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Nas sombras

O Efeito da Amortentia e Outras Confissões

A manhã seguinte ao episódio do ciúme de Draco amanheceu cinzenta sobre Hogwarts, mas Harry Potter sentia-se estranhamente radiante. Ele ajeitou a gola da camisa da Grifinória com um cuidado extra, garantindo que o feitiço de camuflagem de Hermione estivesse firme sobre a marca arroxeada que Draco deixara em sua clavícula. Era um segredo pulsante, um calor que o acompanhava enquanto ele descia para o Grande Salão.

A dinâmica entre os dois atingira um novo patamar de intensidade. Draco, embora continuasse a destilar veneno em público, parecia agora carregar uma aura de satisfação silenciosa. Ele não precisava mais gritar para provar que era superior; seu olhar, quando cruzava com o de Harry, tinha a profundidade de quem possuía um tesouro incalculável.

Na mesa da Grifinória, Rony observava Harry com uma sobrancelha erguida enquanto o amigo passava geleia no pão com um sorriso bobo.

— Você está com aquela cara de novo, Harry — comentou Rony, baixando a voz para que Simas e Dino não ouvissem. — A cara de quem passou a noite sendo... bem, você sabe.

— Rony, deixe o Harry em paz — interrompeu Hermione, embora seus olhos brilhassem com curiosidade por trás de um exemplar de "Transfiguração Hoje". — Mas Harry, você realmente precisa tomar cuidado com o Malfoy hoje. Ouvi dizer que a aula de Poções com o Slughorn vai ser sobre antídotos e poções de amor.

Harry deu de ombros, sentindo um frio na barriga.

— O que o Malfoy poderia fazer em uma aula de Poções que já não tenha feito?

— Ele é imprevisível quando está se sentindo possessivo — murmurou Hermione.

A aula de Poções começou com o habitual entusiasmo de Horácio Slughorn. O caldeirão central borbulhava com uma substância perolada que exalava vapores em espirais. O cheiro de Amortentia preenchia a masmorra, e Harry sentiu os pulmões serem invadidos por uma mistura inebriante: o cheiro de vassoura nova, o frescor da grama molhada e, acima de tudo, o perfume cítrico e metálico de Draco Malfoy.

— Hoje, meus jovens — anunciou Slughorn, balançando a barriga com satisfação —, vamos estudar a complexidade dos sentimentos simulados. A Amortentia não cria amor, claro, mas cria uma obsessão poderosa. O desafio de hoje é criar um antídoto eficaz, mas antes... quero que cada um de vocês identifique o que sente.

Draco estava postado em sua mesa habitual na Sonserina, flanqueado por Pansy e Blaise. Ele mantinha o rosto impassível, mas suas narinas dilataram-se quando o vapor da poção o atingiu. Harry o observou de longe. O loiro parecia lutar para não fechar os olhos e se entregar ao aroma.

— Sr. Malfoy! — chamou Slughorn. — Poderia nos dizer o que sente na poção de hoje?

Draco endireitou os ombros, recuperando a máscara de frieza em um milésimo de segundo. Ele caminhou até o caldeirão com a elegância de um predador.

— Sinto cheiro de pergaminho antigo — começou Draco, a voz arrastada e monótona —, maçãs verdes e... — ele fez uma pausa deliberada, seus olhos cinzentos deslizando pelo salão até encontrarem os verdes de Harry por um breve e elétrico segundo — ...e o cheiro de algo queimado. Como se alguém tivesse acabado de lançar um feitiço de estupefação.

Harry sentiu o rosto queimar. O "cheiro de algo queimado" era exatamente o que ele sentia depois de treinar quadribol intensamente. Draco estava provocando-o na frente de todos, ocultando a verdade em metáforas que apenas Harry entenderia.

— Muito bem, muito bem! — exclamou Slughorn. — E você, Sr. Potter?

Harry aproximou-se, sentindo o olhar de Draco queimando em suas costas.

— Eu sinto... — Harry respirou fundo — ...cheiro de sândalo, o ar frio das masmorras e... baunilha.

Rony soltou um risinho abafado. Baunilha era o cheiro do sabonete caro que Draco usava, um detalhe que Harry notara nas muitas noites em que dormira com o rosto enterrado no peito do loiro.

A aula prosseguiu com a tarefa de criar o antídoto. Harry e Draco acabaram, por intervenção da Sala, dividindo os mesmos suprimentos de ingredientes no armário dos fundos.

