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Me or me

Paredes de Papel e Unhas Mordidas

O silêncio de sábado na casa da família de Sua tinha um peso diferente. Não era a quietude reconfortante de uma tarde de leitura, mas aquele vazio oco e incômodo que parecia fazer a mobília estalar a cada quinze minutos.

Sua estava encolhida no meio do sofá grande da sala. Usava um short de moletom cinza mescla bem solto e uma regata canelada branca simples, com os cabelos pretos desgrenhados e os pés descalços dobrados sob as coxas. Sua mãe havia deixado um bilhete na porta da geladeira avisando que cobriria outro plantão dobrado no hospital e só voltaria no domingo de manhã. E Ivan, previsivelmente, mandara uma mensagem seca no grupo dizendo que passaria o fim de semana inteiro jogando videogame e tentando não ser espancado até a morte por Till na casa do garoto de cabelo cinza.

Ela estava absolutamente sozinha.

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Sua enquanto encarava o teto. De repente, o celular vibrou na almofada ao lado, quebrando o transe.

*mizi_pink: Ei, nerd. O que você tá fazendo além de ser a garota mais inteligente da cidade?*

Um sorriso tímido e instantâneo brotou nos lábios de Sua, fazendo o peito esquentar.

*sua_purple: Nada. Absolutamente nada.*

*mizi_pink: Mentira kkkk você nunca faz "nada". Já deve ter lido cinco enciclopédias e reorganizado seus lápis de cor por tamanho.*

*sua_purple: Pior que não. Minha mãe tá de plantão até amanhã e o Ivan foi dormir na casa do Till de novo. A casa tá vazia. Tô aqui jogada no sofá parecendo uma planta.*

A resposta do outro lado demorou menos de vinte segundos.

*mizi_pink: Casa vazia? Sozinha num sábado nublado? Nem fodendo. Me dá vinte minutos.*

Os olhos roxos de Sua se arregalaram. Os dedos voaram sobre o teclado.

*sua_purple: Mizi, você não precisa vir só por pena!*

*mizi_pink: Quem falou de pena, idiota? Eu tô morrendo de vontade de te ver desde a hora que acordei. Não ousa sair daí.*

Sua apertou o celular contra o peito, soltando uma risada boba que ecoou pelas paredes vazias. Em um sobressalto, pulou do sofá, correu até o espelho do lavabo, arrumou o cabelo com os dedos, passou um protetor labial com gosto de amora e borrifou um pouco do seu perfume suave de lavanda no pescoço. Ela nunca tinha se sentido tão ansiosa para receber alguém.

Exatos dezenove minutos depois, a campainha tocou duas vezes, rápida e ritmada.

Sua respirou fundo para desacelerar o coração e destrancou o portão de ferro.

Mizi estava parada na entrada, e Sua quase perdeu o fôlego outra vez. A garota de cabelo rosa e azul parecia incapaz de ficar feia, mesmo quando tentava ser casual. Mizi vestia um top cropped de manga longa roxo-escuro bem justo, com um decote quadrado que valorizava suas clavículas marcadas, e um short jeans claro de cintura alta preso pelo inseparável cinto preto de tachas prateadas, deixando à mostra suas pernas longas e torneadas. Nos pés, calçava tênis pretos de cano alto desamarrados de propósito. O cabelo estava preso num coque frouxo e bagunçado no topo da cabeça, com algumas mechas coloridas emoldurando o rosto impecável.

Ela segurava uma sacola de papel pardo e uma barra gigante de chocolate meio amargo com avelãs.

— Fala, solitária — disse Mizi, a voz descendo naquele tom baixo, rouco e irresistivelmente sedutor que fazia os joelhos de Sua vacilarem. — Vai me deixar congelar aqui fora ou posso entrar?

— Entra logo, sua boba — respondeu Sua, dando um passo para o lado e sentindo aquele cheiro embriagante de baunilha tomar conta do corredor de entrada.

