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my teacher

Labirinto de Vidro e Gasolina

O sinal que anunciava o fim do intervalo ecoou pelos corredores da Seoul High School, mas Jennie Kim não se moveu. Ela estava estática, escondida atrás de uma pilastra de mármore no pátio central, observando a cena que fazia seu estômago se revirar como se tivesse ingerido veneno. Lá estava Lalisa, sua Lisa, encostada em um dos bancos de carvalho, rindo abertamente enquanto a professora Park Chaeyoung gesticulava com entusiasmo, as mãos loiras tocando o ombro da tailandesa com uma familiaridade que Jennie considerava um crime de lesa-majestade.

— Ela não desiste — sibilou Jennie, as unhas impecavelmente pintadas de vermelho cravando-se na alça de couro de sua bolsa de grife.

Jennie não era apenas ciumenta; ela era territorial. E ver Lisa, que na noite anterior havia sussurrado promessas de posse em seu ouvido, agora compartilhando aquele brilho no olhar com outra mulher, era demais para seu ego de porcelana suportar. Ela não interrompeu. Não desta vez. Em vez disso, ela deu meia-volta, o cabelo castanho chicoteando o ar, e marchou em direção à sala de aula com um plano de guerra traçado em sua mente.

A aula de literatura começou dez minutos depois. Lisa entrou na sala com sua postura habitual, os ombros largos preenchendo o espaço de forma imponente, mas assim que seus olhos buscaram a primeira fileira, ela sentiu o impacto. Jennie não estava olhando para ela. A garota estava concentrada em pintar as unhas com um corretivo, ignorando completamente o livro aberto sobre a mesa.

— Bom tarde, turma — disse Lisa, tentando manter a voz firme. — Hoje continuaremos nossa análise sobre o romantismo sombrio. Senhorita Kim, poderia ler o primeiro parágrafo da página cento e doze?

Jennie nem sequer levantou a cabeça. Ela soprou as unhas, observando o acabamento fosco do corretivo, e respondeu com uma voz que exalava um tédio glacial.

— Não estou com vontade, professora. Peça para a sua "grande amiga", a professora Park. Ouvi dizer que ela adora ler... e tocar nas pessoas enquanto faz isso.

Um silêncio ensurdecedor caiu sobre a sala. Os alunos trocaram olhares assustados. Ninguém falava assim com a Professora Manoban e saía ileso. Lisa sentiu o rosto esquentar, uma mistura de irritação e desespero. Ela conhecia aquele tom. Era o tom de "você está morta para mim" que Jennie usava antes de destruir a vida social de alguém.

— Senhorita Kim, guarde o material de beleza e preste atenção na aula — ordenou Lisa, caminhando até a mesa de Jennie. — Isso é um aviso.

Jennie finalmente levantou os olhos felinos, mas não havia o brilho de desejo de sempre. Havia apenas um vazio cortante.

— E se eu não quiser? Vai me dar detenção? — Jennie deu um sorriso cínico, inclinando-se para frente. — Ou vai me pedir para ficar depois da aula para "estudar", enquanto espera a loirinha do laboratório te chamar para outro café?

— Jennie, chega — Lisa sibilou, inclinando-se para que apenas a menor ouvisse. — Não faça isso aqui.

— Eu faço o que eu quiser, Manoban — Jennie levantou-se bruscamente, pegando sua bolsa. — Esta aula está um tédio. E o cheiro de traição está me dando náuseas.

Sem esperar por uma resposta, Jennie saiu da sala, batendo a porta com tanta força que o vidro da pequena janela estremeceu. Lisa ficou estática, o giz quebrando em sua mão. Ela queria ir atrás dela, queria sacudi-la e dizer que Rosé era apenas uma amiga de infância, mas o profissionalismo — e o medo do Diretor Kim aparecer — a manteve presa ao chão.

O restante do dia foi um inferno para Lisa. Jennie a ignorou nos corredores, passou por ela como se fosse um fantasma e, pior de tudo, foi vista rindo e flertando abertamente com Kai, o capitão do time de basquete, durante o treino da tarde. Lisa, observando de longe da janela da sala dos professores, sentiu o ciúme queimar como brasa em seu peito. A pequena coreana sabia exatamente onde golpear para causar mais dor.

