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Love Propice

Sol, Sal e Segredos Compartilhados

O sol da manhã entrava pelas frestas da cortina de linho, mas não foi a luz que acordou Rafaella. Foi o som abafado de risadas vindo do corredor do hotel, uma vibração familiar que a fez sorrir antes mesmo de abrir os olhos. Ao seu lado, Augusto ainda dormia o sono dos justos, um braço pesado jogado sobre a cintura dela, como se mesmo inconsciente ele precisasse garantir que ela não fugiria para lugar nenhum.

Ela se virou devagar, admirando as feições relaxadas do marido. O rosto que ontem exalava uma intensidade selvagem agora parecia quase angelical, se não fosse pela barba por fazer e pelas marcas de arranhões leves que ela mesma havia deixado em seus ombros durante a madrugada.

— Guto... — sussurrou ela, beijando a ponta do nariz dele. — Acorda, meu amor. Acho que nossos "carrapatos" favoritos já chegaram.

Augusto resmungou algo ininteligível e a puxou para mais perto, enterrando o rosto no pescoço dela.

— Deixa eles baterem na porta errada... só mais cinco minutos.

— Não são cinco minutos, Augusto! — A voz de Sofia ecoou do outro lado da porta, acompanhada por batidas rítmicas. — Eu sei que vocês estão aí sendo produtivos, mas o sol está incrível e eu não vim para esse resort para ficar olhando para a cara do Bernardo no café da manhã! Eu quero praia!

Augusto soltou um suspiro derrotado, mas rindo.

— Ela não desiste nunca, não é?

— É a Sofia, Guto. Você esperava o quê? — Rafa se levantou, exibindo a silhueta impecável que o sol começava a iluminar. — Vamos logo. Prometemos que passaríamos o primeiro dia da lua de mel com eles antes de nos "escondermos" do mundo.

Vinte minutos depois, o quarteto estava reunido no lobby, prontos para desbravar a areia branca que se estendia à frente do hotel. Sofia estava radiante em um biquíni neon e uma saída de praia esvoaçante, enquanto Bernardo carregava uma bolsa térmica com a eficiência de quem já planejava aquele momento há meses.

— Finalmente! — exclamou Sofia, abraçando Rafa com força. — Amiga, você está com um brilho... não sei se é o sol ou se o Augusto realmente está cumprindo o papel de marido exemplar.

Rafa deu uma piscadela cúmplice, enquanto os dois homens se cumprimentavam com um aperto de mão e um abraço de lado.

— Ela está maravilhosa, Sofia. Mas agora, menos papo e mais mar — disse Augusto, ajustando os óculos escuros e pegando a mão de Rafaella.

A descida para a praia foi um espetáculo à parte. O caminho era feito por uma escadaria de madeira rústica cercada por vegetação nativa. À medida que desciam, o cheiro do sal ficava mais forte e o calor do sol começava a arder suavemente na pele.

— Olhem aquele lugar ali! — Bernardo apontou para um conjunto de espreguiçadeiras privativas, afastadas do burburinho dos outros hóspedes. — O padrinho aqui já providenciou o melhor spot da praia.

Eles se acomodaram sob o sombreiro de palha. Rafaella tirou a saída de praia, revelando um biquíni preto minúsculo que fez Augusto travar o maxilar por um segundo. Ele se aproximou dela por trás, ajudando-a a passar o protetor solar.

— Você quer me matar, não quer? — sussurrou ele no ouvido dela, as mãos deslizando pelas costas macias.

— O quê? Eu só estou me protegendo do sol, Guto — respondeu ela, com um sorriso inocente que não enganava ninguém.

— Sei... — Augusto deu um beijo no ombro dela. — Se a gente não tivesse convidados, eu te carregava de volta para aquela suíte agora mesmo.

— Ei, vocês dois! — Sofia gritou de dentro da água, já molhada até a cintura. — Parem de se pegar por cinco segundos e venham ver como a água está perfeita! Bernardo, para de organizar as cervejas e vem logo!

