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nos tres, num so jeito

Sinfonia de Seda e o Eco do Desejo

O restaurante do hotel em Spa era o ápice do luxo europeu: luzes baixas, talheres de prata que brilhavam sob o lustre de cristal e um serviço tão discreto que os garçons pareciam sombras elegantes. Anna, sentada entre Oscar e Lily, sentia-se como uma intrusa em um quadro renascentista. O jantar fora impecável. Oscar, o CEO nato e piloto de precisão, comandara a noite com uma gentileza protetora, enquanto Lily, com sua doçura magnética, garantia que Anna nunca se sentisse deslocada.

No entanto, o relógio na parede de carvalho não perdoava. Oscar tinha um compromisso comercial inadiável em Londres antes mesmo do sol nascer, o que exigia um voo privado de madrugada.

— Eu realmente odeio ter que interromper isso — disse Oscar, deixando um suspiro escapar enquanto pousava o guardanapo de linho sobre a mesa. — Mas se eu não dormir pelo menos quatro horas, meu agente vai ter um colapso nervoso antes do descolagem.

Ele se levantou, a silhueta alta e atlética atraindo olhares de admiração das mesas vizinhas. Ele inclinou-se primeiro para Lily, beijando-a na têmpora com uma familiaridade carinhosa, e depois voltou-se para Anna. O olhar que ele lhe deu era carregado; uma mistura de gratidão pelo que acontecera no motorhome e uma promessa de que aquilo era apenas o prefácio de uma longa história.

— Descanse, Anna — sussurrou ele, a voz vibrando perto do ouvido dela. — Lily vai cuidar para que você chegue ao seu quarto em segurança. Ou, pelo menos, tão em segurança quanto Lily permite.

Com um último aceno e um sorriso enigmático, Oscar retirou-se, deixando um rastro de seu perfume amadeirado no ar. O silêncio que se seguiu entre as duas mulheres não foi desconfortável, mas sim carregado de uma nova voltagem.

Lily tomou o último gole de seu vinho branco, seus olhos claros brilhando sob a luz das velas. Ela parecia uma criatura de pura seda e intenções ocultas.

— Ele é tão dedicado, não é? — comentou Lily, quebrando o silêncio com sua voz melodiosa. — Mas agora que o "chefe" foi descansar, acho que podemos finalmente relaxar do nosso jeito, Anna.

— Eu... eu também deveria ir, Lily — gaguejou Anna, sentindo o calor subir pelo pescoço. — Amanhã será um dia cheio na garagem e...

— Bobagem — interrompeu Lily, levantando-se e estendendo a mão delicada para a engenheira. — A noite está fresca e a suíte tem a melhor vista das Ardenas. Vamos tomar um último drinque lá em cima. Eu insisto.

Anna sabia que "insistir", no vocabulário de Lily Zneimer, era um comando disfarçado de convite irresistível. Elas subiram pelo elevador panorâmico em um silêncio cúmplice. Quando a porta da suíte presidencial se abriu, o luxo era quase opressor: carpetes que afundavam sob os pés, arranjos de flores frescas e uma varanda que dava para a escuridão mística da floresta belga.

Lily fechou a porta e, sem pressa, começou a retirar as joias. Os brincos de diamante foram depositados sobre a mesa de mármore com um tilintar suave.

— Sabe, Anna — começou Lily, caminhando em direção a ela com uma elegância predatória —, o Oscar é muito direto. Ele é um homem de ação. Mas eu... eu prefiro os detalhes. Eu prefiro a antecipação.

Anna estava parada perto da varanda, o coração disparado. Lily parou a poucos centímetros dela. A luz da lua filtrava pelas cortinas de voile, desenhando sombras suaves no rosto da mulher à sua frente.

— Você estava tão tensa durante o jantar — continuou Lily, aproximando-se tanto que Anna conseguia sentir o calor emanando de seu corpo. — O toque dele ainda está gravado em você, eu consigo ver. Mas eu também quero deixar a minha marca.

Lily estendeu a mão e, com uma lentidão torturante, acariciou o lábio inferior de Anna com o polegar.

— O Oscar teve a sua tarde de adrenalina — sussurrou Lily, seus olhos descendo para a boca de Anna. — Mas a noite... a noite pertence a mim. E eu sou muito mais gananciosa do que ele.

Sem dar chance para que Anna processasse a confissão, Lily a puxou. O beijo não foi um pedido; foi uma conquista. Se o beijo de Oscar era como a velocidade de um carro de corrida, o de Lily era como o interior de um carro de luxo: quente, envolvente, caro e profundamente viciante.

