O dono do morro
Entre o Vapor e o Dengo
O silêncio da madrugada no Leblon era um contraste absoluto com o caos ensurdecedor que eles haviam deixado para trás na Rocinha. O comboio de SUVs blindados estacionou em frente à mansão, e o som dos pneus sobre o cascalho fino da entrada foi o único ruído a quebrar a quietude. Guilherme e Letícia desceram primeiro; o coronel ainda mantinha aquela postura de alerta, os olhos verdes escaneando a rua antes de dar sinal para que os filhos saíssem.
Kaelton desceu do carro segurando a mão de Luanara com uma firmeza que beirava a necessidade. A adrenalina do baile, misturada com o efeito do baseado e a tensão sexual acumulada, o deixava em um estado de quase transe. Lua, por outro lado, parecia exausta. O corpo pequeno estava mole, e ela encostava a cabeça no ombro largo do namorado enquanto caminhavam para dentro.
— Valeu, coroa. Até amanhã — Bernardo se despediu, subindo as escadas apressado com Merllya. O gêmeo de luzes no cabelo tinha uma urgência clara nos olhos, e Mell não estava muito atrás, rindo baixinho enquanto era guiada pelo namorado.
Guilherme olhou para Kael e Lua, notando o estado de dengo da menina.
— Juízo vocês dois — o mais velho disse, a voz grossa e autoritária, mas com um fundo de cansaço. — Kael, não quero ouvir barulho de móvel arrastando até o amanhecer, entendeu? Respeita o sono da tua irmã.
— Relaxa, pai. A gente só vai tomar um banho e capotar — Kael respondeu, embora o sorriso de lado denunciasse que o banho não seria apenas para tirar o suor do corpo.
— Sei bem esse "capotar" — Guilherme resmungou, passando o braço pela cintura de Letícia. — Vamos, coração. A Estrelinha deve acordar cedo e eu ainda quero aproveitar minha esposa antes disso.
— Boa noite, meninos — Letícia sorriu, mandando um beijo para Lua, que retribuiu com um aceno tímido.
Kael guiou Lua até o quarto dele no andar superior. Assim que a porta de carvalho maciço se fechou, o mundo lá fora deixou de existir. O quarto era o refúgio do platinado: cheiro de perfume caro misturado com um leve toque de incenso, móveis escuros e uma cama king-size que parecia um convite ao pecado.
Ragnar, o Cane Corso, que estava deitado no tapete, apenas levantou a cabeça e soltou um suspiro profundo antes de voltar a dormir. Ele estava acostumado com a presença constante de Lua ali.
— Tô morta, amor... — Lua murmurou, sentando-se na beira da cama e chutando as sandálias de salto. — Meus pés estão me matando.
Kael se ajoelhou entre as pernas dela, pegando um dos pés pequenos e massageando com força bruta, mas controlada.
— Eu te disse que esse salto era muito alto pra ficar em pé no camarote, docinho — ele disse, olhando para cima. O platinado dos cabelos dele estava levemente bagunçado, o que o deixava ainda mais bonito sob a luz fraca do abajur. — Mas tu é teimosa, né?
— Sou — ela sorriu, passando os dedos pelos fios claros da nuca dele. — Mas eu queria ficar alta pra te beijar melhor.
Kael soltou um riso anasalado, aquele som rouco que fazia o estômago de Lua dar voltas. Ele se levantou, puxando-a pela cintura para que ela ficasse de pé.
— Vem. Vamos tirar essa craca de cigarro e suor do corpo.
Eles entraram no banheiro privativo, um espaço luxuoso revestido de mármore cinza e metais pretos. Kael ligou o chuveiro duplo, e em poucos segundos o vapor começou a embaçar os vidros do box. Com movimentos lentos e possessivos, ele começou a descer o fecho do vestido de tricô branco dela.
— Tu tava a coisa mais linda desse mundo hoje, Luanara — ele sussurrou no ouvido dela, enquanto o vestido caía no chão, revelando as curvas de "pera" que o deixavam sem fôlego. — Mas eu prefiro você assim. Sem nada. Só minha.
— Você também não tá nada mal, ursinho — ela brincou, ajudando-o a tirar a camisa de time e o short de tactel.
Debaixo da água quente, o clima mudou. A exaustão deu lugar a uma intimidade profunda. Kael pegou a esponja e o sabonete líquido de baunilha que Lua mantinha ali e começou a ensaboar o corpo dela. Ele era cuidadoso, passando a mão pelas costas, descendo pelos quadris largos e contornando a entrada da boceta com uma delicadeza que contrastava com sua postura de marrento lá fora.
— Tá gostoso, vida... — ela gemeu baixo, encostando a testa no peito molhado dele.
— Tu é muito manhosa, sabia? — Kael disse, deixando a água cair sobre o rosto enquanto puxava o corpo dela para mais perto, sentindo os seios firmes de Lua pressionando seus músculos. — Parece um mochi mesmo. Dá vontade de morder e não soltar mais.
Ele virou Lua de costas para ele, deixando que a água batesse na nuca dela enquanto ele massageava seus ombros. O toque de Kael era firme; ele conhecia cada centímetro daquele corpo, cada ponto de prazer. Quando suas mãos desceram para a frente, cobrindo os seios dela e apertando os mamilos já eretos pelo frio do ar-condicionado que filtrava por baixo da porta, Lua soltou um suspiro longo.
