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Lute por isso

Entre o Abismo e o Êxtase

A porta do apartamento de Mizi bateu com um som surdo, ecoando pelo corredor luxuoso e silencioso. O ambiente era amplo, decorado com um minimalismo moderno que parecia frio demais para a personalidade vibrante da dona da casa, mas Sua mal teve tempo de observar os móveis caros ou a iluminação embutida. No momento em que a tranca girou, o ar entre as duas mudou. A hesitação que Sua ainda carregava nos ombros foi pulverizada pela urgência de Mizi.

Mizi não disse uma única palavra. Ela apenas segurou o pulso de Sua e a guiou com passos rápidos e decididos pelo corredor até o quarto. Sua sentia o coração batendo na ponta dos dedos; a adrenalina e o medo de quatro anos de espera estavam colidindo em seu peito. Quando entraram no quarto, Mizi mal esperou que Sua se situasse antes de empurrá-la levemente em direção à cama de casal.

Sua caiu sobre o edredom macio, o corpo afundando no tecido, e antes que pudesse raciocinar ou recuperar o fôlego, Mizi já estava por cima dela. O peso do corpo de Mizi, a pressão de seus joelhos entre as pernas de Sua, era uma realidade esmagadora. Sua sempre imaginara Mizi como alguém doce, talvez um pouco provocadora, mas nunca esperou essa agressividade crua, essa fome que parecia querer devorá-la por inteiro.

— Mizi... — Sua sussurrou, a voz falhando enquanto olhava para cima.

Os olhos dourados de Mizi estavam escuros, as pupilas dilatadas pela excitação. Ela não respondeu com palavras. Em vez disso, mergulhou para um beijo profundo, um que não pedia permissão. Enquanto suas línguas se entrelaçavam em uma dança frenética, as mãos de Mizi trabalhavam com uma agilidade surpreendente, desabotoando a blusa do uniforme de Sua e puxando o tecido para fora do caminho.

Sua sentiu o ar frio do quarto atingir sua pele pálida, mas o calor que emanava de Mizi era o suficiente para mantê-la em brasas. Quando Mizi finalmente a deixou nua, Sua sentiu uma onda de vulnerabilidade. Ela tentou cobrir os seios com os braços, o rosto queimando de vergonha sob o olhar intenso da outra.

— Não se esconda de mim — Mizi murmurou contra seus lábios, a voz rouca e sedutora. — Você é a coisa mais linda que eu já vi, Sua. Eu sonhei com esse momento tanto quanto você.

Mizi sentou-se sobre os calcanhares por um momento, apenas o suficiente para arrancar a própria blusa, ficando apenas de sutiã de renda e a saia do colégio, que estava amarrotada. Ela voltou a se inclinar sobre Sua, beijando-a no canto da boca antes de descer para o pescoço.

— Você é tão pálida... — Mizi sibilou, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha de Sua. — Quero ver até onde consigo te deixar vermelha. Quero ouvir você gritando meu nome até perder a voz.

As palavras pervertidas de Mizi agiam como um veneno doce nos ouvidos de Sua. Ela sentiu uma mão descer pelo seu ventre, os dedos de Mizi traçando um caminho de fogo até encontrar a umidade que já denunciava seu estado de desejo. Sem aviso, Mizi inseriu dois dedos nela.

— Ah! — O grito de Sua foi agudo, abafado pelo travesseiro onde ela afundou a cabeça.

A sensação era avassaladora. Sua nunca fora tocada daquela forma, com tanta autoridade. Mizi começou a mover os dedos, um ritmo rápido e forte que não dava espaço para Sua se acostumar. Ela sentia cada movimento interno, cada estocada que parecia buscar o fundo de sua alma. Sua começou a se contorcer, as mãos agarrando-se desesperadamente aos lençóis e, depois, aos ombros de Mizi, as unhas cravando-se levemente na pele da garota de cabelos rosa.

— Isso... dói? Ou é bom demais? — Mizi perguntou, os olhos dourados fixos na expressão de agonia e prazer de Sua. — Responda, Sua. Eu quero ouvir.

Sua não conseguia responder. Ela estava soluçando, pequenos sons de desespero escapando de seus lábios enquanto seu corpo reagia violentamente ao estímulo. Ela parecia tão fofa, tão entregue, que Mizi sentiu uma onda de possessividade crescer.

