Nunca desconfie de mim
O Eco do Desejo e a Promessa de Ibiza
O sol de Mônaco mal havia começado a beijar a linha do horizonte quando Oscar se levantou. Ele se moveu com a precisão silenciosa de um predador, evitando acordar Lily, que dormia profundamente entre os lençóis de linho amassados. Ele parou por um momento na beira da cama, observando a curva do ombro dela e a serenidade de seu rosto. Mesmo após a noite intensa de reconciliação, o desejo por ela era uma chama constante, nunca totalmente saciada. Ele vestiu um terno cinza sob medida, ajustou o relógio de platina e, após um beijo casto na testa da esposa, partiu para a Piastri Corp. O mundo dos negócios não esperava, mesmo por um homem apaixonado.
Lily acordou duas horas depois, sentindo o espaço vazio ao seu lado. Ela sorriu, lembrando-se das promessas sussurradas ao pé do ouvido na madrugada. Espreguiçou-se, sentindo-se revigorada, e puxou o iPad para a cama. Hoje, sua missão era pessoal: planejar a viagem de celebração de quatro anos da lua de mel.
— Ibiza — murmurou ela para o quarto vazio. — Desta vez, nada de reuniões, Oscar. Apenas nós e o mar.
Ela passou a manhã navegando por vilas exclusivas que ofereciam privacidade absoluta. Lily não buscava as festas barulhentas da ilha, mas sim o isolamento luxuoso de uma propriedade em Es Vedrà, onde o pôr do sol parecia uma pintura particular. Enquanto confirmava a reserva do iate que os levaria para as calas escondidas de Formentera, um anúncio de uma boutique íntima de Paris surgiu em sua tela.
Lily mordeu o lábio inferior, uma ideia travessa tomando forma. Amanhã era o aniversário da lua de mel, mas por que esperar?
Ela se levantou e foi até o seu closet monumental. No fundo, em uma caixa de veludo que havia chegado recentemente, repousava uma peça de lingerie que era pura audácia: renda francesa negra, fios de seda que mal cobriam o necessário e um design que gritava sofisticação e pecado.
Vinte minutos depois, Lily estava diante do espelho de corpo inteiro. A peça abraçava suas curvas de uma forma que a fazia se sentir poderosa. Ela pegou o celular, ajustou a iluminação do closet para um tom mais quente e tirou uma foto. Não era uma foto vulgar; era artística, focada no contraste da renda contra sua pele clara e no reflexo de seu sorriso malicioso no espelho.
Ela anexou a imagem a uma mensagem e enviou para o contato salvo como "Meu Rei".
***
Na sede da Piastri Corp., o ar estava pesado com a tensão de uma fusão bilionária. Oscar estava sentado à cabeceira da mesa de conferências, cercado por advogados e analistas. Seu rosto era uma máscara de seriedade inabalável enquanto ele analisava as projeções financeiras na tela gigante.
— Sr. Piastri, se não fecharmos o acordo até as dezesseis horas, os acionistas de Cingapura podem recuar — disse um dos diretores, suando frio sob o olhar penetrante de Oscar.
Oscar ia responder quando seu celular, estrategicamente colocado sobre a mesa, vibrou. Ele normalmente ignorava notificações durante reuniões de alto nível, mas o padrão de vibração era o de Lily. O único que ele nunca ignorava.
Ele pegou o aparelho, pretendendo apenas ler rapidamente, mas quando a imagem carregou, seus dedos travaram. A respiração de Oscar falhou por um milésimo de segundo. A imagem de Lily naquela lingerie negra foi como um choque elétrico atravessando sua espinha. Ele sentiu o sangue ferver instantaneamente, uma reação física que ele lutou para esconder dos homens à sua frente.
— Sr. Piastri? Algum problema com os dados? — perguntou o advogado, notando que o CEO havia ficado subitamente imóvel.
Oscar bloqueou a tela com um movimento seco e colocou o telefone com a face para baixo. Ele limpou a garganta, sua voz saindo um tom mais grave e rouco do que o normal.
