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Nas sombras

O Equilíbrio Frágil da Trindade

O Salão Comunal da Grifinória estava mergulhado em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo estalar da lenha na lareira. Rony Weasley estava sentado em uma poltrona, com os olhos fixos em um ponto qualquer do tapete, enquanto Harry o observava com uma mistura de ansiedade e expectativa. Hermione já havia subido para os dormitórios, deixando os dois amigos sozinhos para a conversa que Harry vinha adiando há semanas.

— Rony, eu sei que é estranho — começou Harry, quebrando o silêncio. — Eu sei que você passou anos odiando o Malfoy, e eu também. Mas as coisas mudaram.

Rony soltou um suspiro longo, passando as mãos pelo cabelo ruivo.

— Estranho é pouco, Harry. Eu vi o jeito que ele olha para você quando pensa que ninguém está vendo. E vi o jeito que você... bom, o jeito que você se derrete todo quando ele está por perto.

Harry sentiu o rosto esquentar, mas não desviou o olhar.

— Ele não é quem todos pensam, Rony. Por trás daquela pose de herdeiro insuportável, ele é... ele é dedicado. Ele cuida de mim.

— Eu sei disso — interrompeu Rony, e para a surpresa de Harry, não havia raiva em sua voz, apenas uma confusão melancólica. — O problema não é o que vocês têm. O problema é que, ultimamente, eu sinto que estou sobrando. E, ao mesmo tempo, sinto coisas que não deveria sentir.

Harry franziu a testa, inclinando-se para frente.

— O que você quer dizer com isso?

Rony hesitou, as orelhas ficando tão vermelhas quanto seu cabelo.

— Naquela noite, na Sala Precisa... quando eu entrei por engano e vi vocês dois. Eu não fiquei apenas chocado, Harry. Eu fiquei... eu senti uma pontada aqui no peito. E não era só ciúme de perder meu melhor amigo para o Malfoy. Era algo mais.

Harry sentiu o coração disparar. Ele sabia do que Rony estava falando, porque ele e Draco já haviam discutido sobre o ruivo em seus momentos de intimidade. Draco, apesar de todas as ofensas públicas, admitira uma vez, entre beijos e sussurros, que havia algo na lealdade feroz e na energia vibrante de Rony que o intrigava.

— Rony — sussurrou Harry —, o Draco e eu... nós conversamos sobre você.

Rony levantou a cabeça rapidamente, os olhos arregalados.

— Conversaram? Sobre mim?

— Ele gosta da sua companhia, Rony. Da sua risada, do jeito que você me protege. Ele nunca admitiria isso na frente do Blásio ou da Pansy, mas ele se sente atraído pela sua luz. E eu... bom, eu sempre amei você, de todas as formas possíveis.

O silêncio que se seguiu foi carregado de eletricidade. Rony parecia estar processando uma informação que mudava tudo o que ele sabia sobre si mesmo.

— Você está sugerindo o que eu acho que está sugerindo? — perguntou Rony, a voz falhando.

— Estou sugerindo que você venha conosco hoje à noite. A Sala Precisa está nos esperando.

O encontro aconteceu à meia-noite. Harry e Rony caminharam sob a capa de invisibilidade, o silêncio entre eles não sendo mais constrangedor, mas sim cheio de uma expectativa nervosa. Quando a porta da Sala Precisa se materializou, Harry a abriu e encontrou Draco Malfoy parado junto à janela.

Draco estava impecável, como sempre, com uma camisa de seda preta entreaberta no pescoço. No momento em que viu Harry entrar acompanhado por Rony, seus olhos cinzentos brilharam com uma mistura de triunfo e incerteza.

— Então o Weasley finalmente decidiu parar de se esconder atrás das cortinas do dormitório? — disse Draco, a voz arrastada, mas sem o veneno habitual.

Rony tirou a capa de cima de si e de Harry, encarando o loiro de frente.

— Eu não estou me escondendo, Malfoy. Só estou tentando entender como alguém como o Harry suporta você.

Draco deu um sorriso de canto, aproximando-se com passos lentos e elegantes.

— Ele não apenas me suporta, Weasley. Ele me adora. E, se você for inteligente o suficiente, talvez comece a entender o porquê.

Harry colocou-se entre os dois, sentindo a tensão vibrar no ar. Ele pegou a mão de Draco e a de Rony, unindo-as no centro. O contraste era fascinante: a pele pálida e fria de Draco contra a mão grande, quente e sardenta de Rony.