Assim que a porta foi trancada, Mizi puxou Sua pela cintura sem o menor aviso, selando a boca da menor em um beijo estalado e demorado na bochecha, subindo até a têmpora antes de encostar a testa na dela.

— Caralho, você é muito cheirosa — sussurrou Mizi, com um sorriso de canto provocador. — Trouxe comida pra gente não morrer de fome e... isso aqui.

Mizi enfiou a mão na sacola de papel e tirou um livro de capa dura com detalhes em folha dourada. Era uma edição de colecionador, ilustrada, de contos clássicos que Sua havia comentado superficialmente durante uma aula no início do ano.

Sua cobriu a boca com as mãos, os olhos brilhando em choque.

— Mizi... essa é a edição importada. Como você conseguiu isso?

Mizi deu de ombros, com as pontas das orelhas levemente rosadas sob as mechas soltas, demonstrando um embaraço raro.

— Eu comprei há uns três meses. Passei em frente a uma livraria no centro, vi na vitrine e lembrei na hora de você falando disso na fila da cantina. Só que... sei lá. A gente nem se falava, eu achei que se chegasse do nada te dando um livro você ia me achar uma maluca perseguidora. Aí ficou guardado na minha gaveta até hoje.

Um nó doce apertou a garganta de Sua. Ela pegou o livro com dedos trêmulos, sentindo o peso do carinho silencioso que Mizi guardava antes mesmo de terem trocado a primeira palavra sincera.

— Eu amei. É a coisa mais linda que já ganharam pra mim — disse Sua, com os olhos marejados.

— Você merece coisas bonitas, perfeitinha — Mizi piscou, recuperando o deboche para mascarar o nervosismo. — Agora vamos subir pro seu quarto antes que eu coma essa barra de chocolate inteira sozinha.

No quarto de Sua, a atmosfera mudou rapidamente. Elas se sentaram de pernas cruzadas sobre o edredom macio da cama. Entre mordidas no chocolate crocante e risadas sobre como Lyn quase caiu no lago do parque no dia anterior, Mizi fazia comentários ácidos sobre as histórias do livro enquanto Sua explicava o contexto artístico de cada gravura.

Mas, conforme o tempo passava, o espaço entre elas na cama foi encolhendo.

Mizi estava sentada bem perto, com uma perna roçando na de Sua. A cada risada, ela se inclinava um pouco mais. Os olhos dourados da garota de cabelo rosa desviavam das páginas douradas e pousavam fixamente no colo de Sua, nos lábios úmidos pelo chocolate, na curva delicada do pescoço pálido.

Sua percebeu. Sentiu o ar do quarto rarear, a garganta secando devagar.

— Você tá me desconcentrando, Mizi — murmurou Sua, fingindo fitar uma ilustração.

— O problema é todo seu por ser linda desse jeito — respondeu Mizi, a voz agora perigosamente baixa.

Antes que Sua pudesse retrucar, Mizi tirou o livro das mãos dela com delicadeza e o colocou sobre o criado-mudo. No segundo seguinte, seus dedos quentes seguraram a nuca de Sua, puxando-a para frente.

Quando suas bocas se encontraram, não houve hesitação. Foi faminto.

Mizi entreabriu os lábios e invadiu a boca de Sua com a língua, quente, profunda e assertiva. Um suspiro abafado escapou da garganta de Sua, e ela se derreteu instantaneamente contra a garota maior, seus dedos se agarrando com força no tecido macio do cropped roxo de Mizi. O beijo foi ganhando força, umidade e ritmo até que Mizi empurrou o corpo para a frente, derrubando Sua de costas no colchão macio.

Mizi caiu por cima dela, plantando as duas mãos espalmadas ao lado da cabeça de Sua, mantendo os braços firmes para suportar o próprio peso enquanto continuava devorando sua boca.

O contraste era avassalador. Mizi por cima, alta, imponente, com aquele olhar dourado queimando de desejo reprimido, enquanto Sua estava esparramada sob ela, com as bochechas tingidas em um escarlate febril e a respiração completamente descompassada.

