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Ruínas de Cristal e o Calor do Desejo

O silêncio no triplex de Emanuel era pesado, cortado apenas pelo som rítmico dos saltos de Sara batendo contra o mármore. Mas não era o desfile triunfante de outrora; era o caminhar errático de um animal encurralado. Sobre a mesa de vidro da sala de jantar, pilhas de notificações judiciais, relatórios de fluxo de caixa no vermelho e rescisões de contratos de publicidade formavam o epitáfio da "Sara Diamond Cosméticos".

— Falência, Emanuel? Você ouviu o que aquele advogado idiota disse? — Sara gritou, a voz rouca de tanto chorar. Sua maquiagem, geralmente impecável, estava borrada, dando-lhe um ar de vilã de cinema em decadência. — Eu investi minha alma nisso! Eu sou a cara da marca!

Emanuel estava sentado na cabeceira, a expressão de pedra. Ele havia avisado. Tinha dito que ostentação sem gestão era um convite ao desastre. Sara gastara o capital de giro em festas de lançamento e mimos para influenciadoras, esquecendo-se de pagar os fornecedores da matéria-prima.

— A alma não paga boletos, Sara — disse Emanuel, a voz fria e pragmática. — O mercado não se importa com quantos seguidores você tem quando a sua fábrica para por falta de insumo. Eu não vou injetar mais um centavo nesse buraco sem fundo. Acabou.

— Você não pode fazer isso! — Ela avançou para ele, as unhas cravadas na madeira da cadeira. — É a minha imagem! Eu vou ser a piada da cidade! Aquela... aquela sonsa da Eduarda vai rir da minha cara!

Eduarda, que observava a cena da fresta da porta da cozinha, sentiu um aperto estranho no peito. Ela esperava sentir triunfo. Esperava que a queda da rival trouxesse a paz que tanto almejava. Mas, ao ver Sara naquele estado — desgrenhada, vulgar em sua fúria, com o rímel escorrendo pelos implantes de maçã do rosto —, ela sentiu algo que a surpreendeu: compaixão. Eduarda conhecia a dor de perder um sonho, mesmo que o sonho de Sara fosse construído sobre futilidades.

— Eu não estou rindo, Sara — disse Eduarda, revelando-se. Ela caminhou lentamente, o vestido de algodão azul balançando suavemente. Sua barriga já não existia mais, mas sua postura ainda era a de uma madona, calma e sensível.

— Saia daqui! — Sara sibilou. — Não quero sua pena, sua burguesinha de chalé!

— Chega, as duas! — Emanuel levantou-se, a paciência esgotada. — O clima nesta casa está insuportável. Arthur e Valentina sentem essa energia. Nós vamos viajar. Todos nós. Vou fechar o estúdio por dez dias e vamos para algum lugar onde vocês duas não possam se matar.

— Milão! — Sara disparou imediatamente, limpando o rosto com as costas da mão. — Eu preciso de compras, preciso de ar europeu para esquecer esse fiasco.

— Nem pensar — interveio Eduarda, com uma manha que Emanuel conhecia bem. Ela se aproximou dele, passando os braços pela sua cintura e encostando a cabeça em seu peito, ignorando o olhar de nojo de Sara. — Manu... o Arthur é tão pequeno para voos longos. E eu... eu queria algo mais quente. Algo onde pudéssemos ficar em família, sem desfiles de moda. Vamos para o Nordeste? Uma ilha privada?

— Ilha privada? — Sara bufou. — Para você ficar pintando coqueiros e eu morrer de tédio com mosquitos? Emanuel, se você me ama minimamente, me leve para Paris ou Milão!

— Nós vamos para uma vila isolada em Trancoso — sentenciou Emanuel, encerrando a discussão. — Tem estrutura para as crianças, sol para a Eduarda e isolamento para a Sara não precisar encarar ninguém conhecido. Preparem as malas. Partimos amanhã.

A viagem, porém, não acalmou os ânimos. No jato particular, Sara passou o tempo todo ao telefone, tentando salvar o que restava de sua reputação, enquanto Eduarda permanecia em silêncio, observando as nuvens. Mas o silêncio de Eduarda não era de tristeza.

Ultimamente, ela sentia um calor diferente percorrendo seu corpo. A maternidade a deixara mais feminina, mais consciente de suas curvas suaves e da maciez de sua pele. E, mais do que tudo, ela sentia uma fome física por Emanuel que a assustava e a excitava. Cada vez que via os braços tatuados dele segurando Arthur, ou a forma como as veias de suas mãos saltavam quando ele estava tenso, Eduarda sentia um latejo úmido entre as pernas.

Ao chegarem na vila em Trancoso, o cenário era paradisíaco, mas a tensão permanecia. Sara trancou-se no quarto com Valentina e suas garrafas de vinho caro. Eduarda, aproveitando o momento, colocou Arthur para dormir e foi procurar Emanuel.

Ela o encontrou na varanda da suíte principal, olhando o mar sob a luz do luar. Ele estava apenas de calça de linho preta, sem camisa, as tatuagens parecendo ganhar vida sob a luz prateada.

— Manu... — ela sussurrou, aproximando-se por trás.

— O Arthur dormiu? — ele perguntou, sem se virar, mas sua voz estava carregada de um cansaço que pedia por alívio.

— Sim. Ele está exausto. — Eduarda passou as mãos pequenas pelas costas largas dele, sentindo a textura da pele e o relevo das cicatrizes e tintas. — Você também está tenso, meu amor. Deixe-me cuidar de você.

Emanuel virou-se, e o olhar que encontrou em Eduarda não era o da menina tímida de sempre. Havia um brilho de luxúria, uma necessidade crua que ele raramente via nela. A manha dela agora era uma arma de sedução.

