Lute por isso
O Eco do Desejo e a Rendição do Silêncio
O ar no quarto de Mizi estava pesado, carregado com o cheiro metálico de suor, o perfume doce de morango e a eletricidade estática de dois corpos que haviam acabado de colidir. Sua estava sentada no colo de Mizi, sentindo a textura da pele da outra contra a sua, os corações batendo de forma tão violenta que pareciam querer atravessar as costelas. A iluminação fraca projetava sombras longas, mas o brilho nos olhos dourados de Mizi era a única luz que realmente importava para Sua naquele momento.
Mizi não deu tempo para que a quietude se instalasse. Ela avançou novamente, as mãos emoldurando o rosto pálido de Sua antes de selar seus lábios em um beijo faminto. Não havia delicadeza; Mizi mordia o lábio inferior de Sua, puxando-o com os dentes até que um gemido de dor e prazer escapasse da garota mais baixa. A língua de Mizi invadia o espaço de Sua com uma autoridade renovada, como se estivesse reivindicando cada centímetro de seu ser.
Quando finalmente se separaram, apenas por alguns milímetros, Mizi manteve o olhar fixo nos olhos roxos e dilatados de Sua. Um sorriso perverso e calculista surgiu em seus lábios sedutores.
— Sabe, Sua... — Mizi começou, a voz baixando para um tom perigosamente rouco enquanto ela levantava a mão direita, estendendo um dedo diante dos olhos da outra. — Um dedo é apenas uma provocação. É pouco para alguém que esperou tanto tempo como você.
Ela estendeu o segundo dedo, roçando-o na bochecha de Sua.
— Dois dedos são o básico — continuou Mizi, a malícia brilhando em seu rosto. — É o que qualquer um faria. Mas nós não somos "qualquer um", não é?
Ela levantou o terceiro dedo, aproximando a mão da intimidade de Sua, que pulsava em antecipação.
— Três já exigem um nível de entrega que a maioria das garotas não aguenta. É onde a brincadeira começa a ficar séria.
Mizi fez uma pausa dramática, seus olhos dourados escurecendo até parecerem ouro fundido. Ela levantou o quarto dedo, mantendo a mão aberta diante de Sua.
— Mas quatro... quatro é para quem está disposta a se quebrar por inteiro. Quatro dedos preenchem tudo, Sua. Eles não deixam espaço para dúvidas, nem para respiração. A pergunta é: a minha bonequinha melancólica aguenta ser preenchida assim?
Sua sentiu um calafrio de terror percorrer sua espinha, mas o medo era rapidamente engolido por uma onda avassaladora de submissão. Ela olhou para a mão de Mizi, imaginando a largura daqueles dedos invadindo seu corpo, e a imagem a deixou em chamas. Ela se inclinou para frente, agarrando-se aos ombros de Mizi com uma força desesperada, escondendo o rosto na curva de seu pescoço.
— Por você... — Sua sussurrou, a voz trêmula, mas decidida. — Eu aguentaria qualquer coisa, Mizi. Eu me deixaria destruir se fosse pelas suas mãos. Só por você eu aceitaria ser rasgada desse jeito.
Para selar sua promessa, Sua passou a língua pela orelha de Mizi, traçando o contorno sensível antes de dar uma mordida leve no lóbulo. O gesto fez Mizi soltar uma lufada de ar quente, sua paciência finalmente se esgotando.
— Então não reclame depois — Mizi sibilou.
Sem qualquer aviso, Mizi levou a mão para baixo e forçou os quatro dedos de uma vez.
O corpo de Sua arqueou-se violentamente no colo de Mizi. O impacto da invasão foi tão súbito e brutal que ela esqueceu como se respira. Seus dedos cravaram-se nas costas de Mizi, as unhas deixando sulcos vermelhos na pele da garota de cabelos rosa. Sua estava com a boca colada na orelha de Mizi, a língua para fora, babando de forma descontrolada no pescoço da outra enquanto gemidos agudos e desconexos escapavam de sua garganta.
— Isso... Mizi... dói... dói tanto, mas não para! — Sua gritava no ouvido dela, as lágrimas voltando a escorrer enquanto ela sentia a largura dos dedos de Mizi expandindo suas paredes internas ao limite extremo.
Mizi não teve piedade. Ela começou a bombear os quatro dedos com uma força e rapidez que beiravam o frenesi. Seus próprios dedos estavam ficando dormentes pela pressão, mas a visão de Sua naquele estado de degradação e prazer era um combustível potente demais.
— Enquanto eu te uso, eu quero que você me distraia, Sua — Mizi ordenou, a voz firme enquanto continuava o movimento implacável lá embaixo. — Me conte sobre aqueles livros que você tanto gosta. Explique para mim o que há de tão interessante naquelas poesias tristes que você lê na biblioteca.
Sua mal conseguia processar a pergunta. Sua mente era um nevoeiro de sensações brancas e quentes. Mas a ordem de Mizi era absoluta.