Anna soltou um gemido baixo, suas mãos encontrando a cintura de Lily, sentindo o tecido fino do vestido de grife. Lily era safada de uma maneira sofisticada; ela sabia exatamente como usar a língua para provocar, como morder o lábio inferior de Anna de um jeito que a fazia perder o chão.

— Você tem a boca mais maravilhosa que já provei — murmurou Lily entre beijos, sua voz agora rouca, perdendo a doçura pública para dar lugar a um desejo cru. — Tão macia, tão receptiva...

Lily empurrou Anna suavemente em direção à cama king-size. A engenheira caiu sobre os lençóis de algodão egípcio, e Lily subiu logo em seguida, posicionando-se sobre ela com uma agilidade graciosa. Suas mãos, antes tão delicadas, agora exploravam o corpo de Anna com uma urgência faminta.

— Eu vi como você olhou para mim na garagem — disse Lily, desabotoando a blusa de Anna com dedos ágeis. — Vi como você tentou desviar o olhar quando eu te toquei. Você é tão transparente, minha querida engenheira. E eu adoro o jeito que você tenta resistir, sabendo que já perdeu.

Lily mergulhou o rosto no pescoço de Anna, distribuindo beijos úmidos e mordidas leves que faziam Anna arquear as costas. A timidez de Anna estava sendo queimada pelo calor daquela mulher. Ela nunca imaginou que a doce e reservada Lily Zneimer pudesse ter mãos tão ousadas e uma mente tão... criativa.

— Lily... — Anna arquejou, as mãos perdidas nos cabelos claros de Lily.

— Diga meu nome de novo — ordenou Lily, subindo novamente para selar seus lábios nos de Anna. — Quero que você esqueça todos os números, todos os dados, todos os motores. Quero que a única coisa na sua mente seja o quanto eu te quero agora.

Lily deslizou as mãos para baixo, encontrando o caminho por entre as roupas de Anna com uma perícia que a deixava sem fôlego. Ela era audaciosa, sussurrando palavras pecaminosas no ouvido de Anna, descrevendo exatamente o que pretendia fazer com ela, transformando a timidez da engenheira em uma fogueira de necessidade.

— O Oscar é o meu marido, e eu o amo — sussurrou Lily, seus dedos provocando Anna de uma forma que a fazia ver estrelas. — Mas nós dois concordamos em uma coisa: você é o nosso prêmio mais precioso. E eu não divido bem os meus brinquedos quando estou com eles a sós.

A noite avançou em uma sinfonia de sussurros, lençóis revirados e o som da respiração acelerada. Lily era incansável, explorando cada centímetro da pele de Anna com uma adoração que beirava o sagrado, mas com uma safadeza que era puramente profana. Ela fazia Anna sentir-se a mulher mais desejada do mundo, não apenas por sua mente brilhante, mas por cada curva de seu corpo.

Horas depois, quando a exaustão finalmente começou a vencer o desejo, Anna estava deitada nos braços de Lily. A suíte estava silenciosa, exceto pelo som da ventilação suave. Lily acariciava os cabelos de Anna, um sorriso de satisfação plena brincando em seus lábios.

— O Oscar vai ficar com tanto ciúme quando eu contar os detalhes para ele — comentou Lily, a voz voltando à sua doçura habitual, mas com um brilho travesso nos olhos.

— Você vai contar? — perguntou Anna, a voz sumida, sentindo o rosto esquentar novamente.

— Oh, querida — Lily riu, um som cristalino que ecoou pelo quarto luxuoso. — Nós contamos tudo um ao outro. É assim que funcionamos. E ele vai adorar saber que você finalmente parou de fugir de mim.

Anna escondeu o rosto no peito de Lily, sentindo-se protegida e, ao mesmo tempo, completamente exposta. Ela havia entrado na McLaren para trabalhar com carros, mas acabara encontrando algo muito mais potente e perigoso.

— Eu não sabia que você era assim — confessou Anna.

— Ninguém sabe — respondeu Lily, beijando o topo da cabeça dela. — O mundo vê o que queremos que ele veja. O CEO e sua esposa perfeita. Mas aqui dentro, entre estas paredes de seda e mármore, somos apenas três pessoas que se encontraram. E eu não pretendo deixar você ir a lugar nenhum, Anna Williams.

Anna fechou os olhos, deixando-se levar pelo sono, embalada pelo perfume de Lily e pela promessa de um amanhã onde ela não seria apenas uma engenheira, mas a peça central de um motor muito mais complexo e apaixonante. Ela sabia que, ao acordar, o mundo da Fórmula 1 continuaria girando, mas sua vida nunca mais voltaria aos trilhos da normalidade. E, sinceramente, enquanto sentia o braço de Lily envolver sua cintura, ela percebeu que a normalidade era um preço pequeno demais a pagar por aquele tipo de pertencimento.

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