my girl
Sussurros na Madrugada e o Calor do Verão
O silêncio da chácara durante a madrugada era absoluto, quebrado apenas pelo som rítmico dos grilos lá fora e pelo zumbido quase imperceptível do ar-condicionado. Eu e o Matheus Luiz estávamos deitados, mas o sono tinha decidido nos abandonar por completo. O relógio digital no criado-mudo marcava exatamente 2:00 da manhã. A luz azulada do tablet iluminava nossos rostos enquanto assistíamos a "Minha Mãe é uma Peça 2".
— A Dona Hermínia é muito a minha mãe quando eu demoro a responder o WhatsApp — cochichei, rindo baixinho enquanto via a cena dela reclamando dos filhos.
— E a minha, que quer saber até a cor da meia que eu estou usando? — Matheus respondeu, a voz rouca e baixa, vibrando contra o meu braço.
Eu estava acomodada de lado, com a cabeça apoiada no peito dele, sentindo o calor da sua pele. Minha mão direita, com as unhas compridas que eu tanto cuidava, deslizava pelo peito dele em um carinho suave. Era uma sensação de paz indescritível. Estar ali, com a porta e as janelas trancadas, sabendo que o quarto era à prova de som, nos dava uma liberdade que nunca tínhamos sentido na escola ou nas nossas casas. Ali, não éramos apenas os alunos do 8º ano; éramos apenas a Hanna e o Matheus.
— É tão bom ficar assim com você, sabia? — eu disse, olhando para cima e encontrando os olhos castanhos dele me observando com uma intensidade que me fazia perder o fôlego.
— É o melhor lugar do mundo, marrentinha — ele respondeu, fechando o tablet e deixando-o de lado. — O filme é bom, mas eu prefiro prestar atenção em você.
O clima mudou num instante. A brincadeira e as risadas sobre o filme deram lugar a uma tensão elétrica. Matheus se inclinou e me beijou, um beijo que começou lento e logo se tornou urgente. Antes que eu percebesse, ele se moveu com agilidade, ficando por cima de mim, apoiando o peso nos braços, mas mantendo o corpo colado ao meu.
Senti as mãos dele deslizarem pela minha cintura, descendo até a minha bunda, onde ele deu uma apertada firme por cima do moletom largo. Meu coração disparou, batendo contra as costelas como um tambor frenético. A mão dele subiu novamente, parando sobre o meu seio, sentindo a curva através do top preto que eu usava.
— Hanna... — ele sussurrou, a voz carregada de uma possessividade que me arrepiava inteira. — De quem você é? Fala pra mim.
Eu hesitei por um segundo, sentindo o rosto queimar, mas o olhar dele era uma ordem silenciosa.
— Eu sou sua, Matheus — respondi em um fio de voz.
Ele não pareceu satisfeito. Apertou meu seio com um pouco mais de força, fazendo-me soltar um gemido baixo que reverberou no quarto silencioso.
— Fala de novo. Mais alto — ele exigiu, o rosto a centímetros do meu.
— Eu sou sua! Só sua! — afirmei, fechando os olhos e entregando-me àquele domínio.
Ele sorriu, um sorriso vitorioso e quente, antes de descer o rosto para o meu pescoço. Os beijos dele eram úmidos e intensos, descendo lentamente até o meu colo. Ele afastou um pouco a alça do meu top e começou a beijar a parte superior do meu peito, enquanto uma de suas mãos continuava explorando as curvas do meu corpo, apertando minha bunda com uma leveza provocante.
— Você é perfeita — ele murmurou contra a minha pele.
O calor no quarto parecia ter subido dez graus. Matheus parou por um momento, olhando para mim com uma expressão de desejo e ternura misturados.
— Hanna... — ele começou, parecendo um pouco hesitante pela primeira vez. — Eu posso... eu posso mamar no seu peito?
Senti um choque de surpresa percorrer meu corpo, mas o jeito que ele pediu, quase como uma criança pedindo um carinho especial, me desarmou. Eu assenti com a cabeça, sentindo uma mistura de timidez e entrega.
— Pode, amor — respondi baixinho.
