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O contrato

Máscaras de Seda

O vestido escolhido pela equipe de estilistas de Leona parecia uma armadura tecida em seda azul-marinho. Ele abraçava a silhueta de Christine com uma perfeição calculada, delineando a curvatura sutil de seus quadris e descendo em linhas limpas até os tornozelos, com uma fenda lateral discreta que só se revelava ao caminhar. Os ombros ficavam à mostra, emoldurados por um decote canoa que destacava a palidez de sua pele e a linha suave de sua clavícula.

Diante do espelho de corpo inteiro do closet, Christine quase não se reconheceu. O cabelo castanho-claro fora preso em um coque frouxo e sofisticado, deixando algumas mechas caírem graciosamente ao redor do rosto. Nos lábios, um tom rosado sutil substituía o habitual protetor labial sem graça. Ela parecia pertencer àquele mundo de excessos e privilégios. E essa constatação a enojava profundamente.

— Você está demorando. A pontualidade é a única virtude que eu esperava que você mantivesse intacta.

A voz de Leona ecoou da entrada do closet. Christine virou-se nos calcanhares, sentindo o tecido caro farfalhar contra as pernas.

Leona estava encostada no batente da porta, os braços cruzados sobre o peito. Ela usava um terno de corte impecável em tom marfim, com calças de alfaiataria fluidas e um blazer que esculpia seus ombros largos com uma autoridade nata. A blusa interna de seda pérola tinha um decote em V contido, mas profundamente elegante. Seus cabelos castanho-escuros estavam milimetricamente alinhados em ondas largas, e os olhos castanhos esverdeados varreram Christine de cima a baixo com a voracidade de um crítico de arte avaliando uma obra duvidosa.

Por uma fração de segundo, no entanto, a máscara de frieza de Leona vacilou. As pupilas da executiva dilataram-se quase imperceptivelmente, e sua respiração pareceu travar no peito.

— O vestido serve — disse Leona, recompondo-se em um piscar de olhos, embora a voz tenha saído um tom mais rouca do que o habitual.

— Que alívio saber que passei na sua rigorosa inspeção de gado — rebateu Christine, ajeitando as alças finas da clutch prateada com dedos deliberadamente calmos. — Achei que a fenda pudesse ofender a moral puritana de Arthur Sterling.

Leona descruzou os braços e deu três passos lentos em direção a ela. O som de seus saltos no piso acarpetado era abafado, mas a presença da mulher preenchia o closet como fumaça densa.

— Arthur é um homem de princípios rígidos, mas não é cego — murmurou Leona, parando a centímetros de Christine. Ela estendeu a mão e, antes que a assistente pudesse se esquivar, seus dedos roçaram a nuca exposta de Christine para ajeitar uma das mechas soltas. O calor da pele de Leona acendeu o mesmo choque elétrico da noite anterior, fazendo o estômago de Christine dar uma cambalhota involuntária. — E os homens costumam perdoar muitos pecados de uma mulher quando ela tem o bom gosto de escolher alguém como você para redimi-la.

Christine deu meio passo para trás, rompendo o contato.

— Não me toque como se estivesse no palco quando ainda estamos nos bastidores, Blair.

Leona sorriu, aquele sorriso afiado e arrogante que Christine conhecia tão bem, mas que agora parecia carregar uma camada extra de perigo.

— Considere um aquecimento. O almoço beneficente no Metropolitan Club começa em meia hora, e a imprensa estará em peso na entrada. Os rumores sobre a minha saída iminente da Nexus já vazaram, e Julian Vance estará lá para comemorar a vitória que roubou de mim.

O nome do herdeiro fez a mandíbula de Christine enrijecer. Julian era um incompetente mimado, e até ela, em seu desprezo por Leona, reconhecia que a chefe havia feito todo o trabalho pesado pelo qual ele levara o crédito.

— E qual é o roteiro? — perguntou Christine, erguendo o queixo para sustentar o olhar penetrante.