— Você é minha, não é? — Mizi continuou, bombeando os dedos com mais força, a mão livre apertando a coxa de Sua. — Diga que você é minha. Diga que nenhum daqueles idiotas da escola jamais chegaria perto do que eu estou fazendo com você agora.

— Sim... Mi-Mizi... — Sua conseguiu gemer, a cabeça jogada para trás, os olhos roxos revirando. — Sou sua... ah! Mais... por favor!

Mizi sorriu, mas quando percebeu que Sua estava prestes a atingir o ápice, que seu corpo estava começando a se retesar e seus gemidos estavam se tornando gritos contínuos, ela parou. Retirou os dedos bruscamente, deixando Sua em um vácuo insuportável de frustração.

— Por que...? — Sua arquejou, os olhos marejados de confusão e desejo não satisfeito. — Mizi, por que você parou?

— Porque eu ainda não terminei de brincar com você — Mizi respondeu com um brilho cruel e amoroso nos olhos. — Eu quero que você implore, Sua. Quero que você sinta cada segundo disso.

Mizi forçou Sua a se sentar na cama e posicionou-se atrás dela. Sua sentiu as costas encostadas no peito de Mizi, o calor do corpo da outra envolvendo-a como uma armadilha. Mizi começou a morder e beijar a nuca de Sua, as mãos descendo para acariciar seus seios, enquanto sussurrava promessas do que viria a seguir.

— Você está tão carente, não está? — Mizi provocou, a voz vibrando contra as costas de Sua. — Veja como você treme só de eu te tocar.

Mizi então levou a mão esquerda até o rosto de Sua, enfiando três dedos em sua boca. Sua os aceitou avidamente, babando nos dedos de Mizi enquanto tentava encontrar algum alívio para a tensão que acumulava. Ao mesmo tempo, Mizi abriu as pernas de Sua com a mão direita e, sem qualquer hesitação, enfiou dois dedos novamente, desta vez com uma força ainda maior, aproveitando o ângulo por trás.

— Hmmph! — O gemido de Sua foi abafado pelos dedos em sua boca.

A sensação de ser preenchida por dois lados, a cabeça descansando no ombro de Mizi enquanto a mão da outra trabalhava freneticamente entre suas pernas, levou Sua ao limite da sanidade. Mizi ia forte, rápido, o som rítmico do contato entre a pele das duas preenchendo o quarto.

— Quer que eu vá mais forte, Sua? — Mizi perguntou, a voz carregada de uma perversidade deliciosa. — Quer que eu afunde mais?

Sua apenas balançou a cabeça freneticamente, as unhas de sua mão livre cravando-se no pulso de Mizi, deixando pequenas marcas crescentes na pele clara. Ela estava desesperada, a beira de um abismo que prometia tanto a destruição quanto a salvação. Mizi aumentou a velocidade, os dedos entrando e saindo com uma precisão implacável.

— Olhe para mim — Mizi ordenou, retirando os dedos da boca de Sua apenas para girar o rosto dela e forçar um beijo curto e violento. — Goze para mim, Sua. Agora!

Foi o comando que faltava. O corpo de Sua teve um espasmo violento, os músculos se contraindo ao redor dos dedos de Mizi enquanto uma onda de prazer indescritível a atingia. Ela soltou um grito longo, um som que carregava quatro anos de silêncio, dor e desejo. Mizi não parou; ela continuou o movimento por mais alguns segundos, prolongando o orgasmo de Sua até que a última gota de força abandonasse o corpo da garota pálida.

Sua desabou contra o peito de Mizi, a respiração saindo em estalos curtos e ofegantes. O quarto voltou ao silêncio, quebrado apenas pelo som do relógio na parede e pelo bater de dois corações que, finalmente, batiam no mesmo ritmo.

Mizi abraçou Sua por trás, beijando-lhe o ombro suado.

— Eu disse que te ensinaria — sussurrou Mizi, a voz agora doce novamente. — E isso foi só a primeira lição.

Sua fechou os olhos, sentindo-se, pela primeira vez na vida, completa. Ela sabia que o caminho de volta para a "amizade" comum estava destruído para sempre, e, enquanto sentia os lábios de Mizi em sua pele, ela percebeu que nunca quisera voltar para lá, de qualquer forma. O abismo era profundo, mas a queda valera cada segundo.