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My rich girl

O Eclipse da Onipotência de Manoban

A manhã de sábado na Universidade de Nova York tinha um cheiro específico: café queimado, grama cortada e a eletricidade de um dia de jogo. Lalisa Manoban, com seus impressionantes 1,80m de altura e ombros que pareciam ter sido esculpidos por um arquiteto renascentista, caminhava pelo campus com uma confiança que beirava a arrogância. Ela vestia o uniforme de treino do time de futebol da faculdade — uma camiseta branca justa que marcava cada músculo e um calção que deixava suas pernas longas e atléticas à mostra.

Lisa estava no topo do mundo. Depois de meses sendo a "nerd invisível", ela agora era a estrela ascendente do time. Sua condição intersexual, que antes era motivo de insegurança, agora era sua força; ela era mais rápida, mais forte e tinha uma presença de campo que intimidava qualquer adversário. Ela girava a bola nos dedos, sentindo-se a verdadeira dona do campus.

— É hoje, BamBam! — exclamou Lisa, dando um tapinha no ombro do amigo enquanto se aproximavam do campo principal. — Vou marcar pelo menos três gols. O Jackson não vai nem ver a cor da bola. Eu mando nessa faculdade agora.

BamBam olhou para ela com uma sobrancelha arqueada, segurando o riso.

— Você manda, é? — Ele apontou com o queixo para a arquibancada lateral. — Acho que a verdadeira autoridade acabou de chegar.

Lisa parou bruscamente. Sentada no degrau mais alto, com óculos escuros de grife e uma jaqueta do time que claramente pertencia a Lisa (ficando nela como um vestido estiloso), estava Jennie Kim. Ela segurava um copo de café gelado e observava o campo com a expressão de uma rainha avaliando seus súditos.

O coração de Lisa deu um salto, mas ela tentou manter a pose. Ela se aproximou da arquibancada, fazendo questão de estufar o peito e dar seu sorriso mais charmoso.

— Oi, Nini. Veio ver sua namorada brilhar? — Lisa perguntou, inclinando-se sobre o corrimão. — Fica atenta, porque eu vou dedicar cada gol a você.

Jennie baixou os óculos lentamente, revelando olhos felinos que não pareciam nem um pouco impressionados com a demonstração de testosterona de Lisa.

— Lalisa, você está atrasada quatro minutos para o aquecimento — disse Jennie, a voz fria e melodiosa. — E por que você está usando essa faixa no cabelo? Eu já te disse que prefiro quando seu rosto está limpo. Tira isso agora.

Lisa piscou, o sorriso vacilando por um microssegundo.

— Mas, Nini, a faixa ajuda com o suor e...

— Tira. Agora — repetiu Jennie, sem alterar o tom de voz.

Lisa, a mulher que intimidava atletas de 100 quilos no campo, rapidamente puxou a faixa da cabeça e a guardou no bolso.

— Pronto. Tirei — murmurou Lisa, agora parecendo um golden retriever que acabou de levar uma bronca por subir no sofá.

— Ótimo — Jennie sorriu brevemente, o que fez Lisa se sentir instantaneamente recompensada. — E depois do jogo, nada de sair com os meninos para beber. Nós temos o jantar na casa da minha tia e você vai usar aquela camisa azul que eu passei.

— Mas o time queria comemorar a vitória e... — Lisa tentou argumentar, mas o olhar de Jennie se estreitou.

— Se a patroa falou, tá falado, Manoban. Alguma dúvida?

— Nenhuma, capitã — Lisa respondeu, batendo uma continência desajeitada antes de marchar em direção ao campo sob as risadas abafadas de BamBam.

O jogo começou e Lisa era, de fato, uma força da natureza. Ela driblava com uma agilidade sobrenatural, deixando os defensores para trás como se fossem estátuas. No entanto, a cada jogada, seus olhos buscavam a arquibancada. Se Jennie estivesse olhando para o celular, Lisa se esforçava o dobro. Se Jennie aplaudisse, Lisa quase flutuava.

No meio do segundo tempo, após marcar seu segundo gol, Lisa correu em direção à arquibancada e fez um gesto de coração com as mãos para Jennie. O estádio inteiro viu. Jackson, o antigo valentão, bufou de raiva.

