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Nova visão

Frequências de Desejo Sob a Tempestade

A madrugada em Smallville era um deserto de sons, exceto pelo rugido constante do trovão que ecoava pelas colinas e o chicotear da chuva contra o telhado do celeiro. Clark Kent estava deitado em seu sofá no sótão, os olhos fixos nas vigas de madeira acima de sua cabeça. Ele tentava fechar os olhos, buscava o silêncio mental que costumava usar para filtrar o caos do mundo, mas, pela primeira vez, seus super-sentidos não estavam focados em desastres distantes ou no batimento cardíaco da cidade.

Ele estava sintonizado em uma única frequência: Chloe Sullivan.

Cada vez que fechava os olhos, ele sentia o rastro do perfume dela — algo entre baunilha e o cheiro metálico de tinta de jornal. Ele sentia o eco do calor da pele dela contra a sua no escritório do *Tocha*. A imagem de Lana, que antes ocupava cada fresta de sua mente como uma névoa persistente, havia sido dissipada por uma luz muito mais intensa e real. Clark sentia uma necessidade física, uma urgência que fazia seus músculos retesarem e seu sangue correr mais rápido. Não era apenas o desejo de protegê-la; era uma fome de estar perto, de confirmar que ela era dele e que ele era dela.

Ele se levantou abruptamente, a agitação em seu peito tornando impossível a permanência naquele espaço vazio. Clark não pensou nas consequências ou na hora. Ele apenas se moveu.

Um borrão de azul e vermelho cortou a tempestade. A chuva parecia congelada no tempo enquanto ele cruzava os campos em super-velocidade, os pés mal tocando o solo encharcado. Em segundos, ele estava diante da casa dos Sullivan. Ele olhou para cima, para a janela do segundo andar onde uma luz suave ainda escapava pelas frestas da cortina.

Com a leveza de um fantasma, Clark saltou. Ele pousou silenciosamente no parapeito da janela, cujas dobradiças ele conhecia bem. Ele bateu levemente no vidro, o som quase perdido no estrondo de um trovão próximo.

Lá dentro, Chloe deu um pulo na cama, derrubando o livro que tentava ler para acalmar os nervos. Ela caminhou até a janela, o coração martelando contra as costelas. Quando abriu o vidro, o vento frio e a chuva entraram, mas foram imediatamente bloqueados pela figura imponente de Clark. Ele estava encharcado, a camisa colada ao peito largo, os cabelos escuros grudados na testa, e os olhos... os olhos dele queimavam com uma intensidade que a fez recuar um passo, sem fôlego.

— Clark? O que você está fazendo aqui? São três da manhã! — sussurrou ela, embora sua voz estivesse carregada de uma expectativa trêmula.

Clark entrou no quarto e fechou a janela atrás de si com um movimento assertivo, ignorando a água que escorria de suas roupas para o tapete. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço dela, sua presença preenchendo o quarto pequeno de uma forma avassaladora.

— Eu não conseguia parar de pensar em você — disse ele, a voz rouca, vibrando em uma oitava que Chloe sentiu diretamente em seus ossos. — Eu tentei dormir, Chloe. Eu tentei ser o "bom moço" que espera até o café da manhã, mas eu não consegui. Eu precisava ver você.

Chloe soltou uma risada nervosa, as mãos subindo para o peito dele, sentindo o calor irradiando através do tecido molhado.

— Você é um desastre para a minha rotina de sono, Kent. E para a minha sanidade.

— Eu não quero que você seja sã agora — murmurou ele, aproximando o rosto do dela. — Eu quero que você sinta o que eu estou sentindo.

Ele a puxou pela cintura, trazendo-a para perto com uma força que era, ao mesmo tempo, possessiva e desesperadamente carinhosa. Quando seus lábios se encontraram, o beijo não teve nada da hesitação do passado. Foi um choque de necessidade pura. Clark a beijava com uma fome que parecia querer consumir cada dúvida que ela já teve sobre seu lugar na vida dele. Suas mãos, grandes e fortes, subiram pelas costas de Chloe, sentindo a delicadeza de sua estrutura sob o pijama de seda fina.

Chloe soltou um suspiro entrecortado, as mãos subindo para os cabelos dele, puxando-o para mais perto, se é que isso era possível. O contraste entre o frio da chuva nas roupas dele e o calor vulcânico de seu corpo a deixava tonta.

— Clark... — ela ofegou, afastando-se apenas o suficiente para olhar naqueles olhos azuis que agora pareciam tempestades de desejo. — Você tem certeza? Não há volta depois disso. Não há mais "apenas amigos" ou segredos guardados.

— Eu nunca tive tanta certeza de nada em toda a minha vida — respondeu ele, a voz firme, carregada daquela nova arrogância que vinha da consciência de seu amor por ela. — Eu não quero voltar. Eu quero você. Toda você. Agora.

Ele a levantou do chão como se ela não pesasse nada, levando-a até a cama. O som da chuva batendo no telhado criava uma sinfonia isolada, transformando o quarto em um universo onde apenas os dois existiam. Clark se livrou da camisa molhada com um movimento impaciente, revelando a musculatura poderosa e esculpida que Chloe sempre imaginara, mas que agora, sob a luz fraca do abajur, parecia uma obra de arte viva.