Mizi interrompeu o beijo por um milímetro, mordiscando de leve o lábio inferior inchado de Sua, antes de descer a boca pela mandíbula até a pele macia da garganta.

— Mizi... — Sua gemeu baixinho, arqueando o pescoço involuntariamente quando os lábios da outra encontraram um ponto sensível logo abaixo de sua orelha.

Mizi sugou a pele de leve, depositando beijos quentes e molhados até a base do pescoço, sentindo o pulso frenético de Sua bater contra seus lábios. Ela parou por um segundo, erguendo o tronco o suficiente para encarar Sua de cima. Seus olhos estavam escuros, carregados de uma safadeza crua e irresistível, mas havia uma pergunta silenciosa ali.

— A gente pode? — sussurrou Mizi, a voz rouca fazendo arrepios violentos percorrerem a espinha de Sua. — Você deixa?

Sua travou. O cérebro dela parecia uma tempestade de sinapses colidindo. Mizi era absurdamente direta, confiante e experiente na aparência, e a perspectiva daquilo a deixava sem ar. Sua nunca havia feito nada parecido com ninguém na vida. O medo e a vergonha tentaram puxá-la para trás, mas ao olhar nos olhos dourados de Mizi — que a fitavam com uma mistura avassaladora de tesão e adoração pura —, qualquer barreira simplesmente desmoronou.

— E-eu... — Sua engoliu em seco, gaguejando pateticamente antes de assentir com a cabeça. — Eu... quero. Se for com você, eu quero.

O sorriso que brotou nos lábios de Mizi foi devastador.

— Você não vai se arrepender, princesa.

Sem pressa, mas com uma firmeza que não admitia recuo, Mizi deslizou as mãos quentes pela cintura de Sua até o cós do short de moletom cinza. Ela desceu a peça devagar pelas pernas de Sua, levando junto a calcinha de algodão simples, deixando-as de lado na beirada da cama. O ar fresco do quarto tocou a pele quente e nua de Sua, fazendo-a fechar as pernas por puro reflexo de pudor.

Mizi não repreendeu. Em vez disso, voltou a deitar o peso do corpo sobre ela, capturando sua boca em outro beijo de língua avassalador enquanto suas mãos desciam suaves pelas coxas de Sua, abrindo espaço com paciência e carinho. Beijou o pescoço dela novamente, chupando a pele até deixar uma marca avermelhada sutil, enquanto sua mão direita começava a descer em direção à intimidade já úmida de Sua.

Sua prendeu a respiração, o coração martelando contra a caixa torácica como um tambor louco. Ela esperou o toque.

Mas o toque não veio.

De repente, Mizi estancou. Ela arregalou os olhos dourados, soltou um palavrão baixinho e saiu de cima de Sua com tanta pressa que quase tropeçou no próprio tênis na ponta da cama, sentando-se no colchão com uma expressão de puro pânico cômico.

Sua ficou deitada ali, completamente nua da cintura para baixo, com os braços frouxos e uma expressão de confusão desolada.

— M-Mizi? — perguntou Sua, a voz falhando, sentindo um frio na barriga. — O que houve? Eu fiz alguma coisa errada?

Mizi olhou para a própria mão direita como se tivesse acabado de descobrir que tinha garras venenosas.

— Não! Puta que pariu, não! Você tá perfeita! — exclamou Mizi, balançando as mãos num gesto estabanado e atordoado. — Eu sou uma anta, Sua! Uma completa imbecil! Eu esqueci que passei na farmácia ontem pra colar essas unhas postiças compridas do caralho!

Sua piscou duas vezes, tentando processar a cena.

Mizi estava sentada de pernas abertas no meio da cama, com o coque caindo para o lado, o rosto vermelho de vergonha e choque, encarando as pontas compridas e decoradas das unhas de gel.

— Eu ia te rasgar no meio sem querer, caralho — resmungou Mizi, inconformada com a própria lerdeza.

