Nova visão
Flashbacks e Flashes de Ciúmes
O ônibus escolar da Smallville High sacolejava pela rodovia interestadual, um contraste metálico e barulhento contra a paisagem bucólica que ficava para trás. Para a maioria dos estudantes, a excursão para a Feira de Profissões em Metrópolis era apenas uma desculpa para matar aula e comer fast-food em uma praça de alimentação gigante. Para Chloe Sullivan, porém, era um retorno ao seu habitat natural.
Ela estava sentada ao lado de Clark, com um bloco de notas no colo e uma caneta presa atrás da orelha. Desde a noite da tempestade, algo havia mudado na química entre eles. Não era apenas o segredo compartilhado de seus poderes, ou a amizade de uma vida inteira; era o peso de cada toque, a eletricidade que disparava sempre que suas mãos se roçavam no banco estreito do ônibus.
— Você está ansiosa — comentou Clark, sua voz baixa e vibrante vibrando perto do ouvido dela. — Consigo ouvir seu coração batendo como se você estivesse prestes a entrevistar o Presidente.
Chloe sorriu, fechando o bloco de notas e virando-se para ele. A luz do sol da manhã entrava pela janela, acentuando o azul profundo dos olhos de Clark. Ele parecia mais relaxado do que nunca, uma confiança nova e sexy emanando dele como um campo de força.
— É Metrópolis, Clark. Onde as notícias acontecem, onde o asfalto tem cheiro de café e ambição. Smallville é adorável, mas o meu destino tem o formato do globo do Planeta Diário.
— Eu sei disso — disse ele, estendendo a mão para cobrir a dela. — E eu vou estar lá na primeira fila quando você ganhar seu primeiro Pulitzer.
Chloe sentiu o rosto esquentar. Clark estava sendo... Clark. Atencioso, assertivo e perigosamente carinhoso. Ela se inclinou para frente, baixando a voz.
— Só tente não usar sua super-visão para espiar os estandes de engenharia aeroespacial, ok? Precisamos manter o disfarce de "estudantes normais e entediados".
— Prometo me comportar — ele brincou, dando um aperto suave em sua mão antes de o ônibus frear diante do suntuoso Centro de Convenções de Metrópolis.
O saguão da feira era um caos organizado. Milhares de estudantes circulavam entre estandes de tecnologia, medicina e comunicação. Chloe sentia-se em casa, seus olhos brilhando enquanto absorvia cada detalhe. Clark caminhava ao lado dela, sua estatura física servindo como um escudo natural contra a multidão. Ele agia com uma possessividade sutil, mantendo um braço quase sempre ao redor dos ombros dela ou uma mão em sua cintura, como se marcasse território em território estrangeiro.
— Chloe? Chloe Sullivan?
Uma voz masculina e entusiasmada cortou o barulho ambiente. Chloe parou bruscamente, fazendo Clark quase trombar nela. Um jovem de aparência energética, usando uma jaqueta de sarja e carregando uma câmera profissional pendurada no pescoço, corria em direção a eles com um sorriso de orelha a orelha.
— Jimmy? — Chloe exclamou, os olhos arregalados de surpresa. — Jimmy Olsen!
O rapaz chegou até eles, ignorando completamente a presença imponente de Clark, e envolveu Chloe em um abraço efusivo.
— Eu não acredito! O que a estrela do jornalismo de Smallville está fazendo na cidade grande? — perguntou Jimmy, afastando-se, mas mantendo as mãos nos ombros dela. — Você não mudou nada. Continua com aquele brilho de "vou derrubar um império antes do almoço".
Chloe riu, genuinamente feliz com o encontro.
— Viemos para a feira de profissões. E você? Ainda limpando as lentes dos fotógrafos veteranos no Planeta Diário?
— Estagiário oficial agora, Sullivan! — Jimmy estufou o peito com orgulho. — Me deixam cobrir eventos menores e até me deram um crachá com foto. O verão que passamos trabalhando juntos no porão do Planeta parece que foi há décadas, não é?