Ele se acomodou melhor entre minhas pernas e, com cuidado, abaixou a borda do meu top. Senti o ar fresco da madrugada tocar minha pele por um segundo antes do calor da boca dele me envolver. Comecei a fazer carinho no cabelo dele, sentindo os fios pretos e macios entre meus dedos, enquanto ele se perdia naquele contato.
Em um momento de empolgação, ele acabou mordendo de leve a pontinha do meu peito.
— Ai! — soltei um gritinho agudo, sobressaltada pela dor repentina que logo se transformou em uma pulsação de prazer.
— Desculpa! — ele disse imediatamente, soltando-me e olhando para mim com os olhos arregalados. — Eu não quis te machucar, foi sem querer.
— Tudo bem — eu disse, rindo um pouco para aliviar a tensão, embora meu coração ainda estivesse acelerado. — Só foi um susto. Ainda bem que ninguém ouviu.
— Esse quarto é um milagre — ele riu, relaxando novamente sobre mim. — Se a sua mãe ou a Lorena ouvissem isso, eu estaria morto agora.
— A Lorena ia querer me dar um sermão de trinta horas e depois perguntar todos os detalhes — comentei, imaginando a cena da minha melhor amiga tentando agir como se fosse minha mãe.
Matheus desceu o top um pouco mais, admirando-me sob a luz fraca do abajur. Ele parecia encantado, como se estivesse vendo algo precioso.
— Você não tem noção do quanto eu sou louco por você, Hanna. Às vezes eu fico na aula só olhando pra sua nuca e pensando em como eu ia conseguir te pedir em namoro sem gaguejar.
— E você gaguejou — lembrei, dando um peteleco de leve no nariz dele. — Ficou todo vermelho e me cobrando resposta todo dia.
— Porque eu morria de medo de você aceitar o Hanan ou dar bola para aquele Rodrigo — ele admitiu, deitando a cabeça no meu ombro e voltando a fazer círculos com os dedos na minha barriga.
— O Hanan é da Lorena, Matheus. Você sabe disso — eu disse, acariciando o rosto dele. — E o Rodrigo... bom, ele nunca teve chance.
Ficamos ali por um longo tempo, em silêncio, apenas aproveitando a proximidade física. O relógio agora marcava quase 3:00 da manhã. O cansaço finalmente começou a dar sinais, mas nenhum de nós queria que aquela noite acabasse.
— A gente devia tentar dormir — sugeri, embora minhas mãos ainda estivessem perdidas no cabelo dele. — Amanhã o Gabriel disse que quer fazer trilha cedo.
— O Gabriel é um chato — Matheus resmungou, mas concordou. — Mas ele tem razão. Se a gente aparecer com cara de zumbi no café da manhã, nossas mães vão começar com os interrogatórios.
Ele se ajeitou ao meu lado, puxando o edredom para nos cobrir. Eu me encaixei no abraço dele, sentindo o cheiro do seu perfume misturado com o sabonete da chácara. Era um cheiro que eu agora associava à segurança.
— Hanna? — ele chamou, já com os olhos fechados.
— Oi?
— Obrigado por me deixar ficar assim com você. Eu sei que a gente é novo e tal, mas... eu respeito muito você.
— Eu sei, Matheus. Eu também respeito você. E eu gosto que a gente possa ser assim, sabe? Sem pressa, só sendo a gente.
Ele me apertou mais um pouco e, em poucos minutos, a respiração dele se tornou profunda e regular. Eu demorei um pouco mais para pegar no sono. Fiquei olhando para o teto, pensando em como a minha vida tinha mudado desde aquele último dia de aula. A escola parecia uma memória distante, algo de outra vida. Ali, naquela madrugada de verão, eu estava descobrindo uma Hanna que eu não conhecia — uma Hanna que sabia amar e ser amada, que tinha desejos e que se sentia protegida.
Amanhã haveria trilha, haveria sol, haveria as brincadeiras da Lorena e as provocações dos meninos. Mas aquela madrugada pertenceria apenas a nós dois. Fechei os olhos, sentindo o toque suave dos dedos dele que, mesmo dormindo, ainda seguravam a pontinha do meu top. Sorri sozinha, mergulhando finalmente em um sono tranquilo, sabendo que as melhores férias da minha vida estavam apenas começando.