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nao consigo viver sem voce

O Sussurro da Fênix e o Olhar do Passado

A luz da manhã seguinte entrou pelas janelas altas da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas com uma frieza cortante, mas Lily Zneimer sentia-se estranhamente aquecida. O brilho em seu pulso havia diminuído para um brilho suave, quase imperceptível, mas a sensação de plenitude em seu peito permanecia. Ela se sentou entre Harry e Hermione, abrindo seu exemplar de "As Forças das Trevas: Um Guia para Autoproteção", tentando ignorar o clima tenso que sempre acompanhava as aulas ministradas por Severus Snape.

Snape entrou na sala como uma rajada de vento negro, suas vestes esvoaçando atrás dele. Ele não perdeu tempo com saudações. Com um movimento brusco de sua varinha, as cortinas se fecharam, mergulhando a sala em uma penumbra opressiva.

— Abram na página duzentos e treze — disse Snape, sua voz arrastada e carregada de desdém. — Hoje falaremos sobre a resistência a maldições de influência mental. Embora eu duvide que a maioria de vocês tenha a disciplina mental necessária para resistir a um feitiço de confusão, quanto mais a algo mais... complexo.

Ele começou a caminhar entre as fileiras de alunos, seus olhos negros examinando cada rosto com uma frieza clínica. Quando ele se aproximou da mesa de Lily, algo mudou.

Snape parou abruptamente. O ar ao redor de Lily parecia vibrar. Para um bruxo comum, não passaria de uma leve variação na temperatura, mas para um mestre das artes ocultas e um homem que convivera com o poder bruto em sua juventude, aquela vibração era um grito.

Ele sentiu uma assinatura mágica que não pertencia à garota. Era uma magia antiga, densa e terrivelmente poderosa, que envolvia Lily como um casulo invisível. Snape sentiu um calafrio que raramente se permitia sentir. Ele conhecia aquela energia. Ele a reconheceria em qualquer lugar do mundo, mesmo após anos de um suposto silêncio eterno.

Era a magia de Oscar Piastri.

Os olhos de Snape se arregalaram levemente, um lampejo de puro pavor cruzando suas feições geralmente impenetráveis. Ele olhou para o pulso de Lily, onde a marca de alma gêmea estava escondida sob a manga, mas a aura que emanava dali era inegável.

— Senhorita Zneimer — a voz de Snape falhou por um milésimo de segundo antes de ele recuperar o controle. — Aproxime-se.

Lily sentiu o coração disparar. Ela se levantou, sentindo os olhares preocupados de Harry e Ron em suas costas.

— Sim, Professor?

Snape a observou de perto, sua respiração tornando-se curta. Ele se lembrava de Oscar nos tempos de escola. Oscar, o prodígio que fazia Dumbledore parecer um aprendiz; Oscar, que tinha uma calma que beirava o divino e uma força que poderia dobrar a realidade. Snape sempre o invejara e o temera. Ver aquela marca de proteção em Lily era como ver o fantasma do bruxo mais poderoso de todos os tempos pairando sobre a sala.

— Você tem tido... sintomas estranhos ultimamente? — perguntou Snape em um sussurro áspero, ignorando o restante da classe. — Calores repentinos? Sensações de... presença?

Lily franziu a testa, confusa com a pergunta incomum.

— Eu... eu me sinto bem, Professor. Apenas um pouco cansada. Por que a pergunta?

Snape recuou um passo, como se a proximidade com a magia de Oscar o queimasse. Ele sabia o que aquilo significava. Se Oscar Piastri estava protegendo aquela menina daquela forma, significava que ele não estava apenas vivo, mas que ele estava por perto. E se Oscar estivesse por perto, o equilíbrio de poder no mundo bruxo estava prestes a ser estraçalhado.

— Volte ao seu lugar, Zneimer — ordenou Snape, virando-se bruscamente. — E tente não se deixar levar por... fantasias. Dez pontos a menos para a Grifinória pela sua... distração.

O restante da aula foi um borrão para Lily. Ela sentia o olhar de Snape queimando em sua direção a cada cinco minutos, um olhar que misturava medo, descrença e uma ponta de ressentimento.

Quando a noite finalmente caiu sobre Hogwarts, Lily estava exausta. O peso emocional das últimas vinte e quatro horas era esmagador. Ela se despediu de Hermione no dormitório e se deitou, mas o sono não vinha. Ela olhava para o teto do dossel, sentindo a marca em seu pulso pulsar com um calor reconfortante, quase como um convite.

— Onde você está? — sussurrou ela para o quarto vazio. — Quem é você?

