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Nas sombras

Promessas de Prata e Desejos de Ouro

O dia na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas tinha sido um espetáculo à parte. Draco Malfoy foi impecável em sua encenação: lançou feitiços não-verbais que quase derrubaram Harry, zombou da "técnica deplorável" do Grifinório e, ao final, limpou o suor da testa com um lenço de seda, olhando Harry de cima a baixo com um desprezo que fez a sala inteira estremecer. Harry, por sua vez, sustentou o olhar, o coração batendo forte não pelo duelo, mas pela promessa que brilhava nos olhos cinzentos do loiro por trás de toda aquela máscara de arrogância.

Quando o relógio marcou nove horas da noite, Harry já estava na Sala Precisa. O ambiente tinha se moldado exatamente como ele desejava: a iluminação era baixa, vinda apenas de velas flutuantes que emitiam uma luz âmbar e quente. No centro, uma cama enorme com lençóis de seda preta e travesseiros de veludo parecia um altar para o que estava por vir.

A porta se abriu e Draco entrou. Ele ainda vestia o uniforme da Sonserina, mas a gravata estava frouxa e os primeiros botões da camisa abertos. No momento em que a porta se fechou e o feitiço de trancamento soou, a postura rígida de Draco desmoronou. Ele soltou um suspiro longo, jogando a varinha sobre uma mesa lateral.

— Eu odeio aquele teatro — Draco murmurou, caminhando até Harry. — Ter que fingir que não quero te arrancar a roupa na frente de todo mundo é a tarefa mais difícil que o Snape já me deu, e olha que ele me deu tarefas impossíveis.

Harry sorriu, aproximando-se e segurando a cintura de Draco, puxando-o para um beijo lento e possessivo.

— Você foi um ótimo ator hoje, Dray. Mas agora... — Harry desceu as mãos para as nádegas de Draco, apertando-as com força, sentindo o outro estremecer. — Agora é hora de cumprir a promessa.

Draco engoliu em seco, os olhos ficando escuros, as pupilas dilatadas pela antecipação. Ele se ajoelhou lentamente na frente de Harry, sem que o moreno precisasse dizer uma palavra. Era ali que a dinâmica deles brilhava: Draco era o ativo, o homem que comandava o ritmo e a força, mas ele era, acima de tudo, devoto ao prazer de Harry. Ele adorava a sensação de estar aos pés do seu "inimigo", entregando-se como uma oferenda.

— Eu sou seu, Harry — Draco sussurrou, a voz rouca, enquanto começava a desamarrar os sapatos de Harry. — Faça o que quiser comigo. Use-me. Eu só quero que você se sinta o rei deste castelo.

Harry passou os dedos pelos fios loiros e sedosos, puxando a cabeça de Draco levemente para trás para que ele olhasse para cima.

— Eu quero que você me mostre o quanto sentiu minha falta hoje, enquanto me chamava de lixo no corredor.

Draco não respondeu com palavras. Ele despiu Harry com uma urgência controlada, beijando cada centímetro de pele que era revelado. Suas mãos, grandes e habilidosas, mapeavam as coxas de Harry com uma reverência quase religiosa. Quando Harry finalmente ficou nu, Draco envolveu a ereção do moreno com a mão, subindo e descendo com uma pressão perfeita, enquanto seus olhos nunca deixavam os de Harry.

— Você é tão lindo — Draco murmurou, inclinando-se para frente para lamber a extensão do membro de Harry, ouvindo o primeiro gemido baixo escapar dos lábios do Grifinório. — Eu passei a aula de Poções imaginando o gosto disso.

Harry enterrou as mãos no cabelo de Draco, guiando-o. Draco entregou-se ao ato com uma dedicação absoluta. Ele era técnico, mas também selvagem, usando a língua e a sucção de uma forma que fazia as pernas de Harry fraquejarem. O loiro adorava a posição; adorava saber que, embora fosse ele quem possuía a força física, era a vontade de Harry que ditava o ritmo. Ele se movia com uma entrega dócil, buscando os sons de prazer que Harry emitia como se fossem sua única fonte de oxigênio.

— Chega... Draco, agora — Harry ofegou, puxando Draco para cima.

Eles se jogaram na cama de seda. Draco rapidamente se livrou de suas roupas, revelando o corpo pálido e definido, os músculos das costas e dos ombros tensos pela excitação. Ele se posicionou sobre Harry, mas antes de qualquer coisa, ele o abraçou. Um abraço apertado, o rosto escondido no pescoço de Harry, aspirando o cheiro de magia e pele.

— Eu te amo tanto que chega a doer — Draco confessou contra a pele de Harry, antes de começar uma trilha de beijos e mordidas que descia do pescoço até o peito.

Harry sentiu as mãos de Draco abrirem suas pernas, posicionando-as sobre os ombros largos do loiro. Draco era cuidadoso na preparação, usando os dedos e o próprio feitiço lubrificante com uma paciência que torturava Harry de prazer.

— Por favor, Dray... — Harry implorou, as unhas cravando-se nos ombros de Draco.

— Shhh... eu tenho você, Harry. Eu sempre tenho você.

Quando Draco finalmente entrou, foi com um empuxo firme e preenchedor que fez Harry arquear as costas e soltar um grito abafado contra o travesseiro. Draco parou por um momento, a testa encostada na de Harry, ambos ofegantes.

