My patty
O Ultimato da Rainha
A atmosfera no luxuoso restaurante no centro de Seul era de pura sofisticação. Lustres de cristal pendiam do teto, refletindo a luz nas taças de champanhe, e uma música suave de piano preenchia o ambiente. Era o aniversário de vinte e seis anos de Jennie Kim, e Lalisa Manoban tinha planejado cada detalhe para que fosse perfeito. Lisa usava um terno sob medida que realçava seus ombros largos e sua postura imponente de um metro e oitenta, enquanto Jennie, ao seu lado, parecia uma joia rara em um vestido de seda vermelha.
No entanto, havia uma mancha naquele quadro perfeito: Hanbin.
Apesar da conversa séria que tiveram dias atrás, Jennie insistira que Hanbin fosse convidado para o jantar de aniversário. Ela alegara que, como ele era um amigo de infância e estava tentando se redimir, seria rude deixá-lo de fora de uma celebração tão íntima. Lisa, sendo a namorada devota que era, cedeu, mas o arrependimento pesava em seu peito a cada minuto que passava.
Hanbin estava sentado à frente delas, e seu comportamento era tudo, menos o de um "amigo de infância".
— Você se lembra, Nini? — Hanbin disse, inclinando-se sobre a mesa, ignorando completamente a presença de Lisa. — Aquele verão em que fugimos para o riacho atrás da casa da sua avó? Você estava com tanto medo dos sapos que me fez carregar você no colo o caminho todo. Algumas coisas nunca mudam, não é? Você ainda gosta de ser carregada.
Jennie deu um sorriso amarelo, sentindo a tensão emanar de Lisa como ondas de calor.
— É uma lembrança engraçada, Hanbin. Mas agora a Lisa me carrega muito bem, obrigada.
— Ah, eu não duvido — Hanbin riu, o tom carregado de uma ironia que só Lisa parecia captar. — Com esse tamanho, ela é praticamente uma empilhadeira humana. Mas carregar o corpo é fácil, difícil é carregar o gênio de uma mulher como você, Jennie. É preciso ter... certa sofisticação.
Lisa apertou o cabo do garfo com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Ela olhou para Jennie, esperando um sinal, uma defesa, mas Jennie parecia estar tentando manter a diplomacia por causa do seu aniversário.
— Hanbin, o vinho deve ter subido à sua cabeça — Lisa disse, sua voz soando como um rosnado baixo. — Por que você não foca no seu prato e deixa os comentários sobre a minha namorada para quem realmente a conhece?
— Ora, Lisa, não seja tão sensível — Hanbin retrucou, os olhos brilhando com malícia. Ele se virou novamente para Jennie, ignorando o aviso. — Sabe, Nini, eu trouxe um presente especial para você. Não é algo que se compra em qualquer loja de Seul. É algo com significado.
Ele tirou do bolso uma pequena caixa de veludo e a deslizou pela mesa. Lisa sentiu o estômago revirar. Aquilo não parecia um presente de amigo. Jennie abriu a caixa, revelando um colar de pérolas delicado com um pingente de diamante.
— Hanbin... isso é demais. Eu não posso aceitar — disse Jennie, visivelmente desconfortável.
— Claro que pode. É para lembrar você de que merece o melhor. Alguém que entenda a sua raridade — ele disse, e então, em um movimento audacioso, estendeu a mão e tocou o pulso de Jennie. — Você está desperdiçando seu brilho, Jennie. Todos sabemos disso.
Foi o limite. Lisa se levantou bruscamente, a cadeira arrastando no chão com um ruído estridente que atraiu os olhares de outras mesas. Sua altura de 1,80m parecia dobrar de tamanho sob a luz do restaurante.
— Chega — Lisa sentenciou. — Hanbin, fora daqui. Agora.
— Lisa, sente-se, você está fazendo uma cena — Hanbin disse, tentando manter a calma, mas seus olhos mostravam medo.
— Eu não vou pedir de novo — Lisa deu um passo ao redor da mesa, cercando-o. — Eu tentei ser paciente por causa da Jennie, mas você passou de todos os limites de desrespeito. Saia deste restaurante antes que eu tire você daqui pelos colarinhos.
