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Lute por isso

O Skyline da Alvorada e a Marca da Posse

A luz do sol que filtrava pelas cortinas de seda do quarto de Mizi era impiedosa. Para Sua, cada fóton parecia pesar uma tonelada sobre suas pálpebras inchadas. Quando ela tentou se mover, um gemido baixo e rouco escapou de sua garganta, que parecia ter sido lixada. Seu corpo não era mais uma unidade funcional; era um mapa de dores localizadas, desde a queimação persistente entre as pernas até o latejar rítmico em sua bunda e o latejar maçante na bochecha onde o tapa de Mizi havia deixado um beijo de fogo.

— Bom dia, minha bonequinha. — A voz de Mizi soou ao seu lado, absurdamente clara e descansada.

Sua tentou se apoiar nos cotovelos, mas seus braços cederam imediatamente, fazendo-a afundar de volta nos lençóis bagunçados.

— Eu... eu não consigo... — Sua sussurrou, a voz falhando. — Mizi, eu acho que você me quebrou de verdade.

Mizi se sentou na cama, os cabelos rosa bagunçados dando-lhe um ar de anjo rebelde. Ela observou o estado de Sua com um brilho de satisfação e uma ternura genuína. Sua estava marcada; seu pescoço era uma constelação de roxos e vermelhos, e sua pele pálida parecia ainda mais translúcida sob a luz da manhã.

— Eu admito que perdi um pouco a mão no último round — Mizi disse, inclinando-se para beijar a testa de Sua. — Mas não se preocupe. Eu vou cuidar de você hoje.

Mizi levantou-se com uma agilidade que Sua invejou profundamente. Sem esforço, ela passou os braços por baixo dos joelhos e das costas de Sua, levantando-a no estilo noiva. Sua soltou um arquejo, sentindo a tontura e a dor muscular protestarem, mas enterrou o rosto no ombro de Mizi, deixando-se levar.

No banheiro, a banheira já estava sendo preenchida com água morna e sais de banho que cheiravam a lavanda e baunilha. Mizi colocou Sua na água com uma delicadeza extrema, lavando seu corpo com uma esponja macia, evitando esfregar as áreas mais sensíveis e as marcas de mordidas. Era um contraste surreal: a mesma garota que a havia tratado como um objeto de prazer absoluto na noite anterior agora a manuseava como se fosse feita de cristais raros.

Depois do banho, Mizi vestiu Sua com cuidado, escolhendo uma blusa de gola alta para tentar esconder o pescoço, embora os chupões subissem perigosamente perto da linha da mandíbula. Mizi preparou um almoço leve e nutritivo, alimentando Sua quase na boca enquanto a garota permanecia sentada, envolta em um cobertor, processando a nova realidade de sua vida.

— Como vamos para a escola? — Sua perguntou, preocupada. — Eu não consigo nem chegar ao ponto de ônibus, Mizi. Minhas pernas tremem só de olhar para o chão.

Mizi deu um sorriso enigmático, pegando um molho de chaves que Sua nunca tinha visto.

— Nós não vamos de ônibus, Sua.

Mizi carregou Sua novamente até a garagem do prédio. Lá, estacionado sob uma capa protetora que Mizi puxou com um movimento dramático, estava um monstro de metal: um Nissan Skyline R34 azul metálico, impecavelmente conservado.

— Você... você tem um Skyline? — Sua perguntou, chocada. — Mizi, esse carro é uma lenda. Ninguém na escola sabe disso!

— É o meu segredo de fuga — Mizi piscou, colocando Sua no banco do carona reclinado. — Mas hoje, ele vai servir para te levar com o conforto que você merece.

O ronco do motor RB26 vibrando pela garagem fez o estômago de Sua dar voltas, mas não de medo, e sim de uma estranha excitação. Mizi dirigia com uma confiança agressiva, trocando as marchas com precisão, enquanto Sua observava o perfil da garota, sentindo-se a pessoa mais sortuda e destruída do mundo.

