my teacher
Entre Linhas e Labirintos
— Eu não divido o que é meu, Jennie — Lisa admitiu, a voz agora um rosnado baixo, enquanto seus olhos escureciam de uma forma que fazia o estômago de Jennie dar voltas. — E aquele homem estava respirando o seu ar. Considere-se sortuda por eu ter mantido o meu profissionalismo dentro daquela escola.
Jennie sorriu, um sorriso vitorioso e cheio de segundas intenções. Ela adorava o poder que exercia sobre os outros, mas o poder que Lisa exercia sobre ela era algo novo, viciante. Ela se sentia como uma boneca de porcelana nas mãos de uma gigante gentil, mas perigosa.
— Você é tão possessiva, Lili — Jennie provocou, usando o apelido que sabia que irritava a fachada séria da professora. — Isso é um traço de personalidade que não estava no seu currículo, não é?
Lisa soltou um suspiro pesado, mas suas mãos não deixaram as coxas de Jennie. Em vez disso, ela se aproximou mais, forçando Jennie a deitar ligeiramente as costas sobre a mesa de jantar.
— Meu currículo diz que sou mestre em Literatura, Jennie. Mas a vida me ensinou que algumas histórias não são feitas para serem lidas, mas sim vividas com toda a intensidade que o corpo aguenta. E você... você é o capítulo mais complicado que já cruzou o meu caminho.
— Então por que não para de analisar e começa a agir? — Jennie desafiou, a voz carregada de uma urgência que ela raramente demonstrava. — Eu estou aqui, Lisa. Sem cartões de crédito, sem seguidores, sem a proteção do meu pai. Só eu.
Lisa não respondeu com palavras. Ela selou os lábios nos de Jennie novamente, mas desta vez não havia hesitação ou "paciência pedagógica". Era um beijo de posse, profundo e avassalador, que reivindicava cada centímetro do espaço de Jennie. A pequena coreana passou os braços pelo pescoço de Lisa, puxando-a para mais perto, querendo fundir sua pele com a da mulher mais alta.
A tensão intersexual de Lisa era palpável, uma energia que irradiava força e uma masculinidade sutil que contrastava perfeitamente com a delicadeza de Jennie. Para a patricinha de Seul, que sempre esteve acostumada a garotos fúteis que faziam tudo o que ela queria por medo ou interesse, a presença de Lisa era um porto seguro e, ao mesmo tempo, um mar revolto.
Lisa afastou o beijo por um momento, descendo os lábios pelo pescoço de Jennie, deixando marcas que a menina teria dificuldade em esconder com o uniforme no dia seguinte.
— Se alguém vir isso... — murmurou Jennie, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados em puro prazer.
— Se alguém vir isso, saberão que você tem dona — Lisa respondeu, a voz vibrando contra a pele sensível de Jennie. — Você queria marcar território, não queria? Pois bem, eu estou marcando o meu.
O apartamento, antes silencioso, agora era preenchido pelo som das respirações pesadas e pelo roçar de tecidos. Lisa ergueu Jennie novamente, levando-a para o quarto, onde a luz da lua entrava pelas cortinas semiabertas, pintando o ambiente de prata.
Deitada na cama de lençóis escuros, Jennie parecia ainda menor, uma pequena joia em um estojo de veludo. Lisa se posicionou sobre ela, sustentando o próprio peso com os braços fortes, observando cada detalhe do rosto da aluna.
— Você se faz de difícil no colégio, Jennie. Manda em todos, humilha quem cruza o seu caminho. Por que comigo é diferente?
Jennie estendeu a mão, acariciando o rosto esculpido de Lisa, os dedos descendo até os lábios da tailandesa.
— Porque você é a única que consegue me ver, Lisa. De verdade. Todos os outros veem a "filha do diretor" ou a "menina rica". Você vê a Jennie que tem medo de não ser boa o suficiente, a Jennie que usa a arrogância como escudo. E, estranhamente, você não fugiu quando viu isso.
Lisa suavizou a expressão, algo raro em sua postura sempre rígida.
— Eu não fujo de desafios, pequena. E eu não abandono o que eu decido proteger.
Naquela noite, as lições de literatura foram deixadas de lado para dar lugar a algo muito mais instintivo. Lisa foi cuidadosa, mas firme, guiando Jennie por sensações que a menina nunca imaginou existirem. A entrega de Jennie foi total; ela, que sempre gostou de estar no controle, descobriu que não havia nada mais libertador do que confiar cegamente em alguém.