— Jennie, você vai deixar ela falar assim comigo? — Hanbin apelou, olhando para a amiga.
Jennie estava em silêncio, observando a cena. Ela olhou para Lisa, cujos olhos ardiam com uma possessividade e uma proteção que faziam seu coração disparar. Depois, olhou para Hanbin, percebendo finalmente a arrogância e a falta de caráter do homem que ela chamava de amigo. Ele não a respeitava; ele apenas queria possuí-la para alimentar o próprio ego, diminuindo Lisa no processo.
Jennie levantou-se lentamente. Ela pegou a caixa de veludo e a fechou com um estalo seco, empurrando-a de volta para Hanbin.
— A Lisa tem razão, Hanbin. Você passou dos limites — a voz de Jennie era fria como o mártore. — Eu tentei manter nossa amizade porque valorizava nossas memórias, mas você provou que não tem respeito por mim e muito menos pela mulher que eu amo.
— Nini, eu só estou tentando mostrar que você merece mais... — Hanbin tentou começar.
— "Mais" o quê? — Jennie o interrompeu, dando um passo à frente. — Mais arrogância? Mais comentários machistas disfarçados de nostalgia? A Lisa é dez vezes o homem que você jamais sonhou ser. Ela me protege, ela me respeita e, sim, ela faz tudo o que eu mando porque ela me ama o suficiente para confiar em mim. Mas o que você não entende, Hanbin, é que o "pau mandado", como você gosta de insinuar, é a pessoa mais forte nesta mesa.
Lisa sentiu um calor reconfortante se espalhar por seu peito ao ouvir as palavras de Jennie.
— Nossa amizade acaba aqui — continuou Jennie, o olhar felino implacável. — Eu não quero que você me ligue, não quero que bata na minha porta e, se eu vir você a menos de dez metros da Lisa ou de mim, eu mesma garanto que você se arrependa. Agora, pegue suas pérolas e saia. Você está estragando o meu aniversário.
Hanbin, vermelho de vergonha e percebendo que não tinha mais aliados, pegou a caixa e se retirou do restaurante sob os olhares de reprovação dos garçons e clientes.
O silêncio caiu sobre a mesa. Lisa ainda estava de pé, a respiração pesada, os punhos cerrados. Jennie contornou a mesa e parou diante dela. A diferença de altura era gritante, mas a conexão entre elas preenchia todo o espaço.
— Lili... — Jennie chamou suavemente.
Lisa olhou para baixo, sua expressão de fúria derretendo-se instantaneamente ao encontrar os olhos de Jennie.
— Desculpe, Nini. Eu estraguei o seu jantar — Lisa sussurrou, sentindo-se culpada por ter perdido o controle.
— Estragou? — Jennie sorriu, um sorriso genuíno e cheio de adoração. Ela se inclinou e pegou o rosto de Lisa com as duas mãos. — Você foi incrível. Eu nunca te vi tão... dominante. Foi o melhor presente de aniversário que eu poderia ganhar.
— Sério? — Lisa perguntou, surpresa.
— Com certeza. Ver você colocar aquele idiota no lugar dele me lembrou por que eu sou completamente louca por você. Agora — Jennie deu um tapinha leve na bochecha de Lisa —, peça a conta. Eu não quero mais ficar aqui. Quero ir para casa.
— Mas você ainda nem comeu o bolo! — Lisa protestou.
— Eu tenho planos melhores para o "doce" da noite, Lalisa. E eles envolvem você, o nosso quarto e absolutamente nenhuma interrupção — Jennie piscou, um brilho malicioso em seus olhos.
Lisa não precisou ouvir duas vezes. Ela pagou a conta em tempo recorde e, em poucos minutos, estavam no carro a caminho do apartamento. O trajeto foi carregado de uma eletricidade palpável. Jennie mantinha a mão na coxa de Lisa, subindo os dedos lentamente enquanto a tailandesa tentava manter o foco na estrada, embora sua respiração estivesse cada vez mais curta.
Assim que a porta do apartamento 405 se fechou atrás delas, o controle desapareceu.
Lisa mal teve tempo de acender as luzes antes de ser empurrada contra a porta por Jennie. A menor subiu em seu colo com uma agilidade surpreendente, e Lisa instintivamente a segurou pelas coxas, prendendo-a contra a madeira da porta.