— Continuem. Tenho cinco minutos. Resolvam a cláusula de contingência agora ou a reunião acaba.
Enquanto os homens discutiam freneticamente, Oscar pegou o celular por baixo da mesa. Seus dedos voaram pelo teclado.
— "Você tem noção do que acabou de fazer com a minha concentração?" — ele escreveu. — "Estou em uma reunião com doze pessoas e a única coisa que consigo pensar agora é em como vou rasgar essa renda com as mãos assim que chegar em casa."
Lily, deitada em sua cama em Mônaco, sentiu um frio na barriga ao ler a resposta. Ela riu, sentindo-se vitoriosa.
— "Pensei que o grande Oscar Piastri fosse mestre em autocontrole" — ela respondeu, digitando com rapidez. — "Ibiza está reservada. Mas se você continuar sendo um CEO tão ocupado, talvez eu tenha que testar essa lingerie com o capitão do iate..."
A resposta dele veio em menos de dez segundos.
— "Nem brinque com isso, Lily. O capitão seria jogado ao mar antes de chegar perto de você. E quanto ao meu autocontrole... você o destruiu no momento em que enviou aquela foto. Considere-se avisada: amanhã celebramos quatro anos, mas hoje à noite, eu vou te lembrar exatamente por que você é minha esposa."
Lily sentiu o calor subir pelo seu pescoço. Ela adorava esse lado de Oscar — o homem que, apesar de toda a polidez, possuía uma possessividade ardente que só ela conseguia despertar.
— "Estou contando os minutos, Sr. Piastri. Traga vinho. E talvez sua paciência, porque pretendo te deixar esperando um pouco mais."
Oscar leu a mensagem e soltou um suspiro pesado, fechando os olhos por um breve momento para recuperar a compostura. Ele olhou para os diretores na sala, que agora o observavam com expectativa.
— O acordo está fechado — declarou Oscar, levantando-se bruscamente. — Assinem os papéis. Mandem para o meu e-mail. Estou saindo.
— Mas, Sr. Piastri, ainda faltam os detalhes da logística na Ásia... — protestou o vice-presidente.
Oscar vestiu o paletó, ajustando os ombros com uma elegância predatória.
— A logística pode esperar até amanhã. Hoje eu tenho um compromisso inadiável com a mulher que manda nesta empresa mais do que eu.
Ele saiu da sala de reuniões com passos largos, deixando para trás um rastro de confusão e admiração. No elevador, ele enviou uma última mensagem para Lily.
— "Estou no carro. Dez minutos. Fique exatamente como você está na foto. Se você estiver usando um milímetro de roupa a mais quando eu entrar naquele quarto, teremos um problema sério."
Lily largou o celular na cama, o coração martelando contra as costelas. Ela ouviu o som distante do motor do carro de Oscar entrando na garagem privativa do prédio. O jogo de sedução havia atingido o ápice, e a noite em Mônaco prometia ser muito mais quente do que qualquer verão em Ibiza.
Ela caminhou até a porta do quarto e a encostou, deixando apenas uma fresta de luz passar. Deitou-se na cama, a renda negra contrastando com os lençóis brancos, e esperou. Ela sabia que, em poucos segundos, o homem mais poderoso de Mônaco estaria aos seus pés, rendido por uma foto, uma promessa e quatro anos de um amor que só crescia no fogo da intimidade.
A maçaneta girou. O clique da porta se abrindo foi o sinal de que o mundo dos negócios havia ficado do lado de fora. Oscar estava lá, a respiração pesada, os olhos fixos nela com uma intensidade que fazia a pele de Lily formigar.
— Você é um perigo para a economia global, Lily Zneimer — disse ele, a voz baixa e carregada de desejo, enquanto começava a tirar a gravata sem desviar o olhar.
— E você, Oscar Piastri, é o único homem que eu quero que me governe.
O silêncio da cobertura foi preenchido apenas pelo som do desejo mútuo, enquanto Mônaco brilhava lá fora, ignorante de que, naquele santuário de luxo, o verdadeiro poder não estava nos bilhões, mas na entrega total de duas almas que se pertenciam inteiramente.