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Nunca desconfie de mim

O Reflexo do Amor no Olhar do Mundo

A luz da manhã em Mônaco tinha uma tonalidade dourada única, filtrando-se pelas janelas do chão ao teto e criando padrões de luz sobre os lençóis de seda. Lily despertou com o lado esquerdo da cama já frio, um sinal de que o relógio biológico de Oscar, programado para a eficiência e o sucesso, já o havia arrastado para o escritório da Piastri Corp. antes mesmo das sete da manhã. No entanto, o cheiro dele — uma mistura sutil de sândalo, café e o perfume cítrico caro que ele usava — ainda pairava no travesseiro ao lado.

Ela se espreguiçou, sentindo cada músculo do corpo relaxado após a noite anterior. Oscar podia ser um CEO implacável e sério para o mundo exterior, mas com ela, ele era uma força da natureza, uma mistura de proteção feroz e ternura absoluta. Ele deixara um bilhete escrito à mão sobre a mesa de cabeceira: *"Bom dia, meu amor. Tive que sair para uma conferência com Tóquio, mas meu coração ficou aí com você. Nos vemos à noite. Te amo, O."*

Lily sorriu, sentindo aquele calor familiar no peito. Ela se levantou e seguiu para o closet monumental. Hoje era um dia importante. Não era um dia de ser a "esposa do CEO" em eventos corporativos, mas de ser a Lily que ela mais gostava: a fundadora da *Zneimer-Piastri Foundation*, sua instituição de caridade dedicada ao apoio de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Após um banho demorado, ela escolheu um conjunto de alfaiataria em tom pastel, elegante o suficiente para sua posição, mas confortável para passar o dia circulando entre as salas de aula e o refeitório da fundação. Maquiou-se de forma leve, realçando a doçura de seus traços, e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo polido. Ela estava pronta.

Ao chegar à sede da fundação, um prédio moderno e acolhedor nos arredores de Nice, Lily foi recebida pelo som de risadas e o movimento frenético de jovens. A Sra. Agathe já havia enviado a equipe de buffet com os canapés e o almoço especial que haviam planejado. Lily passou a manhã inteira envolvida; ela não era o tipo de patrona que apenas assinava cheques. Ela sentava no chão com as crianças, ouvia os problemas dos adolescentes e discutia projetos de arte com os instrutores.

Por volta das duas da tarde, durante um intervalo no pátio interno, um grupo de adolescentes — meninas entre 14 e 16 anos que participavam do programa de mentoria — cercou Lily. Elas a admiravam não apenas pela sua generosidade, mas pela aura de serenidade que ela emanava.

— Sra. Piastri, a senhora viu os novos pincéis que chegaram para a aula de artes? — perguntou Sofia, uma menina talentosa de olhos curiosos.

— Vi sim, Sofia! São os melhores do mercado. Quero ver o que você vai criar com eles — respondeu Lily, sorrindo gentilmente.

Nesse momento, o iPhone 18 Pro Max de Lily, que estava sobre a mesa de madeira, vibrou com uma notificação. A tela se acendeu, revelando a imagem de fundo que ela mantinha há meses. Foi inevitável. As meninas, com a visão aguçada da juventude, inclinaram-se para ver.

— Meu Deus! — exclamou Maya, uma das adolescentes, levando a mão à boca. — Sra. Piastri, essa foto é... é perfeita!

Lily pegou o aparelho, sentindo um leve rubor subir às bochechas ao olhar para a imagem. Era uma foto tirada no espelho do banheiro principal da cobertura deles. O ambiente ao fundo exalava luxo, com mármore Carrara e acessórios em ouro escovado, mas o foco era o casal. Oscar estava atrás dela, com seus ombros enormes ocupando quase todo o enquadramento, os braços musculosos envolvendo a cintura de Lily de forma possessiva e protetora. Ele estava com o rosto enterrado no cabelo dela, beijando o topo de sua cabeça, enquanto Lily segurava o celular, sorrindo com uma expressão de pura paz. Oscar parecia tão relaxado, tão vulnerável e entregue àquele momento privado que era difícil reconhecê-lo como o homem sério das revistas de economia.

— Ele parece um príncipe de filme — comentou outra menina, encantada. — Olha o jeito que ele segura a senhora. Parece que tem medo que a senhora suma.

— Ele é o Sr. Piastri, né? — perguntou um dos meninos que se aproximou da rodinha. — O cara que é dono daquelas naves espaciais que chamam de carros e de metade dos prédios da costa?

Lily soltou uma risadinha, bloqueando o celular, mas o brilho nos olhos não desapareceu.

— Sim, é ele — disse Lily suavemente. — Mas, para mim, ele é apenas o Oscar.

— Ele é sempre assim carinhoso? — Maya perguntou, com um suspiro romântico. — Na televisão ele parece tão bravo, tão sério. O rosto dele dá até um pouco de medo quando ele está dando entrevistas.

