Nas sombras
O Veneno Verde do Ciúme
O Grande Salão estava mergulhado na luz dourada do fim de tarde, mas para Draco Malfoy, o ambiente parecia subitamente gélido. Ele mantinha a coluna ereta na mesa da Sonserina, a expressão esculpida em um tédio aristocrático enquanto picava uma torta de rins, mas seus olhos cinzentos estavam fixos, como os de um falcão, na mesa da Grifinória.
Lá, Harry estava cercado por seus amigos habituais, mas havia um elemento intruso: um aluno do sexto ano da Corvinal, um batedor chamado Cedric Belby, que parecia perigosamente inclinado sobre o ombro de Harry. Belby ria de algo que Harry dissera e, em um gesto que fez o sangue de Draco ferver, tocou levemente o antebraço de Harry, deixando a mão ali por um segundo a mais do que o necessário.
— Aquele corvinal tem um desejo de morte ou é apenas idiota? — murmurou Blaise Zabini ao lado de Draco, com um sorriso de soslaio. Ele era um dos poucos que percebera a rigidez quase sobrenatural na postura de Malfoy.
— Não sei do que você está falando, Blaise — Draco respondeu, a voz saindo como um estalido de chicote. — Só estou observando como o Santo Potter atrai qualquer tipo de lixo carente. É patético.
— Se você apertar esse garfo com mais força, Draco, ele vai dobrar — Pansy comentou, sem desviar os olhos de sua própria refeição.
Draco não respondeu. Ele viu quando Harry deu um sorriso educado, mas visivelmente desconfortável, para Belby. O corvinal, encorajado, aproximou-se ainda mais, sussurrando algo no ouvido de Harry que o fez corar. Draco sentiu uma pontada de ciúme tão aguda que foi física. Ele queria levantar, atravessar o salão e lançar um *Cruciatus* naquele idiota, ou pelo menos arrastar Harry dali pelos cabelos para lembrar a todos a quem o Menino-Que-Sobreviveu pertencia.
Em vez disso, Draco se levantou abruptamente.
— Perdi o apetite — declarou ele, saindo do salão com passos largos e pesados, a capa negra esvoaçando atrás de si como as asas de um morcego.
Harry viu Draco sair. Ele conhecia aquele andar; era o andar de um Draco Malfoy que estava prestes a explodir. Harry rapidamente se desvencilhou de Belby — que estava sendo irritantemente persistente — e trocou um olhar significativo com Hermione.
— Ele viu? — Harry perguntou em voz baixa.
— Ele não só viu, Harry, como acho que ele está planejando o funeral do Belby neste exato momento — Hermione respondeu, preocupada.
— Vou atrás dele.
— Harry, cuidado — avisou Rony. — Ele parecia realmente possesso.
Harry não esperou. Ele saiu do Grande Salão e, no corredor deserto, sentiu um pedaço de pergaminho ser empurrado em sua mão por uma figura que se moveu rápido demais para ser identificada. Ele abriu o bilhete.
*"Sala Precisa. Agora. Se você não estiver lá em cinco minutos, Potter, eu vou garantir que aquele corvinal nunca mais consiga segurar uma vassoura."*
Harry engoliu em seco. O tom não era o de costume. Não havia a carência mansa que Draco costumava mostrar. Havia algo mais sombrio, uma possessividade crua que Harry raramente via aflorar com tanta força.
Quando Harry cruzou a porta da Sala Precisa, o ambiente não era o quarto luxuoso ou a banheira de mármore das noites anteriores. A sala estava escura, iluminada apenas por archotes de ferro nas paredes que emitiam labaredas esverdeadas. No centro, havia uma estrutura que lembrava um divã de couro escuro, rodeado por correntes de prata que pendiam do teto, tilintando suavemente com uma brisa inexistente. O ar cheirava a couro, fumaça e o perfume inconfundível de Draco.
Draco estava de pé no fundo da sala, de costas para a porta. Ele havia tirado a capa e a túnica; vestia apenas a calça social preta e a camisa branca, cujas mangas estavam dobradas até os cotovelos.
— Tranque a porta, Harry — disse Draco, sem se virar. A voz era baixa, vibrante de uma raiva contida.
Harry obedeceu, sentindo um calafrio de antecipação percorrer sua espinha. Ele deu alguns passos para dentro.
— Draco, sobre o Belby... ele só estava...
— Eu não quero ouvir o nome dele saindo da sua boca — Draco virou-se bruscamente. Seus olhos cinzentos estavam tempestuosos, quase prateados na luz verde. — Eu tive que ficar sentado lá, assistindo aquele verme tocar no que é meu. Assistindo você sorrir para ele enquanto ele invadia o seu espaço.
— Eu não fiz nada, Dray — Harry tentou acalmá-lo, aproximando-se. — Você sabe que eu sou seu.