— Nós chegamos juntas no mesmo carro. Você segura meu braço na entrada. Eu farei a introdução formal ao casal Sterling na mesa principal. Durante a refeição, você vai sorrir, rir discretamente dos meus comentários e parecer fascinada pela minha presença.

— Fascinada? — Christine soltou uma risada seca e zombeteira. — Eu teria mais facilidade em parecer fascinada por uma pedra de gelo.

— Pois é bom que descubra um súbito apreço por superfícies congeladas, Lovel — disparou Leona, aproximando o rosto a ponto de Christine sentir o frescor de menta de sua respiração. — Porque se o contrato falhar por culpa do seu desdém, as faturas médicas do Hospital São Lucas voltam imediatamente para o seu nome. Estamos entendidas?

O golpe baixo atingiu o alvo com precisão cirúrgica. Christine sentiu o sangue ferver nas têmporas, mas manteve a postura impecável.

— Perfeitamente, senhora Blair. Vamos logo acabar com esse circo.

***

O saguão neoclássico do Metropolitan Club ressoava com o tinir de taças de cristal, risadas polidas e o murmúrio constante de centenas de conversas em tons moderados. Lustres de cristal da Boêmia pendiam do teto dourado, iluminando a nata do setor corporativo e filantrópico de Nova York.

Assim que as portas de vidro se abriram para o casal, o efeito foi imediato. Flashes de fotógrafos pipocaram no tapete vermelho interno, e olhares curiosos convergiram para as duas mulheres que entravam lado a lado.

Leona não hesitou. Com um movimento fluido e perfeitamente ensaiado, ela deslizou a mão pela curva da cintura de Christine, puxando-a para junto de seu corpo. A pressão firme dos dedos de Leona contra a seda azul-marinho foi como uma queimadura branda, mas Christine, fiel ao papel que fora paga para encenar, não recuou. Em vez disso, apoiou a mão esquerda — ostentando o pesado anel de diamante — no antebraço de Leona, inclinando a cabeça suavemente em sua direção com um sorriso etéreo nos lábios.

— Mantenha esse sorriso — sussurrou Leona entre dentes, sem que o movimento de seus lábios perfeitos denunciasse a advertência aos fotógrafos. — Arthur Sterling acabou de nos ver da sacada.

— Estou sorrindo, querida — murmurou Christine de volta, carregando o termo afetuoso de puro veneno subliminar. — Estou apenas imaginando o quão satisfatório seria ver esse terno branco manchado com vinho tinto.

— Se fizer isso, garanto que você terá que me despir para limpá-lo — retrucou Leona, com uma piscadela tão audaciosa que fez o pulso de Christine saltar sob a manga da camisa.

Antes que Christine pudesse formular uma réplica à altura da provocação, uma voz masculina arrastada e cheia de condescendência cortou a atmosfera:

— Leona Blair em um evento de caridade para orfanatos comunitários? Pensei que o inferno precisasse congelar primeiro.

Christine sentiu a musculatura de Leona retesar sob sua mão como aço forjado. Ambas se viraram.

Julian Vance estava parado a dois passos de distância, segurando uma taça de champanhe com a arrogância de quem acabara de herdar o mundo. Ele era loiro, impecavelmente alinhado em um smoking sob medida, mas carregava nos olhos azuis pálidos a covardia daqueles que nunca haviam precisado lutar pelo próprio sustento.

— Julian — cumprimentou Leona, a voz gélida como uma tempestade de inverno, embora mantivesse um sorriso controlado. — Vejo que você finalmente aprendeu a usar gravata borboleta sem a ajuda da sua babá. Meus parabéns pela promoção na Nexus. Espero que o conselho goste de números inflados e relatórios plagiados tanto quanto você.

O rosto de Julian escureceu por um breve instante, mas seu olhar logo escorregou para Christine, avaliando-a com desdém e surpresa mal disfarçada.

— E vejo que você trouxe a sua assistente pessoal — comentou Julian, soltando um risinho de escárnio. — O que foi, Leona? Não conseguiu encontrar nenhum figurão de Wall Street para alugar por uma tarde e precisou recorrer aos seus próprios funcionários para fingir que tem uma vida social?

