O festival
O Herdeiro do Caos e a Tirania de Crimson
A sala de reuniões no palácio de gelo de Guy Crimson exalava uma formalidade gélida que combinava perfeitamente com a atmosfera de seu mestre. Sentados ao redor da mesa de obsidiana, os subordinados mais fiéis de Guy — Misery e Hillary — discutiam questões territoriais e o equilíbrio de poder entre os Lordes Demônios. A atmosfera era de respeito absoluto, até que o som de passos arrastados e o tilintar de uma fechadura mágica sendo forçada ecoaram pelos grandes portões de mármore.
As portas se abriram com um estrondo.
Rimuru Tempest entrou na sala. Ele não estava usando seu habitual casaco azul ou qualquer vestimenta que remetesse a um governante. Ele estava vestindo apenas o pijama de seda negra da última noite — o mesmo que Guy havia escolhido, com as costas abertas e um decote que desafiava a gravidade. Sua pele pálida e leitosa ainda estava coberta por um mapa de marcas arroxeadas e mordidas recentes. Ele mancava visivelmente, uma mão apoiada na cintura fina enquanto a outra segurava um relatório amassado.
— Rimuru-sama? — Misery levantou-se, seus olhos brilhando com uma mistura de choque e um desdém mal disfarçado. Os servos de Guy nunca aprovaram a influência "caótica" do Slime sobre seu mestre. — O senhor não deveria estar aqui. Este é um conselho de guerra.
— Eu não dou a mínima para o seu conselho — Rimuru retrucou, sua voz saindo rouca e carregada de uma irritação manhosa. Ele ignorou os olhares mortais das servas e caminhou diretamente até Guy, que o observava com um sorriso que misturava diversão e uma fome insaciável.
Rimuru parou diante de Guy, jogando o relatório sobre a mesa de obsidiana.
— Guy, seu idiota... — Rimuru bufou, sentindo uma onda de náusea subir por sua garganta. — Você me deixou nesse estado e agora eu tenho que lidar com as consequências sozinho?
Guy ergueu uma sobrancelha, seus olhos vermelhos percorrendo o corpo de Rimuru, demorando-se nas marcas que ele mesmo havia deixado.
— Do que você está reclamando, Rimuru? Achei que tivesse gostado da nossa celebração de encerramento.
— Eu gostei da celebração — Rimuru disse, aproximando-se do ouvido de Guy, mas alto o suficiente para que todos na sala ouvissem —, mas eu não gostei do fato de que a Ciel acabou de confirmar que o meu núcleo mágico está reagindo a uma semente de vida.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Misery e Hillary empalideceram, enquanto Guy Crimson, o ser mais antigo e orgulhoso do mundo, simplesmente congelou.
— Você está dizendo que... — Guy começou, sua voz falhando pela primeira vez em milênios.
— Estou dizendo que eu estou grávido, seu demônio maníaco! — Rimuru exclamou, antes de se curvar e vomitar uma pequena quantidade de bile mágica em um vaso decorativo próximo. — E a culpa é inteiramente sua e daquela sua obsessão por "marcar território".
Guy levantou-se tão rápido que a cadeira de obsidiana voou para trás, estilhaçando-se contra a parede. Em um segundo, ele estava ao lado de Rimuru, envolvendo-o em seus braços com uma delicadeza que ninguém ali presente achava que ele possuía.
— Um herdeiro... — Guy murmurou, sua mão descendo para o ventre ainda plano de Rimuru, seus olhos brilhando com uma emoção crua. — Meu e seu.
— Sim, parabéns — ironizou Rimuru, encostando a cabeça no peito de Guy, sentindo outra onda de tontura. — Agora, por favor, me leve de volta para Tempest. O cheiro desse castelo de gelo está me dando vontade de vomitar de novo.
Guy não hesitou. Ele olhou para suas servas com um olhar que prometia morte a qualquer um que ousasse questionar a situação.
