de Mizi, cavalgando seus quadris, e voltou ao ataque no pescoço. A língua de Sua traçava caminhos úmidos, enquanto ela falava coisas pervertidas no ouvido de Mizi, descrevendo exatamente o que queria fazer com ela, detalhando como a rosada ficava linda quando perdia o controle.
— Abre — ordenou Sua, afastando-se apenas o suficiente para olhar no rosto de Mizi.
Sua usou os dedos para abrir os lábios de Mizi, expondo os dentes perfeitos e os caninos levemente afiados que ela tanto adorava. Ela admirou a visão por um segundo antes de enfiar a própria língua na boca de Mizi, iniciando um beijo profundo e invasivo.
Enquanto suas línguas se entrelaçavam em uma batalha faminta, Sua pegou a mão direita de Mizi e a guiou para baixo, para dentro de sua própria saia do uniforme. Mizi não precisou de mais instruções. O contato com a intimidade já encharcada de Sua fez os olhos dourados de Mizi brilharem com uma luxúria selvagem.
Sem aviso, Mizi enfiou três dedos de uma vez dentro de Sua.
O gemido de Sua foi engolido pelo beijo, um som gutural que vibrou entre as duas. Elas se separaram, as respirações curtas e pesadas. Sua jogou a cabeça para trás, o pescoço arqueado, enquanto Mizi continuava o movimento interno com uma força implacável.
Mizi, sentindo a dominação retornar aos seus dedos, usou a outra mão para agarrar o rabo de cavalo de Sua, puxando o cabelo dela para trás com força, expondo ainda mais o rosto da menor.
— Você queria isso, não queria? — rosnou Mizi, aumentando a velocidade dos dedos.
Sua não conseguia responder com palavras. Ela babava levemente, o olhar nublado pela intensidade do prazer. Ela começou a quicar nos dedos de Mizi, buscando mais profundidade, mais atrito. O som da umidade entre elas preenchia o silêncio do apartamento.
— Mais... Mizi, por favor... — Sua implorou, a voz falhando.
Mizi sorriu, um sorriso predatório. Ela adicionou o quarto dedo, preenchendo Sua completamente. O choque da nova pressão fez Sua morder o ombro de Mizi com força, um grito silencioso morrendo em sua garganta. Ela enterrou o rosto no pescoço de Mizi, alternando entre mordidas e lambidas frenéticas enquanto o ápice se aproximava.
Sua estava entregue. Ela babava no ombro de Mizi, os olhos revirando enquanto o prazer a atingia em ondas violentas. Com um último espasmo forte, ela gozou, o corpo tremendo tanto que Mizi teve que segurá-la com força para que ela não caísse do sofá.
O silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pelos soluços baixos de exaustão de Sua. Mizi retirou a mão lentamente, sentindo o calor e a prova da entrega total da garota em seu colo.
Segundos depois, a Sua autoritária que mandava Mizi buscar chicletes havia desaparecido. Em seu lugar, a garota melancólica e carente ressurgiu. Sua se encolheu no peito de Mizi, escondendo o rosto na curva do pescoço da rosada, as mãos agarrando a camiseta dela como se sua vida dependesse disso.
— Mizi... — murmurou Sua, a voz pequena e manhosa.
— Eu estou aqui, nanica — Mizi respondeu, sua voz voltando a ser doce, enquanto acariciava as costas de Sua. — Eu não vou a lugar nenhum.
Mizi a envolveu em um abraço protetor, beijando o topo da cabeça de Sua. Ela sabia que, no dia seguinte, Sua voltaria a ser a dona do jogo na escola, e Mizi voltaria a ser sua seguidora obediente. Mas ali, naquele sofá, elas eram apenas duas metades de um caos que finalmente fazia sentido.
— Você é uma idiota — sussurrou Sua contra a pele de Mizi.
— Sou a sua idiota — Mizi corrigiu, sorrindo para o vazio do apartamento luxuoso. — Agora dorme. Amanhã eu ainda tenho que carregar sua mochila.
Sua soltou um riso anasalado e fechou os olhos, finalmente encontrando a paz que só o caos de Mizi conseguia proporcionar.