— Os... os russos... — Sua começou, a voz falhando, interrompida por um gemido alto quando Mizi atingiu um ponto profundo. — Eles escrevem sobre a... a inevitabilidade do sofrimento... ah! Dizem que a alma só se purifica... através da dor e da entrega... Mizi, você está me matando!
— Continue falando! — Mizi exigiu, aumentando a velocidade, o som da lubrificação e do impacto da carne ecoando no quarto silencioso.
— A poesia... — Sua continuou, babando no ombro de Mizi como se tivesse perdido todas as funções motoras, os olhos revirando para trás. — A poesia é sobre encontrar beleza na sombra... e você... você é a sombra mais linda que já me engoliu... ah, meu Deus!
Satisfeita com a submissão total de Sua, Mizi decidiu que era hora de ir além. Os dedos de Mizi eram largos, e até então ela estava usando apenas metade do comprimento. Com um empurrão final e decisivo, ela enfiou os quatro dedos até a base, preenchendo o interior de Sua em um nível que a garota nunca imaginou ser biologicamente possível.
O grito que escapou de Sua não soou como nada humano. Foi um som gutural, uma mistura de agonia e êxtase supremo que pareceu vibrar pelas paredes do quarto.
— VOCÊ ESTÁ ME RASGANDO AO MEIO, MIZI! — Sua gritou, a frase saindo em um fôlego só enquanto ela mordia o ombro de Mizi para não desmaiar. — EU SOU SUA... EU SOU COMPLETAMENTE SUA!
Mizi começou a bombear naquele comprimento total, uma estocada profunda após a outra, cada movimento fazendo a barriga de Sua se contrair e seus olhos se perderem no vazio. Sua não aguentou mais do que alguns segundos daquela intensidade; seu corpo entrou em convulsão, os músculos internos apertando os dedos de Mizi com uma força esmagadora enquanto ela gozava pela terceira vez, um clímax tão potente que a deixou mole e sem reação nos braços da outra.
Mas Mizi não parou por aí.
O que se seguiu foram mais dois rounds de uma obsessão quase doentia. Mizi parecia querer gravar sua presença em cada fibra do ser de Sua. Elas mudaram de posição, exploraram cada ângulo, até que o corpo de Sua estivesse coberto de marcas, suor e uma exaustão que transcendia o físico. Ao todo, foram cinco rounds de uma entrega que Sua nunca ousaria colocar em seus livros de poesia.
Quando a última onda de adrenalina finalmente baixou, o silêncio retornou ao quarto, desta vez de forma definitiva.
Sua estava deitada de lado, os membros pesados como chumbo, a mente finalmente em paz, embora o corpo ainda pulsasse com os ecos do que acontecera. Mizi, também exausta, mas com um brilho de satisfação vitoriosa no rosto, deitou-se logo atrás dela.
Mizi abraçou a cintura de Sua, puxando-a para trás. Ela estava um pouco mais baixa na cama, de modo que seu rosto ficou perfeitamente acomodado entre os seios nus de Sua. A pele ali era quente e macia, um contraste gritante com a violência de minutos atrás.
Sua, em um estado de quase inconsciência, levou a mão ao cabelo de Mizi. Seus dedos longos e pálidos acariciavam os fios rosa com uma ternura infinita, sentindo a maciez das pontas azuis.
— Você está acordada? — Mizi murmurou contra a pele de Sua, sua respiração quente fazendo os mamilos da outra se contraírem levemente.
— Quase... — Sua respondeu, a voz sendo apenas um fio de som. — Acho que você realmente me quebrou, Mizi.
Mizi soltou uma risada baixa, uma vibração que Sua sentiu em todo o seu peito. Ela se aconchegou mais, fechando os olhos e inalando o cheiro de Sua, que agora era uma mistura complexa de perfume e luxúria.
— Você disse que aguentaria tudo por mim — Mizi lembrou, a voz sonolenta. — Eu só estava testando a sua palavra.
— E então? — Sua perguntou, fechando os olhos também, o carinho nos cabelos de Mizi tornando-se mais lento conforme o sono a vencia. — Eu passei no teste?
Mizi não respondeu de imediato. Ela apenas apertou o abraço, sentindo a batida calma do coração de Sua contra o seu rosto. Naquele momento, no escuro do quarto, as máscaras de "popular" e "melancólica" haviam caído. Não havia Ivan, nem Till, nem as pressões do colégio. Haviam apenas elas duas, unidas por um segredo que era ao mesmo tempo sagrado e profano.
— Você foi perfeita — Mizi finalmente admitiu, a voz sumindo enquanto o sono também a levava. — Minha bonequinha perfeita.
Sua sorriu na penumbra, uma lágrima solitária de alívio escorrendo pelo canto do olho e se perdendo no travesseiro. Ela sabia que o dia seguinte traria dores musculares, marcas difíceis de esconder sob o uniforme e a mesma rotina escolar de sempre. Mas ela também sabia que, a partir daquela noite, o silêncio da biblioteca nunca mais seria solitário. Porque agora, em cada verso que lesse e em cada sombra que visse, ela encontraria o toque, o gosto e a marca implacável de Mizi.
E para Sua, aquela era a única poesia que realmente valia a pena ser vivida.