Quando a noite caiu sobre Seul, a chuva começou a castigar as janelas. Lisa não conseguia se concentrar em corrigir as provas. A imagem de Jennie a tratando com aquele desprezo era insuportável. Ela pegou as chaves de seu carro, vestiu sua jaqueta de couro e dirigiu em direção à mansão dos Kim, ignorando o bom senso que dizia que ir à casa do diretor àquela hora era uma loucura.

Ela estacionou a algumas quadras de distância e usou a entrada lateral do jardim, um caminho que Jennie havia lhe mostrado semanas atrás para seus encontros clandestinos. Ela escalou a trepadeira com a agilidade de quem estava desesperada e bateu levemente na porta de vidro da varanda do quarto de Jennie.

Depois de alguns segundos, as cortinas de seda foram afastadas. Jennie apareceu, vestindo um robe de cetim preto que mal cobria suas coxas. Ela cruzou os braços, olhando para Lisa através do vidro com uma expressão de desdém.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Jennie, abrindo apenas uma fresta da porta, o suficiente para o ar frio entrar. — Meu pai está no escritório. Se ele te vir, você está na rua antes do amanhecer.

— Eu não me importo com o seu pai agora, Jennie — disse Lisa, a voz rouca pela chuva e pela ansiedade. — Me deixe entrar. Agora.

Jennie hesitou, mas a visão de Lisa encharcada, com o cabelo grudado na testa e os olhos brilhando com uma intensidade possessiva, foi demais para sua resistência. Ela abriu a porta e deu um passo para trás.

Assim que Lisa entrou, ela chutou a porta para fechar e avançou sobre Jennie, segurando-a pelos ombros.

— Quem você pensa que é para me tratar daquela forma na frente dos alunos? — Lisa rosnou, a altura de 1,80m fazendo sombra sobre a garota. — E que palhaçada foi aquela com o Kai no pátio?

— Ah, agora você está interessada no que eu faço? — Jennie empurrou o peito de Lisa, embora a mulher nem tenha se movido. — Achei que estivesse ocupada demais sendo a "melhor amiga" da Chaeyoung. Por que não foi na casa dela se secar?

— Jennie, para com isso! — Lisa apertou o aperto em seus ombros, não para machucar, mas para ancorá-la. — A Rosé não significa nada. Ela estava me pedindo conselhos sobre uma nova vaga no departamento de ciências. Eu nunca olharia para ela do jeito que olho para você.

— Mentira! — Jennie gritou, as lágrimas de raiva finalmente começando a brotar. — Você estava rindo! Você nunca ri comigo daquele jeito! Você me trata como uma criança mimada que você tem que aturar, enquanto ela é a sua igual, a sua colega "inteligente".

Lisa sentiu um aperto no coração. Por trás de toda aquela arrogância de patricinha, Jennie era apenas uma menina carente que morria de medo de ser substituída.

— Você acha mesmo que eu te vejo assim? — Lisa soltou os ombros de Jennie e segurou seu rosto com as mãos frias pela chuva. — Jennie, você me consome. Eu não consigo passar uma hora sem pensar no seu cheiro, no seu jeito mandão, na forma como você me desafia. A Rosé é apenas uma pessoa. Você... você é a minha obsessão.

Jennie tentou desviar o rosto, mas Lisa não permitiu.

— Você me humilhou hoje, Jennie — continuou Lisa, a voz baixando para um tom perigoso. — Você me tratou como lixo na frente de todos. Você tem ideia do quanto eu tive que me controlar para não te colocar sobre aquela mesa e te mostrar exatamente quem manda em quem?

— Então por que não fez? — desafiou Jennie, a voz falhando. — Você prefere ser a professora perfeita, não é? Prefere manter a pose enquanto eu morro de ciúmes de cada mulher que respira perto de você.

— Eu vim aqui para te punir pelo seu comportamento, Jennie Kim — Lisa disse, aproximando o rosto do dela, o hálito quente chocando-se contra os lábios da menor. — Mas antes, eu preciso que você entenda uma coisa.

Lisa a prensou contra a porta fechada da varanda, o corpo úmido da professora esfriando o cetim fino de Jennie.

— Eu sou sua — afirmou Lisa, cada palavra pesada como chumbo. — Eu sou seu pau mandado, sua amante, sua professora... o que você quiser. Mas não ouse me tratar daquela forma novamente. Eu sou possessiva, Jennie. E ver você tocando naquele garoto me deu vontade de quebrar aquele colégio inteiro.