— Sei? — Draco avançou, fechando a distância entre eles em dois passos e segurando os ombros de Harry com uma força que beirava a dor. — Às vezes eu acho que você esquece. Às vezes eu acho que essa sua mania de ser o "herói de todos" faz você esquecer que, quando as luzes se apagam, você pertence a um Malfoy. E Malfoys não compartilham seus tesouros.
Draco empurrou Harry contra a parede de pedra. O impacto não foi violento, mas foi firme o suficiente para tirar o fôlego de Harry. Draco pressionou seu corpo contra o do moreno, as mãos subindo para o pescoço de Harry, não para apertar, mas para enquadrar seu rosto com uma intensidade febril.
— Hoje — Draco sibilou, o rosto a milímetros do de Harry —, eu não quero ser dócil. Eu não quero ser mimado. Eu quero que você sinta exatamente a quem você deve obediência.
Harry sentiu o desejo disparar em seu sangue. Ele adorava o lado carente de Draco, mas a visão de um Draco dominante, movido pelo ciúme e pelo poder, era inebriante.
— Então me mostre — Harry desafiou, a voz saindo rouca. — Me mostre que eu sou seu.
Draco soltou um rosnado baixo e capturou os lábios de Harry em um beijo que não tinha nada de ternura. Era uma invasão. Suas línguas lutavam, um embate de dentes e desejo. Draco puxou o lábio inferior de Harry com força, arrancando um gemido abafado do Grifnório.
Sem quebrar o beijo, Draco arrastou Harry em direção ao divã de couro. Ele pegou um par de algemas de prata que estavam sobre o móvel — um produto da magia da Sala Precisa que lia seus desejos mais profundos — e, com uma agilidade surpreendente, prendeu os pulsos de Harry acima de sua cabeça, conectando as algemas às correntes que pendiam do teto.
Harry ofegou, os braços esticados, sentindo-se vulnerável e completamente à mercê do loiro. A frieza do metal contra sua pele contrastava com o calor ardente que emanava de Draco.
— Draco... — Harry murmurou, olhando para cima.
— Silêncio, Potter — Draco ordenou. Ele pegou sua varinha e, com um movimento fluido, rasgou a camisa de Harry de cima a baixo com um feitiço cortante. Os botões saltaram, batendo no chão de pedra.
Draco começou a traçar linhas com a ponta da varinha pelo peito nu de Harry. A ponta de madeira estava fria, mas por onde passava, deixava um rastro de eletricidade estática.
— Você gosta de ser olhado, não é? — Draco perguntou, a voz carregada de veneno e luxúria. — Gosta de ter aqueles corvinais e lufanos babando por você.
— Eu só gosto quando você me olha — Harry respondeu, tentando se mover contra as correntes, o que só fez o metal tilintar ruidosamente.
Draco soltou a varinha e usou as mãos. Ele começou a marcar a pele de Harry, não com beijos, mas com mordidas firmes e pequenos beliscões. Ele subiu para o pescoço de Harry, cravando os dentes na pele sensível logo abaixo da mandíbula. Harry soltou um grito de prazer e dor, a cabeça caindo para trás.
— Isso é para o Belby ver amanhã — Draco murmurou contra a pele de Harry. — E isso aqui é para você não esquecer quem te possui.
Draco desceu para a cintura de Harry, despindo-o com uma possessividade bruta. Quando Harry ficou completamente exposto, Draco parou por um momento, apenas observando-o. O peito de Harry subia e descia rapidamente, a pele estava vermelha das marcas que Draco já havia deixado.
Draco aproximou-se de uma mesa lateral onde a sala havia providenciado uma pequena palmatória de couro e alguns frascos de óleos aromáticos. Ele pegou o couro, batendo-o levemente contra a palma da mão.
— Você foi um menino muito descuidado hoje, Harry — Draco disse, um brilho sádico e amoroso cruzando seus olhos. — Precisa ser lembrado das regras.
— E quais são as regras, Draco? — Harry perguntou, os olhos brilhando de desafio.
— Regra número um: Você não sorri para outros homens. Regra número dois: Você não deixa ninguém te tocar. Regra número três: Você é meu brinquedo, e apenas meu.
Draco desferiu um golpe leve com o couro contra a coxa de Harry. O som de estalo ecoou pela sala silenciosa. Harry estremeceu, um gemido de surpresa escapando de sua garganta. Não doía muito, mas o choque da sensação fez seu corpo vibrar.
— Sim, mestre — Harry provocou, sabendo exatamente como atiçar o fogo de Draco.
Draco rosnou e desferiu outro golpe, desta vez mais firme.
— Não brinque comigo hoje, Potter. Eu estou sem paciência.
Ele continuou por alguns minutos, alternando golpes leves com carícias intensas e beijos que pareciam querer devorar a alma de Harry. Draco estava em transe; o ciúme que o consumira no Grande Salão estava sendo transformado em uma energia sexual crua e poderosa. Ele amava Harry com uma intensidade que o assustava, e aquela era a única forma que ele conhecia de lidar com o medo de perder o que era mais precioso para ele.