O comentário foi vil, feito para humilhar. Christine sentiu a respiração travar, a indignação subindo como uma labareda. Mas, antes que Leona pudesse rebater com a agressividade habitual que certamente atrairia a atenção negativa dos presentes, Christine agiu por puro reflexo defensivo.

Ela deu meio passo à frente, cobrindo o peito de Leona de forma sutilmente protetora, e ergueu a mão esquerda para ajustar a lapela do paletó de marfim de Leona com uma intimidade desarmante. O diamante de noivado cintilou de maneira obscena sob as luzes do lustre, bem diante dos olhos de Julian.

— A senhorita Blair não precisa alugar ninguém, senhor Vance — disse Christine, a voz melodiosa, calma e carregada de uma firmeza que silenciou os murmúrios ao redor. — E se eu era apenas a assistente dela antes, foi porque ambos preferimos manter nossa privacidade longe da podridão corporativa de pessoas que precisam roubar o mérito alheio para se sentirem relevantes.

Julian arregalou os olhos, boquiaberto diante da insolência da mulher que ele sempre tratara como invisível nos corredores da empresa.

— O quê...? — ele gaguejou, olhando do anel colossal para o rosto sereno de Christine.

Leona observou a cena em absoluto estado de choque interno. A garota delicada, a assistente que parecia odiá-la com cada fibra do corpo, acabara de se colocar na linha de fogo por ela com uma audácia que beirava a insanidade.

Recuperando o controle da situação antes que Julian pudesse se recompor, Leona passou o braço em volta dos ombros de Christine, colando-a contra o seu peito com uma possessividade que não tinha mais nada de ensaiada.

— Nós estamos noivas, Julian — anunciou Leona, a voz ressoando com um timbre claro e aveludado, potente o suficiente para que os convidados mais próximos se virassem para ouvir. — Decidimos que a vida é curta demais para perder tempo em ambientes tóxicos. Christine me ensinou que há coisas muito mais valiosas do que bajular o conselho da Nexus.

Um murmúrio de espanto e aprovação percorreu o círculo de socialites ao redor. Julian ficou vermelho como uma beterraba, abrindo e fechando a boca sem conseguir articular uma única resposta à altura da humilhação pública.

— Com licença — finalizou Leona, sem dar ao rival a chance de respirar. — Arthur Sterling está nos esperando.

Leona guiou Christine pelo salão com passos largos e elegantes. Christine sentia o coração martelando contra as costelas, a adrenalina ainda vibrando nas pontas dos dedos. A mão de Leona descansava agora na curva de suas costas, e Christine pôde sentir o leve tremor de excitação e tensão que percorria o corpo da executiva.

— Onde você aprendeu a mentir com essa ferocidade? — sussurrou Leona contra o ouvido de Christine, seus lábios quase roçando o lóbulo delicado da assistente enquanto caminhavam. Havia um brilho febril e genuinamente fascinado nos olhos castanhos esverdeados da chefe.

— Não menti sobre ele ser um parasita incompetente — murmurou Christine, mantendo o olhar fixo à frente, lutando para ignorar o arrepio que o sussurro quente causara em seu pescoço. — E não confunda a minha lealdade ao contrato com afeto por você, Blair. Eu apenas não admito que aquele verme me trate como se eu fosse um adereço descartável.

— Pois você foi extraordinária, querida — elogiou Leona, e havia uma nota perigosamente sincera em sua voz que fez o estômago de Christine revirar em um nó apertado de calor. — Quase me fez acreditar que você realmente se importa comigo.

— Não se iluda. Eu teria feito o mesmo por um cão de rua sendo chutado.

Leona soltou uma risada baixa e rouca, um som genuíno que Christine nunca a tinha visto emitir nos dois anos de trabalho conjunto. Era um som surpreendentemente bonito, desprovido do cinismo habitual.

— Guarde as garras. Lá vêm eles.

