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o meu amor e meu ex marido

Insubordinação e Outros Delitos

A luz neon de Manhattan parecia mais agressiva naquela noite de quinta-feira. Para Lily Zneimer, o mundo estava em tons de cinza e melancolia. O ciclo hormonal não era gentil com ela; sentia-se inchada, emocionalmente instável e, acima de tudo, terrivelmente carente. A ausência de Oscar, apesar das mensagens constantes e das recaídas intensas, era um buraco negro que sugava sua energia. Ela sentia falta do toque possessivo, mas também da segurança de ter alguém que a conhecia sem que ela precisasse dizer uma única palavra.

Foi por isso que, quando Julian — um associado do segundo ano, com um sorriso levemente assimétrico e um diploma de Harvard emoldurado — a convidou para jantar pela quinta vez naquela semana, ela não disse "não".

— Tudo bem, Julian — ela disse, forçando um sorriso enquanto organizava as pastas de Louis Litt. — Vamos jantar. Mas nada de falar sobre o caso *Hardman vs. Emerson*.

Julian quase deu um pulo de alegria. Lily, por outro lado, sentiu um peso imediato no estômago. Ela sabia que estava usando o rapaz como um curativo para uma ferida aberta, mas a solidão daquela semana tinha sido insuportável.

O restaurante escolhido foi o *L’Avenue*. Era elegante, caro e barulhento, o oposto dos lugares discretos, exclusivos e silenciosos que Oscar frequentava. Oscar detestava filas; ele era o tipo de homem para quem as portas se abriam antes mesmo de ele chegar ao balcão. Julian, por outro lado, teve que conferir a reserva três vezes com a hostess.

— Você está deslumbrante, Lily — Julian disse, tentando segurar a mão dela por cima da mesa.

Lily usava um vestido de seda cor de vinho, que realçava a palidez de sua pele e a profundidade de seus olhos castanhos. Ela retirou a mão sutilmente para pegar a taça de vinho, dando um sorriso educado que não chegava aos olhos.

— Obrigada, Julian. O vinho é excelente.

— Eu sabia que você ia gostar. Li que a safra de...

Lily parou de ouvir. Seus olhos vagaram pelo salão, uma distração comum quando ela estava entediada. E foi então que seu coração simplesmente parou.

No fundo do restaurante, em uma mesa longa e perfeitamente posta, cercado por homens de cabelos grisalhos e expressões severas, estava Oscar Piastri. Ele estava em uma confraternização de juízes, a elite do judiciário. Vestia um terno azul-marinho tão escuro que parecia preto, uma camisa azul-clara e uma gravata de seda impecável. Ele não estava rindo. Ele ouvia um colega com a cabeça levemente inclinada, a imagem da sofisticação e do poder.

Mas, como se tivesse um radar calibrado apenas para ela, Oscar virou o rosto. Seus olhos azuis-verdes encontraram os de Lily através do salão lotado.

O ar sumiu dos pulmões dela. A expressão de Oscar mudou instantaneamente. A cortesia profissional desapareceu, substituída por uma frieza glacial que rapidamente se transformou em uma fúria contida. Ele olhou para Julian, depois voltou para Lily, e o veredito em seus olhos foi claro: *culpada*.

— Lily? Está tudo bem? — Julian perguntou, notando a palidez repentina da acompanhante.

— Sim... eu só... preciso ir ao banheiro — ela gaguejou, levantando-se tão rápido que quase derrubou a taça. — Com licença.

Ela caminhou apressadamente, sentindo o olhar de Oscar queimando suas costas como um laser. Ao entrar na área reservada dos banheiros, ela se apoiou na pia de mármore e respirou fundo. Por que ele tinha que estar ali? Por que o universo conspirava para que ela nunca conseguisse escapar da órbita dele?

Ela mal teve tempo de molhar o rosto quando a porta principal do corredor de serviço se abriu e fechou com um estrondo abafado.

Lily se virou, já sabendo quem encontraria. Oscar estava lá, bloqueando a saída. Ele não parecia um juiz agora; parecia um predador que tinha acabado de encurralar sua presa.

— O que você pensa que está fazendo, Lily? — A voz dele era um sussurro perigoso, ecoando nas paredes de azulejo.

— Eu estou em um encontro, Oscar — ela respondeu, tentando recuperar a braveza que sempre usava como escudo. — Algo que pessoas solteiras fazem. Lembra-se? Nós estamos divorciados.

Oscar deu um passo à frente, diminuindo a distância em segundos. Ele a agarrou pela cintura, puxando-a contra o seu corpo com uma força que não dava margem para protestos. O cheiro dele — aquele sândalo inebriante — a atingiu em cheio, fazendo seus joelhos fraquejarem.

— Aquele garoto? — Oscar zombou, os olhos faiscando. — Aquele associado medíocre que nem sequer sabe qual vinho pedir sem ler um guia? Você saiu com ele para me provocar ou sua carência atingiu um nível alarmante?

— Me solte! — Lily empurrou o peito dele, mas era como empurrar uma parede de granito. — Você não tem o direito de me questionar. Julian é gentil, ele é divertido e ele... ele se importa comigo!

— Ele não sabe nem como olhar para você, Lily — Oscar rosnou, aproximando o rosto do dela. — Eu vi o jeito que ele te toca. Com hesitação. Com medo. Ele não faz ideia da mulher que tem na frente dele. Eu faço.