Finalmente, Draco largou o couro e se livrou de suas próprias roupas. Ele subiu no divã, posicionando-se entre as pernas presas de Harry. Ele segurou o rosto de Harry com as duas mãos, obrigando-o a olhar em seus olhos.
— Eu vou te levar ao limite hoje — Draco prometeu, a voz falhando por um segundo pela emoção. — E quando eu terminar, você não vai conseguir nem lembrar o nome de outro homem.
Draco preparou Harry com uma intensidade que beirava a urgência, mas sem perder a precisão. Quando ele finalmente se uniu a Harry, o impacto foi tão forte que ambos gritaram. As correntes de prata acima deles chacoalharam violentamente, criando uma sinfonia metálica que acompanhava o ritmo frenético de Draco.
Não havia a doçura das noites passadas. Era uma dança de poder e entrega. Harry, preso e dominado, sentia-se mais vivo do que nunca. Ele puxava as correntes, os músculos dos braços tensos, enquanto Draco o possuía com uma ferocidade que dizia tudo o que as palavras não conseguiam expressar. Cada estocada de Draco era um "você é meu", cada gemido de Harry era um "eu sou seu".
— Draco... Dray... por favor — Harry implorou, o prazer tornando-se insuportável.
Draco não parou. Ele aumentou o ritmo, as mãos apertando os quadris de Harry com tanta força que deixaria hematomas em formato de dedos. Ele estava no limite, o suor escorrendo por seu corpo pálido, a visão nublada pelo desejo.
— Harry! — Draco gritou, atingindo o ápice com um tremor que percorreu todo o seu corpo.
Harry seguiu logo atrás, o corpo arqueando-se contra as correntes, o clímax sendo tão intenso que ele sentiu o mundo desaparecer por alguns segundos.
O silêncio retornou à Sala Precisa, quebrado apenas pelas respirações ruidosas. Draco desabou sobre o peito de Harry, o rosto escondido na curva de seu pescoço. Ele ainda tremia. Lentamente, Draco pegou sua varinha e soltou as algemas de Harry.
Os braços de Harry caíram, pesados, e ele imediatamente os usou para envolver Draco, puxando-o para perto.
— Você está bem? — Harry sussurrou, a voz rouca.
Draco levantou a cabeça. O fogo do ciúme havia se apagado, deixando apenas a exaustão e o amor profundo. Ele parecia quase envergonhado agora, observando as marcas vermelhas e os hematomas que havia deixado no corpo de Harry.
— Eu te machuquei? — Draco perguntou, a voz suave, voltando a ser o Draco que Harry conhecia na intimidade.
Harry sorriu, puxando o rosto de Draco para um beijo terno.
— Você me deu exatamente o que eu precisava, seu furão ciumento.
Draco suspirou, deitando a cabeça no peito de Harry, ouvindo os batimentos cardíacos frenéticos do moreno.
— Eu odeio o quanto eu sou possessivo com você — Draco confessou. — Eu odeio que um simples toque de um idiota qualquer me faça querer queimar o mundo.
— É porque você me ama — Harry disse, passando a mão pelas costas de Draco. — E eu amo que você se importe tanto. Mas, Draco... você sabe que ninguém chega perto do que nós temos.
Draco levantou-se levemente, olhando para as marcas no pescoço de Harry com um sorriso de satisfação.
— O Belby vai ter um ataque cardíaco amanhã quando vir isso.
— E eu vou ter que usar um feitiço de camuflagem se não quiser ser expulso por indecência — Harry riu.
— Não — Draco disse, os olhos brilhando novamente. — Deixe-as por algumas horas. Deixe que eles saibam que o Menino-Que-Sobreviveu tem um dono.
Harry revirou os olhos, mas não discutiu. Ele sabia que, por baixo de toda aquela encenação de dominação e ciúme, Draco era apenas um homem que tinha medo de perder a única luz em sua vida sombria.
Eles ficaram ali, abraçados na escuridão da Sala Precisa, cercados por correntes de prata e promessas silenciosas. Draco Malfoy poderia continuar sendo o herdeiro arrogante e frio para o resto do mundo, mas ali, naqueles momentos de entrega absoluta, ele era apenas o homem que pertencia a Harry Potter, tanto quanto Harry pertencia a ele.
— Eu te amo, Harry — Draco sussurrou, quase pegando no sono.
— Eu também te amo, Draco. Agora durma. Amanhã você tem uma reputação de "bad boy" para manter.
Draco sorriu contra a pele de Harry, sentindo-se, finalmente, em paz. O veneno do ciúme havia sido expelido, substituído pelo ouro puro do amor que os unia. E ele sabia que, não importava quantos corvinais tentassem se aproximar, o coração de Harry Potter era um território que apenas Draco Malfoy tinha o mapa para explorar.