— Baunilha, Potter? — Draco sibilou, encurralando Harry entre as prateleiras de ingredientes secos enquanto a classe estava distraída com seus caldeirões borbulhantes. — Você é muito pouco sutil.

— E você? Maçãs verdes e feitiços? — Harry rebateu, sorrindo e passando a mão pela cintura de Draco por baixo da túnica, um toque rápido e proibido. — Todo mundo sabe que você come maçãs verdes o dia inteiro, Draco.

— Mas ninguém sabe que eu adoro o seu cheiro de "feitiço queimado" — Draco sussurrou, inclinando-se para morder levemente a orelha de Harry. — Você me deixa louco, sabia? Ter que fingir que não quero te beijar agora mesmo, com esse cheiro de Amortentia nos enlouquecendo.

— Então não finja — provocou Harry.

— Aqui não — Draco recuou, seus olhos brilhando com uma mistura de luxúria e cautela. — Mas à noite... a Sala Precisa vai ser pequena para o que eu vou fazer com você por causa dessa baunilha.

A aula terminou com Draco ganhando pontos para a Sonserina, mas o verdadeiro prêmio foi o bilhete que ele deixou cair discretamente na mesa de Harry: *"Torre de Astronomia. Meia-noite. Traga a capa."*

Quando a meia-noite chegou, Harry subiu as escadas em espiral da Torre de Astronomia sob a capa de invisibilidade. O vento frio de Hogwarts soprava forte, mas ele mal o sentia. Ao chegar ao topo, viu Draco encostado no parapeito, observando a Lua. Ele não parecia o herdeiro arrogante; parecia apenas um jovem carregando o peso do mundo.

Harry tirou a capa e aproximou-se silenciosamente. Sem dizer nada, ele se encaixou nas costas de Draco, abraçando a cintura do loiro e apoiando o queixo em seu ombro. Draco relaxou instantaneamente, cobrindo as mãos de Harry com as suas.

— Você demorou — murmurou Draco.

— O Rony estava acordado falando sobre o treino de quadribol — Harry respondeu, dando um beijo na nuca de Draco. — Por que aqui? A Sala Precisa é mais quente.

— Eu precisava de ar — Draco confessou, virando-se nos braços de Harry. — A aula de hoje... a Amortentia... mexeu comigo.

— O que você sentiu de verdade, Draco? — Harry perguntou, olhando fundo naqueles olhos prateados.

Draco suspirou, a fachada de "bad boy" ativo e inabalável derretendo sob o olhar de Harry. Ele segurou o rosto de Harry com ambas as mãos, seus polegares acariciando as cicatrizes de guerra e a pele macia.

— Eu senti você, Harry. Não era só o cheiro de feitiço ou de grama. Era o cheiro da sua pele depois que a gente faz amor. Era o cheiro do seu cabelo quando você deita no meu colo e eu fico fazendo carinho até você dormir. Foi torturante estar naquela sala e não poder te puxar para mim.

Harry sorriu, sentindo o coração transbordar. Ele subiu no parapeito largo da torre, sentando-se e puxando Draco para entre suas pernas. Draco acomodou-se ali, abraçando a cintura de Harry e escondendo o rosto em seu pescoço, aspirando profundamente.

— Eu sou sua cadelinha, não sou? — Draco murmurou, a voz abafada contra a pele de Harry. — O grande Malfoy, reduzido a isso por causa de um Grifnório teimoso.

Harry riu, passando os dedos pelos fios loiros de Draco, desfazendo o penteado perfeito que ele mantinha durante o dia.

— Você é o meu Draco. E eu adoro o quanto você gosta de ser mimado por mim.

— Eu sou o ativo da relação, Potter, não se esqueça — Draco tentou recuperar um pouco de sua dignidade, mordendo levemente o pescoço de Harry.

— Ah, eu sei — Harry sussurrou, inclinando a cabeça para dar mais acesso ao loiro. — Você faz questão de me lembrar disso todas as noites. Mas agora, aqui sob a Lua... você é só meu.

Draco levantou o olhar, sua expressão tornando-se séria e carregada de desejo. Ele puxou Harry para um beijo urgente, um beijo que carregava toda a frustração de um dia inteiro de fingimento. Suas mãos exploravam o corpo de Harry com uma fome possessiva, enquanto Harry se entregava ao toque, gemendo baixo contra os lábios do loiro.