— Misery, Hillary. Cancelem tudo. Eu estarei me mudando para a Federação Jura-Tempest por tempo indeterminado. Preparem o transporte de suprimentos mágicos. Nada deve faltar ao meu consorte.
A mudança foi imediata. Guy Crimson, o Lorde do Orgulho, estabeleceu-se no palácio de Rimuru como se fosse o dono do lugar. A primeira noite em Tempest após o anúncio foi marcada por uma mistura de celebração e luxúria. Guy, emocionado com a notícia, não conseguiu manter as mãos longe de Rimuru.
— Guy, eu estou grávido, não sou de vidro — protestou Rimuru naquela noite, enquanto era pressionado contra os lençóis de seda de seu próprio quarto.
— Exatamente — Guy sussurrou, beijando a curva de seu pescoço. — Você carrega o meu futuro. Isso te torna a coisa mais preciosa e excitante deste mundo.
A noite foi quente, uma celebração de carne e magia onde Guy possuiu Rimuru com uma reverência quase religiosa, explorando cada centímetro do corpo do Slime com uma possessividade que beirava a loucura.
No entanto, a calmaria durou pouco. Alguns dias depois, a Ciel emitiu um aviso que mudou o tom da estadia.
— Relatório — a voz da Ciel ecoou na mente de Rimuru e, por extensão, na de Guy, devido à conexão de suas almas. — A gravidez de um Slime com um Demônio Primordial é um evento de instabilidade mágica extrema. Existe um risco de colapso do núcleo se o portador não mantiver repouso absoluto.
— Repouso? — Rimuru riu, enquanto assinava uma pilha de documentos sobre a nova rota comercial com o Reino de Dwargon. — Ciel, eu tenho uma nação para governar. Eu não vou ficar deitado o dia todo.
Guy, que estava sentado em um sofá próximo afiando sua espada, levantou-se imediatamente. Seu rosto estava envolto em uma sombra de proteção extrema.
— Rimuru, você ouviu a Ciel. Você vai para a cama. Agora.
— Nem pensar, Guy! — Rimuru retrucou, levantando-se da cadeira, apenas para sentir uma pontada aguda em seu ventre que o fez perder o fôlego por um segundo.
Guy estava ao seu lado em um borrão carmesim, segurando-o pelos ombros.
— Você está pálido. Chega.
A partir daquele momento, a vida de Rimuru tornou-se uma batalha constante contra a superproteção de Guy. O Lorde Demônio tornou-se uma sombra constante. Se Rimuru tentava ir a uma reunião de conselho, Guy aparecia e o carregava de volta para o quarto, ignorando os protestos de Benimaru e Shuna. Se Rimuru tentava treinar com os subordinados, Guy simplesmente liberava sua aura, fazendo todos os soldados desmaiarem para que Rimuru não tivesse com quem lutar.
— Guy, você está me sufocando! — gritou Rimuru em uma tarde ensolarada, enquanto Guy tentava forçá-lo a comer uma sopa de ervas medicinais preparada por Shuna.
— Eu estou garantindo que você não exploda — Guy respondeu calmamente, soprando a colher. — Coma.
Rimuru, sentindo uma mudança súbita de humor — um dos efeitos colaterais da gravidez que ele odiava —, começou a chorar.
— Você só se importa com o bebê! Você não me deixa nem ver o sol! Eu sou um Lorde Demônio, não um prisioneiro!
Guy suspirou, sentando-se na beira da cama e puxando Rimuru para o seu colo.
— Rimuru, eu me importo com você. O bebê é apenas uma extensão do que eu sinto por você. Se algo acontecer com você, eu destruo este mundo inteiro.
Rimuru soluçou, limpando as lágrimas com as costas da mão, mas logo um sorriso travesso cruzou seu rosto. Seus hormônios estavam em uma montanha-russa, e a tristeza rapidamente se transformou em malícia.
— Ah, é? Então prove que se importa comigo.