— Sem brigas hoje — pediu Harry suavemente. — Hoje é sobre nós três.

A Sala Precisa, percebendo a mudança na dinâmica, transformou-se. O sofá de veludo verde foi substituído por uma área de descanso ampla, coberta por tapetes persas grossos e dezenas de almofadas de seda em tons de escarlate, ouro e prata. Uma lareira enorme aquecia o ambiente, e o cheiro de sândalo e canela pairava no ar.

Draco foi o primeiro a se mover. Ele puxou Harry para um beijo possessivo, mas seus olhos permaneciam fixos em Rony, desafiando-o e convidando-o ao mesmo tempo. Rony observava, a respiração ficando pesada, até que Harry se afastou de Draco e estendeu a mão para o ruivo.

— Vem, Rony.

Rony aproximou-se timidamente. Harry sentou-se no colo de Draco, que se acomodou entre as almofadas. O loiro imediatamente envolveu a cintura de Harry, puxando-o para trás contra seu peito, enquanto Harry abria espaço para Rony se sentar à sua frente.

— Você parece um peixe fora d'água, Weasley — provocou Draco, mas sua mão livre subiu para acariciar o ombro de Rony, um toque surpreendentemente gentil. — Relaxa. Ninguém vai te morder... a menos que você peça.

Rony soltou uma risada nervosa, mas o toque de Draco parecia estar derretendo suas defesas. Harry inclinou-se para frente e capturou os lábios de Rony em um beijo doce, cheio de familiaridade e carinho. Rony gemeu contra a boca de Harry, suas mãos encontrando o caminho para o rosto do moreno.

Enquanto Harry beijava Rony, Draco começou a distribuir beijos pelo pescoço de Harry, subindo até a orelha.

— Ele é tão quente, não é? — sussurrou Draco contra a pele de Harry, referindo-se a Rony. — Como um sol particular.

Harry estremeceu, sentindo o prazer de ser tocado pelos dois homens que mais amava no mundo. Ele se afastou de Rony e olhou para Draco.

— Beija ele, Draco.

O pedido fez Rony congelar por um segundo. Draco olhou para o ruivo, a arrogância desaparecendo para dar lugar a uma curiosidade faminta. Ele se inclinou, ultrapassando a barreira invisível que os separara por anos, e tocou os lábios de Rony com os seus.

Foi um beijo exploratório no início, um choque de texturas e temperaturas. Rony respondeu com uma intensidade surpreendente, suas mãos subindo para os cabelos loiros de Draco, puxando-os com uma força que fez o sonserino soltar um rosnado de aprovação.

— Ora, ora — murmurou Draco, afastando-se apenas alguns centímetros —, parece que o leão tem garras afiadas.

— Você não viu nada ainda, Malfoy — retrucou Rony, a voz rouca de desejo.

Harry observava a cena com um sorriso radiante. Ele se posicionou entre os dois, sentindo o calor de Rony à sua frente e a solidez de Draco atrás de si. Draco, sendo o ativo e o mais experiente naquelas artes, assumiu o controle da situação, mas sempre com um olhar atento às reações de Harry e Rony.

— Harry, sente-se aqui — ordenou Draco, indicando seu próprio colo de forma mais firme.

Harry obedeceu, sentando-se de costas para Draco, enquanto o loiro começava a despir o Grifnório com uma agilidade impressionante. Rony ajudava, suas mãos trêmulas mas decididas encontrando a pele de Harry. Logo, os três estavam despidos de suas vestes e de seus preconceitos.

Draco puxou Rony para mais perto, forçando-o a ficar de joelhos entre ele e Harry. O contraste visual era magnífico: o ruivo vibrante entre a palidez aristocrática de Draco e o bronzeado suave de Harry.

— Eu sempre quis saber — sussurrou Draco no ouvido de Rony, enquanto suas mãos exploravam o corpo do ruivo — se você era tão barulhento quanto parece ser no Salão Comunal.

Rony não respondeu com palavras. Ele se inclinou e atacou o pescoço de Draco, mordendo exatamente onde a marca de Harry estava desaparecendo. Draco arqueou as costas, sentindo o prazer agudo da mordida.

— Sim... exatamente assim — ofegou Draco.

Harry, sentindo-se o centro de toda aquela atenção, começou a acariciar os dois. Ele adorava como Draco se tornava dócil sob seu toque, e como Rony florescia sob a atenção de ambos. Draco, mantendo sua posição de comando, guiava Rony, ensinando-o como tocar Harry, como explorar os pontos mais sensíveis do moreno.