Sem pensar duas vezes, com uma pressa quase selvagem e desesperada para não perder o momento, Mizi enfiou o dedo indicador na boca, mordeu a base da unha postiça com os dentes até ela descolar com um estalo seco, e cuspiu o pedaço de plástico no tapete ao lado da cama.

*Clack.*

Depois mordeu a do dedo do meio com a mesma ferocidade, puxou com força e cuspiu no chão também.

*Clack.*

Passou o polegar sobre as pontas agora curtas e limpas das próprias unhas naturais para garantir que não havia nenhuma rebarba afiada.

— Pronto. Resolvido — disse Mizi, jogando o cabelo para trás e soltando um suspiro de alívio puro, antes de rastejar de volta para cima da cama feito uma felina estabanada.

A cena era tão absurdamente caótica, tão típica daquele jeito desastrado e intenso de Mizi, que Sua não aguentou. Ela levou a mão aos lábios e soltou uma gargalhada doce e desarmada, seus ombros tremendo sobre o edredom.

Mizi parou acima dela, apoiando os cotovelos de cada lado do rosto de Sua, encarando aquela risada com olhos que brilhavam de pura paixão desmedida.

— Você ainda tá rindo da minha cara, é? — murmurou Mizi, com um sorriso de canto safado e cheio de promessas perigosas. — Pois agora você vai ver só.

Mizi mergulhou a boca contra os lábios de Sua, silenciando o riso da menor com um beijo profundo e molhado. Ao mesmo tempo, sua mão direita desceu entre as pernas abertas de Sua.

Desta vez, não houve hesitação.

Mizi deslizou dois dedos para dentro de Sua de uma vez só.

O riso de Sua morreu instantaneamente na garganta.

Um gemido alto, cru e descompassado explodiu de seus lábios contra a boca de Mizi. As costas de Sua se arquearam contra o colchão, e seus dedos voaram para a nuca de Mizi, afundando nas mechas rosas com uma força desesperada. O interior de Sua era apertado, incrivelmente quente e completamente ensopado, acolhendo o toque de Mizi com uma volúpia que Sua nem sabia que seu próprio corpo possuía.

A garota certinha do conselho estudantil, a monitora implacável que nunca quebrava uma regra, simplesmente evaporou no ar. Ali, entregue nos braços de Mizi, Sua era apenas pele ardente, suspiros e entrega total.

— Porra, Sua... — sussurrou Mizi contra o pescoço dela, a respiração queimando. — Você é tão apertada... e tá tão molhada pra mim...

Mizi começou a mover os dedos em um ritmo constante, entrando e saindo com uma precisão que fez o mundo de Sua rodopiar. Ela curvava os dedos internamente, encontrando exatamente os pontos que arrancavam espasmos e gemidos suplicantes da garganta da garota menor.

— Mizi... ah, meu Deus... Mizi! — gemia Sua, com a cabeça jogada para trás no travesseiro, os olhos roxos vidrados no teto, completamente fora de si.

Mizi estava hipnotizada. Ela admirava o rosto desfeito de prazer de Sua como se fosse a obra de arte mais magnífica do universo. Beijava a mandíbula dela, as lágrimas doces que escapavam dos cantos dos olhos de Sua pelo excesso de sensibilidade, sugava seus lábios inchados enquanto aumentava o ritmo da mão lá embaixo.

Sentindo que Sua estava à beira de um precipício, Mizi pressionou com cuidado e acomodou o terceiro dedo para dentro dela.

— Aah! — o grito de Sua foi abafado pela curva do ombro de Mizi, onde ela cravou os dentes de leve pelo choque da sensação avassaladora de preenchimento.

O calor era denso demais, a fricção rápida demais. Mizi bombeava com uma firmeza apaixonada, usando o polegar para roçar em círculos rápidos no clitóris sensível e intumescido de Sua.

— Solta, perfeitinha... goza pra mim — sussurrou Mizi no ouvido dela, a voz em pura combustão.

