O dono do morro
Marcas de Posse e Promessas
O sol de domingo no Rio de Janeiro não era para amadores. O mormaço que subia do asfalto do Leblon parecia querer derreter as janelas de vidro da mansão, mas lá dentro, o ar-condicionado central mantinha tudo em um clima de montanha. Guilherme Allegretti estava em seu escritório, o "santuário" onde as decisões pesadas eram tomadas. O ambiente exalava couro, uísque caro e o cheiro metálico de óleo de arma. Ele estava limpando seu fuzil de precisão sobre a mesa de mogno, um ritual que o acalmava, enquanto Ragnar, o Cane Corso, observava cada movimento com a cabeça apoiada nas patas enormes.
A porta se abriu sem cerimônia, e Letícia entrou. Ela vestia um robe de seda preta que deixava suas pernas branquíssimas à mostra a cada passo. O contraste com o moreno bronzeado de Guilherme era a coisa preferida dele de observar.
— Tu não descansa nem no domingo, meu bem? — Letícia perguntou, aproximando-se e sentando-se no braço da poltrona de couro dele.
— O cansaço é para os fracos, coração — Guilherme respondeu sem tirar os olhos da peça que polia. — No nosso mundo, se tu piscar, alguém tenta tomar o teu lugar. E eu não construí esse império pros meus filhos herdarem cinzas.
Letícia passou a mão pelos cabelos castanhos curtos do marido, sentindo a textura áspera da nuca dele.
— Os meninos estão lá embaixo. Kael e Lua parecem que finalmente fizeram as pazes depois daquele drama de manhã. E o Bernardo... bem, o Bernardo está tentando ensinar a Mell a jogar tênis, o que está resultando em mais beijos do que esporte.
Guilherme deu um sorriso de lado, guardando a peça da arma e virando-se para a esposa. Ele a puxou pela cintura, encaixando-a entre suas pernas.
— Deixa os moleques. Eles têm o sangue quente, igual ao pai. Mas e tu? — Ele subiu a mão pelo robe dela, sentindo a pele macia. — Tá muito quieta hoje. O que tu quer, amor?
— Quero que tu tire um pouco essa cara de coronel e seja só meu rabugento — ela sussurrou, selando os lábios nos dele em um beijo que começou lento e logo se tornou urgente.
Guilherme a levantou como se ela não pesasse nada, sentando-a em cima da mesa, derrubando alguns papéis e o kit de limpeza no processo.
— Tu sabe que eu não resisto a esse teu jeito, Letícia — ele rosnou contra o pescoço dela. — Tu me tem na mão, porra.
Enquanto o clima fervia no escritório do patriarca, na área externa, a juventude Allegretti aproveitava o final de tarde. Kaelton estava sentado na borda da piscina, os pés na água, observando Lua que tentava, sem muito sucesso, boiar em cima de uma boia de unicórnio gigante. O platinado de seu cabelo brilhava sob o sol poente, e as tatuagens em seus braços — que o pai fingia não saber que existiam — pareciam ganhar vida.
— Vai cair, docinho! — Kael avisou, rindo da dificuldade da namorada.
— Não vou nada, vida! Eu sou uma profissional — Lua rebateu, fazendo uma pose que durou exatamente três segundos antes de a boia virar e ela mergulhar de cabeça.
Kael não pensou duas vezes. Ele pulou na água, emergindo logo em seguida com Lua em seus braços. Ela ria, jogando o cabelo preto molhado para trás, enquanto se agarrava ao pescoço dele.
— Viu? Eu te peguei — ele disse, a voz ficando mais baixa, os olhos verdes fixos nos negros dela. — Eu sempre vou te pegar, Lua.
— Eu sei, meu ursinho — ela respondeu, dando um selinho gelado nele. — Kael... o Bê e a Mell foram lá pra sala de cinema. A gente tá sozinho aqui fora agora.
