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my girl

Sussurros e Segredos sob o Luar da Chácara

O sol mal tinha começado a despontar no horizonte quando o despertador tocou. Dessa vez, não era para enfrentar o ônibus lotado em direção à escola, mas para algo muito melhor. O primeiro dia oficial de férias começou com uma energia diferente. Eu e a Lorena tínhamos combinado de passar esses dias em uma chácara, e o que a gente não esperava era que o destino — ou talvez uma ajudinha divina das nossas mães, que ficaram super amigas — fizesse com que a família dos meninos também estivesse no mesmo condomínio de chácaras.

— Amiga, acorda! — Lorena pulou na minha cama, já com o biquíni por baixo do pijama. — Hoje o dia vai ser longo e eu pretendo aproveitar cada segundo com o Hanan sem nenhum professor por perto.

— Calma, Lolo! — eu ri, esfregando os olhos. — Deixa eu só processar que eu não tenho que abrir o caderno de matemática hoje.

Nos arrumamos rapidamente. Eu escolhi um short jeans curto, meu tênis da Nike branco e, por baixo, um biquíni preto que combinava com o meu estilo. Minhas unhas grandes, ainda perfeitas, brilhavam enquanto eu ajeitava meu cabelo preto longo. Pegamos nossas mochilas e partimos.

Quando chegamos na chácara, o cheiro de mato e o som da água da piscina já davam o tom do paraíso. Nossos pais estavam num clima ótimo, já ligando a churrasqueira e abrindo as primeiras cervejas. Nossas mães, que tinham sido as maiores entusiastas do meu namoro com o Matheus Luiz e do rolo da Lorena com o Hanan, já estavam rindo alto e brindando.

— Olha só se não são as noras mais lindas desse Brasil! — brincou a mãe do Matheus Luiz assim que o carro deles encostou no gramado logo depois de nós.

Eu e a Lorena trocamos um olhar cúmplice e saímos correndo. Cumprimentamos as mães deles com beijos e abraços, mas nossos olhos estavam nos meninos que saíam do carro com cara de sono, mas logo abriram sorrisos enormes ao nos verem.

— Oi, minha marrenta — disse o Matheus Luiz, me puxando pela cintura assim que cheguei perto.

— Oi, meu chato — respondi, dando um selinho rápido nele, sentindo aquele frio na barriga que ainda era novo, mas delicioso.

A manhã passou voando entre mergulhos e risadas. A piscina estava maravilhosa. Em um momento de pura exibição, a Lorena e o Hanan apostaram quem fazia o melhor mortal. Eles pularam juntos, girando no ar e caindo de forma quase perfeita, espalhando água para todos os lados.

— Ah, é assim? — eu desafiei, olhando para o Matheus Luiz. — Vamos mostrar como se faz o pulo do MC Kevin, Matheus?

— No três! — ele gritou.

Corremos lado a lado e saltamos, fazendo aquela pose clássica no ar antes de atingir a água com um estrondo. Saímos da piscina rindo, com o cabelo grudado no rosto e a sensação de que nada no mundo poderia ser melhor do que aquele momento.

O dia foi regado a churrasco, música alta e conversas bobas. Mas conforme o sol se punha, o clima na chácara mudava. Os adultos, exaustos de tanto "comemorar" o início das férias, começaram a se recolher cedo. A estrutura do local era perfeita: havia uma casa principal para os pais e uma casa de hóspedes menor, com dois quartos, reservada para nós. O melhor de tudo? Os quartos tinham isolamento acústico, um detalhe que as nossas mães mencionaram rindo, mas que eu e a Lorena levamos muito a sério.

Depois de um banho demorado para tirar o cloro, eu me vesti com uma calça de moletom larga e um top preto. A noite estava fresca, mas o clima dentro do quarto parecia subir a cada segundo. Tranquei a porta e a janela, sentindo meu coração martelar contra o peito. Eu estava sentada na beira da cama, esperando o Matheus sair do banheiro.

Quando a porta abriu, o vapor saiu primeiro, seguido por ele. O Matheus estava apenas de calça de pijama, sem camisa, com o cabelo úmido e bagunçado. A luz fraca do abajur destacava o desenho do corpo dele, e eu senti minha boca secar.

Eu me levantei devagar e fui até ele. Sem dizer uma palavra, envolvi seu pescoço com meus braços e o beijei. Foi um beijo diferente dos que dávamos na escola; era mais lento, mais profundo, cheio da liberdade que as férias nos proporcionavam. Ele me conduziu até a cama e nos deitamos.

O Matheus se posicionou por cima de mim, apoiando o peso nos cotovelos para não me esmagar. Ele começou a passar a mão pela minha coxa, por cima do tecido do moletom, mas logo a mão dele deslizou para trás, apertando minha bunda com uma firmeza que me fez arfar.

— Você não tem noção do quanto eu esperei para ficarmos sozinhos assim — ele sussurrou contra o meu pescoço, descendo os beijos pela minha pele quente.

Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo quando ele apoiou a mão no meu seio, apertando levemente por cima do top. Em seguida, ele deu uma mordida de leve no meu pescoço, exatamente no ponto que me fazia perder os sentidos.

— Hummm... — o som escapou da minha garganta, um gemido baixo e sôfrego. Eu mordi meu próprio lábio inferior para não fazer mais barulho, mesmo sabendo que o quarto era à prova de som.

Ele parou por um segundo, aproximando o rosto do meu ouvido. A respiração dele estava pesada, quente.

— De quem você é, Hanna? — ele perguntou, a voz rouca e carregada de uma possessividade que me deixava tonta.