Arthur Sterling aproximava-se, acompanhado de sua esposa, Eleanor. O patriarca da Vance & Sterling era um homem de sessenta e poucos anos, com cabelos prateados, olhos severos por trás de óculos de armação fina e uma presença que comandava respeito instantâneo sem necessidade de erguer a voz. Eleanor, uma senhora de traços nobres e olhar acolhedor, vestia um tailleur esmeralda com simplicidade elegante.

— Senhor Sterling, senhora Sterling — cumprimentou Leona, inclinando a cabeça com uma deferência rara. — É uma honra revê-los.

— Leona — disse Arthur, o aperto de mão firme, os olhos perscrutadores analisando cada detalhe da fisionomia da mulher à sua frente. Em seguida, seu olhar desceu para a mão de Christine, ainda pousada sobre o braço de Leona. — Pelo visto, os rumores que circularam nesta manhã eram verídicos.

— Permitam-me apresentar a minha noiva, Christine Lovel — disse Leona, e o tom de sua voz mudou de maneira drástica. A aspereza cortante deu lugar a uma modulação suave, quase reverente. Ela olhou para Christine com uma intensidade tão convincente que a respiração da assistente falhou. — A razão pela qual reavaliei tudo o que considerava prioritário na minha vida.

Eleanor abriu um sorriso caloroso, estendendo as duas mãos para segurar a de Christine.

— É um prazer imenso conhecê-la, querida. Ouvimos falar muito de você, embora de forma velada. Arthur me disse que Leona parecia uma mulher diferente na última reunião, e agora eu vejo o motivo. A doçura nos seus olhos é evidente.

Christine sentiu uma pontada aguda de culpa cravar-se em sua consciência. A senhora Sterling era genuinamente afetuosa, e a ideia de enganá-la provocava um nó amargo em sua garganta. Mas a imagem de sua irmã Clara sorrindo no hospital sobrepôs-se à culpa em uma fração de segundo.

— O prazer é meu, senhora Sterling — respondeu Christine, a voz saindo com uma suavidade natural e impecável. — Leona costuma manter a vida pessoal trancada a sete chaves, mas... às vezes as coisas boas simplesmente não podem ser escondidas para sempre.

Arthur estreitou os olhos, cruzando as mãos atrás das costas.

— A senhorita Lovel era sua assistente na Nexus, correto? — perguntou o veterano, a voz soando como um interrogatório sutil. — Uma transição bastante abrupta de uma relação corporativa para um compromisso marital, senhorita Blair. Como alguém com a sua reputação de... pragmatismo implacável explica essa mudança aos investidores?

A pergunta era uma armadilha. Um teste direto para desmascarar a narrativa de redenção que Leona tentava construir.

Leona hesitou por um milésimo de segundo, o cálculo estratégico evidente em seu olhar. Mas, antes que ela pudesse recorrer a mais uma frase polida de relações públicas, Christine interveio.

— Não foi abrupto, senhor Sterling — disse Christine, dando um passo à frente, entrelaçando os dedos da mão esquerda nos dedos longos de Leona, fechando o aperto com uma firmeza surpreendente. O choque do contato fez a pulsação de ambas acelerar, mas nenhuma das duas desviou os olhos do patriarca. — Leona sempre foi implacável no trabalho porque nunca teve ninguém que a ensinasse que ela não precisava lutar contra o mundo sozinha. Eu passei dois anos vendo-a se destruir para provar o próprio valor a homens que nunca a respeitariam. Quando ela finalmente me permitiu enxergar a mulher por trás da armadura... bem, eu percebi que a frieza dela era apenas medo de ser vulnerável. E decidi que ela merecia ser cuidada.

O silêncio que se seguiu à fala de Christine foi sepulcral.

Ao lado dela, Leona paralisou por completo. A executiva não piscou. Seus olhos castanhos esverdeados estavam cravados no perfil delicado de Christine, totalmente desarmada. As palavras haviam sido ditas para convencer Sterling, mas continham uma verdade tão crua, tão desconfortavelmente precisa sobre a psicologia de Leona, que o ar pareceu esvair-se dos pulmões da tirana. Christine a havia dissecado em três frases, com uma profundidade que nenhuma outra pessoa no mundo jamais alcançara.

