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O Hyung cuida de você

Ecos de um Sonho Descartável

O silêncio no pequeno quarto de Seungmin era tão pesado que parecia ter massa física, algo que ele podia sentir pressionando seus pulmões toda vez que tentava respirar. O espaço era minúsculo, um "goshiwon" — pouco mais que um cubículo com uma cama de solteiro e uma escrivaninha onde ele mal conseguia abrir um caderno. Não havia janelas, apenas a luz fria de uma lâmpada de teto que ele não tinha forças para apagar.

Nas últimas setenta e duas horas, o mundo que ele construiu com sangue, suor e lágrimas de exaustão havia desmoronado.

Ele ainda conseguia ouvir a voz do gerente de treinamento, fria e desdenhosa, ecoando nas paredes da sala de reuniões da empresa. "O debut está cancelado, Seungmin. O grupo vai seguir como cinco membros."

— Por quê? — ele havia perguntado, a voz trêmula, o coração batendo na garganta. — Eu treinei dezesseis horas por dia. Meus índices vocais são os mais altos. O que eu fiz de errado?

O homem do outro lado da mesa soltara um riso anasalado, jogando uma pasta sobre a mesa.

— Todo mundo sabe que você está f*dendo o Christopher Bang Chan, Seungmin. Realmente esperávamos mais de você do que garantir sua vaga dando a bunda para um produtor famoso. A empresa não precisa desse tipo de publicidade. Entre você e ele, você é descartável. Não queremos um escândalo e não queremos você.

As palavras foram como lâminas. O mérito de Seungmin, suas noites em claro ensaiando até os pés sangrarem, sua técnica vocal impecável que o próprio Chan elogiava... tudo fora reduzido a uma transação suja aos olhos da empresa.

Ele foi expulso. Sem aviso, sem direito a defesa. E o pior: a insinuação de que ele era o culpado por colocar a carreira de Chan em risco.

Seungmin encarou o teto. Ele não atendia o celular há três dias. Ele sabia que Chan estaria louco de preocupação, mas como olhar para o homem que amava sabendo que, para o resto do mundo, ele era apenas um aproveitador? Como admitir que ele não tinha para onde ir, já que seus pais o haviam deserdado e expulsado de casa meses atrás, quando ele decidiu seguir a carreira de idol em vez da faculdade de medicina que eles planejaram?

Ele estava sozinho. No escuro. Sem sonhos e sem futuro.

***

No prédio da gravadora, Bang Chan estava prestes a derrubar uma porta.

— Onde ele está? — Chan rugiu, prensando o gerente contra a parede do corredor. A aura de "produtor de ouro" gentil havia desaparecido, substituída por algo perigoso e instável. — Eu sei que ele não apareceu para o ensaio. Eu sei que o nome dele foi retirado da lista de debut. O que vocês fizeram?

O gerente tentou manter a compostura, mas o suor frio escorria por sua têmpora.

— Christopher, foi uma decisão da diretoria... o comportamento dele era inadequado...

— Inadequado? — Chan apertou o colarinho do homem. — Ele é o trainee mais talentoso que essa empresa já viu em uma década. Se você ousou abrir a boca para falar do nosso relacionamento para ele, se você ousou diminuir o esforço dele por causa de mim...

— Nós apenas dissemos a verdade! — o gerente gritou, recuperando um pouco de coragem. — Ele é descartável, Chan! Você é o pilar desta empresa. Ele era só um garoto que achou que podia subir na vida usando o produtor. Nós o mandamos embora para proteger você!

O soco de Chan não atingiu o homem, mas a parede logo ao lado de sua cabeça, com uma força que provavelmente quebrou um dos nós dos dedos do produtor.

— Você não o protegeu — sibilou Chan, a voz perigosamente baixa. — Você destruiu a única coisa que importava para mim. Se o Seungmin não debutar, eu não produzo mais uma única nota para essa empresa. Considerem meu contrato em revisão.

Sem esperar resposta, Chan saiu em disparada. Ele ligou para todos os contatos que tinha, rastreando o endereço de emergência que Seungmin havia listado na ficha de trainee original. O endereço não era a casa dos pais em Gangnam, mas um bairro pobre nos arredores de Seul.

Ao chegar ao prédio decrépito, o coração de Chan apertou. Como Seungmin, o garoto que sempre cheirava a perfume cítrico e tinha um orgulho tão refinado, podia estar vivendo ali?

Ele subiu as escadas estreitas, o cheiro de mofo e comida barata impregnando o ar. Quando parou diante da porta 302, ele não bateu suavemente.

— Seungmin! — ele chamou, a voz falhando. — Seungmin, sou eu. Abre essa porta agora, ou eu vou chamar a polícia, os bombeiros e quem mais for preciso.

Silêncio.

— Minnie, por favor... — Chan encostou a testa na madeira fria. — Eu já sei o que aconteceu. Eu sei o que eles disseram. Nada daquilo é verdade. Por favor, fala comigo.

Lentamente, o som de uma tranca girando ecoou. A porta abriu apenas uma fresta.

O que Chan viu partiu sua alma em mil pedaços. Seungmin parecia ter envelhecido dez anos em três dias. Seus olhos estavam fundos e vermelhos, a pele pálida quase transparente, e ele parecia ainda mais magro do que o normal.

— Vai embora, Chan — Seungmin sussurrou, a voz rouca de tanto chorar. — Você não deveria estar aqui. Se alguém te vir...