Clark, que observava a cena com uma expressão que rapidamente passava de curiosidade para um descontentamento frio, deu um passo à frente. Ele era uma cabeça mais alto que Jimmy e três vezes mais largo. A aura de "bom moço da fazenda" foi substituída por uma arrogância protetora que Chloe reconheceu instantaneamente.
— Chloe — disse Clark, sua voz soando mais profunda e territorial do que o necessário —, você não vai me apresentar ao seu... amigo?
Chloe percebeu a mudança de temperatura no ambiente. Ela limpou a garganta, sentindo a tensão emanando de Clark como calor de um forno.
— Ah, claro. Jimmy, este é Clark Kent, meu melhor amigo de Smallville. Clark, este é o Jimmy Olsen. Nós trabalhamos juntos quando estagiei no Planeta no verão passado.
Jimmy estendeu a mão, ainda sorrindo, sem perceber o perigo iminente.
— Prazer, Clark! A Chloe falava muito de você. "O garoto da fazenda com o coração de ouro", não era isso, Chloe?
Clark apertou a mão de Jimmy. O fotógrafo soltou um pequeno gemido abafado, seus dedos sendo esmagados pela força controlada de Clark.
— É um prazer — disse Clark, as palavras saindo por entre dentes cerrados. — Eu não sabia que a Chloe tinha feito amizades tão... próximas em Metrópolis.
— Ah, o Jimmy foi o meu guia de sobrevivência na selva de pedra — explicou Chloe, tentando suavizar o clima, embora o ciúme evidente de Clark estivesse secretamente inflando seu ego. — Ele me ensinou onde encontrar o melhor café expresso às três da manhã.
— E você me ensinou como escrever um lead que não fizesse o editor-chefe querer se aposentar — rebateu Jimmy, voltando sua atenção totalmente para Chloe, ignorando o olhar gélido de Clark. — Escuta, Chloe, eu estou em um intervalo agora. Tem um quiosque de café incrível aqui perto que serve uns donuts que você ia adorar. Que tal irmos lá colocar o papo em dia? Só nós dois, como nos velhos tempos?
Clark deu um passo para o lado, bloqueando parcialmente o caminho de Jimmy. A assertividade dele era quase palpável.
— Na verdade, nós temos um cronograma a seguir, Jimmy — disse Clark, sua voz carregada de uma autoridade que não admitia discussões. — A Chloe e eu viemos aqui para ver as palestras de jornalismo investigativo, e elas começam em cinco minutos.
Jimmy piscou, finalmente notando a hostilidade.
— Ah, entendi. Mas é só um café rápido...
— Clark está certo, Jimmy — disse Chloe, embora tenha lançado um olhar divertido para Clark. — Eu realmente não quero perder a palestra do Perry White. Mas podemos trocar contatos?
— Claro! — Jimmy pegou um cartão de visitas amassado do bolso. — Me liga, Sullivan. Sério. Metrópolis sente sua falta. E eu também.
Ele deu uma piscadela para ela, lançou um olhar confuso para o "segurança" gigante ao lado dela e se afastou na multidão.
Assim que Jimmy sumiu de vista, Clark soltou um suspiro pesado, cruzando os braços sobre o peito.
— "Jimmy"? — ele repetiu, o tom de voz transbordando sarcasmo. — Ele parece um personagem de desenho animado. E o que foi aquilo de "Metrópolis sente sua falta"?
Chloe começou a caminhar em direção ao auditório, um sorriso convencido brincando nos lábios.
— Clark Kent, você está com ciúmes?
— Eu não estou com ciúmes — rebateu ele, caminhando rápido para alcançá-la. — Eu só achei ele... intrometido. E muito "tocado". Ele não parava de encostar em você.
— Ele é um amigo, Clark. E ele é gentil. No verão passado, quando eu estava me sentindo sozinha e deslocada na cidade, o Jimmy foi a única pessoa que me fez rir.
Clark parou, segurando o braço dela e girando-a para encará-lo. Eles estavam em um corredor lateral, longe do fluxo principal de estudantes. A expressão dele amoleceu, mas a intensidade arrogante ainda estava lá.