Bernardo soltou uma risada alta, fechando a térmica.

— Já vou, capitã!

Os quatro correram para o mar. A água estava morna e cristalina, permitindo ver os pés na areia clara sob as ondas pequenas. Foi um momento de leveza pura. Depois da tensão e da adrenalina dos preparativos do casamento, estar ali, com as pessoas que mais amavam, parecia o fechamento perfeito de um ciclo e o início de outro.

— Sabe, Guto — disse Bernardo, enquanto os dois homens boiavam um pouco mais afastados das meninas —, eu nunca te vi tão tranquilo. Nem quando a gente fechou aquele contrato gigante ano passado.

Augusto olhou para a areia, onde Rafa e Sofia agora estavam sentadas na beira d'água, rindo de algo que parecia muito engraçado.

— É uma paz diferente, cara. Ver a Rafa entrando naquela igreja... parece que as peças finalmente se encaixaram. Eu sempre soube que era ela, mas agora é oficial. Ela é minha família.

— Eu te entendo — Bernardo sorriu, olhando para Sofia. — A intensidade delas nos consome, mas é o que nos mantém vivos. Só não esquece de respirar de vez em quando, porque a Rafaella não é mulher de brincadeira.

— Eu sei bem disso. E não pretendo descansar nem um segundo.

Enquanto isso, na beira da água, o assunto era outro.

— E então, Rafa? — Sofia perguntou, ajeitando o cabelo molhado. — A noite de núpcias foi tudo o que você imaginou? Ou o Augusto amarelou com o cansaço da festa?

Rafa soltou uma gargalhada, jogando água na amiga.

— O Augusto? Amarelar? Sofia, você conhece o homem com quem eu me casei. Ele é... intenso. Foi maravilhoso. Ele é tão romântico quanto é fogoso. Me sinto em uma nuvem.

— Ai, que inveja boa! — Sofia suspirou, abraçando os joelhos. — Vocês dois exalam uma química que chega a ser perigosa. Ontem, na festa, o Bernardo teve que me tirar de perto de vocês porque eu já estava ficando com calor só de ver o jeito que o Augusto te olhava durante a valsa.

— Ele tem esse poder — admitiu Rafa, olhando para o marido no mar. — Mas o que eu mais amo é como ele me faz sentir segura. Mesmo no meio de toda aquela loucura de ontem, quando ele pegou na minha mão no altar, o mundo parou.

O dia seguiu entre mergulhos, drinks de frutas tropicais e muitas risadas. Bernardo e Sofia eram o contraponto perfeito para a aura romântica de Augusto e Rafaella. Enquanto os recém-casados trocavam carícias constantes e olhares profundos, os amigos garantiam que o clima não ficasse meloso demais, trazendo piadas internas e histórias de faculdade à tona.

Por volta das duas da tarde, a fome apertou. Eles decidiram pedir alguns petiscos ali mesmo na areia.

— Camarão na brasa e caipirinha de seriguela? — sugeriu Bernardo.

— Perfeito — concordaram todos.

Enquanto esperavam, Augusto se deitou na espreguiçadeira e puxou Rafa para deitar sobre seu peito. Ele acariciava o braço dela, sentindo a pele quente pelo sol.

— Está feliz, minha Rafa? — perguntou ele, a voz baixa, quase um segredo.

— Muito — respondeu ela, levantando o rosto para encará-lo. — Eu não mudaria nada. Nem o pedido no restaurante, nem a festa, nem essa manhã com eles.

— Eu estava pensando... — Augusto começou, hesitando por um segundo. — Que tal se hoje à noite a gente pedisse o jantar no quarto? Só nós dois. Tenho uma surpresa que não envolva óleos de massagem... ou talvez envolva também.

Rafaella mordeu o lábio inferior, os olhos brilhando.

— Uma surpresa, é? E eu posso saber do que se trata?

— Se eu contar, deixa de ser surpresa. Mas garanto que você vai gostar.