— Harry — Draco ofegou entre os beijos —, eu não aguento mais esperar até chegarmos a um quarto.

— Então não espere — Harry desafiou, os olhos verdes brilhando com uma ousadia travessa.

Draco não precisou de um segundo convite. Ele ergueu Harry do parapeito, mantendo-o em seus braços com uma força impressionante, e o encostou contra a parede de pedra da torre, protegida das vistas do castelo por uma pilastra larga. Ele começou a desabotoar a calça de Harry com uma pressa febril, enquanto Harry mordia o ombro de Draco, deixando marcas que o loiro ostentaria com orgulho sob suas vestes no dia seguinte.

A frieza do ar noturno contrastava com o calor ardente de seus corpos. Draco preparou Harry com dedos ágeis e experientes, seus olhos nunca deixando os de Harry, garantindo que o moreno estivesse pronto para ele. Quando Draco finalmente se uniu a Harry, ambos soltaram um suspiro de alívio e prazer que se perdeu no vento de Hogwarts.

O ritmo era intenso, movido pela adrenalina de estarem em um lugar proibido e pelo eco da poção de amor que ainda parecia correr em suas veias. Draco dominava o movimento, suas estocadas eram profundas e ritmadas, fazendo Harry agarrar-se aos seus ombros como se fossem sua única âncora no mundo.

— Você... é... meu — Draco rosnava a cada movimento, a voz rouca de desejo.

— Sim... Draco... mais... — Harry pedia, a cabeça jogada para trás, os olhos focados nas estrelas que pareciam girar acima deles.

O ápice veio como uma explosão de magia pura. Harry sentiu o corpo de Draco tremer contra o seu, o loiro se derramando dentro dele com um grito abafado no ombro de Harry. Harry seguiu logo depois, o prazer sendo tão forte que ele sentiu as pernas fraquejarem, sendo sustentado apenas pelos braços fortes de Draco.

Eles ficaram ali por um longo tempo, abraçados, tentando recuperar o fôlego enquanto o suor esfriava em suas peles. Draco limpou Harry com um feitiço silencioso e o ajudou a se vestir, seus gestos agora carregados de uma ternura infinita.

— Você vai me deixar mal acostumado, Potter — Draco comentou, ajeitando os óculos de Harry e dando-lhe um selinho carinhoso.

— Você já é mal acostumado, Malfoy — Harry riu, ajeitando a própria túnica. — Agora, vamos descer antes que o Filch nos encontre.

Eles desceram as escadas sob a capa de invisibilidade, caminhando tão próximos que seus ombros se roçavam a cada passo. Quando chegaram ao corredor que se dividia para as masmorras e para a torre da Grifinória, Draco parou.

— Harry — chamou ele, segurando a mão do outro por baixo da capa.

— Sim?

— A Amortentia... ela não mentiu. Eu realmente sinto o seu cheiro em todo lugar. E eu não mudaria isso por nada.

Harry sorriu, sentindo uma lágrima de felicidade ameaçar cair. Ele se inclinou e deu um último beijo em Draco, um beijo que selava promessas que nenhum deles precisava dizer em voz alta.

— Até amanhã, Dray. Tente não ser tão chato na aula de Transfiguração.

— Vou tentar, Potter. Mas não prometo nada — Draco piscou, um brilho travesso nos olhos cinzentos.

Draco seguiu para as masmorras, sua postura voltando a ser a do herdeiro aristocrático, mas seu coração batendo no ritmo do Grifnório que ele acabara de deixar. Harry voltou para sua torre, sentindo-se o homem mais sortudo do mundo bruxo.

No dia seguinte, no Grande Salão, Draco Malfoy fez um comentário sarcástico sobre o cabelo de Harry para todos ouvirem. Harry respondeu com um olhar de irritação fingida. Mas por baixo da mesa, Harry sentiu o pé de Draco roçar no seu, um toque secreto que dizia tudo o que importava.

Eles eram um segredo, uma mentira elegante para o mundo, mas a verdade mais pura que ambos já haviam vivido. E enquanto tivessem um ao outro entre as cortinas de veludo e sob o céu estrelado, a guerra e os preconceitos de Hogwarts pareciam pertencer a outro mundo, um mundo que não podia tocá-los.