Voltar ao resumo

Lute por isso

Sinfonia de Carne e Obsessão

O silêncio que se seguiu ao primeiro orgasmo de Sua durou apenas o tempo necessário para que Mizi recuperasse o fôlego, mas não a sanidade. Para Mizi, aquilo não era um ponto final, era apenas a introdução de uma sinfonia que ela pretendia reger até que Sua não soubesse mais onde terminava o próprio corpo e onde começava o domínio de Mizi.

Assim que viu a respiração de Sua se tornar um pouco menos errática, Mizi não deu tempo para que a garota pálida processasse a doçura do momento. Com um movimento brusco e possessivo, Mizi segurou Sua pelos ombros e a jogou de barriga para baixo contra o colchão. O impacto foi abafado, mas o choque de realidade fez Sua arregalar os olhos roxos, conseguindo apenas virar a cabeça de lado para observar a silhueta de Mizi acima dela.

Mizi se inclinou, o cabelo rosa caindo como uma cortina ao redor do rosto de Sua. Ela aproximou os lábios do lóbulo da orelha da garota, sentindo o tremor que percorria aquela pele tão branca.

— Você achou que eu ia parar por aqui, Sua? — a voz de Mizi saiu carregada de uma perversidade que Sua nunca vira em público. — Eu passei anos vendo você se esconder atrás desses livros, fingindo que não me queria. Agora que eu te tenho aqui, eu vou tirar cada centímetro desse seu autocontrole. Você vai ser meu brinquedo até eu decidir que chega.

Mizi começou a falar coisas tão obscenas, descrições tão vívidas do que pretendia fazer com o corpo de Sua, que a garota sentiu a consciência vacilar. Enquanto falava, as mãos de Mizi desceram para os seios de Sua, apertando-os com uma força que beirava a dor, mas que enviava descargas elétricas diretamente para o seu ventre.

— Mizi... por favor... — Sua murmurou, a voz abafada pelo travesseiro.

— Por favor o quê? — Mizi rebateu, levantando o corpo de Sua um pouco. — Seja forte, Sua. Eu quero que você aguente tudo o que eu tenho guardado para você.

Com uma autoridade inquestionável, Mizi posicionou Sua de quatro no colchão. A vulnerabilidade daquela posição fez Sua soluçar, mas antes que pudesse protestar, sentiu a invasão. Mizi enfiou três dedos de uma vez, sem aviso, atingindo o ponto exato que fazia o mundo de Sua desmoronar.

— Ah! — Sua afundou a cara no colchão, o grito saindo como um lamento desesperado.

Mizi começou a bombear os dedos com uma força rítmica e implacável. Ela ia fundo, rápido, ignorando a forma como o corpo de Sua tremia violentamente sob o seu comando. Sua estava cega, com o rosto enterrado nos lençóis, sentindo apenas aquela invasão avassaladora e o som da própria saliva e dos gemidos preenchendo o quarto.

De repente, o som da carne contra a carne ecoou. Mizi desferiu uma sequência de tapas fortes nas nádegas de Sua. O impacto ardido misturou-se à sensação dos dedos internos, criando um curto-circuito de dor e satisfação.

— Gemer não é o suficiente, Sua — Mizi sibilou, desferindo outro tapa que deixou uma marca vermelha vibrante na pele pálida. — Eu quero ouvir o quanto você está gostando de ser tratada assim.

Sua começou a chorar. Não era um choro de tristeza, mas um transbordamento sensorial. O prazer era tanto que se tornava doloroso; a dor era tanta que se tornava prazerosa.

— Mizi... para... dói... — Sua tentou falar entre soluços, o corpo cedendo sob a pressão.

Mizi parou o movimento por um segundo, mas não retirou os dedos. Ela se inclinou sobre as costas de Sua, o olhar dourado brilhando com uma malícia predatória.

— Por que está chorando, boneca? — perguntou ela, sem um pingo de dó, apenas pura perversidade. — Os dedos são demais para você? Ou são os tapas?

Sua, com um esforço hercúleo para articular as palavras entre os gemidos que escapavam sem controle, respondeu:

— São muitos dedos... e você está batendo... forte demais... ah!

Mizi soltou uma risada curta e sarcástica, aproximando os lábios novamente do ouvido de Sua.

— Que pena, hein, Sua? — disse ela, a voz gélida e excitante. — Mas eu não me lembro de ter pedido sua opinião sobre como eu devo te usar.

Mizi desferiu mais dois tapas ruidosos, fazendo Sua arquear as costas e gritar contra o colchão. A garota chorava e gemia ao mesmo tempo, em uma cacofonia de entrega total. Quando Mizi percebeu que Sua estava tremendo excessivamente, à beira de um colapso nervoso, ela finalmente retirou os dedos.

Sua desabou na cama, os membros pesados, mas Mizi ainda não terminara. Ela virou Sua de barriga para cima com um movimento brusco, subindo por cima dela e prendendo seus braços acima da cabeça. Sem qualquer preâmbulo, enfiou os três dedos de volta na intimidade inchada e sensível de Sua.