— Veja como ele reage aqui, Weasley — instruiu Draco, guiando a mão de Rony até a parte interna da coxa de Harry. — Ele adora quando somos firmes.

Harry soltou um gemido alto, a cabeça caindo no ombro de Draco.

— Vocês... vocês vão me enlouquecer — disse Harry, os olhos revirando de prazer.

A noite progrediu para uma sinfonia de toques e descobertas. Draco, com sua paciência calculada, garantiu que tanto Harry quanto Rony estivessem completamente entregues antes de prosseguir. Ele adorava o papel de mentor e dominador, mas nos momentos em que Harry o abraçava com força ou Rony o beijava com paixão, ele se tornava apenas mais um jovem em busca de afeto.

Em um determinado momento, Rony estava deitado de costas entre as almofadas, com Harry sobre ele, enquanto Draco se posicionava atrás de Harry. O vínculo entre os três era quase tangível, uma corrente de magia e desejo que preenchia cada canto da Sala Precisa.

— Draco — chamou Rony, a voz entrecortada —, eu... eu nunca pensei que...

— Não pense, Weasley — interrompeu Draco, inclinando-se para beijar a testa de Rony. — Apenas sinta. Sinta o Harry, sinta a mim. Nós somos um agora.

Harry sentia-se completo. A força bruta e leal de Rony combinada com a sofisticação e a carência oculta de Draco criavam um equilíbrio perfeito para sua própria alma inquieta. Ele se movia entre os dois, recebendo e dando prazer, sentindo-se o herói de sua própria história de amor, uma história que ninguém em Hogwarts jamais acreditaria.

Quando o ápice chegou para os três, foi em uma explosão coordenada de cores e sensações. Harry gritou o nome de ambos, sentindo o peso de Draco sobre si e o abraço esmagador de Rony abaixo de si. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas por respirações pesadas e batimentos cardíacos acelerados.

Draco rolou para o lado, puxando Harry e Rony para seus braços. Eles ficaram ali, emaranhados em uma confusão de membros e lençóis de seda, enquanto a lareira diminuía.

— Sabe, Malfoy — começou Rony, a voz sonolenta —, você ainda é um idiota.

— E você continua sendo um pobretão sem modos, Weasley — rebateu Draco, mas havia um sorriso em sua voz. Ele beijou o topo da cabeça de Rony e depois a de Harry. — Mas eu suponho que posso me acostumar com isso.

Harry riu, sentindo-se protegido no meio dos dois.

— O que vamos fazer amanhã? — perguntou Harry. — No café da manhã?

— O de sempre — respondeu Draco, recuperando sua voz de máscara. — Eu vou zombar do seu cabelo, vou fazer algum comentário maldoso sobre as vestes de segunda mão do Weasley, e vocês vão me olhar com ódio.

— Mas — acrescentou Rony, bocejando —, por baixo da mesa, eu vou chutar a sua canela se você exagerar.

— E eu vou estar pensando em como vocês dois ficam lindos quando estão completamente desarmados — concluiu Harry.

Draco suspirou, fechando os olhos.

— É um plano aceitável. Agora calem a boca e durmam. Eu não vou deixar vocês saírem daqui até o sol nascer.

E assim, entre as paredes da Sala Precisa, o segredo de Harry e Draco expandiu-se para incluir o ruivo que sempre fora o coração da Grifinória. A rivalidade continuaria nos corredores, as ofensas seriam gritadas nos campos de Quadribol, mas nas sombras e no silêncio da noite, eles eram uma trindade inquebrável.

Para o mundo, Draco Malfoy continuava sendo o herdeiro "hétero" e arrogante, Harry Potter o herói passivo e dócil, e Rony Weasley o amigo leal e esquentado. Mas ali, sob o feitiço da Sala Precisa, eles eram apenas três rapazes que descobriram que, às vezes, o amor não precisa de rótulos ou de lógica. Ele só precisa de espaço para florescer, mesmo que seja entre as fendas de uma guerra iminente e as cortinas de um segredo compartilhado.

Draco apertou os dois Grifnórios contra si, sentindo-se, pela primeira vez em sua vida, verdadeiramente em casa. Ele era o ativo, o protetor, mas nos braços de Harry e Rony, ele era também o homem que finalmente podia baixar a guarda e ser amado por quem realmente era. E para Draco Malfoy, isso era a magia mais poderosa de todas.