Chan não esperou. Ele empurrou a porta e entrou no espaço minúsculo, fechando-a atrás de si. Ele olhou ao redor, chocado com a pobreza do lugar. Não havia espaço nem para os dois ficarem de pé confortavelmente.

— Você mora aqui? — Chan perguntou, a voz embargada pela dor. — Por que você nunca me contou? Por que não me disse que seus pais...

— Porque eu queria ser alguém por conta própria! — Seungmin explodiu, as lágrimas voltando a cair sem controle. — Eu queria que você tivesse orgulho de mim como um artista, não como um coitado que precisa de abrigo! E agora... agora eu não sou nada. Eles têm razão, Chan. Eu sou descartável. Eu sou o escândalo que vai arruinar sua carreira.

Chan deu um passo à frente, ignorando a tentativa de Seungmin de se afastar, e o envolveu em um abraço desesperado. Seungmin lutou no início, batendo no peito de Chan com os punhos fracos, mas logo desmoronou, agarrando-se à camiseta do mais velho e soluçando tão alto que o som parecia rasgar o ar.

— Escuta aqui — Chan disse, segurando o rosto de Seungmin entre as mãos, forçando-o a olhar nos seus olhos. — Você nunca, jamais, foi descartável. Você é a voz mais bonita que eu já gravei. Você é a pessoa mais resiliente que eu já conheci. Aqueles homens são covardes que não conseguem aceitar que você é melhor do que qualquer plano de marketing deles.

— Eles cancelaram tudo, Channie... — Seungmin soluçou. — Meus pais tinham razão. Eu não sou nada sem eles, e agora eu não sou nada na música.

— Seus pais estavam errados. A empresa está errada — Chan encostou a testa na dele. — Se eles não querem o seu talento, eu levo o meu para outro lugar. Eu tenho minha própria gravadora subsidiária, Seungmin. Eu tenho contatos que matariam para ter você. Você não vai desistir.

Seungmin balançou a cabeça, o desespero ainda nublando seu julgamento.

— Eles disseram que eu estava te usando... que eu só consegui as coisas porque...

— Você conseguiu tudo porque você é Kim Seungmin — Chan o interrompeu com um beijo casto, mas carregado de promessa. — E eu vou provar isso para o mundo inteiro. Mas primeiro, você vai sair desse lugar. Agora.

Seungmin olhou para o pequeno quarto, para sua vida resumida a uma mala velha no canto.

— Eu não tenho para onde ir, Chan.

— Você tem a mim — Chan disse, sem hesitar. — Você vai morar comigo. E não como um segredo, e não como um trainee "protegido". Você vai ser o meu artista principal e o homem que eu amo. Se eles querem um escândalo, eu vou dar a eles a porcaria de uma revolução.

Chan começou a juntar as poucas coisas de Seungmin, agindo com uma determinação que não admitia discussões. Seungmin observava, sentindo o calor voltando gradualmente ao seu corpo gelado.

— Por que você faz tanto por mim? — Seungmin perguntou, limpando o rosto com a manga do moletom. — Eu perdi tudo. Eu não tenho nada para te oferecer agora.

Chan parou o que estava fazendo e caminhou até ele. Ele puxou a mão de Seungmin e a colocou sobre o próprio coração, que batia em um ritmo frenético, mas constante.

— Você se lembra do que eu te disse no estúdio, naquela primeira noite? — Chan sorriu, um sorriso triste, mas cheio de esperança. — Eu disse que não mudaria uma única nota da nossa música. Isso inclui as partes tristes, Minnie. Isso inclui os silêncios. Eu não amo o "idol" Seungmin. Eu amo o garoto que me desafia, que cuida da minha filha como se fosse dele, e que tem a alma mais pura que eu já encontrei.

Seungmin fechou os olhos, permitindo-se acreditar pela primeira vez em dias.

— Eles vão tentar nos destruir, Chan-hyung. A indústria... eles não perdoam.

— Deixa eles tentarem — Chan pegou a mala de Seungmin e abriu a porta do cubículo, dando espaço para ele passar. — Eles se esqueceram de uma coisa fundamental sobre produtores, Seungmin.

— O quê?

— Nós somos os que decidem como a música termina. E a nossa música está apenas começando o primeiro verso.

Ao saírem daquele prédio cinzento, Seungmin sentiu o ar frio da noite de Seul, mas desta vez não se encolheu. Ele segurou a mão de Chan com firmeza. O caminho à frente seria uma guerra, ele sabia. Haveria manchetes, críticas e olhares tortos. Mas, enquanto caminhava em direção ao carro de Chan, ele percebeu que o "descartável" Kim Seungmin havia morrido naquele quarto escuro.

O homem que caminhava ao lado de Bang Chan agora era alguém que não tinha mais nada a temer, pois já havia perdido tudo e descoberto que, no fim das contas, o que restava era o único alicerce que realmente importava: um amor que nenhuma empresa poderia produzir e nenhum contrato poderia cancelar.

— Hyung? — Seungmin chamou, quando já estavam dentro do carro.

— Sim?

— Obrigado por me encontrar.

Chan ligou o motor, as luzes do painel iluminando seu rosto determinado.

— Eu sempre vou te encontrar, Minnie. Agora, vamos para casa. A Hana sentiu sua falta... e eu tenho um estúdio novo que precisa desesperadamente da sua voz.

O carro partiu, deixando para trás o cubículo e as ofensas, avançando em direção às luzes da cidade que, em breve, voltaria a ouvir o nome de Kim Seungmin — desta vez, em uma frequência que ninguém seria capaz de silenciar.