— Vocês dois estão cochichando o quê aí? — Sofia interrompeu, voltando com uma bandeja de bebidas. — Nada de planejar fugas! O plano é ver o pôr do sol no mirante do hotel e depois jantar naquele restaurante japonês que o Bernardo reservou.

Rafa olhou para Augusto, que deu de ombros com um sorriso cúmplice.

— Tudo bem, Sofi. O mirante parece uma ótima ideia — cedeu Rafaella. — Mas o jantar japonês... vamos ver se a gente tem energia.

— Ah, vocês vão ter! — Bernardo chegou logo atrás. — Eu trouxe uns suplementos de energia naturais que são infalíveis.

— Bernardo! — Sofia o repreendeu, rindo. — Deixa os dois em paz. Eles são jovens, têm energia de sobra.

A tarde passou voando. Entre conversas sobre o futuro e planos de viagens que os quatro fariam juntos, o sol começou a baixar, tingindo o céu de tons que variavam do dourado ao violeta. Era o momento mais esperado do dia.

Eles recolheram as coisas e subiram para o mirante, uma plataforma de madeira construída no topo de uma falésia, que oferecia uma visão de 360 graus do oceano.

Quando chegaram lá, o espetáculo era de tirar o fôlego. O sol parecia mergulhar diretamente no mar, criando um rastro de fogo sobre as águas. Augusto abraçou Rafa por trás, ambos em silêncio, apenas sentindo a brisa e a grandiosidade do momento.

— É lindo — sussurrou Rafa.

— Não tanto quanto você — respondeu Augusto, sendo o romântico incurável que ela tanto amava.

Bernardo e Sofia estavam um pouco mais afastados, tirando fotos, mas por um instante, o mundo parecia pertencer apenas a Augusto e Rafaella.

— Três anos atrás, se alguém me dissesse que eu estaria aqui, casada com você, em um lugar desses... eu provavelmente acreditaria — disse ela, rindo baixo. — Porque desde o primeiro dia, eu sabia que você não me deixaria escapar.

— Eu nunca deixaria. Você foi o meu melhor investimento, o meu maior desafio e agora é a minha maior recompensa.

Eles se beijaram, um beijo lento que carregava o sabor do sal e a promessa de uma vida inteira de descobertas. O pôr do sol serviu como moldura para aquele quadro perfeito.

— Ok, chega de melaço! — Sofia gritou, rindo, enquanto guardava o celular. — A foto ficou perfeita, agora vamos nos arrumar porque eu quero comer o meu peso em sushi!

— Ela não tem jeito — disse Augusto, rindo e soltando Rafa.

— E é por isso que a amamos — completou Rafaella.

Enquanto caminhavam de volta para os quartos, a eletricidade entre Augusto e Rafa continuava lá, latente. Cada toque acidental de mãos, cada troca de olhares enquanto subiam o elevador, era um lembrete do que os esperava quando a porta finalmente se fechasse.

A praia tinha sido o cenário de uma manhã leve e divertida, mas a noite... a noite guardava a continuação daquela chama que parecia queimar cada vez mais forte.

Ao chegarem na porta do quarto, Augusto parou por um segundo antes de entrar.

— Dez minutos, Rafa. A gente se arruma, vai ao jantar, cumpre o protocolo social com nossos melhores amigos... e depois, o resto da noite é só seu.

Rafaella sorriu, passando a mão pelo rosto dele, sentindo a textura da pele e o calor que ele emanava.

— Dez minutos é muito tempo, Guto. Mas eu aceito o acordo. Só porque o Bernardo reservou o lugar.

— Te vejo no banho? — ele sugeriu, com um olhar que prometia muito mais do que apenas higiene.

— Com certeza.

A porta se fechou, deixando para trás o som do mar e as risadas dos amigos no corredor. Dentro da suíte, a atmosfera mudou instantaneamente. O romance do pôr do sol deu lugar à urgência do desejo. Eles tinham o resto da vida pela frente, mas para Augusto e Rafaella, cada segundo de sua lua de mel era uma eternidade que eles pretendiam viver com toda a intensidade que seus corações, e corpos, podiam aguentar.