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my teacher

Território Marcado em Ouro e Sangue

O corredor leste da Seoul High School era conhecido por ser o trajeto mais curto entre o laboratório de biologia e a sala dos professores, mas naquela tarde de terça-feira, ele se tornou o palco de uma declaração de guerra silenciosa. Jennie Kim caminhava com a elegância de uma pantera, cada passo de seus sapatos de grife ecoando no mármore polido. Ela não estava apenas andando; ela estava patrulhando seu domínio.

Ao longe, ela avistou a cabeleira loira de Park Chaeyoung. Rosé estava parada perto de um armário, conversando animadamente com Lalisa. A professora de literatura parecia relaxada, com uma pasta de couro debaixo do braço e aquele sorriso de canto que Jennie considerava sua propriedade exclusiva. O ciúme, um monstro verde e viscoso que Jennie conhecia bem, subiu por sua garganta, queimando como ácido.

Jennie não apressou o passo. Ela queria que elas a vissem chegando. Queria que o ar ficasse pesado com sua presença antes mesmo de abrir a boca. Quando estava a poucos metros, percebeu que Rosé ria de algo e, em um gesto de pura casualidade — ou audácia suprema, na mente de Jennie —, tocou o ombro de Lisa para enfatizar um ponto da conversa.

O mundo de Jennie Kim ficou vermelho.

— Professora Park! — A voz de Jennie cortou o riso de Rosé como uma guilhotina. — Que coincidência encontrar a senhora aqui. Achei que estivesse ocupada demais organizando os tubos de ensaio para a feira de ciências.

Rosé virou-se, o sorriso diminuindo apenas um milímetro. Ela era doce, mas não era boba; conhecia o temperamento da filha do diretor.

— Olá, Jennie. Eu estava apenas terminando de combinar os detalhes do projeto interdisciplinar com a Lisa. Literatura e Ciência podem ser ótimas aliadas, não acha?

Jennie parou ao lado de Lisa, tão perto que seus ombros se roçaram. Ela sentiu o corpo da professora retesar. Lisa sabia o que estava por vir. O olhar de Jennie subiu para Lisa por um segundo — um aviso silencioso de que elas teriam uma "conversa" séria mais tarde — antes de focar novamente na loira.

— Projetos interdisciplinares são... educativos — disse Jennie, a palavra saindo com um desdém quase palpável. — Mas sabe o que é mais educativo ainda, professora Park? Entender os limites da propriedade privada.

Rosé franziu o cenho, confusa.

— Perdão? Não entendi o que quer dizer com isso, Jennie.

Jennie deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre ela e a professora de ciências. Mesmo sendo significativamente mais baixa, a aura de autoridade e perigo de Jennie a fazia parecer gigante. Ela estendeu a mão e, com uma delicadeza fingida, ajeitou um fio de cabelo que caía sobre o rosto de Rosé, um gesto que era puramente de dominação.

— O que quero dizer — começou Jennie, a voz baixando para um tom melífluo e perigoso — é que algumas coisas nesta escola são de uso público. O ginásio, a biblioteca, os bebedouros... Mas Lalisa Manoban? Ela não faz parte dessa lista.

O silêncio que se seguiu foi tão denso que Lisa sentiu que poderia cortá-lo com uma régua. A professora de literatura abriu a boca para intervir, mas Jennie lançou-lhe um olhar tão possessivo e carregado de promessas que as palavras morreram em sua garganta. Lisa, a mulher de 1,80m que intimidava qualquer delinquente do colégio, estava ali, reduzida ao papel de espectadora de sua própria posse.

— Jennie, isso é... — Rosé tentou falar, mas foi interrompida.

— Deixe-me ser clara, Chaeyoung — disse Jennie, abandonando os formalismos. — Eu vejo como você olha para ela. Vejo como você procura motivos para esbarrar nela na sala dos professores ou como inventa projetos para passar mais tempo ao lado dela. Mas aqui vai uma lição de literatura que você deve ter esquecido: em toda tragédia, quem tenta roubar o que pertence ao protagonista acaba muito mal.

— Você está sendo ridícula — rebateu Rosé, embora sua voz estivesse um pouco trêmula. — Somos colegas de trabalho. Amigas.