— Você está bem? — Draco perguntou, a voz carregada de uma preocupação doce que ele jamais mostraria a qualquer outra pessoa no mundo.

— Sim... continua... mais forte — Harry respondeu, puxando Draco para um beijo profundo e molhado.

Draco começou a se mover. No início, eram estocadas lentas e profundas, focadas em atingir o ponto que fazia Harry revirar os olhos. Mas à medida que o calor aumentava, o controle de Draco começava a ruir. Ele se tornou uma força da natureza, os quadris batendo contra os de Harry com um ritmo frenético e possessivo.

— Você é meu — Draco rosnou, o suor pingando de seu rosto e caindo no peito de Harry. — Diga que você é meu, Potter.

— Eu sou seu... — Harry gemia, as pernas envolvendo a cintura de Draco para trazê-lo ainda mais fundo. — Sempre seu, Draco.

A cama de seda rangia sob o peso dos dois corpos em colisão. Draco segurou os pulsos de Harry acima da cabeça dele, prendendo-o contra o colchão, dominando o espaço com sua estatura, mas seus olhos mostravam a verdade: ele estava completamente à mercê de Harry. Cada gemido de Harry era um comando para que Draco fosse mais rápido, mais fundo, mais intenso.

Harry sentia cada músculo de Draco trabalhando. Ele adorava como o loiro se perdia nele, como a fachada de herdeiro frio desaparecia para dar lugar a um homem que precisava desesperadamente de conexão. Harry subiu as mãos e começou a morder o ombro de Draco, deixando marcas que seriam impossíveis de esconder sem magia, marcando seu território no sonserino que o mundo pensava ser inalcançável.

— Harry! — Draco gritou, o nome saindo como um desabafo quando ele sentiu o ápice se aproximar.

Harry não ficou atrás. O prazer era uma onda avassaladora que os envolvia, uma eletricidade que parecia fazer a própria Sala Precisa brilhar com mais intensidade. Draco deu uma última estocada profunda, rugindo enquanto se derramava dentro de Harry, enquanto o moreno atingia o próprio clímax, o corpo tremendo em espasmos de puro êxtase.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de duas respirações pesadas e o estalar da lenha na lareira mágica. Draco não se afastou imediatamente; ele desabou sobre Harry, mantendo o peso de seu corpo sobre o dele, como se quisesse se fundir ao Grifnório.

Depois de alguns minutos, Draco rolou para o lado, puxando Harry para o seu peito. Ele começou a passar os dedos pelos cabelos rebeldes de Harry, o olhar agora suave e cheio de uma adoração quase infantil.

— Você cumpriu a promessa — Harry murmurou, com um sorriso sonolento, aninhando-se no calor do corpo de Draco.

— Eu sempre cumpro minhas promessas para você — Draco respondeu, beijando o topo da cabeça de Harry. — Amanhã terei que ser o Malfoy odioso novamente. Terei que rir quando o Crabbe fizer uma piada sobre você e terei que ignorar sua existência no corredor.

Harry levantou a cabeça, olhando para Draco.

— Mas agora você é apenas o meu Draco.

— Sim — Draco sorriu, aquele sorriso raro que iluminava seu rosto de uma forma que nenhuma magia poderia replicar. — Só seu. Sua cadelinha particular, se você quiser chamar assim. Desde que ninguém mais saiba.

Harry riu baixo e deu uma mordidinha no queixo de Draco.

— Hermione sabe. Rony sabe.

— O Weasley não conta, ele mal consegue lembrar o próprio nome quando está perto da Granger — Draco brincou, embora houvesse um fundo de verdade. — Mas falando sério, Harry... obrigado por isso. Por me deixar ser quem eu sou aqui dentro.

Harry acariciou o rosto pálido de Draco, sentindo a suavidade da pele.

— Você não precisa me agradecer, Draco. Eu preciso de você tanto quanto você precisa de mim. Esse equilíbrio... o jeito que você cuida de mim e o jeito que você se entrega a mim... é a única coisa que me mantém sã nesta guerra.

Draco suspirou, fechando os olhos e aproveitando o carinho.

— Amanhã, no café da manhã, eu vou dizer que você parece um trasgo com esse uniforme — Draco planejou, já voltando ao seu papel social. — Mas por baixo da mesa, eu vou estar morrendo de vontade de sentir suas pernas em volta da minha cintura de novo.

— E eu vou te mandar um olhar de ódio — Harry completou —, enquanto imagino você ajoelhado na minha frente como estava há uma hora.

Draco soltou uma risada vibrante, sentindo-se mais leve do que nunca. Eles permaneceram ali, envoltos nos lençóis de seda e no segredo que os unia. Para o mundo exterior, eles eram a luz e a sombra, o herói e o vilão. Mas ali, naquele refúgio mágico, eles eram apenas dois jovens que descobriram que o amor não se importava com cores de casas ou linhagens de sangue.

O amor deles era feito de sussurros na escuridão, de marcas escondidas sob camisas sociais e de uma entrega que desafiava todas as leis de Hogwarts. E enquanto Draco Malfoy pudesse ter Harry Potter em seus braços todas as noites, ele continuaria sendo o herdeiro mais arrogante e "heterossexual" que o mundo bruxo já vira, guardando o seu verdadeiro eu para o único homem que realmente possuía sua alma.