— Você foi uma menina muito brava hoje, Lili — sussurrou Jennie contra os lábios de Lisa, sua voz carregada de desejo. — Eu gosto quando você mostra quem manda no mundo lá fora.
— Eu só mando no mundo lá fora porque você manda em mim aqui dentro, Nini — Lisa respondeu, sua voz rouca de desejo.
— É verdade — Jennie mordeu o lábio inferior de Lisa, puxando-o levemente. — E hoje, como é meu aniversário, eu decidi que as regras vão ser um pouco diferentes. Eu quero que você use toda essa força que usou com o Hanbin... mas em mim.
Lisa sentiu um arrepio percorrer toda a sua espinha. Ela caminhou com Jennie presa ao seu corpo em direção ao quarto, sem nunca quebrar o contato visual. Ao chegarem à cama, Lisa deitou Jennie com uma delicadeza que contrastava com a intensidade do momento.
A noite que se seguiu foi uma celebração de tudo o que elas eram. Não havia mais espaço para inseguranças ou intrusos. Entre os lençóis de seda, Lisa provou, centímetro por centímetro, que seu corpo de 1,80m pertencia inteiramente à mulher de 1,55m que a governava. Seus toques eram possessivos, suas mãos grandes explorando cada curva de Jennie com uma fome que parecia insaciável.
Jennie, por sua vez, entregou-se completamente. Ela não era apenas a namorada mandona ou ciumenta naquele momento; ela era a mulher que encontrava sua paz e seu prazer nos braços da pessoa que mais a conhecia. Seus gemidos chamavam o nome de Lisa, preenchendo o quarto e reafirmando a soberania da tailandesa sobre seus sentidos.
— Eu te amo, Lisa — Jennie ofegou, as unhas cravadas nos ombros largos da namorada enquanto chegavam juntas ao ápice. — Só você... sempre só você.
— Só eu, Nini — Lisa prometeu, beijando a testa suada de Jennie enquanto as duas tentavam recuperar o fôlego. — Hoje e para sempre.
Horas mais tarde, a luz da lua filtrava-se pelas cortinas, banhando o quarto em tons de prata. Lisa estava deitada de costas, e Jennie estava aninhada em seu peito, usando o braço de Lisa como travesseiro. O silêncio era confortável, preenchido apenas pelo som das respirações sincronizadas.
— Lili? — Jennie chamou baixinho.
— Sim, amor?
— O Hanbin não vai mais voltar. Eu mudei o número dele e vou falar com o zelador amanhã para garantir que ele não tenha acesso ao nosso andar.
Lisa apertou o abraço, sentindo um alívio profundo.
— Fico feliz em ouvir isso. Eu só quero que a gente tenha paz.
— Nós teremos — Jennie levantou a cabeça, olhando para Lisa com um sorriso travesso. — Mas não pense que só porque você me defendeu hoje, você escapou das suas obrigações. Amanhã cedo, eu quero café na cama, massagem nos pés e você vai ter que organizar todo o meu closet de sapatos.
Lisa soltou uma risada baixa e vibrante, beijando a ponta do nariz de Jennie.
— Sim, senhora. Mais alguma ordem, majestade?
— Por enquanto, apenas durma — Jennie ordenou, fechando os olhos e se aconchegando mais. — Você vai precisar de energia para amanhã.
Lisa fechou os olhos, um sorriso de satisfação nos lábios. Ela podia ser a "pau mandado" de Jennie Kim, podia obedecer a cada capricho e aceitar cada crise de ciúmes, mas no fim do dia, ela sabia que era a única que tinha o privilégio de segurar o mundo de Jennie em seus braços. E para Lalisa Manoban, não havia trono maior ou mais importante do que aquele.
A gigante de pernas longas e a pequena mulher de olhar felino adormeceram, unidas por um laço que nenhum Hanbin, nenhuma Somi e nenhuma insegurança jamais conseguiria quebrar. O aniversário de Jennie terminara da melhor forma possível: com a certeza de que, naquele apartamento, o amor era a única lei, e Lisa era sua seguidora mais fiel.