Rimuru puxou a gola da túnica de Guy, expondo o peito do demônio. Ele começou a lamber a pele de Guy de forma provocadora, sentindo a ereção do outro crescer instantaneamente contra sua coxa.
— Rimuru... a Ciel disse repouso — Guy avisou, embora sua voz estivesse rouca de desejo.
— O repouso é para o estresse do trabalho, não para o prazer — Rimuru sussurrou, deslizando a mão por baixo das roupas de Guy. — Além disso, eu estou com um desejo... e você sabe que grávidas precisam ser atendidas.
Guy rosnou, a possessividade vencendo a cautela. Ele deitou Rimuru na cama, mas desta vez, ele foi o mais cuidadoso possível. O sexo foi lento, cheio de carícias e beijos que duravam minutos. Guy mantinha o peso fora do ventre de Rimuru, tratando-o como se fosse feito das joias mais frágeis.
— Você é tão irritante — Rimuru arquejou, as pernas envolvendo a cintura de Guy enquanto o demônio o penetrava com uma suavidade torturante.
— E você é um provocador nato — Guy respondeu, beijando a testa suada de Rimuru. — Mas você é meu.
Os meses seguintes foram um caos de enjoos matinais e mudanças de humor que deixavam até Diablo nervoso. Em um momento, Rimuru estava exigindo que Guy trouxesse frutas raras do continente gelado; no momento seguinte, ele estava jogando um vaso na cabeça de Guy porque o demônio "estava respirando muito alto".
As reuniões de estado agora aconteciam no quarto de Rimuru, com Guy sempre ao seu lado, agindo como um guarda-costas intimidador.
— Lorde Rimuru, sobre o tratado com Eurazania... — começou Rigurd, mantendo os olhos baixos para evitar o olhar assassino de Guy.
— Deixe-me ver isso — Rimuru estendeu a mão, mas Guy interceptou o papel.
— Ele não vai ler isso agora. Ele precisa dormir — Guy declarou.
— Guy! Me dá esse papel! — Rimuru gritou, sua aura azulada entrando em choque com a carmesim de Guy.
— Vá dormir, Rimuru.
— Eu vou te transformar em um tapete se você não me der esse relatório!
Rigurd e os outros subordinados saíram da sala de fininho, ouvindo os gritos de Rimuru e as respostas calmas, porém firmes, de Guy.
Apesar das brigas, havia uma doçura nova na relação deles. Guy passava horas com a mão sobre o ventre de Rimuru, conversando com a criança em uma língua antiga que apenas os Primordiais conheciam. Ele protegia Rimuru de tudo e de todos, tornando-se o pilar de força que o Slime precisava, mesmo que Rimuru nunca admitisse em voz alta.
Em uma noite particularmente difícil, onde as dores mágicas eram intensas, Guy envolveu Rimuru em um abraço protetor, liberando sua própria energia para estabilizar o núcleo do Slime.
— Vai ficar tudo bem, Rimuru — Guy sussurrou na escuridão do quarto. — Eu estou aqui. Nada vai acontecer com vocês.
Rimuru, sentindo o calor e a segurança que apenas Guy Crimson poderia proporcionar, finalmente relaxou.
— Eu sei, seu demônio idiota — Rimuru murmurou, fechando os olhos. — Mas se o bebê nascer com o seu gênio difícil, eu juro que vou te culpar para o resto da eternidade.
Guy riu, um som suave e cheio de promessas.
— Se ele nascer com a sua língua afiada e a minha força, o mundo é que deve se preocupar.
A gravidez de risco continuava, um desafio constante entre a vontade de ferro de Rimuru e o instinto protetor de Guy. Mas no coração de Tempest, entre provocações, cenas explícitas de paixão e o caos dos hormônios, uma nova vida estava sendo moldada — o herdeiro definitivo do Orgulho e do Caos. E Guy Crimson garantiria, com sangue e magia, que esse futuro fosse tão brilhante quanto o Slime que ele aprendera a amar.