— Você é patética, Manoban — sibilou Jackson ao passar por ela. — A garota mais popular da escola te trata como um bichinho de estimação e você ainda agradece. Cadê sua dignidade?

Lisa parou, encarando-o de cima. Ela era dez centímetros mais alta que ele e muito mais forte.

— Minha dignidade está exatamente onde ela quer que esteja, Jackson — Lisa respondeu com uma voz profunda que fez o rapaz recuar. — E enquanto eu sou o "bichinho" dela, eu ainda sou a pessoa que vai te dar um baile nesse campo. Agora sai da frente.

Apesar da bravura diante dos inimigos, a dinâmica interna era outra. O jogo terminou em 3 a 1 para a NYU, com Lisa sendo a estrela absoluta. No vestiário, o clima era de festa.

— Vamos lá, Lisa! Só uma rodada no bar do Joe! — gritou um dos colegas de time.

Lisa olhou para o celular. Havia uma mensagem de Jennie enviada há dois minutos: "Estou no estacionamento. Três minutos. Se eu tiver que ligar o carro duas vezes, você volta a pé."

— Não dá, galera — disse Lisa, já enfiando as roupas na mochila com uma velocidade frenética. — Tenho... compromissos inadiáveis.

— Compromissos ou a Jennie deu o comando? — provocou BamBam.

— Eu sou uma mulher independente, BamBam! — Lisa exclamou, colocando a mochila nas costas. — Eu apenas valorizo a pontualidade e o bem-estar da minha parceira. É uma questão de respeito mútuo.

— Aham, claro — BamBam revirou os olhos. — Corre lá, "independente", antes que ela mude a senha do apartamento.

Lisa correu. Ela chegou ao estacionamento em exatamente dois minutos e quarenta segundos, ofegante, mas com um sorriso vitorioso. Jennie estava encostada no carro de Lisa — que ela agora dirigia com mais frequência que a própria dona.

— Dois minutos e quarenta segundos — Jennie observou, guardando o celular. — Você está melhorando, Lili. Entra, você está cheirando a grama e esforço físico.

— Eu marquei dois gols, Nini! — Lisa disse, entrando no banco do passageiro enquanto Jennie assumia o volante. — Você viu o segundo? Foi por cobertura!

— Eu vi, querida. Foi fofo — Jennie deu partida no carro. — Mas você quase levou um cartão amarelo por causa daquela provocação com o Jackson. Eu não gosto de namoradas esquentadinhas.

— Ele falou de você! — Lisa protestou, cruzando os braços. — Eu não podia deixar passar.

Jennie parou no sinal vermelho e virou-se para Lisa. Ela esticou a mão e apertou a bochecha da maior com força, fazendo Lisa fazer um biquinho involuntário.

— Eu sei me defender, Lalisa. O que eu preciso é que você se comporte. Você é o meu orgulho, mas lembre-se: no campo, você manda. No resto do mundo, eu mando. Entendido?

— Entendido — murmurou Lisa, sentindo o rosto esquentar.

O jantar na casa da tia de Jennie foi um teste de resistência para Lisa. Ela teve que usar a camisa azul (que apertava um pouco nos braços), sentar-se ereta e discutir literatura francesa com pessoas que usavam palavras que ela mal conseguia pronunciar. Jennie, por sua vez, agia como a namorada perfeita, servindo vinho para Lisa e limpando discretamente uma mancha de molho que caiu no canto da boca da maior.

Para quem olhava de fora, Lisa era a protetora imponente, a mulher de 1,80m que movia as cadeiras para Jennie e carregava todos os casacos. Mas, por baixo da mesa, a mão de Jennie estava firmemente apoiada na coxa de Lisa, dando apertos sutis toda vez que Lisa tentava falar demais sobre física quântica.

— Lisa é tão inteligente — comentou a tia de Jennie. — Ela deve ser a líder em casa também, não é?

Lisa abriu a boca para dizer algo sobre "parceria igualitária", mas sentiu o aperto de Jennie em sua perna aumentar.

— Ah, com certeza — disse Jennie, com um sorriso angelical. — Lisa toma todas as decisões importantes... depois que eu as reviso e aprovo. Não é, Lili?

— Exatamente — Lisa concordou, bebendo um gole generoso de água. — Se a patroa falou, tá falado.