Sua se agarrou aos lençóis, os olhos abertos mas embaçados pelas lágrimas e pelo suor. Ela viu apenas a silhueta de Mizi contra a luz fraca do quarto. Mizi levantou a mão livre e, em um movimento rápido, desferiu um tapa estalado no rosto de Sua.

A cabeça de Sua virou para o lado no travesseiro. O choque do tapa na cara pareceu focar todos os seus sentidos no que estava acontecendo lá embaixo. Ela soltou um choramingo, uma mistura de humilhação e excitação que a deixou completamente à mercê de Mizi.

No meio daquele caos sensorial, um desejo desesperado de conexão humana atingiu Sua. Ela queria sentir Mizi, não apenas como uma força dominante, mas como a garota que ela amara em silêncio por anos.

— Mizi... me beija... — Sua pediu, a voz sumindo em meio aos gemidos, a vergonha lutando contra a necessidade. — Por favor, me beija.

Mizi sorriu, um sorriso que desta vez tinha um traço de ternura cruel, e esmagou seus lábios contra os de Sua. O beijo era selvagem, com gosto de lágrimas e desejo. Enquanto se beijavam, Mizi continuava a trabalhar os dedos dentro de Sua, descendo depois para o pescoço dela, deixando marcas roxas e vermelhas por onde passava.

Mizi desceu ainda mais, mordendo e chupando os seios de Sua com uma voracidade que fazia a garota soltar gritos roucos. A combinação da sucção nos mamilos com a estocada dos dedos levou Sua ao seu segundo orgasmo da tarde, um que foi muito mais intenso e devastador que o primeiro. Sua se contorceu, as pernas apertando os ombros de Mizi, enquanto seu corpo se entregava a uma sequência de espasmos que pareciam nunca acabar.

Quando o clímax finalmente passou, Mizi abaixou a cabeça. Com uma delicadeza contrastante, ela usou a boca para limpar Sua, chupando-a com uma lentidão torturante. Sua sentiu-se flutuar, as mãos enterradas nos cabelos rosa de Mizi, as pernas ainda tremendo sem parar.

Após alguns minutos, Mizi se levantou e sentou-se na beira da cama, observando o estado da garota à sua frente.

Sua era um retrato de destruição e beleza. Seu rosto estava vermelho, tanto pelo esforço quanto pelo tapa; seu pescoço, seios e abdômen estavam cobertos de marcas vívidas de mordidas e chupões. Sua intimidade estava visivelmente inchada e sensível, e sua bunda ardia com um tom carmesim que certamente resultaria em marcas doloridas no dia seguinte. Ela olhava para Mizi com os olhos entreabertos, parecendo um animal ferido que acabara de encontrar seu dono.

Mizi suspirou, sua expressão suavizando. Ela esticou os braços e puxou Sua para o seu colo, sentando-a de frente para si. Agora, a fase do carinho começara. Mizi acariciava as costas de Sua, beijando o topo de sua cabeça e sussurrando palavras doces, como se a agressividade de minutos atrás nunca tivesse existido.

— Você foi tão bem, Sua — Mizi murmurou, passando os dedos pela franja suada da outra. — Você é perfeita quando se quebra assim para mim.

Sua encostou a testa no ombro de Mizi, sentindo-se protegida e destruída ao mesmo tempo. O silêncio era confortável, preenchido apenas pelo som de suas respirações voltando ao normal.

— Mizi... — Sua começou, a voz ainda frágil.

Mizi se afastou um pouco, o suficiente para olhar nos olhos roxos de Sua. Um brilho divertido e insaciável voltou ao olhar dourado.

— Diga, querida.

— Eu... eu nunca pensei que você fosse... assim.

Mizi soltou uma risada melodiosa, apertando levemente a cintura de Sua.

— Tem muita coisa sobre mim que você ainda não sabe, Sua. Mas temos a noite toda para você descobrir.

Mizi inclinou a cabeça, observando a reação de Sua enquanto passava a mão pela coxa interna da garota, aproximando-se novamente da área sensível.

— E então? — Mizi perguntou, a voz voltando ao tom confidencial e pervertido. — Você está pronta para o terceiro round? Ou a "nerd" já desistiu?

Sua arregalou os olhos, o choque sobrepondo-se ao cansaço.

— O quê? — Sua gaguejou, a voz subindo uma oitava. — Mais? Mizi, eu mal consigo sentir minhas pernas!

— Isso é um "não"? — Mizi provocou, arqueando uma sobrancelha.

Sua olhou para Mizi, para a beleza estonteante e a confiança inabalável da garota que agora era sua — e de quem ela era, irrevogavelmente, a propriedade. Um calor novo começou a subir por seu corpo, desafiando a exaustão.

— Eu não disse que era um não — Sua respondeu, um pequeno sorriso desafiador surgindo em seus lábios pela primeira vez.

Mizi sorriu de volta, um brilho de aprovação nos olhos.

— Ótimo. Porque eu só estou começando.

E, sob a luz suave do quarto, a sinfonia recomeçou, mais alta e mais intensa do que antes, provando que, no mundo de Mizi e Sua, não havia limites para o que o desejo podia construir — ou destruir.