— O Oscar é uma pessoa muito reservada — explicou Lily, sentando-se no banco com eles. — Ele leva o trabalho muito a sério porque sabe que milhares de famílias dependem da empresa. Mas, quando ele chega em casa... bem, ele é o homem mais doce que eu conheço. Ele cuida de mim, ele ouve cada detalhe do meu dia. Ele é meu melhor amigo.

— Dá para ver na foto — insistiu Sofia. — O jeito que ele abraça a senhora por trás... é como se ele estivesse dizendo que o mundo pode estar caindo lá fora, mas ali dentro está tudo bem.

Lily sentiu o coração apertar de saudade. A percepção daquelas crianças era tão pura e tão correta que a emocionava. Oscar realmente era o seu porto seguro, e a foto capturava exatamente essa essência: a força dele servindo de escudo para a doçura dela.

— É verdade — disse Lily —. O amor é assim, sabe? Não é sobre o dinheiro ou as casas bonitas que aparecem no fundo da foto. É sobre ter alguém que te abraça e faz você se sentir a pessoa mais importante do universo, mesmo quando você está descabelada ou teve um dia difícil.

— A senhora nunca fica descabelada, Sra. Piastri! — brincou Maya, fazendo todos rirem.

— Ah, vocês ficariam surpresos! — Lily riu junto. — Mas o ponto é: procurem alguém que olhe para vocês como se vocês fossem o maior tesouro do mundo. Não aceitem menos que isso.

A conversa continuou por um tempo, com os jovens fazendo perguntas sobre como eles se conheceram e como era a rotina do casal. Lily respondia com paciência, usando sua própria história para inspirar aquelas meninas a buscarem relacionamentos baseados no respeito e na admiração mútua.

Enquanto isso, a quilômetros dali, no centro nervoso da Piastri Corp., Oscar estava em sua sala, cercado por diretores e telas de dados em tempo real. Ele estava impecável, o rosto sério, a postura de comando inabalável. No entanto, durante um breve intervalo entre as apresentações, ele pegou seu próprio celular.

Sua tela de bloqueio era uma foto de Lily, distraída, sentada no jardim da fundação no mês anterior, com o sol iluminando seu rosto enquanto ela lia para uma criança.

Ele sentiu um leve sorriso repuxar o canto de seus lábios. A seriedade de sua expressão suavizou-se por um breve segundo, o suficiente para que seu vice-presidente notasse e trocasse um olhar cúmplice com o diretor financeiro. Todos sabiam: Lily era o ponto fraco e a maior força de Oscar Piastri.

Oscar rapidamente digitou uma mensagem: *"Como está o dia na fundação? As crianças gostaram do almoço? Estou contando as horas para te ver. O."*

Na fundação, o celular de Lily vibrou novamente. Ela leu a mensagem e as meninas, que ainda estavam por perto, notaram o sorriso radiante que iluminou o rosto dela.

— É ele, não é? — perguntou Sofia, sorrindo.

— É ele — confirmou Lily, os dedos voando pelo teclado. — Ele está perguntando se vocês gostaram do almoço.

— Diz para ele que estava tudo maravilhoso! — gritou um dos meninos ao fundo. — E diz que ele é um cara de sorte por ter a senhora!

Lily riu e digitou: *"Eles amaram tudo. E um deles disse que você é um cara de sorte. Eu concordo, mas acho que a sortuda sou eu. Termine logo aí. Te amo."*

Ela guardou o celular e voltou sua atenção para as atividades, mas a energia do lugar parecia ter mudado. Aquela foto, aquele pequeno vislumbre da intimidade do "casal de ouro" de Mônaco, humanizara o mito. Para aqueles jovens, Lily e Oscar não eram apenas bilionários em um pedestal; eram duas pessoas que se amavam profundamente e que, apesar de todo o poder, encontravam tempo para um abraço no espelho do banheiro e para cuidar um do outro.

O dia na fundação terminou com um sentimento de realização. Lily se despediu de cada um, recebendo abraços apertados e promessas de dedicação aos estudos. Ao caminhar em direção ao seu carro, ela se sentia revigorada. O trabalho social era sua paixão, mas o amor de Oscar era o combustível que a permitia se doar tanto aos outros.

Ao entrar no veículo, ela olhou mais uma vez para a foto no celular. O reflexo no espelho mostrava um homem poderoso rendido ao amor de uma mulher gentil. E Lily sabia que, não importa o que acontecesse no mundo corporativo ou quais desafios surgissem, enquanto aquele abraço fosse seu refúgio, ela teria tudo o que precisava.

Ela deu a partida no carro, ansiosa para voltar para casa. Sabia que, em algum momento daquela noite, Oscar a encontraria, talvez na cozinha ou na varanda, e a abraçaria exatamente daquela forma — por trás, escondendo o rosto em seu pescoço, deixando o mundo lá fora desaparecer enquanto o império deles se resumia apenas ao pulsar de dois corações que batiam como um só.

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