Nunca desconfie de mim
Soberania e Sedução
O motor do Aston Martin de Oscar ronronava baixo enquanto eles deslizavam pelas ruas ensolaradas de Mônaco. O silêncio dentro do carro não era mais tenso, mas Lily ainda mantinha o queixo levemente erguido, uma postura de dignidade ferida que Oscar conhecia bem. Ele sabia que, embora a demissão da secretária tivesse sido um gesto necessário, o impacto emocional de ter sua posição questionada ainda ecoava nela.
Oscar estendeu a mão direita, tirando-a do câmbio por um momento, e buscou a mão de Lily. Ele a trouxe até os lábios, beijando as pontas dos dedos dela com uma reverência silenciosa.
— Eu reservei o Le Louis XV — disse ele, a voz baixa e aveludada. — O terraço privado. Apenas nós, a brisa do mar e o seu prato favorito.
Lily olhou de soslaio para ele. O perfil de Oscar era impecável; a mandíbula forte, o olhar concentrado na estrada, mas a suavidade com que ele segurava sua mão revelava o homem que só ela conhecia.
— Você está tentando me comprar com comida, Sr. Piastri? — perguntou ela, embora o tom manhoso denunciasse que ela já estava cedendo.
— Estou tentando compensar o fato de que meu mundo profissional ousou ser hostil com a mulher que é o meu mundo pessoal — respondeu ele, estacionando o carro com a precisão que lhe era característica.
Ao chegarem ao restaurante, o serviço foi, como esperado, invisível e impecável. Eles foram conduzidos por uma entrada lateral, longe dos olhares curiosos dos turistas, até uma varanda suspensa sobre o Mediterrâneo. A mesa estava posta com linho branco e cristais que refletiam o azul do mar.
Oscar, sem esperar pelo garçom, caminhou até Lily e puxou a cadeira para ela. Ele não apenas a acomodou, mas inclinou-se, deixando que seus lábios roçassem a curva do pescoço dela antes de se sentar.
— O menu hoje é por minha conta — disse ele, fazendo um sinal para o sommelier. — Um Château d'Yquem para começar? Eu sei que você prefere as notas mais doces quando está... reflexiva.
— Você se lembra — comentou ela, abrindo um sorriso pequeno.
— Eu me lembro de cada detalhe, Lily. Lembro que você odeia o cheiro de coentro, que prefere o bife à parmegiana com o queijo levemente tostado e que, se houver um único pedaço de camarão ou lagosta na mesa, teremos que correr para o hospital. Acha mesmo que eu deixaria algo acontecer com você?
O garçom trouxe o prato principal exatamente como ela gostava. O aroma do molho de tomate fresco e do manjericão preencheu o ar. Oscar observava-a comer com uma satisfação silenciosa, quase esquecendo seu próprio prato. Para um homem que muitas vezes esquecia de almoçar devido à carga de trabalho, ver Lily desfrutar da refeição era o seu próprio tipo de sustento.
— Você não vai comer, Oscar? — perguntou ela, apontando para o prato dele.
— Ver você feliz me tira a fome — brincou ele, mas logo começou a comer, sabendo que ela insistiria.
Entre garfadas e goles de vinho, o clima suavizou. Oscar falava sobre planos para as próximas férias, sobre a ilha que pretendiam visitar, evitando qualquer assunto que envolvesse planilhas ou secretárias incompetentes. Ele era um mestre em focar toda a sua atenção nela, fazendo Lily se sentir a única pessoa existente em Mônaco.
Após o almoço, Oscar não a levou de volta para casa. Ele dirigiu até o shopping privado da cidade, um complexo de luxo onde as portas se abriam apenas para membros da elite global.
— Oscar, eu tenho closets cheios — protestou ela, embora seus olhos já estivessem brilhando ao ver as vitrines da Dior e da Prada.
— Hoje não é sobre necessidade, Lily. É sobre o prazer de ver você escolher algo que a faça se sentir tão poderosa quanto você realmente é.
Eles caminharam de mãos dadas pelos corredores de mármore polido. Oscar era o epítome do marido atencioso. Ele não ficava parado olhando para o celular; ele entrava nas lojas com ela, opinava sobre as cores, segurava as sacolas que os assistentes tentavam carregar e, acima de tudo, mantinha-se fisicamente próximo.
