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Nunca desconfie de mim

O Santuário de Vidro e o Fogo da Intimidade

A cobertura triplex dos Piastri parecia flutuar sobre as luzes de Mônaco. O som abafado das ondas do Mediterrâneo batendo nos iates de luxo lá embaixo era apenas um murmúrio distante, incapaz de romper a bolha de serenidade que envolvia o lar de Oscar e Lily. O dia havia sido longo, carregado de tensões corporativas e compromissos filantrópicos, mas no momento em que a porta blindada se fechou atrás deles, o mundo exterior deixou de existir.

Oscar jogou o paletó de alfaiataria sobre uma das poltronas de design italiano, desfazendo o nó da gravata com uma impaciência que Lily achava fascinante. Ele não era mais o CEO cujo olhar gélido fazia diretores tremerem; ele era apenas o homem que a observava com uma fome silenciosa e adoradora.

— Chega de caviar e jantares de gala por hoje — disse Oscar, sua voz ecoando grave no salão de pé-direito duplo. — Se eu tiver que ver mais uma lagosta thermidor, acho que vou pedir demissão da minha própria empresa.

Lily riu, jogando as chaves na mesa de centro e chutando seus sapatos de salto alto.

— Eu concordo plenamente. O que você sugere, Sr. Piastri? O chef já foi dispensado.

— Eu sugiro o maior pecado culinário que pudermos encontrar na nossa despensa — ele respondeu, aproximando-se dela e passando os braços pela sua cintura, puxando-a para o calor de seu peito. — Pizza congelada e sorvete?

— Você é um bilionário com gostos de estudante universitário, sabia? — Lily brincou, passando as mãos pelos ombros largos dele, sentindo a tensão muscular acumulada pelo dia.

— Sou um homem prático, Lily. E agora, a minha única prática é querer você e comida que não precise de três talheres diferentes para ser consumida.

Eles se mudaram para a cozinha gourmet, um espaço de aço inoxidável e mármore negro que raramente via tamanha informalidade. Enquanto a pizza assava no forno de última geração, eles dividiram um pacote de salgadinhos, sentados no balcão como dois adolescentes fugindo da supervisão dos pais. Oscar, apesar da aparência sempre impecável, estava com a camisa branca entreaberta e as mangas dobradas, revelando os antebraços fortes.

— Sabe, a Sra. Agathe vai ter um enfarto se vir essas migalhas no balcão amanhã — comentou Lily, levando um salgadinho à boca.

Oscar não respondeu com palavras. Ele apenas a observou, um sorriso de canto surgindo em seu rosto sexy. Antes que ela pudesse reagir, ele se inclinou e roubou o salgadinho da mão dela, mas não parou por aí. Ele a puxou para mais perto, beijando o canto de sua boca para limpar o farelo com uma lentidão provocante.

— Deixe a Agathe — sussurrou ele contra os lábios dela. — Eu pago o bônus de limpeza. Agora, foque em mim.

Depois de comerem de forma caótica e deliciosa no tapete da sala de estar, cercados por almofadas de veludo, o clima mudou. A iluminação automática da casa diminuiu para um tom âmbar, refletindo-se nas janelas que mostravam o horizonte de Mônaco. Lily se acomodou entre as pernas de Oscar no sofá imenso, sentindo as costas enormes dele servindo de apoio para ela.

— Oscar, fica parado — pediu ela, pegando o celular. — A luz está perfeita no seu rosto.

— Lily, você sabe que eu odeio fotos — resmungou ele, embora não tenha se movido um milímetro.

— Você odeia fotos para a *Forbes*. Mas eu amo fotos suas para o meu arquivo secreto — ela rebateu, focando a câmera.

Ela tirou várias. Oscar distraído, olhando para o horizonte; Oscar sorrindo para ela com aquele olhar que só ela recebia; e uma dele segurando a taça de vinho, onde a veia de seu braço saltava de um jeito que Lily sabia que a deixaria sem fôlego mais tarde.

