my teacher
Entre Segredos e Sombras
O corredor da Seoul High School parecia mais longo naquela manhã. Jennie caminhava com sua habitual confiança, o som de seus saltos batendo contra o mármore ecoando como um metrônomo que ditava o ritmo do coração de quem passava. Ela usava um óculos de sol da Chanel, mesmo em um ambiente fechado, apenas porque podia. No entanto, por trás das lentes escuras, seus olhos buscavam apenas uma silhueta específica.
Ela sentia a marca no pescoço, agora devidamente escondida por uma camada generosa de corretivo de alta cobertura e um lenço de seda estrategicamente amarrado, um acessório que ela alegou ser a "nova tendência de Paris" para suas seguidoras. A verdade era que aquela marca queimava em sua pele, uma lembrança constante do toque possessivo de Lisa.
Ao entrar na sala de literatura, o ar mudou. Lisa estava lá, em pé junto à janela, observando o pátio. Ela vestia uma calça social cinza que abraçava suas pernas longas e uma blusa de gola alta preta que destacava sua postura imponente. Quando a professora se virou, seus olhos encontraram os de Jennie. Por um breve segundo, a máscara profissional de Lisa vacilou, substituída por um brilho de desejo cru que fez os joelhos de Jennie fraquejarem.
— Bom dia, turma — disse Lisa, sua voz ressonando pela sala com aquela autoridade natural. — Abram seus livros na página oitenta e quatro. Hoje vamos discutir a obsessão como tema central na poesia de Lord Byron.
Jennie sentou-se em seu lugar habitual, na primeira fileira. Ela cruzou as pernas, deixando a saia subir apenas o suficiente para ser provocante, mas não o bastante para causar um escândalo imediato. Ela abriu o livro, mas seus olhos estavam fixos em Lisa, que começou a circular pela sala enquanto falava.
— Byron escreveu sobre amores que consomem, amores que não aceitam um "não" como resposta — explicou Lisa, parando exatamente ao lado da mesa de Jennie. — Ele acreditava que o verdadeiro sentimento é inerentemente possessivo. O que vocês acham disso?
Jennie ergueu a mão lentamente, um sorriso de lado brincando em seus lábios.
— Eu acho que ele estava certo, professora Manoban — disse Jennie, inclinando a cabeça para trás para encarar a mulher de 1,80m. — Se você não quer ser o dono da alma de alguém, então você realmente não ama essa pessoa. O amor sem posse é apenas... amizade. E eu não tenho interesse em amizades superficiais.
Um murmúrio percorreu a sala. Os alunos sabiam que Jennie Kim era intensa, mas a forma como ela desafiava a professora nova era sempre um espetáculo à parte. Lisa sustentou o olhar, uma sobrancelha erguida.
— Uma visão audaciosa, senhorita Kim — comentou Lisa, aproximando-se um pouco mais, o suficiente para que Jennie sentisse o perfume amadeirado que agora associava ao prazer. — Mas a posse sem controle pode levar à destruição. Byron também falava sobre a ruína que vem com esse tipo de intensidade.
— Algumas coisas valem a pena ser destruídas, não acha? — rebateu Jennie, a voz baixando um tom, tornando-se privada apenas para as duas.
Lisa pigarreou, sentindo a tensão elétrica ameaçar transbordar. Ela se afastou, voltando para o centro da sala.
— Vamos focar no texto. Rosé, leia o primeiro estrofe para nós, por favor.
O restante da aula foi um exercício de tortura para ambas. Jennie não parava de enviar sinais silenciosos — o modo como mordia a ponta da caneta, a maneira como deslizava a mão pelo próprio pescoço, tocando exatamente onde a marca de Lisa estava escondida. Lisa, por sua vez, tentava manter a compostura, mas suas mãos tremiam levemente ao segurar o livro e sua voz falhava ocasionalmente quando Jennie a olhava com aquele ar de "eu sei o que fizemos ontem à noite".
Quando o sinal tocou, Jennie não se apressou. Ela esperou que todos saíssem, incluindo suas amigas que a chamavam para o almoço.
— Já vou, meninas. Esqueci de tirar uma dúvida sobre a redação final — mentiu Jennie com a naturalidade de uma atriz premiada.
Assim que a porta se fechou e as vozes no corredor se dissiparam, Lisa soltou um suspiro pesado, apoiando as mãos na mesa.
— Você está tentando me levar à loucura, Jennie? — perguntou Lisa, sem se virar.
— Estou apenas sendo uma aluna interessada, professora — Jennie levantou-se e caminhou até Lisa, parando logo atrás dela. Ela estendeu a mão e tocou as costas de Lisa, sentindo os músculos tensos sob o tecido fino. — Você parecia tão séria falando sobre Byron. Mas eu sei que, por dentro, você estava pensando em como eu gritei seu nome.