Quando finalmente voltaram para o apartamento de Lisa, a adrenalina do jogo e o cansaço do jantar social haviam se transformado em uma tensão diferente. Lisa jogou as chaves na mesa e suspirou, começando a desabotoar a camisa azul.

— Finalmente! Eu achei que aquela conversa sobre porcelana chinesa nunca fosse acabar.

Jennie caminhou até ela, parando bem próxima. A diferença de altura era notável; Jennie precisava inclinar a cabeça para trás para olhar nos olhos de Lisa, mas isso não diminuía em nada sua autoridade.

— Você se comportou bem hoje, Lalisa — disse Jennie, passando as mãos pelo peito largo de Lisa. — Mesmo que tenha tentado dar uma de "macho alfa" no campo.

— Eu só estava jogando, Nini — Lisa envolveu a cintura de Jennie, sentindo-se finalmente no controle de sua própria casa. — Eu sou a estrela do time, sabia? As pessoas compram ingressos para me ver.

— É mesmo? — Jennie arqueou uma sobrancelha, um brilho travesso nos olhos. — E o que essa estrela vai fazer agora que a sua dona está com sono e quer uma massagem?

Lisa tentou manter a postura firme por três segundos.

— Bem, eu acho que a estrela merece um descanso também e...

Jennie apenas apontou para o sofá.

— Óleo de lavanda. Agora.

Lisa soltou os ombros, derrotada pela centésima vez no dia.

— Sim, senhora. Já vou buscar.

Enquanto Lisa ia até o banheiro buscar o hidratante, Jennie se acomodou no sofá, vitoriosa. Ela amava o fato de que Lisa era essa força da natureza lá fora — a mulher nerd, linda e atlética que todos cobiçavam —, mas que, no momento em que as portas se fechavam, ela se tornava a "cachorrinha" mais leal e carinhosa do mundo.

Lisa voltou e começou a massagear os pés de Jennie com uma delicadeza que contrastava com sua força física.

— Sabe, Nini... as pessoas na faculdade acham que eu sou quem manda aqui. Eles me veem no campo, veem meu tamanho...

— E o que eles não sabem não os machuca, Lili — interrompeu Jennie, fechando os olhos enquanto sentia as mãos firmes de Lisa trabalharem em seus músculos cansados. — Mas você gosta disso, não gosta? De saber que só eu consigo te dobrar?

Lisa parou por um momento, olhando para Jennie. A luz baixa da sala destacava a beleza da patricinha, e Lisa sentiu aquela onda familiar de adoração.

— Gosto — admitiu Lisa em voz baixa. — Eu passaria o resto da vida sendo mandada por você se isso significasse que eu posso ficar aqui, cuidando de você.

Jennie abriu um olho e sorriu, um sorriso genuíno e cheio de afeto. Ela esticou a perna e empurrou levemente o ombro de Lisa.

— Você é muito brega, Manoban. Continua a massagem, você parou no ponto certo.

— Sim, senhora — Lisa riu, voltando ao trabalho.

No dia seguinte, no campus, a história se repetiu. Lisa caminhava de cabeça erguida, recebendo cumprimentos de todos pela vitória de ontem. Ela parecia a personificação do poder. Mas, quando Jennie Kim passou por ela no corredor e apenas apontou para a mochila de Lisa, sinalizando que ela deveria carregar seus livros, Lisa não hesitou.

Ela pegou o peso extra, deu um beijo rápido na bochecha de Jennie e seguiu atrás dela como uma sombra devota.

— Olha lá — sussurrou um dos calouros. — A Manoban é uma fera no futebol, mas perto da Jennie...

— Perto da Jennie ela é só a Lalisa — respondeu BamBam, passando por eles. — E acredite, ela não trocaria isso por nenhum troféu do mundo.

Lisa ouviu e sorriu para si mesma. Ela podia ser a nerd mais cobiçada, a atleta mais forte e a mulher de 1,80m que parava o trânsito, mas no final do dia, sua maior conquista não era um gol ou uma nota dez. Era o privilégio de ouvir Jennie Kim dizer "Lalisa, vem aqui" e saber que, onde quer que Jennie estivesse, aquele era o seu verdadeiro lugar.

Porque para Lalisa Manoban, mandar no mundo era irrelevante quando se tinha o coração da rainha. E se a patroa falava, o resto do universo simplesmente tinha que aceitar.