Dentro de uma boutique de joias exclusiva, onde o acesso era feito apenas por reconhecimento facial, Oscar pediu que mostrassem uma coleção de safiras que combinavam com os olhos dela.
— Esta — disse ele, apontando para uma pulseira delicada de platina e pedras azuis. Ele a pegou e a prendeu no pulso de Lily. — Para que, toda vez que você olhar para a sua mão, lembre-se de que ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de diminuir o seu brilho.
Lily sentiu o coração derreter. Ela se inclinou e beijou o canto da boca dele.
— Você é impossível, Oscar Piastri.
— Sou apenas um homem que sabe onde reside sua verdadeira fortuna — respondeu ele, envolvendo-a em um abraço por trás enquanto olhavam o reflexo no espelho da loja.
O shopping estava vazio de outros clientes, permitindo-lhes uma liberdade rara. Nos provadores amplos e luxuosos de uma loja de alta-costura, Oscar seguiu Lily para dentro da cabine privativa — um espaço maior que muitos apartamentos, decorado com sofás de seda.
Assim que a porta pesada se fechou, a fachada pública de CEO sério caiu completamente. Oscar a puxou para seus braços com uma urgência que ele vinha contendo desde o incidente na empresa. Suas mãos grandes espalmaram-se nas costas dela, puxando-a para o calor de seu corpo.
— Eu odiei ver você triste hoje — sussurrou ele contra os lábios dela. — Aquela mulher... a audácia de sugerir qualquer coisa que não fosse a minha total devoção a você...
— Shhh — interrompeu Lily, passando os braços pelo pescoço dele e enterrando os dedos nos cabelos castanhos claros. — Você já resolveu isso. Você veio me buscar. Você provou o que precisava.
Oscar não respondeu com palavras. Ele a beijou com uma paixão profunda, um beijo que carregava um pedido de desculpas e uma promessa. Suas costas largas bloqueavam a luz do ambiente, criando um casulo de intimidade. Ali, entre cabides de vestidos que custavam pequenas fortunas, ele era apenas o homem que a amava, e ela era a sua âncora.
— Vamos para casa? — perguntou ele, a voz rouca, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela.
— Pensei que íamos ao iate — disse ela, com um sorriso travesso.
— O iate pode esperar por amanhã. Hoje, eu só quero você na nossa cama, sem interrupções, sem telefones, sem o mundo exterior.
Lily assentiu, sentindo a última fagulha de mágoa desaparecer. Oscar a conduziu para fora da loja, pagando por tudo com um gesto distraído, sua mente já longe dali.
Enquanto caminhavam de volta para o carro, Oscar parou por um momento para ajustar o casaco dela, protegendo-a da brisa que começava a esfriar. Ele a olhou com uma seriedade sexy, aquela expressão que misturava autoridade e desejo.
— Lily — disse ele, segurando a mão dela com firmeza. — Nunca duvide do seu lugar. Você não é apenas minha esposa. Você é a razão pela qual eu construí tudo isso. Se eu tivesse que escolher entre aquela empresa e você, eu queimaria o prédio hoje mesmo sem pensar duas vezes.
Lily sorriu, sentindo-se plenamente amada.
— Eu sei, Oscar. Mas por favor, não queime o prédio. Eu gosto dos dividendos.
Ele riu, um som raro e genuíno que iluminou seu rosto jovem. Ele a ajudou a entrar no carro, fechando a porta com cuidado antes de dar a volta e assumir o volante.
Enquanto o Aston Martin subia as colinas em direção à cobertura, Lily olhou para a pulseira de safiras em seu pulso. Ela sabia que a vida com um homem como Oscar Piastri sempre teria seus desafios — a agenda lotada, as secretárias ambiciosas, a pressão do sucesso. Mas, enquanto ele continuasse a olhar para ela daquela maneira, como se ela fosse o único oxigênio disponível em uma sala lotada, ela sabia que eles estavam seguros.
O império Piastri era vasto, mas o coração do CEO pertencia a uma única mulher. E, naquela noite, Oscar faria questão de lembrá-la disso em cada toque, em cada beijo e no silêncio cúmplice que só os grandes amores conseguem sustentar.