Lá fora, na escuridão da noite, uma sombra alada se aproximou da janela da Torre da Grifinória. Oscar, em sua forma de fênix, observava a garota através do vidro. Ele sentia a exaustão dela, a confusão que Snape havia plantado em sua mente. Ele não aguentava mais ficar apenas observando.

Com um movimento mágico silencioso, a janela se destrancou e se abriu. A fênix entrou no quarto, suas penas emitindo um brilho dourado suave que iluminou o ambiente penumbroso.

Lily sentou-se na cama, os olhos arregalados de surpresa. Ela não sentiu medo. Ao ver a ave majestosa pousar na beirada de seu colchão, ela sentiu uma onda de paz tão profunda que suas lágrimas começaram a cair sem aviso.

— Você... você é a música que eu ouvi — disse ela, estendendo a mão trêmula.

A fênix inclinou a cabeça, esfregando o bico suavemente contra a palma da mão de Lily. O contato físico desencadeou uma explosão de calor no vínculo. Lily sentiu como se estivesse sendo abraçada por dentro. Sem pensar, ela se inclinou para frente e abraçou a ave, enterrando o rosto nas penas macias e quentes.

— Por favor, não vá embora — pediu ela, a voz abafada. — Eu me sinto tão sozinha quando você não está por perto.

A fênix soltou um trinado baixo, uma nota musical que agiu como um sedativo poderoso. Lily sentiu suas pálpebras pesarem. A magia de Oscar a envolveu, acalmando seus nervos, curando o cansaço de sua alma. Lentamente, ela se deitou novamente, ainda segurando a ave contra o peito, e adormeceu em um sono profundo e sem sonhos pela primeira vez em anos.

Sentindo que ela estava finalmente em um estado de repouso absoluto, a fênix começou a mudar. Em um brilho de luz âmbar, as penas tornaram-se pele, e a forma pequena da ave expandiu-se até que Oscar Piastri estivesse deitado na cama ao lado de Lily.

Ele se acomodou com cuidado para não acordá-la, permitindo que a cabeça dela repousasse em seu peitoral largo e forte. Oscar soltou um suspiro longo, fechando os olhos e absorvendo a sensação de ter sua alma gêmea em seus braços. O corpo dele, treinado para a guerra e endurecido por anos de isolamento, relaxou completamente sob o toque dela.

Ele passou a mão pelos cabelos castanhos ondulados de Lily, movendo uma mecha que caía sobre seu rosto sereno.

— Se você soubesse o quanto eu esperei por isso, Lily — sussurrou ele, sua voz marcante vibrando baixo no silêncio do dormitório. — Cada dia naquele exílio foi um tormento, sabendo que você estava crescendo sem saber que metade do seu coração estava batendo em outro lugar.

Ele a observou dormir por horas. Ele sentia cada respiração dela, cada batida de seu coração sincronizada com a dele. Ele era o bruxo mais poderoso do mundo; ele poderia derrubar o Ministério da Magia com um estalar de dedos, mas ali, naquele momento, ele era apenas um homem rendido à doçura de uma garota que era o seu universo inteiro.

A madrugada começava a dar sinais de sua chegada. Oscar sabia que precisava ir. Se as outras meninas acordassem e o vissem ali, o caos seria absoluto, e ele ainda precisava terminar de preparar o terreno para sua volta definitiva.

Ele se inclinou, aproximando seu rosto do dela. Por um momento, ele hesitou, mas o desejo de selar aquele momento foi mais forte. Ele encostou seus lábios nos dela em um beijo leve, quase um roçar de borboleta, mas carregado de uma promessa eterna. Foi um beijo de reconhecimento, de posse e de proteção.

Lily soltou um suspiro suave durante o sono, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios, como se o beijo tivesse alcançado seus sonhos.

Oscar se afastou, lutando contra a vontade de ficar ali para sempre.

— Logo, minha pequena — murmurou ele. — Logo não haverá mais janelas entre nós.

Ele se transformou novamente, a luz da fênix brilhando por um segundo antes de ele saltar pela janela e desaparecer na imensidão da Floresta Proibida.

Quando o sol nasceu e Hermione veio acordar a amiga, Lily despertou com uma sensação de leveza que nunca experimentara. Ela tocou os próprios lábios, sentindo um formigamento estranho, e olhou para o travesseiro ao seu lado. Havia uma única pena dourada ali, brilhando sob o sol da manhã.

Lily pegou a pena e a pressionou contra o coração, sabendo, sem sombra de dúvida, que o vazio nunca mais voltaria a ser o mesmo. Ela não estava sozinha. Ela nunca esteve.

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