Lisa virou-se rapidamente, segurando os pulsos de Jennie e prendendo-os contra o peito. A diferença de altura obrigava Jennie a olhar para cima, mas ela não se sentia intimidada. Ela se sentia poderosa.
— Você não tem filtro, não é? — Lisa rosnou, a possessividade brilhando em seus olhos. — Estamos em uma escola. Seu pai está a dois corredores de distância. Se alguém entrar por aquela porta...
— Ninguém vai entrar — disse Jennie, puxando uma das mãos de Lisa para o seu lenço de seda. — Desamarre. Eu quero que você veja o que fez.
Lisa hesitou por um segundo, mas o desejo foi mais forte. Com dedos ágeis, ela desfez o nó do lenço, revelando a marca arroxeada na pele clara de Jennie. O contraste era hipnotizante. Lisa passou o polegar sobre a marca, e Jennie soltou um suspiro trêmulo.
— Ficou perfeito em você — sussurrou Lisa, a voz carregada de uma satisfação sombria. — É para que você se lembre de quem manda quando eu não estou por perto.
— Eu nunca esqueço — sussurrou Jennie, puxando Lisa para um beijo rápido e urgente. — Mas eu quero mais. O ensaio de ontem não foi o suficiente. Eu quero que você me dê uma aula particular hoje... no meu lugar favorito.
— E onde seria esse lugar? — perguntou Lisa, os lábios roçando os de Jennie.
— No chalé da minha família nas montanhas. Meu pai acha que vou passar o fim de semana estudando com a Rosé. Ele já deu permissão para eu usar o motorista, mas eu posso dispensá-lo assim que chegarmos lá.
Lisa franziu o cenho. O risco era enorme, mas a ideia de ter Jennie Kim isolada de tudo e de todos, em um lugar onde ela poderia ser verdadeiramente a dona da situação, era tentadora demais para recusar.
— Você está planejando um sequestro consensual, senhorita Kim? — brincou Lisa, embora seu aperto na cintura de Jennie tenha se tornado mais firme.
— Estou planejando um fim de semana onde não haverá "professora" ou "aluna". Apenas nós duas. E você vai poder me ensinar tudo o que Byron esqueceu de escrever.
Lisa sorriu, aquele sorriso que Jennie sabia que significava que ela havia vencido novamente.
— Esteja pronta às seis. Eu vou te encontrar na estrada de acesso. E Jennie... — Lisa puxou-a para mais perto, o rosto a centímetros do dela — ...se você contar para alguém sobre isso, eu vou garantir que suas notas em literatura sejam o menor dos seus problemas.
— Eu adoro quando você me ameaça — sussurrou Jennie, antes de se soltar e caminhar em direção à porta. — Vejo você às seis, Lili.
O resto do dia passou como um borrão. Jennie mal conseguia se concentrar nas outras matérias. Ela passou o tempo todo imaginando o chalé, a lareira e, principalmente, Lisa sem aquela armadura de roupas sociais.
Às seis horas em ponto, o carro de Jennie parou na entrada da estrada vicinal que levava às montanhas. Ela dispensou o motorista, alegando que Rosé já estava lá e que ela queria caminhar o pequeno trecho final para "respirar ar puro". Assim que o carro sumiu de vista, um SUV preto estacionou ao lado dela. A janela desceu, revelando Lisa usando óculos escuros e uma jaqueta de couro.
— Entre — ordenou Lisa.
Jennie obedeceu prontamente. O interior do carro cheirava a couro e ao perfume de Lisa. O clima entre elas mudou instantaneamente; ali, longe dos olhos críticos da escola, a tensão sexual era quase física.
— Você trouxe os livros? — perguntou Lisa, com um tom sarcástico enquanto dirigia pela estrada sinuosa.
— Eu trouxe algo melhor — Jennie abriu a mochila e tirou uma garrafa de vinho caro que havia roubado da adega do pai. — E trouxe a minha total disposição para aprender.
O chalé era uma construção rústica e luxuosa, cercada por pinheiros e coberta por uma leve névoa montanhosa. Assim que entraram, Lisa trancou a porta atrás de si. Ela jogou as chaves sobre a mesa de centro e se virou para Jennie.
— Aqui não há câmeras, não há diretores e não há regras — disse Lisa, caminhando lentamente em direção a Jennie. — Você passou o dia inteiro me provocando, Jennie. Agora, você vai arcar com as consequências.
Jennie engoliu em seco, sentindo o coração martelar contra as costelas. Ela adorava provocar, mas o olhar predador de Lisa naquele momento era algo que ela nunca tinha visto com tanta clareza.
— Eu não tenho medo de você, Lisa — afirmou Jennie, embora sua voz tenha saído um pouco mais aguda do que o planejado.
