nao consigo viver sem voce
O Segredo da Pena Dourada e a Fúria Silenciosa
O castelo de Hogwarts parecia pulsar em uma frequência diferente nos dias que se seguiram à visita noturna da fênix. Para Lily Zneimer, o mundo havia ganhado cores mais vibrantes, como se um véu de cinza tivesse sido removido de seus olhos. Ela carregava a pena dourada escondida dentro de um relicário que pertencia à sua avó, sentindo o calor do objeto contra seu peito como um lembrete constante de que não estava louca. O vazio ainda existia, mas agora ele tinha um propósito; era um espaço sendo preparado para algo grandioso.
No entanto, a paz de Lily era constantemente interrompida por uma presença sombria. Severus Snape, o mestre das poções cujos olhos pareciam poços de obsidiana, havia se tornado sua sombra. Ele a observava durante as refeições, seguia seus passos pelos corredores com um silêncio predatório e, nas aulas, dedicava cada segundo a tentar desestabilizá-la. Snape sabia que o poder que sentira em Lily não era dela, e a obsessão em descobrir o paradeiro de Oscar Piastri o consumia.
Naquela tarde de quinta-feira, o céu estava carregado de nuvens cor de chumbo. Lily caminhava apressada em direção à biblioteca quando uma voz fria ecoou pelo corredor deserto do terceiro andar.
— Senhorita Zneimer. Uma palavra.
Lily parou, o coração dando um solavanco. Snape estava parado à porta de uma sala de aula vazia, sua silhueta fundindo-se com as sombras.
— Professor, eu estou atrasada para estudar com a Hermione... — começou ela, a voz falhando levemente.
— Eu não fiz um pedido, senhorita — disse Snape, gesticulando para o interior da sala. — Entre. Agora.
Relutante, Lily obedeceu. Assim que ela passou pelo umbral, Snape fechou a porta e, com um movimento fluido da varinha, selou-a com feitiços de abafamento e trancamento. O clique da fechadura soou como um tiro no silêncio da sala.
— O que o senhor quer? — perguntou Lily, abraçando seus livros contra o peito.
Snape aproximou-se lentamente, cercando-a como um lobo.
— Onde ele está, Lily? — a voz dele era um sussurro perigoso. — Eu senti a marca. Eu senti a assinatura mágica dele em você. Oscar Piastri não é um nome que se esquece, e certamente não é um poder que se pode esconder para sempre.
— Eu não sei do que o senhor está falando! — exclamou ela, sentindo a marca em seu pulso começar a queimar, não de dor, mas de alerta. — Eu nem conheço esse homem!
— Não minta para mim! — Snape bateu a mão na mesa ao lado dela, fazendo Lily pular. — A proteção que você carrega... é absoluta. Ninguém neste castelo, nem mesmo Dumbledore, poderia criar um escudo tão perfeito. Só existe um bruxo capaz de tal feito. Diga-me, ele entrou em contato? Ele deu algum sinal de onde está se escondendo?
— Eu já disse que não sei! — Lily sentiu lágrimas de frustração arderem em seus olhos. — Eu sou apenas uma aluna, por que o senhor está fazendo isso comigo?
Longe dali, no coração da Floresta Proibida, Oscar Piastri sentiu a onda de pânico de Lily como se fosse um choque elétrico em seus próprios nervos. Ele estava em sua forma humana, sentado sobre uma rocha, mas no momento em que a angústia dela o atingiu, o ar ao seu redor explodiu em chamas douradas.
Os olhos de Oscar tornaram-se incandescentes. Ele sentia o cheiro do medo dela, ouvia o eco da voz de Snape através do vínculo. O ciúme, um sentimento que ele raramente permitia que o dominasse, rugiu em seu peito como uma fera libertada. Snape estava a encurralando. Snape estava tentando arrancar segredos dela, tocando em feridas que Oscar passara anos tentando proteger.
— Como ousa... — rosnou Oscar, sua voz fazendo as árvores ao redor tremerem e perderem as folhas. — Como ousa tocar no que é meu, Severus?
Ele não podia intervir fisicamente como homem, não ainda. O risco para Lily seria grande demais se ele aparecesse e revelasse a verdade no meio do castelo. Mas ele não deixaria que Snape a atormentasse por mais um segundo.
Dentro da sala trancada, Snape avançou mais um passo, seus olhos fixos no pulso de Lily.
— Mostre-me a marca — ordenou ele. — Se eu puder analisar a frequência da magia, poderei rastreá-lo.
— Não! — Lily recuou, mas Snape foi mais rápido, estendendo a mão para segurar o braço dela.
Antes que os dedos do professor pudessem tocar a pele de Lily, um estrondo ensurdecedor abalou as paredes da sala. As janelas vibraram violentamente e uma onda de calor insuportável emanou do centro do peito de Lily. Snape foi arremessado para trás por uma força invisível, colidindo contra a parede oposta.
— Saia... de perto... dela — a voz não veio de Lily, mas parecia ressoar das próprias pedras da sala, uma projeção da vontade de Oscar através do vínculo.
Snape levantou-se, ofegante, o rosto pálido de terror. Ele reconheceu a autoridade naquela magia. Era um aviso.
— Ele está observando — sussurrou Snape, a voz trêmula. — Ele está aqui...
Lily, trêmula e confusa, não esperou por mais nada. O feitiço na porta parecia ter se quebrado com a explosão de energia. Ela correu para o corredor, o coração martelando, e não parou até chegar à segurança da Torre da Grifinória.
