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Magia

Sob o Luar de Prata e o Calor da Promessa

O Salão Principal fervilhava em uma cacofonia de risos, música alta das Esquisitonas e o tilintar constante de taças de cristal, mas para Tatsuyo, o ar parecia ter se tornado rarefeito. A euforia da dança ainda pulsava em suas veias, mas a atenção constante de centenas de olhos começava a pesar sobre seus ombros. Kuro, sempre sintonizado com os mínimos movimentos dela, percebeu o leve tremor em suas mãos e a forma como ela buscava as sombras nas laterais do salão.

Ele se inclinou, o hálito quente roçando a orelha de Tatsuyo, enviando um calafrio que nada tinha a ver com o inverno lá fora.

— Está ficando apertado aqui dentro, não acha? — sussurrou ele, os dedos entrelaçados nos dela. — Conheço um lugar onde o céu é mais bonito e o silêncio é só nosso.

Tatsuyo assentiu, sentindo um alívio imediato. Eles se esgueiraram pelas portas laterais, evitando o fluxo principal de alunos, e mergulharam nos corredores de pedra iluminados por tochas. Kuro a guiou com confiança, subindo escadarias e atravessando passagens que Tatsuyo, apesar de sua inteligência, mal conhecia. Finalmente, eles chegaram a uma varanda isolada na Torre de Astronomia, um ponto cego para os monitores e longe o suficiente para que a música do baile fosse apenas um eco distante e melancólico.

O ar da noite estava gelado, mas a neve havia parado de cair. O céu era uma tapeçaria de veludo negro salpicada de diamantes, e a lua cheia banhava o castelo com uma luz prateada que parecia emanar do próprio Kuro.

— É lindo — disse Tatsuyo, aproximando-se da mureta de pedra. Ela abraçou os próprios braços, o vestido rosa perolado brilhando sob o luar.

Kuro se posicionou atrás dela, envolvendo-a em um abraço protetor. O calor do corpo dele era um contraste gritante com o frio da noite.

— Sim, é — concordou ele, apoiando o queixo no ombro dela. — Mas eu não estava olhando para as estrelas.

Tatsuyo virou-se nos braços dele, o rosto corado.

— Você sempre diz essas coisas... — ela murmurou, a timidez lutando contra a afeição crescente. — Às vezes eu acho que é um sonho. Que eu vou acordar na Corvinal e as pessoas ainda vão estar rindo de mim.

Kuro segurou o rosto dela com as duas mãos, forçando-a a olhar para ele. Seus olhos castanhos estavam sérios, desprovidos de qualquer traço de brincadeira.

— Não é um sonho, Tatsuyo. E ninguém nunca mais vai rir de você enquanto eu estiver por perto. Você é real. O que sentimos é real.

Ele se aproximou lentamente, dando a ela todo o tempo do mundo para recuar. Mas ela não recuou. Pelo contrário, Tatsuyo inclinou-se para frente, fechando os olhos. Quando os lábios de Kuro finalmente encontraram os dela, foi como se o mundo inteiro desaparecesse. O beijo começou casto, um toque suave de reconhecimento, mas logo se aprofundou. Era o primeiro beijo de Tatsuyo, e ela sentiu uma explosão de sensações que nenhum livro de feitiços poderia descrever. O gosto dele era de menta e algo quente, como chocolate.

Kuro soltou um gemido baixo, aprofundando o contato, sua língua pedindo passagem com uma urgência gentil. Tatsuyo respondeu, suas mãos subindo para os cabelos brancos e macios de Kuro, puxando-o para mais perto. O beijo tornou-se mais intenso, as respirações misturando-se no ar frio, criando pequenas nuvens de vapor.

As mãos de Kuro começaram a explorar as curvas dela, descendo pelas costas nuas reveladas pelo vestido. O contato da pele quente dele com a dela enviou ondas de choque por todo o corpo de Tatsuyo. Ela sentiu uma urgência nova, um desejo que a assustava e a fascinava ao mesmo tempo.

Kuro parou por um momento, as testas coladas, ambos ofegantes. Ele olhou nos olhos pretos dela, que brilhavam com uma mistura de medo e desejo.