Quando o carro estacionou em frente aos portões da escola, o som do motor turbo e o brilho do azul metálico atraíram todos os olhares. O pátio, geralmente barulhento, caiu em um silêncio expectante. Quem era o dono daquela máquina?

A porta do motorista se abriu e Mizi saiu. O vento soprou seus cabelos rosa, e ela parecia uma estrela de cinema. Murmúrios começaram a correr como fogo em palha seca. Mas a verdadeira explosão de choque ocorreu quando Mizi caminhou até o outro lado, abriu a porta do passageiro e, com uma paciência infinita, ajudou Sua a sair.

Sua estava visivelmente debilitada. Ela andava com passos curtos e incertos, apoiando-se pesadamente na cintura de Mizi. Sua mão apertava o braço da garota mais alta em busca de equilíbrio.

O grupo de amigos — Ivan, Till, Hyuna e Luka — estava parado perto da entrada, as bocas literalmente abertas.

— Mas que p*rra é essa? — Till foi o primeiro a falar, ajustando os óculos escuros enquanto olhava do carro para as duas.

— Mizi? — Hyuna deu um passo à frente, os olhos azuis arregalados. — Desde quando você dirige um Skyline? E por que a Sua parece que foi atropelada por um trem?

Mizi não respondeu imediatamente. Ela guiou Sua até a parede mais próxima, permitindo que a garota se encostasse para descansar as pernas. Naquele movimento, a gola alta da blusa de Sua escorregou um pouco, revelando as marcas vívidas e profundas de dentes e lábios. Além disso, a marca avermelhada na bochecha de Sua, que Mizi não conseguira esconder totalmente com maquiagem, tornou-se evidente sob a luz do sol.

— Meu Deus, Sua! — Luka exclamou, aproximando-se com preocupação nerd. — Você está ferida? O que aconteceu? Você está pálida, rouca e... essas marcas...

O silêncio que se seguiu foi denso. Ivan, que estava encostado em um pilar com sua habitual expressão de tédio, endireitou a postura. Seus olhos pretos varreram Sua, desde o caminhar travado até as marcas no pescoço, e depois fixaram-se em Mizi. Um sorriso de "eu já sabia" começou a brincar em seus lábios.

— Ela está acabada — murmurou Ivan, cruzando os braços. — Quem quer que tenha feito isso, não teve um pingo de misericórdia.

— Foi um acidente? — Till perguntou, a voz carregada de uma raiva protetora mal direcionada. — Alguém te machucou, Sua? Se algum idiota encostou em você...

Sua tentou falar, mas sua voz saiu apenas como um sussurro arranhado e incompreensível. Ela abaixou a cabeça, o rosto tornando-se tão vermelho quanto os chupões em seu pescoço. A vergonha e a timidez a impediam de dizer a verdade diante de toda a escola.

Mizi, vendo o desconforto de Sua, decidiu que era hora de assumir o controle da narrativa. Com um movimento fluido, ela se desencostou da parede, posicionou-se atrás de Sua e puxou a garota para o meio de suas próprias pernas, abraçando-a por trás. Mizi descansou o queixo no ombro de Sua, prendendo-a em um abraço possessivo diante de todos.

— Podem parar com o interrogatório — disse Mizi, sua voz sedutora e clara ecoando pelo pátio agora silencioso. — Ela está comigo.

O choque no rosto do grupo foi quase cômico. Till parecia ter levado um soco no estômago; Luka limpou os óculos três vezes, achando que estava vendo coisas; Hyuna simplesmente soltou uma risada histérica de surpresa.

— Com você? — Hyuna repetiu. — Mizi, você quer dizer que... você e a Sua... ontem à noite?

— Exatamente — respondeu Mizi, apertando o abraço e depositando um beijo casto, mas carregado de significado, na têmpora de Sua. — E sim, fui eu quem a deixou nesse estado. Algum problema?