— Eu não gosto da ideia de outra pessoa ocupando o meu lugar, Chloe. Mesmo que tenha sido por um verão. Especialmente um cara que usa uma câmera como se fosse um escudo e te chama para tomar café na minha frente.
— O seu lugar? — perguntou ela, aproximando-se, o tom de voz tornando-se baixo e desafiador. — E qual seria exatamente o seu lugar, Clark? Porque, até onde eu me lembro, você passou os últimos anos ocupado demais olhando para as cercas da fazenda vizinha para notar quem estava em Metrópolis.
Clark travou a mandíbula. Ele sabia que ela tinha razão, e isso o irritava ainda mais. Ele a puxou para mais perto, suas mãos encontrando a cintura dela com uma possessividade que a deixou sem fôlego.
— O meu lugar é exatamente onde eu estou agora — disse ele, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente sexy. — Perto de você. E eu não tenho a menor intenção de deixar nenhum estagiário de jornal com uma câmera pendurada no pescoço mudar isso.
— Você está sendo muito arrogante, Kent — sussurrou Chloe, seus dedos brincando com a gola da camisa dele.
— Eu sou forte o suficiente para manter o que é meu — respondeu ele, inclinando-se até que seus narizes se tocassem. — E você é minha, Chloe. Não importa quantos Jimmys apareçam no caminho.
Ele a beijou ali mesmo, um beijo assertivo e exigente que serviu como uma declaração de posse. Chloe retribuiu com a mesma intensidade, sentindo o calor de Clark envolvê-la, protegendo-a do resto do mundo. Quando se separaram, ela estava levemente descabelada e com os olhos brilhando.
— Tudo bem, Superman — provocou ela, recuperando o fôlego. — Você marcou seu território. Mas ainda temos uma palestra para assistir.
— Eu vou — disse ele, voltando ao seu modo protetor —, mas se eu ouvir aquele cara gritar seu nome de novo, eu não respondo por mim.
Eles entraram no auditório e se sentaram nas últimas fileiras. Durante toda a palestra de Perry White, Clark manteve o braço firmemente ao redor de Chloe, seus olhos azuis patrulhando a sala como se esperassem que Jimmy Olsen pulasse de trás de uma cortina a qualquer momento.
Chloe, por sua vez, mal conseguia se concentrar no que o lendário editor estava dizendo. Ela estava ocupada demais saboreando a sensação de ser o centro absoluto do universo de Clark. Pela primeira vez, ela não era a alternativa; ela era a prioridade. E se fosse necessário um estagiário de Metrópolis para fazer Clark mostrar suas garras, ela estava perfeitamente bem com isso.
Na saída, enquanto caminhavam de volta para o ônibus, Chloe sentiu o celular vibrar no bolso. Era uma mensagem de Jimmy: *"Café amanhã antes de você partir? Prometo não morder (ao contrário do seu guarda-costas)."*
Ela olhou para Clark, que estava distraído observando o movimento da rua com sua audição aguçada, e guardou o celular sem responder.
— Algum problema? — perguntou Clark, notando o movimento dela.
— Nenhum — respondeu ela, entrelaçando seus dedos nos dele. — Só percebi que o café de Metrópolis não é tão bom quanto eu lembrava. Eu prefiro o de Smallville.
Clark sorriu, um sorriso vitorioso e carinhoso que iluminou seu rosto.
— Boa escolha, Sullivan.
Enquanto o ônibus deixava os arranha-céus de Metrópolis para trás, Chloe encostou a cabeça no ombro de Clark. Ela sabia que os desafios estavam longe de terminar — Lex, os segredos de Clark, as ameaças da LuthorCorp —, mas naquele momento, sob o céu alaranjado do fim de tarde, nada disso importava. Clark Kent havia finalmente parado de olhar para o lado e começado a olhar para frente. E o que ele via, claramente, era ela.
O ciúme de Clark era apenas mais uma prova de que a dinâmica havia mudado para sempre. Ele não era mais apenas o herói relutante; ele era um homem apaixonado, assertivo e, sim, um pouco arrogante quando se tratava de proteger o que amava. E Chloe Sullivan estava mais do que pronta para ser a manchete principal daquela nova e emocionante história.