Eleanor levou a mão ao peito, visivelmente comovida.

— Isso foi... a coisa mais linda que já ouvi nesta temporada social — suspirou a mais velha, os olhos brilhando de emoção.

Arthur encarou Christine longamente. A rigidez em seus ombros cedeu ligeiramente, e uma centelha de respeito genuíno iluminou seu semblante austero.

— Parece que a senhorita encontrou o seu porto seguro, Leona — comentou o magnata, com um aceno lento de aprovação. — O conselho da Vance & Sterling se reunirá na terça-feira. Quero que a proposta de vice-presidência esteja pronta para ser assinada até lá. Se Christine acredita na sua redenção, quem sou eu para duvidar?

— Obrigada, Arthur — respondeu Leona, mas sua voz saiu quase inaudível, o olhar ainda hipnotizado pela mulher ao seu lado. — Você não vai se arrepender.

— Vamos até a mesa do buffet, querido — chamou Eleanor, puxando o marido pelo braço com delicadeza. — Deixe as jovens celebrarem o momento. Foi um prazer, Christine. Nos veremos no jantar da próxima semana em nossa residência.

Assim que o casal Sterling se afastou e mergulhou na multidão, o espaço ao redor de Leona e Christine pareceu esvaziar-se de ar e som.

Christine soltou a mão de Leona como se tivesse tocado em brasa viva, dando um passo lateral para restabelecer a distância de segurança. Seus nós dos dedos estavam brancos pela tensão acumulada.

— Christine — chamou Leona, a voz falhando ligeiramente, desprovida de qualquer cinismo ou autoridade. Ela deu um passo em direção à assistente, a postura tensa, os olhos fixos nela com uma intensidade quase dolorosa. — O que foi aquilo?

— O que foi o quê? — retrucou Christine, a respiração curta, recusando-se a admitir o quanto o próprio discurso a havia abalado por dentro. — Você me pagou para convencê-lo. Eu o convenci. Não era isso que você queria? A vice-presidência é sua.

— Você não estava apenas mentindo — pressionou Leona, a mão estendendo-se involuntariamente no ar, pairando a milímetros do ombro de Christine antes de cair ao lado do corpo. Havia um tremor sutil em seus lábios bem desenhados. — A forma como você falou... sobre a armadura. Sobre eu ter medo de ser vulnerável. De onde diabos você tirou aquilo?

Christine encontrou o olhar atordoado de Leona. Pela primeira vez desde que se conheciam, a toda-poderosa Leona Blair parecia exposta, despida de suas defesas bilionárias, vulnerável como uma ferida aberta sob o teto daquele clube milionário.

E foi essa vulnerabilidade que aterrorizou Christine mais do que qualquer ameaça de demissão.

— Eu sou a sua assistente há dois anos, Blair — sussurrou Christine, a voz oscilando perigosamente entre a fúria e uma emoção densa e inominável que a sufocava. — Eu vi você sangrar por aquela mesa de reuniões todos os dias. Eu sei exatamente como você funciona. E o fato de eu saber... não significa que eu me importe. Significa apenas que eu sei fazer o meu trabalho.

Christine não esperou pela resposta. Deu meia-volta com movimentos bruscos, a fenda do vestido azul revelando a linha tensa de suas pernas enquanto ela marchava apressada em direção ao corredor dos toaletes, precisando desesperadamente de oxigênio longe daquela mulher.

No meio do salão dourado, cercada por centenas de pessoas influentes que aplaudiam sua vitória corporativa iminente, Leona Blair permaneceu absolutamente imóvel.

Ela levou a mão esquerda ao próprio peito, sentindo o tecido do paletó caro vibrar com as batidas descompassadas e violentas de seu coração. Ela havia vencido Julian Vance. Havia conquistado Arthur Sterling. Mas, enquanto assistia à figura elegante de Christine desaparecer na penumbra do corredor, Leona sentiu o gosto amargo e aterrador de uma verdade inegável: no xadrez perverso que havia armado, a única peça que corria o risco de ser completamente destruída era o seu próprio coração.

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