— Mas... mas você é hétero! — Till explodiu, o rosto ficando vermelho de frustração e confusão. — Todo mundo na escola sabe que você é a rainha dos foras em garotos!

Mizi soltou uma risada curta e debochada, olhando para Ivan, que apenas deu um de ombros, confirmando que seu segredo finalmente viera à tona.

— Eu nunca disse que era hétero, Till. Vocês que assumiram isso porque eu nunca me interessei por nenhum de vocês — Mizi disse, com uma franqueza que cortou o ar. — A Sua sempre foi a única. Eu só estava esperando ela estar pronta.

— E pelo visto, ela estava bem pronta — comentou Ivan, apontando para o pescoço de Sua. — Ou você que estava faminta demais, Mizi. A garota não consegue nem ficar em pé sozinha.

— Eu não tive misericórdia — admitiu Mizi, sem um pingo de remorso, enquanto sentia Sua se esconder ainda mais em seu abraço. — E ela adorou cada segundo, não foi, bonequinha?

Sua soltou um gemido de vergonha, escondendo o rosto nas mãos. A confirmação pública era demais para seu coração melancólico, mas sentir o corpo de Mizi como seu suporte físico e emocional era a melhor sensação que já tivera.

— Então o Skyline... — Luka começou, tentando processar as informações por ordem de prioridade.

— É meu — cortou Mizi. — E a Sua é minha. Se alguém tiver algum comentário idiota sobre como ela está andando ou sobre as marcas dela, pode vir falar comigo.

O grupo permaneceu em silêncio por um longo tempo, observando a nova dinâmica. A hierarquia da escola acabara de ser implodida. A garota mais popular e desejada não era apenas lésbica, mas estava em um relacionamento — claramente intenso — com a garota mais reservada e intelectual do grupo.

— Bom — disse Hyuna, finalmente recuperando o fôlego e sorrindo de orelha a orelha. — Eu sempre achei que vocês tinham uma tensão estranha na biblioteca. Só não imaginei que a Mizi fosse tão... agressiva. Parabéns, Sua. Você sobreviveu à primeira noite com o furacão rosa.

— Eu... eu estou bem — Sua conseguiu dizer, a voz rouca finalmente saindo, embora baixa. — Só preciso... de uma cadeira. E talvez de um travesseiro.

Mizi riu, um som rico e satisfeito.

— Eu cuido disso.

Enquanto Mizi guiava Sua para dentro da escola, ainda segurando-a pela cintura sob os olhares de centenas de alunos fofoqueiros, o grupo ficou para trás.

— Eu não acredito nisso — Till resmungou, chutando uma pedra. — O Skyline... a Sua... a Mizi... tudo de uma vez.

— Aceita que dói menos, Till — Ivan disse, voltando a mastigar sua bala. — Algumas pessoas nasceram para observar a história, outras para fazê-la. E a Mizi acabou de escrever um capítulo inteiro em cima da Sua.

Dentro dos corredores, Sua sentia o peso dos olhares, mas pela primeira vez em quatro anos, ela não se sentia invisível ou melancólica. Ela estava marcada, exausta e dolorida, mas enquanto sentia a mão firme de Mizi em seu corpo, ela sabia que não trocaria aquela dor por nenhum conforto no mundo.

— Mizi? — Sua chamou baixinho, enquanto caminhavam para a sala de aula.

— Sim?

— Não me deixe cair.

Mizi parou por um segundo, olhou nos olhos roxos de Sua e deu um sorriso que era só dela.

— Nunca, Sua. Agora você é minha responsabilidade. E eu pretendo exercer esse cargo todos os dias.

Sua sorriu de volta, sentindo que, apesar de tudo, sua vida finalmente havia começado. O Skyline azul lá fora era o símbolo de uma nova era, e as marcas em seu pescoço eram a prova de que os devaneios da biblioteca haviam se tornado uma realidade muito mais selvagem, doce e real do que qualquer livro de poesia poderia descrever.