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Love Propice

Entre a Água e o Êxtase

O vapor quente já começava a embaçar os vidros do banheiro de mármore antes mesmo de eles cruzarem o box. O acordo de "dez minutos" para se arrumarem foi esquecido no exato momento em que Augusto fechou a porta da suíte. Havia algo na pele salgada de Rafaella, no modo como o biquíni preto realçava suas curvas bronzeadas, que tornava impossível para ele simplesmente seguir o cronograma de um jantar.

— O banho... — murmurou Rafa, enquanto sentia as mãos grandes de Augusto desatarem o laço lateral de seu biquíni. — A gente... a gente vai se atrasar, Guto.

— Deixa eles esperarem — respondeu ele, a voz vibrando contra a nuca dela. — O Bernardo e a Sofia sabem exatamente com quem estão lidando.

A água caiu sobre eles como uma cascata morna. Augusto a prensou suavemente contra os azulejos frios, criando um contraste térmico que fez Rafa soltar um suspiro agudo. O sabonete líquido de baunilha deslizava entre seus corpos, tornando cada toque mais fluido e perigoso. As mãos de Augusto exploravam cada centímetro dela com uma familiaridade possessiva, enquanto Rafaella enterrava as unhas nos ombros largos do marido, puxando-o para um beijo que misturava o gosto da água doce com o desejo acumulado do dia inteiro sob o sol.

— Você é tão gostosa, Rafa — ele arquejou, descendo os beijos pelo pescoço dela enquanto a água batia em suas costas. — O dia inteiro vendo você naquela praia, com aqueles caras olhando... eu só conseguia pensar em ter você assim, sem nada entre nós.

Rafaella riu, uma risada anasalada e carregada de luxúria, jogando a cabeça para trás.

— Você é um possessivo incurável, sabia? Mas eu confesso... eu também não conseguia parar de olhar para você.

Eles se amaram ali mesmo, em meio ao vapor e ao som da água batendo no chão. Foi rápido, urgente e transbordando a intensidade que era a marca registrada do casal. Quando finalmente saíram do banho, ainda ofegantes, havia um brilho renovado nos olhos de ambos.

— Agora — disse Rafa, secando o cabelo com uma toalha felpuda —, se não sairmos em quinze minutos, a Sofia vai arrombar essa porta com a segurança do hotel.

Eles se arrumaram com uma eficiência surpreendente. Rafaella escolheu um vestido de seda cor de vinho, com um decote generoso nas costas e uma fenda que revelava suas pernas torneadas. Augusto optou por uma calça de alfaiataria escura e uma camisa de linho azul-marinho, deixando os dois primeiros botões abertos. Eles pareciam a imagem perfeita da sofisticação e do desejo.

O jantar com Bernardo e Sofia foi uma mistura de sofisticação e descontração. O restaurante japonês do resort ficava em um deck sobre a água, iluminado por lanternas de papel que balançavam suavemente com a brisa noturna.

— Finalmente os noivos resolveram aparecer! — exclamou Bernardo, levantando um copo de saquê. — Eu já estava quase pedindo a conta e mandando entregar o sushi na porta do quarto de vocês.

— Culpa do Augusto — disse Rafa, sentando-se e lançando um olhar cúmplice ao marido. — Ele se perdeu no caminho do banheiro.

Sofia soltou uma gargalhada alta, analisando o rosto da amiga.

— Sei bem que tipo de "caminho" ele se perdeu. Você está radiante, Rafa. O sushi aqui é divino, mas acho que vocês dois já se alimentaram de outra coisa antes de vir, não?

— Sofia! — Augusto riu, servindo-se de um pouco de vinho. — Vamos focar no cardápio, por favor.

A noite fluiu entre risadas e brindes. Eles falaram sobre a festa de casamento, lembraram de momentos engraçados dos três anos de namoro e planejaram o próximo encontro. No entanto, por baixo da mesa, a mão de Augusto nunca deixava a coxa de Rafaella. Ele fazia carícias lentas, subindo o tecido da seda, lembrando-a a cada segundo de que o jantar era apenas um interlúdio.

— Sabe, Guto — comentou Bernardo, em um momento mais sério —, eu fico feliz de verdade por vocês. A gente vê muita gente casando por conveniência, mas olhar para vocês dois... dá até vontade de casar com a Sofia de novo.

— Nem inventa, Bernardo! — Sofia brincou, mas apertou a mão do marido. — Uma festa daquela já drenou toda a minha energia organizacional por uma década.

Ao final do jantar, após as sobremesas de gengibre e chá verde, Augusto pediu a conta discretamente.

— Bom, pessoal — disse ele, levantando-se —, o jantar estava impecável, mas eu prometi uma surpresa para a minha esposa e não quero que a noite acabe antes de mostrar a ela.

— Ih, lá vem ele — zombou Sofia, piscando para Rafa. — Divirtam-se, seus lindos. E tentem não quebrar nada no hotel, a caução foi alta!

Rafaella se despediu dos amigos com o coração leve, mas a curiosidade já a consumia. Enquanto caminhavam de volta para a ala das suítes, ela entrelaçou os dedos nos de Augusto.

— Que surpresa é essa, Guto? Você está misterioso desde o pôr do sol.

— Você vai ver — ele respondeu, mantendo o passo firme.

Em vez de seguirem para o elevador principal que levava ao quarto deles, Augusto a guiou por um corredor lateral, em direção a uma área mais isolada do resort, onde ficavam os bangalôs privativos que avançavam sobre o mar.