— Deveria ter — rebateu Lisa, segurando Jennie pela cintura e erguendo-a até que ela ficasse sentada sobre o balcão da cozinha. — Porque eu sou muito exigente com as minhas alunas preferidas.
Lisa começou a beijar o pescoço de Jennie, exatamente sobre a marca que havia feito mais cedo. Suas mãos fortes subiram pelas costas de Jennie, puxando-a para mais perto, se é que isso era possível.
— Lisa... — ofegou Jennie, as mãos perdidas nos ombros largos da professora. — Por que você demorou tanto para aparecer na minha vida?
— Porque o destino queria que você estivesse pronta para ser dominada por mim — respondeu Lisa contra a pele dela. — Você sempre foi a rainha, Jennie. Mas toda rainha precisa de alguém que a faça cair de joelhos.
O fim de semana no chalé foi uma sucessão de descobertas. Lisa era uma amante intensa e atenciosa, mas nunca deixava de lado sua natureza possessiva. Ela gostava de ver Jennie entregue, de ouvir as confissões que a menina só fazia entre quatro paredes. Jennie, por sua vez, descobriu que sua inteligência e sua arrogância eram apenas camadas que protegiam um desejo imenso de ser cuidada e, ao mesmo tempo, possuída por alguém que fosse seu igual em força e vontade.
Na segunda noite, enquanto estavam deitadas em frente à lareira, enroladas em um cobertor de pele sintética, o silêncio era confortável.
— Lisa? — chamou Jennie, traçando círculos no abdômen definido da tailandesa.
— Diga, pequena.
— O que acontece se meu pai descobrir? Ele é o diretor. Ele poderia destruir sua carreira em um segundo.
Lisa ficou em silêncio por um longo tempo, observando as chamas dançarem.
— Eu sei dos riscos, Jennie. Eu sabia desde o momento em que aceitei te dar aquelas aulas particulares. Mas há coisas na vida que valem qualquer risco. Você é uma delas.
Jennie levantou a cabeça, olhando para Lisa com uma seriedade incomum.
— Eu não vou deixar ele te machucar. Eu sou uma Kim. Eu mando naquela escola tanto quanto ele. Se ele tentar algo contra você, eu queimo aquele lugar até o chão.
Lisa soltou uma risada baixa e rouca, puxando Jennie para um abraço apertado.
— Eu acredito em você. Sua possessividade é quase assustadora, sabia?
— Eu aprendi com a melhor — rebateu Jennie, sorrindo contra o peito de Lisa. — Você é minha, Lisa Manoban. E eu protejo o que é meu com unhas e dentes.
Na manhã de segunda-feira, o retorno à escola foi agridoce. Elas chegaram em carros separados, com horas de diferença. Jennie voltou a ser a patricinha intocável, e Lisa voltou a ser a professora rigorosa. Mas algo havia mudado. Havia uma cumplicidade silenciosa em cada olhar trocado no corredor, um segredo compartilhado que as tornava invencíveis.
Durante a aula de literatura, Lisa devolveu os ensaios corrigidos. Quando chegou à mesa de Jennie, ela deixou o papel virado para baixo.
— Excelente trabalho, senhorita Kim — disse Lisa para a classe ouvir. — Sua compreensão sobre a natureza do desejo evoluiu consideravelmente.
Jennie esperou Lisa se afastar para virar o papel. No topo, além da nota máxima, havia uma pequena anotação escrita à mão, em uma letra elegante e firme:
"Sua tese sobre a entrega foi impecável. Mas a prática foi ainda melhor. Vejo você na biblioteca após o sinal. Temos um novo capítulo para começar. — L."
Jennie guardou o ensaio na pasta, um sorriso vitorioso iluminando seu rosto. Ela olhou para Lisa, que estava escrevendo no quadro, e sentiu uma onda de satisfação. O mundo podia achar que Lisa Manoban era a professora e Jennie Kim era a aluna, mas a verdade era muito mais complexa.
Elas eram duas forças da natureza que haviam colidido e, no meio do caos, haviam encontrado uma ordem que só pertencia a elas. Jennie Kim, a patricinha vibe Regina George, finalmente havia encontrado alguém que não apenas suportava seu veneno, mas que o transformava em algo poético. E Lalisa Manoban, a professora séria e imponente, havia encontrado a única pessoa capaz de desarmar seu controle e fazê-la sentir-se, pela primeira vez, verdadeiramente em casa.
O sinal tocou, e enquanto os outros alunos saíam apressados, Jennie permaneceu sentada, observando Lisa organizar seus livros. O jogo estava apenas começando, e Jennie não tinha a menor intenção de deixar que ele terminasse tão cedo. Afinal, em um mundo de versos e vernizes, o amor mais real era aquele que se escrevia nas entrelinhas do proibido.