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my teacher

Ciúme em Elementos Químicos

O laboratório de ciências da Seoul High School cheirava a enxofre e desinfetante, um contraste gritante com o aroma de rosas importadas que Jennie Kim exalava. Ela estava encostada no batente da porta, os braços cruzados sobre o peito, observando a cena à sua frente com olhos que poderiam derreter o vidro dos béqueres.

Lalisa Manoban, a sua professora de literatura — sua Lisa —, estava debruçada sobre uma bancada, rindo de algo que a professora de ciências, Park Chaeyoung, acabara de dizer. Chaeyoung, ou Rosé para os íntimos, era alta, loira e tinha um jeito doce que parecia irritar Jennie profundamente naquele momento. A mão de Rosé tocou levemente o braço de Lisa enquanto explicava algo sobre uma reação química, e Jennie sentiu o sangue ferver.

— Com licença — disse Jennie, sua voz cortando o ar como uma lâmina de gelo. Ela caminhou para dentro da sala, seus saltos estalando ritmicamente contra o piso de linóleo. — Eu não sabia que literatura e química tinham se tornado uma disciplina interdisciplinar, professora Manoban.

Lisa endireitou o corpo imediatamente. A postura imponente de 1,80m pareceu encolher alguns centímetros sob o olhar predatório da garota de 1,55m. Ela pigarreou, ajeitando os óculos que raramente usava, mas que Jennie achava irritantemente atraentes.

— Senhorita Kim — disse Lisa, tentando recuperar o tom profissional, embora seu coração tivesse dado um solavanco. — Eu estava apenas discutindo com a professora Park sobre a composição das tintas usadas nos manuscritos medievais. É para a aula de amanhã.

— Ah, entendo — Jennie parou ao lado de Lisa, invadindo seu espaço pessoal sem a menor cerimônia. Ela olhou para Rosé com um sorriso que não chegava aos olhos. — Olá, professora Park. Que jaleco... interessante. Combina com as luvas.

— Obrigada, Jennie — respondeu Rosé, sentindo a tensão palpável. Ela conhecia a reputação da filha do diretor. — Lisa e eu somos amigas de longa data, estudamos juntas na faculdade. Estávamos apenas relembrando alguns momentos.

— "Amigas de longa data" — repetiu Jennie, saboreando as palavras como se fossem veneno. Ela se virou para Lisa, estreitando os olhos. — Professora Manoban, eu tive um problema sério com aquele ensaio sobre Byron. Preciso de sua ajuda. Imediatamente. Na sua sala.

Lisa olhou para o relógio de pulso, depois para Rosé, que parecia segurar o riso diante da possessividade óbvia da aluna.

— Jennie, eu ainda tenho dez minutos de intervalo e...

— Agora, Lisa — interrompeu Jennie, a voz baixa e carregada de uma autoridade que faria o próprio diretor tremer.

Lisa engoliu em seco. Ela era uma mulher forte, intersexual, respeitada e temida por muitos alunos, mas diante de Jennie Kim, ela se sentia como um castelo de cartas em meio a um furacão. Ela sabia que, se não obedecesse, as consequências seriam drásticas — desde biquinhos intermináveis até chantagens emocionais que a deixariam sem dormir por uma semana.

— Com licença, Chaeyoung — disse Lisa, pegando sua pasta rapidamente. — Parece que o dever me chama.

— Claro, Lisa — Rosé piscou para a amiga, notando o suor frio na testa da tailandesa. — A gente termina a conversa depois. Com café?

— Ela não gosta de café à tarde — disparou Jennie, segurando o braço de Lisa e começando a puxá-la para fora do laboratório. — Ataca a gastrite dela. Vamos.

O trajeto até a sala de literatura foi feito em um silêncio tenso. Jennie não soltou o braço de Lisa até que estivessem dentro da sala, com a porta devidamente trancada. Assim que o clique da fechadura ecoou, Jennie se virou, os olhos faiscando.

— "Amigas de faculdade"? "Conversa depois com café"? — Jennie começou a andar de um lado para o outro, gesticulando dramaticamente. — Você estava flertando com ela, Lalisa! Na frente de todo mundo!