— Augusto, nosso quarto é para o outro lado — observou ela, franzindo a testa.

— O nosso quarto de ontem, sim — ele sorriu, parando em frente a uma porta de madeira maciça, adornada com flores tropicais. — Mas para a nossa segunda noite, eu achei que precisávamos de algo mais... exclusivo.

Ele abriu a porta e Rafaella perdeu o fôlego. O bangalô era uma obra-prima de luxo e sensualidade. O chão era feito parcialmente de vidro temperado, permitindo ver a água do mar iluminada por luzes subaquáticas, onde pequenos peixes nadavam. A cama king-size estava coberta por lençóis de seda negra, e centenas de velas aromáticas criavam uma luz âmbar e acolhedora.

No centro da sala, havia uma mesa pequena com uma garrafa de um champanhe caríssimo no gelo e uma caixa de morangos cobertos com chocolate amargo. Mas o que realmente chamou a atenção de Rafa foi o que estava além da varanda: uma piscina de borda infinita privativa que parecia desaguar diretamente no oceano sob o luar.

— Guto... isso é... — ela começou, mas as palavras sumiram.

— Não acabou — disse ele, fechando a porta atrás deles e trancando-a.

Ele caminhou até o som ambiente e deu play em uma playlist de jazz contemporâneo, baixo e envolvente. Depois, aproximou-se dela, retirando a caixa de morangos e colocando um deles na boca de Rafaella.

— Eu queria que esta noite fosse diferente. Queria que você sentisse que cada detalhe deste casamento foi pensado para o seu prazer.

Ele a conduziu até o centro do bangalô, onde o chão de vidro revelava o oceano abaixo deles.

— Tira o vestido, Rafa — ele ordenou, a voz agora carregada de uma autoridade que a fez estremecer.

Rafaella obedeceu lentamente. O zíper das costas desceu com um som sutil, e o tecido de seda deslizou pelo seu corpo até se amontoar no chão. Ela ficou apenas de lingerie de renda preta, contrastando com a pele quente. Augusto a observou por alguns segundos, o desejo em seus olhos sendo quase palpável.

— Você é uma obra de arte — sussurrou ele.

Ele se aproximou e, em vez de beijá-la imediatamente, pegou uma fita de seda preta que estava sobre a mesa.

— Confia em mim? — perguntou ele.

— Com a minha vida — respondeu ela, a respiração ofegante.

Augusto então vendou os olhos de Rafaella. A escuridão repentina aguçou todos os outros sentidos dela. Ela sentia o cheiro das velas de sândalo, o som distante das ondas e, principalmente, o calor do corpo de Augusto se aproximando.

— A surpresa é que, nesta noite, você não vai ver nada. Você só vai sentir — ele murmurou no ouvido dela.

Ele a guiou cuidadosamente até a varanda. O ar fresco da noite bateu em sua pele, mas logo ela sentiu algo diferente. Augusto a ajudou a entrar na água morna da piscina privativa. A sensação da água abraçando seu corpo enquanto ela não enxergava nada era inebriante.

— Guto... — ela chamou, buscando o apoio dele.

— Eu estou aqui, meu amor. Sempre aqui.

O que se seguiu foi uma exploração sensorial que ultrapassou tudo o que eles já haviam vivido. Sem a visão, cada toque de Augusto parecia multiplicado por mil. Ele usava as mãos, os lábios e até as pétalas de flores que flutuavam na água para despertar cada terminação nervosa dela.

A intensidade entre os dois atingiu um patamar quase espiritual. Augusto a possuía com uma calma calculada, deliciando-se com cada reação, cada arrepio e cada gemido que escapava dos lábios de Rafaella. Eles estavam sozinhos no meio do oceano, protegidos pela escuridão e unidos por um amor que queimava como fogo.

— Você é minha, Rafaella — ele dizia entre os beijos. — Minha esposa, minha vida, minha obsessão.

— Eu sou sua... toda sua — ela respondia, entregando-se completamente àquela escuridão prazerosa.

Horas depois, quando a venda finalmente foi removida, Rafaella se viu nos braços de Augusto dentro da piscina, observando o reflexo da lua na água. Ela estava exausta, mas com uma sensação de plenitude que nunca havia sentido antes.

— Foi... intenso demais — ela confessou, encostando a cabeça no ombro dele. — Você se superou, Guto.

— Eu faria qualquer coisa para ver esse sorriso no seu rosto — ele respondeu, beijando-lhe a têmpora. — E olha que a lua de mel está apenas começando.

Eles saíram da água e se enrolaram em roupões macios, caminhando para a cama de seda negra. Enquanto se deitavam, o som do mar sob o chão de vidro funcionava como um lembrete constante de que eles estavam em seu próprio mundo particular.

Rafaella fechou os olhos, sentindo o perfume de Augusto e o calor de seu corpo. Ela sabia que viriam muitos outros jantares com amigos, muitas outras praias e muitas outras viagens, mas aquela noite, naquele bangalô, ficaria marcada para sempre como o momento em que eles descobriram que seu desejo não tinha limites.

— Eu te amo, Guto — sussurrou ela, já entregue ao sono.

— Eu te amo, minha Rafa. Hoje, amanhã e em todas as vidas que virão.

O bangalô permaneceu em silêncio, iluminado apenas pelas últimas velas que ainda resistiam e pelo brilho eterno das estrelas sobre o mar, testemunhas silenciosas de uma união que era, em sua essência, pura chama e absoluta entrega.