Foi o suficiente. As paredes internas de Sua se contraíram violentamente ao redor dos dedos de Mizi, espasmos rítmicos e intensos tomando conta de todo o seu ventre. Sua arqueou o corpo inteiro, apertando os ombros de Mizi com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos, soltando um gemido longo e rouco que preencheu todo o quarto até que a última onda de prazer a deixasse amolecida, tremendo contra o colchão, em um estado de pura exaustão febril.

Mizi retirou os dedos devagar, beijando com ternura a testa suada de Sua enquanto ela recuperava o fôlego.

— Você foi perfeita — murmurou Mizi com uma doçura infinita, limpando delicadamente os vestígios com alguns lenços de papel da escrivaninha.

Com paciência e um cuidado quase maternal, Mizi puxou a calcinha e o short de moletom de volta pelas pernas de Sua, ajeitando a regata da garota e cobrindo-a até a cintura com o edredom fofo. Depois, Mizi tirou os próprios tênis e deitou-se de lado ao lado dela, puxando Sua para o seu peito.

Ficaram ali por um longo tempo, apenas conversando em sussurros sonolentos sobre bobagens, enquanto a chuva fina começava a bater contra a vidraça da janela. Sua estava irreconhecível: toda dengosa, com a bochecha colada na clavícula de Mizi, pedindo carinho silenciosamente ao esfregar o nariz contra a pele cheirosa da outra.

— Tá com frio? — perguntou Mizi, passando a mão pelos cabelos pretos e curtos de Sua, enrolando as pontas nos dedos.

— Um pouco — murmurou Sua, num tom manhoso que nunca usara com ninguém na vida. — Vamos descer? A gente pode esquentar o resto daquele chá na sala e ficar assistindo alguma besteira no sofá.

— O que você mandar eu faço, princesa.

Desceram as escadas devagar. Na sala de estar, Sua se enrolou em uma manta xadrez felpuda e se acomodou no canto do sofá. Mizi sentou-se ao lado dela, puxando Sua para que deitasse com as costas apoiadas em seu peito, os braços compridos de Mizi envolvendo a cintura da menor como um casulo seguro. O clima era de pura preguiça e carinho doméstico, com Mizi distribuindo beijos distraídos no topo da cabeça de Sua enquanto a televisão passava um programa aleatório no volume baixo.

Foi exatamente nesse instante que a maçaneta da porta da frente girou com um clique metálico pesado.

— Porra de chuva da desgraça... molhou minha jaqueta inteira — resmungou uma voz grave e irritada do lado de fora.

A porta se abriu bruscamente.

Ivan entrou arrastando os tênis encharcados no tapete, com o cabelo preto pingando água na testa e a jaqueta bomber azul pendurada em um só ombro. Ele tinha a chave de casa na mão e cara de quem havia passado a manhã inteira discutindo sobre acordes de guitarra com Till.

— Ô Sua, eu voltei mais cedo porque o imbecil do Till quebrou a palheta e ficou de mau humor e...

Ivan travou no meio da frase.

Ele parou como uma estátua de sal no centro da sala de estar, a boca ligeiramente aberta, os olhos pretos piscando em choque absoluto enquanto absorvia a cena no sofá.

Sua estava praticamente empoleirada no colo de Mizi, vestindo seu moletom caseiro, com uma cara sonolenta e os lábios suspeitamente vermelhos e inchados. E Mizi — a garota com quem metade do colégio jurava que ele tinha um caso secreto, a mesma Mizi que sempre agia feito uma deusa inalcançável — estava com os dois braços apertados ao redor da cintura de sua irmã mais nova, o queixo descansando nos cabelos pretos de Sua, olhando para ele com a maior cara de pau e naturalidade do planeta Terra.

O silêncio na sala foi tão denso que dava para ouvir o relógio da cozinha tic-taqueando.

Mizi foi a primeira a quebrar o gelo. Ela ergueu uma sobrancelha cor-de-rosa, abriu aquele sorrisinho de canto debochado e levantou dois dedos em um cumprimento casual.

— E aí, cunhadinho. Limpou os pés no capacho antes de entrar?

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