A noite caiu pesada e silenciosa. Lily não conseguiu comer; ela se encolheu em sua cama, fechando as cortinas do dossel e chorando baixinho. Ela se sentia exposta, perseguida e, acima de tudo, confusa. Por que aquele nome, Oscar, parecia fazer seu coração vibrar de uma forma tão estranha?
Ela acabou caindo em um sono agitado por volta da meia-noite.
Foi então que o ar do quarto mudou. O brilho dourado e quente surgiu novamente, e a fênix pousou silenciosamente ao lado do travesseiro de Lily. Mas desta vez, a transformação foi quase imediata. Oscar não queria ser uma ave; ele queria ser o homem que a reivindicava.
Ele se materializou na cama, ocupando o espaço com sua presença imponente. Oscar estava enciumado, uma possessividade arcaica queimando em seu sangue. A ideia de Snape — ou de qualquer outro homem — a pressionando contra uma parede, tentando tocar o que era sagrado para ele, o deixava à beira da loucura.
Ele a puxou para seus braços com uma urgência que não demonstrara na noite anterior. Lily, mergulhada em um sono profundo induzido pela magia dele, apenas se aninhou em seu peito, soltando um suspiro de alívio que partiu o coração de Oscar.
— Ninguém vai encostar em você, Lily — sussurrou ele, a voz rouca de emoção. — Eu vou destruir cada sombra que tentar te assustar.
Ele a segurou com força, sentindo o corpo macio dela contra o seu, o calor da pele dela que era a única coisa que o mantinha são. Oscar inclinou o rosto, observando as marcas de lágrimas secas nas bochechas dela. A fúria contra Snape ainda ardia, e ele precisava reafirmar o vínculo, precisava que a alma dela soubesse a quem pertencia.
Oscar selou seus lábios nos dela. Não foi um beijo leve como o anterior. Foi um beijo profundo, possessivo, carregado de todo o desejo e a saudade acumulados em anos de silêncio. Ele a beijou uma, duas, três vezes, marcando-a com sua essência. A cada beijo, ele injetava sua própria magia nela, fortalecendo as proteções, tornando-a intocável para qualquer outro bruxo.
— Você é minha — ele murmurou contra os lábios dela, a respiração quente misturando-se à dela. — Minha luz, minha vida, minha alma.
Lily, em seu sonho, sentia-se flutuar em um mar de fogo dourado. Ela não via o rosto dele claramente, mas sentia a força daqueles braços, a segurança daquele peito largo. Ela retribuiu o abraço inconscientemente, suas mãos pequenas agarrando a camisa de Oscar, puxando-o para mais perto.
Oscar soltou um rosnado baixo de satisfação. O ciúme começou a dar lugar a uma adoração avassaladora. Ele a beijou novamente, desta vez no pescoço, sentindo o pulso dela acelerar em resposta à sua proximidade. Ele queria acordá-la, queria que ela abrisse os olhos e visse quem ele era, mas ele sabia que o mundo ainda não estava pronto para o retorno de Oscar Piastri. Se ele se revelasse agora, a guerra viria até a porta dela no dia seguinte.
— Só mais um pouco, meu amor — disse ele, acariciando o rosto dela com o polegar. — Eu estou limpando o caminho. Snape nunca mais ousará levantar a voz para você. Eu cuidarei disso pessoalmente.
Ele permaneceu ali por horas, agindo como o guardião que ela nem sabia que tinha. Ele a envolveu em um casulo de magia tão denso que nem mesmo os pesadelos ousariam se aproximar. Oscar sentia a conexão entre eles brilhar como um sol; a marca no pulso de Lily agora estava permanentemente aquecida, um canal direto para o poder dele.
Quando as primeiras luzes do amanhecer começaram a tingir o horizonte de cinza, Oscar soube que seu tempo havia acabado. Ele deu um último beijo na testa de Lily, um gesto de ternura que contrastava com a fúria que sentira horas antes.
— Eu estou sempre com você, Lily Zneimer. Lembre-se disso quando o medo tentar voltar.
Em um piscar de olhos, o homem desapareceu, deixando apenas o cheiro de ozônio e sândalo no ar.
Lily acordou com o som do despertador de Hermione. Ela sentou-se na cama, sentindo o corpo estranhamente revigorado, como se tivesse dormido em nuvens. Seus lábios estavam levemente inchados e seu coração batia com uma confiança que ela nunca conhecera.
Ao descer para o Salão Principal para o café da manhã, ela cruzou com Snape no corredor. O professor parou, mas desta vez, ele não a encarou. Ele desviou o olhar, as mãos tremendo levemente sob as vestes, e passou por ela sem dizer uma única palavra. Lily sentiu uma aura de autoridade emanar de si mesma, uma força que a fazia caminhar de cabeça erguida.
Na mesa da Grifinória, Harry a observou com curiosidade.
— Lily, você está... diferente hoje. Parece que você cresceu uns dez centímetros durante a noite.
— Eu me sinto bem, Harry — disse ela, servindo-se de suco com um sorriso radiante. — Eu me sinto protegida.
Ela levou a mão ao relicário em seu pescoço, onde a pena dourada repousava. Longe dali, em uma cabana escondida, Oscar Piastri fechou os olhos e sorriu. O vínculo estava forte. O ciúme fora apaziguado, e a rainha de seu coração estava finalmente começando a entender que o mundo bruxo poderia estar em chamas, mas sob as asas da fênix, ela era a criatura mais segura de toda a criação.