— Sou sua, Matheus... — respondi, com a voz falhando, sentindo minhas unhas grandes cravarem levemente nos ombros dele.

Ele não pareceu satisfeito com a resposta baixa. Apertou meu seio com um pouco mais de força, fazendo-me soltar um grunhido baixinho de prazer.

— De quem você é? — ele repetiu, a pergunta vibrando contra a minha pele.

— Eu sou sua! Só sua! — afirmei, fechando os olhos e entregando-me à sensação das mãos dele explorando meu corpo.

Ele deu um sorriso vitorioso e, em vez de continuar, ele se deitou ao meu lado, puxando-me para o seu peito. Ele deitou a cabeça logo acima do meu coração e fez um biquinho pensativo, o mesmo que ele fazia quando estava com ciúmes na escola.

— Sabe... eu ainda lembro daquele Rodrigo mandando mensagem pra você — ele resmungou, fazendo um carinho distraído no meu braço.

Eu ri baixo, passando os dedos pelo cabelo dele, sentindo os fios pretos e macios.

— Você é meu bebê, Matheus Luiz. Para de ser bobo. Eu não trocaria você por ninguém, muito menos por ele.

Ele levantou o olhar para mim, com um brilho malicioso nos olhos que eu já conhecia bem.

— Que mãe gostosa que eu tenho, hein? — ele brincou, usando aquela gíria que a gente vivia ouvindo nas músicas. — Se eu pudesse, eu te macetava até você não conseguir mais andar.

Eu soltei uma gargalhada alta, empurrando o ombro dele de leve.

— Matheus! Que horror! — eu disse, rindo. — Talvez um dia, né? Quando a gente tiver uns 15 ou 16 anos. A gente ainda é novo, vamos com calma.

Ele concordou, rindo também, e me deu um selinho carinhoso.

— Eu espero. Por você eu espero o tempo que for.

Eu me lembrei que tinha deixado meu tablet em uma prateleira alta do outro lado do quarto. Queria colocar um filme para a gente assistir enquanto ficávamos ali grudados. Levantei-me da cama e caminhei até lá. Como a prateleira era um pouco alta, precisei me inclinar e ficar na ponta dos pés para alcançar o aparelho.

Senti o movimento atrás de mim antes mesmo de ouvir. O Matheus levantou da cama num pulo e, aproveitando que eu estava inclinada, ele se aproximou por trás e me deu uma sarrada rápida, rindo da minha cara de surpresa.

— Matheus! — eu gritei, rindo e tentando não perder o equilíbrio.

— Deixa que eu pego pra você, pequena — ele disse, pegando o tablet com facilidade e me entregando.

Voltamos para a cama. Ele se sentou encostado na cabeceira e eu me acomodei no colo dele, de costas, sentindo o calor do corpo dele contra o meu. Eu queria provocar só mais um pouquinho antes do filme começar. Dei uma rebolada lenta no colo dele, sentindo-o relaxar os ombros e soltar um suspiro pesado enquanto as mãos dele apertavam minhas coxas com força.

— Hanna... você não facilita pra mim, né? — ele murmurou no meu ouvido.

— Só estou me acomodando, amor — respondi com um sorriso travesso que ele não podia ver.

Liguei o tablet e procurei por "Minha Mãe é uma Peça". O som da voz do Paulo Gustavo logo preencheu o quarto, e nós dois começamos a rir das piadas da Dona Hermínia. Ali, protegidos pelas paredes daquela chácara, com a Lorena e o Hanan provavelmente vivendo seu próprio momento no quarto ao lado, eu senti que a vida era perfeita.

As mãos do Matheus deslizaram da minha coxa para a minha cintura, abraçando-me por trás enquanto assistíamos ao filme. De vez em quando, ele deixava um beijo no meu ombro ou cheirava meu pescoço, lembrando-me de que ele estava ali, inteiramente meu.

— O que você acha que a Lorena está fazendo agora? — perguntei em voz baixa, durante uma cena mais calma do filme.

— Provavelmente tentando convencer o Hanan a fazer alguma dancinha de TikTok com ela — Matheus riu. — O Hanan é pau mandado dela, você sabe.

— E você não é o meu? — provoquei, virando o rosto para olhá-lo.

— Eu sou o seu namorado, seu protetor e seu maior fã — ele disse, sério por um momento. — Mas se você pedir com jeitinho, eu até faço uma dancinha de TikTok. Mas só se ninguém mais ver.

Eu sorri, sentindo uma onda de carinho por ele. O Matheus Luiz da escola, que ficava me cobrando resposta e fazendo pose de durão, era muito diferente desse Matheus que estava aqui comigo, vulnerável e doce à sua maneira.

As horas foram passando e o cansaço do dia na piscina começou a bater. O filme terminou, mas nós não nos movemos. Ficamos ali, no escuro, ouvindo apenas o som da respiração um do outro e os grilos cantando do lado de fora da janela trancada.

— Promete que essas férias vão ser sempre assim? — perguntei, quase pegando no sono.

— Vão ser melhores ainda, Hanna. Esse é só o primeiro dia — ele respondeu, ajeitando a coberta sobre nós.

Eu fechei os olhos, sentindo o cheiro dele e a segurança dos seus braços. Minhas unhas grandes arranharam de leve o braço dele em um carinho final antes de eu apagar completamente. O destino tinha sido generoso conosco. A escola podia ter ficado para trás, mas o que construímos lá dentro estava apenas florescendo sob o luar daquela chácara. E eu sabia, com toda a certeza do mundo, que eu não queria estar em nenhum outro lugar, com nenhuma outra pessoa.