— Tatsuyo... — a voz dele estava rouca. — Eu quero você. Mais do que qualquer coisa. Mas eu só quero se você quiser. Se você estiver pronta.

Tatsuyo sentiu o coração martelar contra as costelas. Ela sabia o que ele estava perguntando. Ela olhou para o garoto à sua frente — o garoto que a defendeu, que a viu quando ninguém mais via, que a amou por quem ela era. A vergonha tentou subir, mas a confiança que ele depositara nela era mais forte.

— Eu quero — ela disse, a voz firme apesar do sussurro. — Com você, eu quero tudo.

Kuro soltou um suspiro trêmulo. Ele levou a mão ao bolso interno de seu traje de gala e tirou uma pequena carteira de couro, de onde extraiu um pequeno envelope quadrado. Ele não era virgem, e sua experiência trazia consigo uma responsabilidade que ele não negligenciaria, especialmente com ela.

— Eu vou ser cuidadoso — ele prometeu, depositando um beijo terno na testa dela. — Eu prometo.

Ele a conduziu para um canto mais protegido da varanda, onde as sombras eram profundas e o chão de pedra estava coberto por um tapete macio que ele mesmo conjurou com um movimento rápido da varinha. Kuro começou a desabotoar o traje de gala, seus olhos nunca deixando os dela.

Quando ele a ajudou a deslizar as alças finas do vestido rosa, Tatsuyo sentiu-se vulnerável, mas o olhar de Kuro não era de julgamento ou luxúria barata; era de adoração pura.

— Você é perfeita — ele murmurou, a voz carregada de emoção.

Kuro foi extremamente paciente. Ele sabia que para Tatsuyo aquela era uma entrega total, uma quebra definitiva de todas as barreiras que ela construíra ao longo dos anos. Ele usou as mãos e os lábios para mapear cada centímetro da pele dela, garantindo que ela estivesse relaxada, que estivesse sentindo prazer antes de qualquer outra coisa.

Quando o momento da união finalmente chegou, Kuro moveu-se com uma lentidão quase torturante, observando cada expressão no rosto de Tatsuyo. Ele viu a leve careta de desconforto inicial e parou imediatamente, beijando-lhe as pálpebras, sussurrando palavras de encorajamento e amor.

— Está tudo bem? — ele perguntou, a preocupação evidente.

— Sim... — ela respondeu, puxando-o para um beijo. — Não pare.

À medida que o desconforto desaparecia, dando lugar a uma sensação de plenitude e calor intenso, o ritmo deles encontrou uma harmonia própria. Não era apenas um ato físico; era uma conversa silenciosa entre duas almas que finalmente haviam se encontrado. Kuro era carinhoso, seus movimentos eram fluidos e atentos a cada suspiro dela, a cada aperto de suas mãos em seus ombros.

Tatsuyo sentiu-se flutuar. A vergonha que ela tanto temia havia sido substituída por uma conexão profunda. Ela não era mais a garota invisível; ela era a mulher que Kuro Hatake escolhera amar.

Quando o clímax chegou, foi como uma supernova silenciosa sob o céu de Hogwarts. Eles ficaram abraçados por muito tempo depois, as respirações voltando ao normal, o frio da noite agora completamente esquecido pelo calor de seus corpos unidos.

Kuro a envolveu em sua capa de gala, puxando-a para o seu peito enquanto se sentavam contra a parede de pedra.

— Você está bem? — ele perguntou pela décima vez, acariciando os cabelos ondulados dela.

Tatsuyo sorriu, um sorriso que Kuro guardaria na memória para sempre.

— Eu me sinto... completa — ela confessou. — Obrigada por não desistir de mim, Kuro-kun.

Kuro apertou-a mais forte.

— Eu nunca desistiria do meu prêmio, milady Uchiha.

Lá embaixo, o baile continuava, mas ali, no topo do mundo, um novo capítulo havia começado. Um capítulo onde a sombra e o prateado não eram mais opostos, mas partes de uma mesma e bela história de amor, escrita sob as estrelas de Hogwarts.