— Amigas não tocam no ombro de Lalisa daquele jeito — Jennie sorriu, mas era um sorriso de predador. — Amigas não trazem café especial "por acaso" na primeira aula da manhã. Lalisa é minha professora particular. Ela é minha mentora. E, acima de tudo, ela é minha. Se você tocar nela de novo, ou se eu sentir que está tentando cruzar a linha profissional, eu farei com que sua vida nesta escola se torne um experimento químico que deu muito errado. Meu pai adora ouvir meus conselhos sobre o corpo docente, sabia?

Rosé olhou para Lisa, buscando algum tipo de defesa ou negação, mas Lisa estava com o olhar fixo no chão, as bochechas levemente coradas. A professora de literatura era, naquele momento, o "pau mandado" que Jennie tanto se orgulhava de ter.

— Eu... eu tenho aula agora — gaguejou Rosé, sentindo-se humilhada e assustada. — Com licença.

Ela saiu apressada, o som de seus passos rápidos desaparecendo no corredor. Jennie esperou até que ela estivesse fora de vista antes de se virar para Lisa. A expressão de "patricinha malvada" desapareceu, dando lugar a uma fúria ardente e apaixonada.

— Você gostou, não foi? — sibilou Jennie, empurrando Lisa contra um dos armários metálicos. O som do metal batendo ecoou pelo corredor vazio. — Gostou de ver a loirinha passando a mão em você?

— Jennie, você perdeu o juízo? — Lisa finalmente recuperou a voz, embora falasse baixo para não atrair atenção. — Ela é minha colega! Você não pode ameaçar os professores assim, seu pai vai acabar descobrindo!

— Que descubra! — Jennie se impulsionou, ficando na ponta dos pés para ficar cara a cara com a tailandesa. — Eu não admito que ninguém toque no que é meu. Você ouviu o que eu disse a ela? Eu deixei claro. Você é minha, Lisa. Do topo da sua cabeça até a sola dos seus pés. Cada pensamento seu, cada batida do seu coração... tudo me pertence.

Lisa sentiu o arrepio familiar percorrer sua espinha. A possessividade de Jennie era tóxica, perigosa e absolutamente viciante. Ela segurou a cintura da menor, puxando-a para mais perto, sentindo o calor do corpo de Jennie contra o seu.

— Você é louca, sabia? — murmurou Lisa, a voz carregada de um desejo que ela não conseguia mais esconder sob a máscara de professora séria.

— Louca por você — respondeu Jennie, a voz suavizando enquanto suas mãos subiam para a nuca de Lisa, enterrando os dedos nos cabelos curtos da professora. — Diga. Diga que você é minha.

Lisa fechou os olhos por um segundo, rendendo-se àquela força da natureza que era Jennie Kim.

— Eu sou sua, Jennie — confessou Lisa, o hálito quente chocando-se contra os lábios da menina. — Só sua.

— Ótimo — Jennie sorriu, vitoriosa. — Agora, vamos para a biblioteca. Temos uma aula particular e eu quero que você me mostre exatamente o quanto você se arrepende de ter deixado aquela mulher chegar perto de você.

Lisa não discutiu. Ela apenas seguiu Jennie, sentindo-se ao mesmo tempo a pessoa mais poderosa do mundo por ter o amor daquela garota, e a mais submissa por não conseguir dizer "não" a nenhum de seus caprichos.

Ao entrarem na biblioteca, Jennie trancou a porta. O ambiente estava silencioso, o cheiro de livros antigos e cera de madeira criando uma atmosfera de santuário. Jennie caminhou até a mesa central e sentou-se nela, cruzando as pernas e deixando a saia do uniforme subir de forma provocante.

— Sente-se, professora Manoban — ordenou Jennie, apontando para a cadeira à sua frente. — Hoje, a lição não será sobre Byron ou Shelley. Será sobre exclusividade.

Lisa obedeceu, sentando-se e observando Jennie com uma mistura de adoração e temor.

— Você foi muito dura com a Rosé — comentou Lisa, tentando manter um resquício de racionalidade. — Ela é uma boa pessoa.

— Eu não me importo se ela é uma santa — rebateu Jennie, inclinando-se para frente. — Ninguém toca no que pertence a Jennie Kim. Você é o meu maior tesouro, Lisa. E eu protejo meus tesouros com unhas e dentes. Você entende isso, não entende?

— Eu entendo — disse Lisa, estendendo a mão para tocar o joelho de Jennie. O contato elétrico fez ambas arfarem. — Mas você precisa ter cuidado. Se as pessoas começarem a notar seu ciúme excessivo, elas vão começar a fazer perguntas.