Horas depois, quando o cansaço finalmente as venceu, Jennie estava aninhada no peito de Lisa, o rosto escondido na curva do pescoço da professora. O braço de Lisa envolvia a cintura de Jennie, protegendo-a até mesmo durante o sono.
— Lisa? — Jennie chamou baixinho, a voz sonolenta.
— Hum? — Lisa respondeu, acariciando os cabelos castanhos da menina.
— Amanhã... no colégio. Como vai ser?
Lisa ficou em silêncio por um momento, sentindo o peso da realidade voltando a cair sobre seus ombros.
— Amanhã eu serei sua professora e você será minha aluna. Manteremos as aparências, Jennie. Pelo bem da minha carreira e pela sua reputação. Mas, toda vez que eu olhar para você na primeira fileira, eu saberei exatamente o que aconteceu aqui. E você saberá que, assim que o sinal tocar, você voltará para mim.
Jennie sorriu contra a pele de Lisa.
— Eu gosto disso. Um segredo. É excitante.
— É perigoso, Jennie — Lisa corrigiu, beijando o topo da cabeça dela. — Mas eu acho que nós duas gostamos de perigo.
O sol começou a despontar no horizonte de Seul quando Jennie acordou. Ela se sentia diferente. A aura de "Regina George" ainda estava lá, mas havia uma suavidade nova em seus olhos. Ela se vestiu rapidamente, enquanto Lisa preparava um café forte na cozinha.
— Eu pedi um carro para te levar em casa antes que seu pai acorde — disse Lisa, entregando uma xícara para Jennie. — Não quero que ele desconfie de nada por enquanto.
Jennie pegou a xícara, mas antes de beber, aproximou-se de Lisa e deu-lhe um selinho rápido.
— Você é muito eficiente, Professora Manoban.
— Alguém tem que ser, já que você vive nas nuvens — Lisa brincou, embora seu olhar fosse carregado de adoração.
Ao chegar em casa, Jennie entrou sorrateiramente pela porta dos fundos. Ela conseguiu chegar ao seu quarto sem ser vista, jogando-se na cama e sentindo o perfume de Lisa que ainda impregnava sua pele. Ela pegou o livro de "O Morro dos Ventos Uivantes" que estava em sua mesa de cabeceira e, pela primeira vez, não o viu como uma obrigação escolar.
Ela abriu em uma página aleatória e leu uma frase sublinhada por Lisa: "De que é feita a nossa alma, eu não sei, mas a dele e a minha são iguais".
Jennie sorriu. Ela sabia exatamente o que aquilo significava agora.
No colégio, algumas horas depois, o ambiente era o mesmo de sempre. Alunos correndo, fofocas nos corredores e a hierarquia social sendo mantida com mão de ferro. Jennie caminhava pelo corredor principal com sua pose habitual, mas quando cruzou com Lisa no corredor, o tempo pareceu parar por um segundo.
Lisa estava com sua pasta de couro, a expressão séria e o olhar focado em alguns papéis. Ela nem sequer olhou para Jennie enquanto passavam uma pela outra. No entanto, quando as mãos delas se roçaram por um breve instante no meio da multidão, Jennie sentiu um papelzinho ser passado para sua palma.
Ela esperou chegar ao banheiro para abrir o bilhete.
"Biblioteca. 16h. Traga o ensaio. E tente não ser tão óbvia com esse sorriso vitorioso. — L.M."
Jennie guardou o papel no sutiã, olhando-se no espelho. Ela retocou o batom e ajeitou o uniforme.
— Ah, Lisa... — murmurou Jennie para o seu reflexo. — Você acha que manda, mas mal sabe que já é totalmente minha.
A tarde chegou rapidamente. Jennie entrou na biblioteca, que estava vazia devido ao horário de treinos esportivos. Lisa já estava lá, sentada na mesma mesa de sempre.
— Você está atrasada cinco minutos, senhorita Kim — disse Lisa, sem levantar os olhos do livro.
— Eu tive que lidar com uns súditos irritantes — Jennie respondeu, sentando-se de forma provocante na frente de Lisa. — E então? Vamos falar de literatura ou você vai me dar a minha verdadeira recompensa por ter sido uma boa menina hoje?
Lisa fechou o livro com um estalo seco e finalmente olhou para Jennie. Havia um brilho de diversão e desejo em seus olhos castanhos.
— Primeiro, o ensaio. Quero ver se o seu cérebro funciona tão bem quanto a sua língua.