Kael olhou ao redor. O jardim era imenso e cercado por muros altos, mas ele sabia que a privacidade ali era relativa. Mesmo assim, a vontade de sentir a pele dela sem as amarras do biquíni era maior que qualquer prudência.
— Vem cá — ele a puxou para a parte mais funda da piscina, onde havia uma pequena gruta artificial com uma cascata que escondia quem estava dentro.
Debaixo da queda d’água, o som do mundo exterior foi substituído pelo barulho constante do líquido batendo nas pedras. Kael prensou Lua contra a parede úmida, as mãos descendo para a bunda dela, apertando com força.
— Tu me deixa doente de desejo, sabia? — Ele confessou, mordendo o lóbulo da orelha dela. — O dia todo te vendo nesse biquíni... eu quase não me aguentei no almoço.
— Então não se aguenta mais, amor... — Lua sussurrou, sentindo o volume do membro dele contra sua barriga, mesmo através do short de tactel que ele usava.
Kael se livrou do short rapidamente, deixando-o flutuar na água. Ele puxou a lateral do biquíni de Lua, revelando a intimidade que já clamava por ele. Com um movimento preciso, ele a ergueu, e ela entrelaçou as pernas na cintura dele. A entrada foi profunda, arrancando um gemido alto de Lua que foi abafado pelo som da cascata.
— Porra... Lua... — Kael gemia, o sotaque carioca arrastado pelo prazer. — Tu é muito apertada, caralho. Parece que foi feita sob medida pra mim.
— Eu fui, Kael... toda sua — ela respondia, acompanhando o ritmo frenético dele.
O sexo na água era intenso, uma dança de possessão e entrega. Kael a fodia com uma urgência que dizia tudo o que ele não conseguia colocar em palavras: que ela era sua âncora, sua paz e seu maior vício. Quando o ápice chegou, ele a apertou contra si como se quisesse fundir seus corpos em um só.
Longe dali, na sala de cinema climatizada da mansão, o clima não era diferente. Bernardo Henrique e Merllya estavam jogados em uma das poltronas duplas reclináveis. Um filme qualquer passava na tela gigante, mas nenhum dos dois prestava atenção.
— Bê... para... — Mell ria entre dentes, enquanto Bernardo distribuía beijos e mordidas leves por todo o seu pescoço. — Teu pai pode entrar aqui a qualquer momento.
— O coroa tá trancado no escritório com a minha mãe, gatinha. Eles não saem de lá tão cedo — Bernardo disse, a voz rouca. — E o Kael deve tá se afogando na Lua lá na piscina. A casa é nossa.
Ele subiu a mão por baixo do vestido de Mell, encontrando a calcinha de renda. Bernardo era mais direto que o irmão, mais impaciente. Ele queria sentir o calor dela agora.
— Tu tá tão cheirosa, amor — ele murmurou, descendo o corpo para beijar o colo dela. — Eu sou louco por esse teu corpo, sabia?
— Eu também sou louca por você, meu marrento — Mell respondeu, puxando-o para um beijo profundo.
Bernardo se livrou da camisa, revelando o corpo de atleta, os músculos definidos pelo jiu-jitsu e pela academia. Ele a virou de costas na poltrona, levantando o vestido dela e revelando as curvas loiras que o faziam perder a cabeça.
— Vou te foder bem devagar, princesa... pra tu não esquecer quem é que manda nessa tua boceta — ele sussurrou no ouvido dela, antes de penetrá-la com uma estocada firme.
Mell arqueou as costas, abafando o grito na almofada da poltrona. Bernardo mantinha um ritmo constante, as mãos grandes segurando os quadris dela com força, deixando marcas que durariam dias. Para ele, Merllya era o troféu que ele conquistava todos os dias, a única pessoa capaz de acalmar seu gênio estressado.
