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nos tres, num so jeito

Alquimia de Ouro e Veludo

A luz pálida da manhã belga filtrava-se pelas pesadas cortinas de veludo da suíte presidencial, criando um brilho difuso que dançava sobre os lençóis de algodão egípcio. Anna despertou lentamente, sentindo o corpo pesado de uma forma deliciosa, uma letargia que vinha não apenas do cansaço físico da semana de corrida, mas da entrega absoluta da noite anterior. Por um breve segundo, ela pensou estar sozinha, mas o calor constante ao seu lado e o aroma inconfundível de peônias e luxo lembraram-na exatamente de onde estava.

Ela se virou com cuidado, sentindo a pele roçar na seda dos travesseiros. Lily não estava dormindo. Ela estava apoiada em um cotovelo, observando Anna com uma intensidade que faria qualquer sensor de telemetria entrar em colapso. O cabelo loiro de Lily caía em ondas desordenadas sobre os ombros, e a luz da manhã revelava a ausência total de roupas, transformando-a em uma visão de mármore vivo e curvas suaves.

— Bom dia, minha pequena engenheira — murmurou Lily, sua voz soando mais rouca e profunda do que o habitual, uma melodia que vibrou diretamente no baixo ventre de Anna.

— Bom dia... — Anna respondeu, a voz falhando enquanto tentava processar a visão à sua frente. — Que horas são? O Oscar já...

— O jato dele decolou há duas horas — interrompeu Lily, aproximando-se. — Ele mandou um beijo e disse que espera que você esteja bem descansada. Mas eu tenho planos diferentes para o seu descanso.

Lily deslizou para baixo, movendo-se com a graça de um felino. Antes que Anna pudesse reagir, o lençol foi puxado para trás. A timidez instintiva de Anna surgiu, mas Lily a silenciou com um olhar que era puro comando e promessa.

— Não se esconda de mim, Anna — disse Lily, a voz agora um sussurro de seda. — Ontem à noite foi sobre descoberta. Hoje de manhã... hoje é sobre a minha satisfação. E eu sei que você quer me dar isso.

Lily posicionou-se de forma que sua intimidade ficasse a poucos centímetros do rosto de Anna. A visão era avassaladora. Lily não era apenas a esposa doce do piloto ou a investidora inteligente; ali, naquela luz crua da manhã, ela era uma mulher que sabia exatamente o poder que exercia.

— Lily, eu... eu nunca fiz isso dessa forma — confessou Anna, as mãos tremendo enquanto se apoiava nos cotovelos.

— Então aprenda comigo — Lily sorriu, um sorriso que misturava a inocência de sua aparência com a safadeza de seus desejos. — Use a mesma precisão que você usa para ajustar a asa dianteira do carro do Oscar. Encontre o ângulo certo, a pressão exata. Eu sei que você é capaz de coisas incríveis sob pressão.

Anna engoliu em seco. A provocação de Lily, misturando o mundo técnico que ela tanto amava com a luxúria que a assustava, foi o gatilho final. Ela se aproximou, sentindo o calor irradiando da pele de Lily. O aroma era inebriante, uma mistura natural e feminina que parecia mais potente do que qualquer perfume de grife.

— Assim? — perguntou Anna, deixando que seus lábios roçassem a pele macia da parte interna da coxa de Lily.

— Sim... — Lily soltou um suspiro longo, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás. — Exatamente assim. Continue.

Anna entregou-se. Ela usou a língua para explorar com uma curiosidade reverente, descobrindo as texturas e as reações de Lily. A cada gemido que escapava da mulher acima dela, Anna sentia uma onda de confiança crescer. Ela percebeu que Lily, apesar de toda a sua sofisticação e controle, era vulnerável ao toque de Anna. A engenheira dedicada, que passava horas analisando fluxos de ar, agora analisava as respostas do corpo de Lily, ajustando seu ritmo de acordo com os espasmos musculares e a respiração cada vez mais curta da outra.

— Oh, Anna... — Lily arqueou as costas, suas mãos mergulhando nos cabelos de Anna, guiando-a com uma urgência que não deixava margem para dúvidas. — Mais... por favor, mais.

Anna obedeceu, sua língua movendo-se com uma agilidade que ela não sabia que possuía. Ela sentia o sabor de Lily, a essência de uma mulher que tinha o mundo aos seus pés, mas que naquele momento estava inteiramente à mercê de uma jovem engenheira tímida. A safadeza de Lily se manifestava em sussurros, em comandos baixos sobre como ela queria ser tocada, transformando o ato em uma lição de prazer mútuo.

Quando o clímax de Lily chegou, foi uma explosão de som e movimento. Ela se agarrou aos ombros de Anna, os dedos cravando-se levemente na pele, enquanto seu corpo tremia em ondas sucessivas de prazer. Anna permaneceu ali, mantendo o contato até que os tremores diminuíssem e Lily relaxasse completamente contra os lençóis, a respiração vindo em golfadas pesadas.