Jennie bufou, entregando as folhas grampeadas. Lisa começou a ler em silêncio, e Jennie observava cada mudança em sua expressão. Após alguns minutos, Lisa deixou o papel sobre a mesa.
— Impressionante — disse Lisa. — Você realmente entendeu a essência da obsessão. Escreveu que a posse não é sobre ter o corpo de alguém, mas sobre habitar a mente da outra pessoa até que não reste mais nada de original nela.
— Eu tive uma ótima inspiração — Jennie piscou, inclinando-se sobre a mesa.
— Você é perigosa, Jennie Kim — Lisa sussurrou, estendendo a mão para tocar os dedos de Jennie sobre a madeira. — Eu deveria te manter longe de mim para o meu próprio bem.
— Mas você não vai — afirmou Jennie, com a confiança de quem conhece o próprio poder. — Porque você precisa desse perigo tanto quanto eu. Você gosta de como eu te desafio, Lisa. Você gosta de ser a única pessoa no mundo que eu realmente escuto.
Lisa suspirou, derrotada pela lógica impecável da menina.
— Sim, eu gosto. E esse é o meu maior erro.
— Erros são mais divertidos que acertos, professora.
Nesse momento, a porta da biblioteca se abriu bruscamente. Era o Diretor Kim, pai de Jennie. Lisa e Jennie se afastaram instantaneamente, recuperando a postura profissional em um piscar de olhos.
— Ah, Lisa! — disse o homem, entrando com um sorriso largo. — Peço desculpas pela interrupção. Só queria saber como está indo o progresso da minha filha. Ela está sendo difícil?
Lisa levantou-se, ajeitando a camisa social, sua expressão voltando a ser a de uma professora exemplar.
— Pelo contrário, Diretor Kim. Jennie tem mostrado um empenho surpreendente. Ela acaba de me entregar um ensaio brilhante sobre a alma humana e suas complexidades.
O Diretor olhou para a filha com orgulho.
— Fico feliz em ouvir isso. Jennie sempre foi brilhante, só precisava do incentivo certo. E vejo que a senhorita Manoban é exatamente o que ela precisava.
Jennie sorriu para o pai, um sorriso que parecia doce e inocente, mas que escondia segredos que fariam o Diretor cair da cadeira.
— A professora Manoban é excelente, papai. Ela tem métodos de ensino... muito eficazes. Eu sinto que estou aprendendo coisas que nunca imaginei.
— Excelente, excelente! — o Diretor deu um tapinha no ombro de Lisa. — Continue o bom trabalho, Lisa. E Jennie, não abuse da paciência da sua professora.
— Jamais, papai — disse Jennie, lançando um olhar de soslaio para Lisa que fez a tailandesa apertar a mandíbula para não reagir.
Assim que o Diretor saiu da biblioteca, o silêncio que se seguiu foi denso. Lisa soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.
— Isso foi por pouco — murmurou Lisa.
— Você fica tão sexy quando está sob pressão — Jennie comentou, levantando-se e caminhando até a porta para trancá-la novamente.
— Jennie, o que você está fazendo? Seu pai acabou de sair daqui!
— Exatamente — Jennie voltou para perto de Lisa, empurrando-a de volta para a cadeira e sentando-se em seu colo. — Ele não vai voltar tão cedo. E eu acho que mereço um bônus por ter fingido tão bem, não acha?
Lisa segurou a cintura de Jennie, sua resistência desmoronando diante do charme da pequena patricinha.
— Você vai acabar me matando, Jennie Kim. Ou me fazendo ser presa.
— Ninguém vai te prender, Lili — Jennie sussurrou, roçando o nariz no de Lisa. — Porque eu sou a dona dessa escola. E você é a dona de mim.
Lisa não lutou mais. Ela aceitou o beijo de Jennie, sentindo a mistura de perigo, paixão e possessividade que agora definia suas vidas. Elas eram como Heathcliff e Catherine, perdidas em um morro de sentimentos tempestuosos, mas com uma diferença crucial: Jennie não deixaria ninguém, nem mesmo o destino, separá-las.
— Você é minha — Lisa afirmou entre os beijos, a voz carregada de uma autoridade que Jennie adorava.
— Sempre — Jennie respondeu. — E você é meu pau mandado favorito.
Lisa riu, uma risada que ecoou suavemente entre as estantes de livros antigos, selando um pacto que ia muito além das salas de aula. Naquele labirinto de literatura e desejo, Jennie Kim e Lalisa Manoban haviam encontrado sua própria linguagem. Uma linguagem que não precisava de notas, ensaios ou aprovação de ninguém. Apenas delas mesmas.