Quando ele se inclinou sobre ela, o peso de seu corpo era uma âncora que Chloe recebia de bom grado. Ele começou a beijar seu pescoço, descendo pela linha da clavícula, seus lábios quentes deixando uma trilha de fogo na pele dela. Chloe arqueou o corpo, os dedos cravando-se nos ombros largos de Clark enquanto uma onda de prazer desconhecido a percorria.

— Você é tão linda, Chloe — sussurrou ele contra a pele dela, sua voz vibrando em seu peito. — Eu fui um idiota por ter demorado tanto para perceber que a única coisa que eu realmente precisava estava bem aqui.

— Shh — disse ela, puxando-o para outro beijo profundo. — Menos conversa de arrependimento, Kent. Mais... disso.

Clark sorriu, um sorriso sexy e confiante que a fez derreter. Ele começou a remover as roupas dela com uma delicadeza que contrastava com a força bruta que ele possuía. Cada centímetro de pele revelado era saudado com beijos e carícias que faziam Chloe estremecer. Ele a tratava como algo precioso, mas havia uma urgência em seus movimentos que revelava o quanto ele a desejava.

Quando estavam ambos nus sob os lençóis, o contato pele a pele foi como uma explosão. Clark sentia cada batida do coração acelerado de Chloe, cada respiração curta. Ele se posicionou entre as pernas dela, seus olhos fixos nos dela, buscando permissão e conexão.

— Chloe... eu não quero te machucar — murmurou ele, a preocupação de sua natureza gentil surgindo por um momento.

— Você não vai — respondeu ela, passando as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para o ponto de não retorno. — Apenas não pare. Eu quero sentir tudo. Eu quero sentir você.

Clark penetrou-a lentamente, um suspiro de satisfação e entrega escapando de seus lábios enquanto ele se unia a ela. Chloe soltou um gemido agudo, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados enquanto sentia a plenitude daquela conexão. Era mais do que físico; era como se as almas deles estivessem finalmente se encaixando após anos de desencontros.

Ele começou a se mover, um ritmo constante e poderoso que refletia a força da tempestade lá fora. Clark era assertivo, guiando-a através das ondas de prazer, suas mãos segurando as dela, os dedos entrelaçados com força. Ele a beijava com paixão, seus corpos movendo-se em uma harmonia perfeita. A cada estocada, o mundo lá fora — Lex, as pedras de meteoro, o peso do destino — desaparecia. Só existia o calor de Chloe, o som de sua respiração e a maneira como ela chamava o nome dele como se fosse uma prece.

O prazer subiu como uma maré incontrolável. Chloe sentia que estava prestes a se despedaçar, sua visão ficando turva enquanto o êxtase a dominava. Clark não estava longe; ele sentia o ápice chegando, uma pressão insuportável que exigia liberação.

— Clark! — ela gritou baixinho, as unhas arranhando as costas dele enquanto o clímax a atingia em ondas avassaladoras.

Ele seguiu logo atrás, um rugido abafado escapando de sua garganta enquanto ele se entregava completamente a ela, despejando todo o seu amor, sua necessidade e sua alma no corpo da mulher que sempre fora sua verdadeira âncora.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de suas respirações pesadas e pelo rítmico cair da chuva. Clark desabou sobre ela, cuidadoso para não colocar todo o seu peso, escondendo o rosto no pescoço de Chloe. Ele sentia o coração dela batendo contra o seu, uma sincronia perfeita que lhe trazia uma paz que ele nunca conhecera.

— Uau — sussurrou Chloe depois de alguns minutos, sua voz ainda trêmula. — Eu acho... eu acho que você definitivamente quebrou o recorde de "melhor primeira vez da história de Smallville".

Clark soltou uma risada baixa e vibrante, beijando o ombro dela.

— Eu disse que podia ser carinhoso se você me desse uma chance.

— Carinhoso é um eufemismo, Kent — ela se virou de lado, olhando para ele com um brilho de adoração e sarcasmo. — Você é uma força da natureza. Literalmente.

Clark acariciou o rosto dela, o polegar traçando o contorno de seus lábios inchados. O olhar de arrogância e necessidade havia dado lugar a uma ternura profunda, o tipo de olhar que Chloe sempre esperara ver direcionado a ela.

— Eu nunca me senti assim — admitiu ele, a voz suave. — Com você, é diferente. Não há medo, não há segredos. É como se eu pudesse finalmente respirar.

— Você sempre teve um talento para o drama, Clark — brincou ela, embora seus olhos estivessem úmidos. — Mas eu aceito o elogio. Só não espere que eu seja fofa o tempo todo amanhã no jornal. Eu tenho uma reputação de editora de ferro a manter.

— Eu não esperaria nada menos da minha Chloe — disse ele, puxando o cobertor sobre eles e trazendo-a para o seu abraço.

Eles ficaram ali, entrelaçados sob o som da tempestade que agora parecia uma canção de ninar. Clark fechou os olhos, mas desta vez o sono veio facilmente. Ele não precisava mais procurar por frequências distantes ou sinais de fumaça. Ele havia encontrado o seu norte. Chloe Sullivan não era apenas a garota que guardava seus segredos; ela era a mulher que guardava o seu coração. E naquela noite, sob a chuva de Smallville, o menino de aço finalmente descobriu que sua maior força não vinha do sol, mas do amor da única pessoa que nunca desistiu dele.