— Kael... — ela chamou, a voz carregada de desejo.
— Fala, minha tempestade.
— Me fode... aqui mesmo. Eu preciso sentir você.
Kael não precisou ouvir duas vezes. Ele a prensou contra o mármore frio da parede do box, o contraste térmico fazendo Lua soltar um ganido de surpresa. Ele levantou uma das pernas dela, encaixando-a em seu quadril. O membro dele, pulsante e pronto, encontrou a entrada já úmida e pronta.
Ele entrou de uma vez, um estalo de carne contra carne que ecoou no banheiro abafado pelo vapor. Lua jogou a cabeça para trás, as unhas cravando nos ombros bronzeados de Kael.
— Porra, Lua... tu me aperta muito — ele rosnou, começando um movimento rítmico e potente. — É minha, não é? Diz que é minha.
— Sou sua... toda sua, amor! — ela exclamou, os olhos negros brilhando de prazer enquanto a água lavava o suor de seus corpos unidos.
O ritmo aumentou, a pegada de Kael ficando mais bruta à medida que ele chegava perto do limite. Ele a fodeu com a intensidade de quem queria marcar território, de quem precisava reafirmar que, apesar de todos os olhares no baile, no fim da noite, era ele quem a possuía. O clímax veio forte para os dois, um grito abafado no pescoço um do outro enquanto a água continuava a cair, limpando o rastro do prazer.
Minutos depois, eles saíram do box. Kael enrolou Lua em uma toalha felpuda e a carregou no colo até o quarto, como se ela fosse feita de porcelana. Ele a deitou na cama e, com uma paciência que poucos conheciam, secou o cabelo dela com o secador, enquanto ela fechava os olhos, quase cochilando sob o calor do aparelho.
— Pronto, docinho. Agora veste isso aqui — ele entregou uma camisa dele, uma t-shirt preta gigante que batia no meio das coxas dela.
Lua vestiu a camisa, sentindo o cheiro de Kael a abraçar. Ele se deitou ao lado dela, vestindo apenas uma cueca box preta. O quarto estava gelado por causa do ar-condicionado, mas o calor que emanava de Kael era o suficiente para mantê-la aquecida.
Lua se arrastou para mais perto, encaixando-se no vão do braço dele. Ela apoiou a cabeça no peito largo, ouvindo as batidas do coração do namorado, que ainda estavam um pouco aceleradas.
— Ursinho? — ela chamou baixinho, a voz já arrastada pelo sono.
— Oi, vida.
— Você ainda tá bravo por causa do vestido?
Kael suspirou, passando a mão pelos cabelos ondulados dela, espalhando-os pelo travesseiro.
— Não tô bravo, Lua. Eu só... eu me preocupo demais. O mundo lá fora não é gentil como você. Ver aqueles caras te comendo com os olhos me dá um nó no estômago. Eu quero te guardar numa caixinha onde só eu possa ver.
Lua deu um beijo leve no peito dele, bem em cima de uma das tatuagens que ele tinha feito escondido com o irmão.
— Eu não preciso de caixinha. Eu tenho você. E eu nunca vou olhar pra nenhum deles como eu olho pra você. Você é meu tudo, Kaelton Matheus.
— Não me chama pelo nome todo que eu perco a pose — ele brincou, apertando-a mais contra si. — Dorme, minha pequena. Eu tô aqui.
Lua se aconchegou ainda mais, passando a perna por cima das dele. Ela estava naquela fase "dengosa" pós-sexo que Kael tanto amava. Ela começou a fazer desenhos imaginários no abdômen trincado dele, enquanto o sono finalmente a vencia.
— Te amo, meu ursinho rabugento... — ela sussurrou, a voz sumindo.
— Também te amo, minha tempestade.
Kael ficou ali por um tempo, apenas observando o rosto sereno de Lua. Ela parecia um anjo, com os cílios longos descansando sobre as bochechas branquinhas. O contraste entre a delicadeza dela e a vida bruta que ele levava no morro era o que o mantinha equilibrado. Ele sabia que, por ela, ele enfrentaria qualquer um, subiria qualquer ladeira e peitaria qualquer perigo.
Lentamente, o cansaço também começou a atingir o platinado. Ele fechou os olhos, sentindo o peso reconfortante de Lua sobre seu corpo. O silêncio da mansão era absoluto agora, apenas o som suave da respiração dos dois preenchia o ambiente.
No quarto ao lado, Bernardo e Mell provavelmente já tinham se entregado ao sono também, após sua própria dose de intensidade. E no andar de baixo, Guilherme e Letícia descansavam, os pilares daquela família que, apesar de toda a marra e do poder, encontravam na união e no amor o seu verdadeiro porto seguro.
Kael deu um último beijo no topo da cabeça de Lua e se permitiu apagar, sabendo que, ao acordar, ela ainda estaria ali, segura em seus braços, no topo do mundo que eles construíram juntos. O sol logo nasceria sobre o Rio de Janeiro, trazendo novos desafios, mas para os Allegretti, a noite tinha terminado exatamente como deveria: com o coração cheio e a alma em paz.