— Deixe que façam — Jennie deu de ombros, indiferente. — Sou a filha do diretor. Sou a rainha deste colégio. Ninguém se atreve a questionar o que eu faço. E se questionarem, eu os destruo. Simples assim.

Lisa suspirou, balançando a cabeça.

— Você é impossível.

— E você ama isso — Jennie saltou da mesa, pousando suavemente entre as pernas de Lisa. Ela segurou o rosto da professora com as duas mãos, forçando-a a olhar em seus olhos. — Você ama o fato de eu ser possessiva. Você ama saber que eu mataria e morreria para garantir que você seja só minha. Não ama?

Lisa sentiu a verdade daquelas palavras vibrando em seus ossos. Ela gostava do controle de Jennie, da forma como a garota a reivindicava diante do mundo, mesmo que fosse em segredo. Era uma dinâmica de poder distorcida, onde a professora dominante se tornava o brinquedo favorito da aluna mimada.

— Amo — admitiu Lisa, a voz falhando. — Eu amo como você me reivindica, Jennie.

— Então me prove — sussurrou Jennie, aproximando seus lábios dos de Lisa. — Esqueça a professora Park. Esqueça a escola. Esqueça tudo o que não seja eu.

O beijo que se seguiu foi uma mistura de urgência e afirmação. Jennie beijava com a intensidade de quem queria marcar o território permanentemente, enquanto as mãos de Lisa exploravam as curvas da garota com uma fome que havia sido alimentada pelo ciúme de Jennie. Naquele momento, as prateleiras de livros ao redor delas pareciam testemunhas de um contrato sagrado e profano.

— Você vai ser boazinha amanhã? — perguntou Lisa entre os beijos, a respiração ofegante.

— Só se você não olhar para nenhuma outra mulher — respondeu Jennie, mordendo o lábio inferior de Lisa. — Caso contrário, eu farei um escândalo no meio do refeitório e direi que você está me dando notas baixas injustamente.

— Você não teria coragem — Lisa riu, embora soubesse que Jennie teria sim.

— Não me teste, Lalisa. Eu sou capaz de tudo para manter você sob o meu comando.

Enquanto a tarde caía e as sombras se alongavam pela biblioteca, Jennie Kim reafirmava seu domínio. Ela não era apenas uma aluna com notas baixas em literatura; ela era a mestre em uma arte muito mais antiga e complexa: a arte de possuir a alma de alguém. E Lalisa Manoban, com toda a sua altura e força, era a tela onde Jennie escrevia sua história mais obsessiva.

— Jennie... — murmurou Lisa, sentindo a garota se aconchegar em seu colo após o momento de paixão.

— Diga, meu amor.

— Você sabe que isso é perigoso, não sabe? Estamos brincando com fogo.

Jennie levantou a cabeça, um brilho de pura inteligência e malícia em seus olhos felinos.

— O fogo só queima quem não sabe como controlá-lo, Lisa. E eu? Eu nasci com o fósforo na mão.

Lisa sorriu, rendida. Ela sabia que, enquanto estivesse com Jennie, o perigo seria seu companheiro constante, mas não trocaria aquela tensão por nada no mundo. Ela ajeitou o uniforme de Jennie, preparando-se para o fim do dia escolar, mas o vínculo que as unia estava mais forte do que nunca.

Ao saírem da biblioteca, cruzaram novamente com alguns alunos. Jennie voltou instantaneamente à sua postura de patricinha inalcançável, e Lisa recuperou sua expressão severa de professora. Mas, ao passarem pelo laboratório de ciências, Jennie fez questão de parar em frente à porta de vidro, onde Rosé podia vê-las, e ajustou a gravata de Lisa com uma lentidão deliberada, lançando um olhar de triunfo para a loira lá dentro.

Rosé desviou o olhar imediatamente, e Jennie seguiu seu caminho com um sorriso vitorioso.

— Você é terrível — sussurrou Lisa, caminhando ao lado dela.

— Eu sou sua — corrigiu Jennie, sem olhar para trás. — E isso é tudo o que importa.

Naquela noite, quando Lisa voltou para seu apartamento solitário, ela ainda conseguia sentir o perfume de baunilha de Jennie em suas roupas. Ela sentou-se à mesa e abriu o livro de poesias, mas as palavras de Byron pareciam pálidas diante da realidade que vivia. Jennie Kim havia reescrito as regras de sua vida, e Lisa não tinha a menor intenção de voltar ao rascunho original. O território estava marcado em ouro e sangue, e ela pertencia, de corpo e alma, à pequena rainha de Seul.