Lily puxou Anna para cima, abraçando-a com uma força surpreendente.

— Você é uma aluna brilhante, Anna Williams — disse Lily, beijando-a na testa, os olhos ainda brilhando com o resíduo do prazer. — O Oscar vai ficar louco quando souber o quão dedicada você foi esta manhã.

— Você realmente conta tudo para ele, não é? — Anna perguntou, escondendo o rosto no pescoço de Lily, sentindo o suor leve que cobria a pele de ambas.

— Absolutamente tudo — Lily riu, um som rico e satisfeito. — Nós somos uma equipe, lembra? E agora, você é a nossa contratação mais importante.

Elas ficaram ali por um longo tempo, envoltas no silêncio luxuoso da suíte. Anna sentia uma paz estranha. O medo de ser "errado" ou de estar "atrapalhando" o casamento deles havia sido substituído por uma compreensão profunda: ela não era uma intrusa, ela era o elo que faltava.

— Sabe — disse Lily, brincando com uma mecha do cabelo de Anna —, as pessoas nos veem no paddock e acham que entendem nossa dinâmica. Acham que eu sou apenas a esposa que acompanha o marido bem-sucedido. Eles não fazem ideia de que eu sou a engenheira que projeta a vida dele nos bastidores, assim como você projeta o desempenho dele na pista.

Anna levantou a cabeça, surpresa.

— Você também é engenheira?

— Formada em Oxford, com especialização em sistemas complexos — Lily piscou para ela. — Por que você acha que eu estava tão interessada nas suas apresentações técnicas? Eu não estava apenas admirando sua mente, Anna. Eu estava reconhecendo uma igual. Alguém que vê o mundo em padrões e soluções.

A revelação fez o coração de Anna disparar por um motivo diferente. O respeito que ela sentia por Lily triplicou.

— Então... você e o Oscar... vocês planejaram isso desde o início?

— Nós conversamos sobre você no primeiro dia em que você entrou no MTC — admitiu Lily, sem qualquer sinal de culpa. — Vimos seu talento, sua beleza e, principalmente, sua alma. Nós decidimos que queríamos você. Não como um acessório, mas como parte de nós. O Oscar foi o primeiro a atacar, claro, com aquele charme australiano e a intensidade de piloto. Mas eu... eu sabia que precisava de uma abordagem mais... táctil.

— Vocês são perigosos — Anna brincou, embora sentisse que era a verdade.

— Somos determinados — corrigiu Lily. — E agora que você sabe de tudo, e que você sentiu tudo... você ainda quer fugir, Anna?

Anna olhou para o quarto luxuoso, para a mulher incrível em seus braços e pensou no piloto que a esperava no circuito. A vida simples e solitária de antes parecia agora um rascunho inacabado.

— Não — respondeu Anna, a voz firme. — Eu não quero fugir.

— Ótimo — disse Lily, levantando-se e caminhando em direção ao banheiro de mármore, sua nudez exibida com uma confiança absoluta. — Porque temos um voo para o próximo GP em poucas horas. E o Oscar reservou uma suíte em Monza que faz esta parecer um quarto de motel.

Anna observou Lily se afastar, sentindo uma mistura de excitação e incredulidade. O mundo da Fórmula 1 era conhecido por sua velocidade e glamour, mas ela acabara de descobrir que os bastidores eram muito mais intensos.

Enquanto se preparava para o dia, Anna recebeu uma mensagem em seu celular. Era de Oscar.

"Lily me contou sobre o seu 'despertar'. Estou contando os minutos para ver vocês duas no paddock. Não se atrase para o briefing técnico, engenheira. Temos um campeonato para ganhar... e uma vida nova para celebrar. Com amor, O."

Anna sorriu, guardando o telefone. Ela caminhou até o espelho, ajeitando o uniforme da McLaren. Seus olhos brilhavam com uma nova confiança, e seus lábios ainda guardavam o sabor de Lily. Ela era Anna Williams, engenheira de desempenho, e agora, o segredo mais bem guardado do automobilismo.

Ao sair do quarto com Lily, que agora usava um vestido de seda azul-marinho e óculos escuros de grife, Anna percebeu que a verdadeira riqueza não estava nos contratos milionários ou nos carros velozes. Estava na coragem de aceitar um amor que não cabia em fórmulas, mas que funcionava com a precisão de um motor perfeito.

No elevador, Lily pegou a mão de Anna e a apertou levemente.

— Pronta para a próxima volta? — perguntou Lily.

— Sempre pronta — respondeu Anna, enquanto as portas se abriam para o saguão do hotel, onde os fotógrafos e o mundo as esperavam, sem ter a menor ideia da revolução que acabara de acontecer entre quatro paredes de seda.

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