— Deixe-me ver isso — disse ele, pegando o celular da mão dela.

Ele rolou as fotos, vendo a si mesmo através dos olhos da esposa. Havia uma intimidade ali que nenhuma lente profissional conseguiria capturar. Ele parou em uma foto onde Lily aparecia no reflexo de uma taça, sorrindo para ele.

— Você é linda, Lily. Às vezes eu esqueço como respira quando você me olha assim.

— E você é muito convencido para o seu próprio bem — ela respondeu, beijando a mandíbula dele.

Oscar bloqueou o celular e o jogou no outro canto do sofá. Ele a puxou para cima de seu colo, fazendo com que Lily ficasse sentada a cavalo sobre ele. A atmosfera, que antes era de descontração, tornou-se densa, carregada de uma eletricidade que sempre existia entre os dois, mas que a privacidade da noite amplificava.

— O dia foi difícil na empresa, não foi? — perguntou ela, acariciando os cabelos castanhos claros dele.

— Foi um circo. Mas a única parte que realmente me irritou foi saber que você foi desrespeitada por aquela mulher. Eu ainda sinto o sangue ferver só de pensar.

— Oscar, já passou. Você a demitiu. Você me protegeu.

— Eu sempre vou te proteger, Lily. Mas eu também gosto de te lembrar a quem você pertence — disse ele, a voz baixando para um tom perigosamente rouco.

Ele deslizou as mãos pelas costas dela, descendo até a curva de seus quadris. Com um movimento rápido e firme, Oscar deu um tapa sonoro na bunda dela, fazendo Lily soltar um pequeno exclamação de surpresa que logo se transformou em um suspiro.

— Oscar! — ela exclamou, embora seus olhos brilhassem com o desafio.

— O quê? — ele perguntou, com um sorriso puramente safado. — Eu sou o CEO, lembra? Eu tomo as decisões nesta casa. E a minha decisão agora é que você está vestida demais.

— Ah, é? E o que o grande executivo pretende fazer a respeito? — Lily provocou, rebolando levemente contra ele, sentindo a reação imediata do corpo de Oscar.

Oscar soltou um rosnado baixo, a mão subindo para a nuca dela, puxando-a para um beijo profundo e possessivo. Era um beijo que falava de propriedade, de saudade e de um desejo que os anos de casamento só haviam fortalecido. Ele a explorava com a língua como se estivesse mapeando um território que era seu por direito.

— Eu pretendo te levar para aquele quarto — sussurrou ele entre os beijos —, e te mostrar exatamente o que acontece quando alguém tenta se meter entre mim e a minha esposa. Eu vou ser muito pouco "humilde e discreto" com você nas próximas horas, Lily.

— Promessas, promessas... — ela provocou, mordendo o lábio inferior dele.

— Não são promessas, amor. São metas trimestrais — ele disse, soltando uma risada curta e sexy antes de se levantar com ela ainda em seus braços, como se o peso dela fosse nada para seus braços treinados.

Enquanto ele a carregava em direção à suíte master, Lily encostou a cabeça no ombro dele, sentindo-se a mulher mais sortuda do mundo. Oscar Piastri podia ter o mundo aos seus pés, bilhões em suas contas e o respeito da elite global, mas ali, naquele corredor iluminado pela lua, ele era apenas o homem que a amava com uma intensidade selvagem.

— Oscar? — chamou ela suavemente.

— Sim? — ele respondeu, parando na porta do quarto.

— Não esqueça de desligar o celular. Não quero nenhuma "conexão" com o mundo lá fora esta noite.

Oscar sorriu, um brilho predatório nos olhos claros.

— O mundo lá fora não existe, Lily. Só existe isso aqui.

Ele entrou no quarto e chutou a porta, fechando-a para o resto do universo. Ali, no santuário que construíram, o poder não era medido em ações ou contratos, mas na entrega total de dois corações que, apesar de toda a riqueza, haviam descoberto que o maior tesouro era, e sempre seria, o amor que compartilhavam entre quatro paredes.

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