A noite caiu sobre o Leblon, e a mansão dos Allegretti finalmente mergulhou em uma calmaria aparente. Na cozinha, a mesa estava posta para o jantar tardio. Guilherme e Letícia foram os primeiros a aparecer. Ele parecia mais relaxado, embora o olhar verde continuasse afiado. Ela estava radiante, com os cabelos levemente bagunçado e um sorriso satisfeito.
Logo, os gêmeos apareceram com suas respectivas namoradas. Kael e Lua tinham os cabelos ainda úmidos e um olhar de cumplicidade que não passava despercebido por Guilherme. Bernardo e Mell vinham logo atrás, ela com o rosto levemente corado e ele com a marra de sempre, ajustando o brinco de argola.
— O jantar tá na mesa. Sentem logo antes que esfrie — Guilherme ordenou, ocupando a cabeceira.
Stella estava em um cadeirão ao lado de Letícia, tentando comer alguns pedaços de fruta com suas mãos gordinhas.
— Tia Letícia, a comida tá maravilhosa — Lua disse, tentando quebrar o silêncio.
— Obrigada, meu amor. Fico feliz que vocês tenham aproveitado o dia — Letícia respondeu, lançando um olhar de "eu sei o que vocês fizeram" para os filhos, que apenas ignoraram, focados em seus pratos.
— Pai, amanhã eu e o Bê vamos descer pro asfalto pra resolver aquele esquema das peças da moto — Kael comentou, entre uma garfada e outra.
— Vão com o carro blindado e levem o radinho — Guilherme disse, o tom de coronel voltando. — Não quero vocês dando bobeira. O clima tá estranho lá embaixo, muito movimento de gente que eu não conheço.
— Pode deixar, coroa. A gente sabe se cuidar — Bernardo respondeu.
— Eu sei que sabem. Mas lembrem-se: o que sustenta essa família não é só o ferro na cintura, é a cabeça no lugar — Guilherme olhou para cada um deles. — E cuidem das meninas. Elas são a nossa prioridade.
— Sempre, tio Gui — Mell disse, sorrindo para Bernardo, que apertou a mão dela por baixo da mesa.
Depois do jantar, os casais se dispersaram. Guilherme levou Stella para o quarto, um momento de ternura que ele só permitia que a família visse. Ele ninava a pequena "Estrelinha" com uma facilidade impressionante para um homem daquele tamanho.
— Ela tem os teus olhos, meu bem — Letícia disse, encostada na porta do berçário.
— Tomara que tenha o teu coração, amor. Porque se tiver o meu gênio, a gente tá fodido — Guilherme riu baixo, colocando a bebê no berço.
No jardim, Theodoro, o Golden, tentava brincar com o rabo de Ragnar, que apenas soltava um bufo de paciência, observando o movimento da casa.
Kael e Lua estavam no terraço, observando as luzes da cidade.
— Sabe, Kael... às vezes eu tenho medo — Lua começou, abraçando o próprio corpo. — De que tudo isso seja bom demais pra ser verdade.
Kael a puxou para perto, envolvendo-a com seus braços fortes.
— Não tenha medo, docinho. Enquanto eu respirar, ninguém toca em um fio de cabelo teu. O mundo pode cair lá fora, mas aqui dentro, tu tá segura. Eu te prometo.
— Eu acredito em você, meu ursinho.
Ela se virou e o beijou, um beijo de boa noite que carregava toda a promessa de um futuro que eles pretendiam construir, degrau por degrau, no império dos Allegretti.
A mansão silenciou. No topo do Leblon, protegidos por muros, armas e, acima de tudo, por um amor feroz e possessivo, a família Allegretti dormia. Eles sabiam que a paz era um artigo de luxo no Rio de Janeiro, mas enquanto estivessem juntos, eles eram invencíveis. O sangue que corria naquelas veias era quente, a lealdade era absoluta, e o desejo... ah, o desejo era o combustível que mantinha aquela engrenagem funcionando perfeitamente, noite após noite.