— Duda... — ele começou, mas ela selou seus lábios com um beijo urgente.

A língua de Eduarda invadiu a boca dele com uma audácia que o pegou de surpresa. Ela se pressionou contra ele, sentindo o calor do corpo dele através do tecido fino de seu vestido. Emanuel soltou um rosnado baixo, as mãos descendo para as nádegas dela, apertando-as com força.

— Eu quero você, Manu — ela sussurrou contra o pescoço dele, mordendo o lóbulo de sua orelha. — Eu quero sentir você dentro de mim. Agora. Sem pressa, sem Sara, sem ninguém.

Emanuel não precisou de outro convite. Ele a pegou no colo, as pernas dela entrelaçando-se em sua cintura, e a levou para a cama de dossel com cortinas de linho branco que dançavam com a brisa oceânica.

Ele a deitou com uma possessividade que fez o coração de Eduarda disparar. Suas mãos subiram pelo vestido dela, rasgando as alças delicadas sem cerimônia. Eduarda arqueou as costas, oferecendo seus seios médios e macios, com os mamilos já eretos e escurecidos pela excitação.

— Você está tão linda, Duda — ele murmurou, a voz grave, enquanto sua boca envolvia um dos mamilos, sugando-o com uma força que arrancou um gemido alto dela.

— Manu... por favor... — ela implorava, as mãos enterradas nos cabelos curtos dele.

Emanuel desceu os beijos pelo abdômen dela, ainda levemente marcado pela gravidez, o que para ele era um símbolo de sua conexão eterna. Quando ele retirou a calcinha de renda dela, encontrou-a completamente encharcada. O cheiro de Eduarda, doce e excitado, preencheu seus sentidos.

Ele abriu as pernas dela com firmeza, posicionando-se entre elas. Eduarda olhou para baixo, vendo o membro de Emanuel, grande e pulsante, já livre da calça de linho. Ela sentiu um frio na barriga, uma antecipação que a fazia tremer.

— Eu não aguento mais esperar — ela disse, a voz manhosa dando lugar a uma urgência erótica. — Coloca, Manu. Coloca todo esse pau dentro da minha buceta. Eu quero sentir você me preenchendo.

Emanuel não hesitou. Ele segurou a base de seu membro e o guiou para a abertura úmida de Eduarda. No momento em que a cabeça da glande rompeu a entrada, ela soltou um suspiro longo, revirando os olhos. Ele empurrou com força, entrando de uma vez só, sentindo o aperto incrível das paredes vaginais dela, que pareciam dar as boas-vindas ao seu dono.

— Ah, meu Deus! — Eduarda gritou, as unhas cravando-se nos ombros tatuados de Emanuel. — É tão grande... Manu... dói e é tão bom...

— Você é tão apertada, Duda — ele arfou, começando um movimento de estocadas lentas e profundas, sentindo cada centímetro da carne dela se moldar à dele. — Você é minha. Só minha.

— Sim... sou sua... — ela gemia ritmicamente, acompanhando o movimento dele com o quadril. — Vai, Manu... mais forte. Me fode com força, como se você quisesse me marcar por dentro.

Emanuel acelerou o ritmo. O som da carne batendo contra a carne misturava-se ao som das ondas lá fora. Ele a possuía com uma ferocidade que despejava nela todo o estresse das últimas semanas, toda a raiva pela falência de Sara, toda a carga de ser o pilar daquelas duas vidas. Eduarda recebia tudo, devolvendo com gemidos cada vez mais altos, as pernas agora jogadas sobre os ombros dele para permitir uma penetração ainda mais profunda.

— Eu vou gozar, Manu! Eu vou! — ela gritou, o corpo começando a ter espasmos.

— Goza para mim, Duda! — ele ordenou, intensificando as estocadas, atingindo o colo do útero dela a cada movimento.

Eduarda explodiu em um orgasmo violento, as paredes de sua buceta contraindo-se em volta do membro de Emanuel como milhares de pequenas bocas famintas. O prazer foi tanto que ela perdeu os sentidos por um segundo, a cabeça caindo para trás. Emanuel, sentindo o aperto final, soltou um urro e despejou seu sêmen quente dentro dela, em jatos longos que pareciam selar uma promessa de que, apesar de todo o caos, era ali que ele pertencia.

Eles ficaram ali, abraçados e suados, enquanto a respiração voltava ao normal. Eduarda se aninhou no peito dele, sentindo-se plena, vitoriosa de uma forma que nenhuma propriedade ou sobrenome poderia proporcionar.

— Você está bem? — ele perguntou, a voz agora suave.

— Estou maravilhosa — ela respondeu, com a manha retornando. — Mas eu quero de novo antes do sol nascer.

Emanuel sorriu, beijando-lhe a testa. Mas a paz foi interrompida pelo som de algo quebrando no quarto ao lado, seguido pelo grito estridente de Sara.

— Emanuel! Tem uma barata gigante neste quarto! Eu vou morrer! Eu odeio este lugar!

Emanuel fechou os olhos e suspirou, o peso da realidade voltando instantaneamente. Ele olhou para Eduarda, que apenas sorriu e o puxou para mais perto.

— Deixe-a gritar, Manu — sussurrou ela. — Ela tem a falência e as baratas. Você tem a mim. E eu tenho você.

Naquela noite, sob o céu de Trancoso, Eduarda entendeu que sua força não vinha do confronto, mas da capacidade de ser o porto seguro — e o desejo ardente — para onde Emanuel sempre acabaria voltando, não importava quão alto Sara gritasse ou quão grandes fossem suas ruínas de cristal. A guerra continuava, mas naquela batalha específica, Eduarda havia conquistado o território mais importante: o corpo e a alma do homem que as duas chamavam de seu.