Jennie arfou, o calor voltando ao seu corpo com força total. Ela amava quando Lisa perdia o controle. Amava a sensação de ser o motivo do caos na vida daquela mulher tão centrada.

— Você está com ciúmes, Lili? — provocou Jennie, as mãos subindo pelo peito molhado de Lisa até alcançarem sua nuca.

— Eu estou furiosa — corrigiu Lisa, selando seus lábios nos de Jennie em um beijo faminto e punitivo.

Não havia doçura ali. Era uma batalha de línguas e dentes, um pedido de desculpas misturado com uma reivindicação de território. Lisa ergueu Jennie pela cintura, fazendo com que ela entrelaçasse as pernas em seu quadril, e a carregou em direção à cama de dossel.

— Você vai me pedir desculpas por cada palavra insolente que disse hoje — murmurou Lisa contra o pescoço de Jennie, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha.

— Talvez eu peça — ofegou Jennie, sentindo-se finalmente em casa nos braços da tailandesa. — Mas só se você prometer que nunca mais vai deixar aquela loira encostar em você.

Lisa parou por um segundo, olhando para Jennie com uma mistura de adoração e exasperação.

— Eu prometo, sua pequena ditadora. Agora, fique quieta e me deixe mostrar o quanto eu senti sua falta.

A noite lá fora continuava tempestuosa, mas dentro do quarto, a temperatura subia a cada segundo. Lisa era dominante, guiando Jennie por um caminho de prazer que fazia a garota esquecer qualquer vestígio de raiva. Cada toque de Lisa era uma afirmação de posse, uma lição que não precisava de livros ou quadros negros para ser ensinada.

Horas depois, quando o fogo entre elas se transformou em brasas suaves, Jennie estava deitada no peito de Lisa, traçando as linhas dos músculos de seus braços com a ponta dos dedos.

— Você vai ter problemas para sair daqui sem ser vista — comentou Jennie, a voz sonolenta.

— Valeu a pena — respondeu Lisa, beijando o topo da cabeça da coreana. — Mas amanhã, na escola, eu espero um comportamento exemplar. Nada de corretivo nas unhas, nada de flertes com capitães de basquete.

Jennie deu uma risadinha baixa, sentindo-se vitoriosa.

— E nada de conversinhas com a professora Park?

— Nada de conversinhas com ninguém que não seja você, Jennie.

— Ótimo — Jennie se aconchegou mais. — Porque eu não gosto de dividir meus brinquedos, Lisa. Especialmente os meus favoritos.

Lisa sorriu na escuridão. Ela sabia que a relação delas era um campo minado, um jogo perigoso que poderia explodir a qualquer momento. Mas enquanto tivesse Jennie em seus braços, ela estava disposta a caminhar sobre o fogo.

— Você é um problema, Jennie Kim.

— E você é a solução, Professora Manoban.

O silêncio voltou a reinar no quarto, quebrado apenas pelo som da chuva. Lisa sabia que teria que enfrentar o Diretor Kim na manhã seguinte, talvez até lidar com as fofocas que Jennie espalhou, mas nada disso importava. Ela tinha domado a rainha da escola, mesmo que, no fundo, soubesse que era ela quem estava totalmente sob o feitiço daquela pequena patricinha.

Na manhã seguinte, Jennie entrou na sala de literatura com um sorriso radiante, o uniforme impecável e o livro de Byron em mãos. Ela sentou-se na primeira fileira e, quando Lisa entrou, seus olhos se encontraram por um breve segundo. Não houve palavras, apenas um entendimento mútuo.

Durante a aula, Lisa chamou Jennie para ler um poema.

— "Ela caminha em beleza, como a noite" — começou Jennie, sua voz clara e melodiosa.

Enquanto lia, ela olhou para Lisa, e a professora retribuiu o olhar com uma intensidade que fez o coração de Jennie disparar. A dinâmica de poder havia voltado ao seu equilíbrio precário e delicioso. Jennie era a protegida, a musa e a dona; Lisa era a guia, a protetora e a posse.

E no final do corredor, quando Rosé passou por elas e acenou, Lisa apenas deu um aceno curto e formal, mantendo os olhos fixos em sua aluna mais brilhante e perigosa. Jennie sorriu, satisfeita. O território estava marcado. A lição havia sido aprendida. E o amor, em toda a sua forma obsessiva e ciumenta, continuava a ser a matéria mais importante que ambas estudariam naquele ano.