— Eu não estava flertando, Jennie! — protestou Lisa, colocando a pasta sobre a mesa e levantando as mãos em sinal de rendição. — Nós somos apenas amigas. Eu juro. Ela estava me ajudando com uma pesquisa!

— Ela tocou no seu braço — Jennie se aproximou, apontando o dedo para o peito de Lisa. — E você riu. Você nunca ri assim das minhas piadas sobre o Shakespeare ser brega.

— Porque suas piadas sobre Shakespeare são terríveis, Jennie! — Lisa exclamou, mas logo baixou o tom ao ver o biquinho de mágoa se formando nos lábios da menor. — Ei, olha para mim.

Lisa segurou o rosto de Jennie com as mãos grandes e firmes, forçando a garota a encará-la. A diferença de altura era imensa, mas naquele momento, Lisa sentia que estava lidando com uma força da natureza muito maior que ela mesma.

— Você é a única pessoa que me faz perder o sono, sabia? — sussurrou Lisa, o polegar acariciando a bochecha macia de Jennie. — A professora Park é apenas uma colega. Eu não sinto nada por ela.

— Ela é loira, Lisa. E alta. E sabe coisas sobre... moléculas — Jennie desviou o olhar, a voz minguando para um murmúrio ciumento. — Eu sou baixa e só sei gastar o dinheiro do meu pai e fingir que não entendo poesia.

Lisa soltou uma risada rouca, puxando Jennie para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço da menina. O cheiro de baunilha de Jennie a acalmava instantaneamente.

— Você é a menina mais inteligente que eu já conheci, Jennie Kim. E você sabe muito bem que me tem na palma da mão. Eu sou um "pau mandado", lembra? Você mesma disse.

Jennie relaxou nos braços de Lisa, mas não se deu por vencida totalmente. Ela se afastou o suficiente para olhar nos olhos castanhos da professora.

— Se eu vir você rindo para ela daquele jeito de novo, Lalisa, eu juro que vou contar para o meu pai que o laboratório de ciências precisa de uma reforma urgente e vou mandar transferir a professora Park para uma escola no interior da Tailândia.

Lisa arregalou os olhos, sabendo que Jennie era perfeitamente capaz de cumprir a ameaça.

— Você não faria isso.

— Tente a sorte — desafiou Jennie, um sorriso safado surgindo em seu rosto de boneca. — Agora, sente-se naquela cadeira. Eu quero que você me mostre exatamente o quanto você se arrepende de ter me deixado com ciúmes.

Lisa obedeceu prontamente, sentando-se na cadeira de couro atrás de sua mesa. Ela puxou Jennie para o seu colo, sentindo o peso leve e familiar da garota. A possessividade de Jennie era exaustiva, mas Lisa mentiria se dissesse que não amava ser o centro absoluto do universo daquela patricinha.

— Você é impossível — murmurou Lisa, as mãos descendo para a cintura de Jennie, apertando o tecido do uniforme.

— Eu sou sua — corrigiu Jennie, inclinando-se para morder o lábio inferior de Lisa. — E você é minha. Só minha. Entendido, professora?

— Sim, senhora — respondeu Lisa, rendida. — Completamente entendido.

Jennie sorriu, vitoriosa. Ela sabia que tinha Lisa exatamente onde queria: com o coração disparado e os "rabos entre as calças", pronta para qualquer ordem que sua pequena rainha decidisse ditar. Naquele jogo de poder, a química podia pertencer à professora Park, mas a literatura — e todo o resto — pertencia exclusivamente a Jennie Kim.

— Ótimo — disse Jennie, ajeitando o cabelo de Lisa. — Agora, sobre aquele café com a loira... você vai cancelar.

— Mas Jennie, seria falta de educação...

— Lisa — Jennie estreitou os olhos novamente.

— Cancelado — disse Lisa imediatamente, pegando o celular. — Vou enviar a mensagem agora mesmo.

Jennie assentiu, satisfeita, e selou o acordo com um beijo que fez Lisa esquecer completamente que um dia existira qualquer outra professora de ciências no mundo. Na Seoul High School, as leis da física podiam ser universais, mas as leis de Jennie Kim eram as únicas que Lalisa Manoban ousava seguir.