— Você me perdeu, Oscar! — As lágrimas de sensibilidade, intensificadas pelo seu estado emocional, começaram a turvar sua visão. — Você quebrou tudo. Eu só queria uma noite normal, com um homem normal, que não me fizesse sentir como se eu estivesse em um julgamento constante!

Oscar suavizou a pressão, mas não a soltou. Seus polegares começaram a acariciar a lateral do rosto dela, limpando uma lágrima que teimava em cair.

— Você nunca será normal, Lily. Você é extraordinária. E eu não vou deixar você se diminuir para caber no mundo daquele garoto.

— Eu vou voltar para lá — ela disse, embora sua voz estivesse perdendo a firmeza. — Julian está me esperando.

— Ele pode esperar sentado — Oscar sentenciou. — Você vai sair por aquela porta lateral comigo. Agora.

— Eu não vou a lugar nenhum com você!

Nesse momento, a porta do corredor se abriu. Julian apareceu, parecendo confuso e um pouco intimidado pela figura imponente de Oscar.

— Lily? Está tudo bem? Eu achei que você estivesse passando mal e... — Ele parou, olhando para a mão de Oscar que ainda segurava o braço de Lily. — Quem é você?

Oscar se endireitou, assumindo toda a sua estatura e autoridade. Ele não soltou Lily. Em vez disso, olhou para Julian como se ele fosse um inseto interessante, mas descartável.

— Juiz Oscar Piastri — ele disse, a voz carregada de um peso que fez Julian recuar um passo. — A senhorita Zneimer está sob minha responsabilidade agora. Ela teve uma queda brusca de pressão e eu, como conhecido da família, vou levá-la para casa.

Julian piscou, atordoado.

— Juiz Piastri? Ah, Excelência, eu não sabia... eu... Lily, você quer que eu te leve?

Lily olhou para Julian. Ele parecia um menino assustado. Depois olhou para Oscar, que a desafiava com o olhar, uma promessa silenciosa de que, se ela ficasse, ele faria uma cena que acabaria com a carreira de Julian antes mesmo de começar.

— Está tudo bem, Julian — Lily disse, a voz cansada. — O Juiz Piastri é um... antigo amigo. Pode ir, eu realmente não estou me sentindo bem. Sinto muito pelo jantar.

Julian assentiu rapidamente, claramente querendo sair da presença intimidadora de Oscar o mais rápido possível.

— Claro, claro. Melhore, Lily. Com licença, Excelência.

Assim que Julian desapareceu, Lily se soltou de Oscar com um puxão violento.

— Eu te odeio. Eu te odeio tanto.

— Eu sei — Oscar respondeu, pegando o celular para chamar seu motorista. — Agora vamos. Meu carro está nos fundos.

O trajeto até o apartamento de Lily foi carregado de uma tensão diferente. Lily estava sentada no canto oposto do banco traseiro, fervendo de raiva.

— Você é um maníaco controlador — ela disparou. — Julian ia me beijar hoje, sabia?

Oscar soltou uma risada seca, sem tirar os olhos da janela.

— Ele tentou no restaurante. Eu vi. E foi patético. Ele beija como um estagiário de primeiro ano escrevendo sua primeira petição: sem técnica, sem paixão e com medo de errar o prazo.

— Como você pode ser tão arrogante? — Lily se virou para ele, indignada.

Oscar finalmente olhou para ela. A diversão desapareceu, substituída por aquela fome crua que ele só mostrava entre quatro paredes.

— Porque eu sei como é o seu gosto, Lily. Eu sei como sua respiração muda quando eu toco a base da sua coluna. Eu sei que você gosta de ser desafiada antes de ser possuída. Aquele garoto não duraria dez minutos com você sem pedir desculpas por existir.

Ao chegarem no prédio dela, Lily saiu do carro sem esperar, mas Oscar foi mais rápido, acompanhando-a até o elevador em silêncio absoluto. Quando as portas se fecharam, o espaço pareceu diminuir.

— Você não vai subir — ela disse, mas era uma mentira que nem ela acreditava.

— Eu vou entrar, Lily. Vou te dar um banho, vou te colocar na cama e vou garantir que você esqueça que aquele encontro medíocre sequer aconteceu.

Ao entrarem no apartamento, Lily tentou manter a distância, mas a carência que a levara a aceitar o convite de Julian agora se voltava contra ela, transformando-se em um desejo desesperado pelo homem errado.

— Ele não beijava bem — ela admitiu em um sussurro, encostada na porta fechada, enquanto Oscar retirava o paletó.

— Eu sei — Oscar caminhou até ela, prendendo-a entre seus braços. — Ninguém beija você como eu, Lily. Ninguém nunca vai chegar perto.

Ele se inclinou e a beijou. Não foi o beijo possessivo do restaurante, mas algo mais profundo, mais lento, que buscava a alma dela. Lily gemeu, suas mãos subindo para o pescoço dele, puxando-o para mais perto. A diferença era abismal. Onde Julian era hesitante, Oscar era certeiro. Onde Julian era superficial, Oscar era visceral.

— Viu? — Oscar murmurou contra os lábios dela, a respiração quente. — É disso que você precisa. Não de jantares chiques com associados que têm medo da própria sombra. Você precisa de mim.

Lily o puxou para o quarto, a raiva ainda presente, mas agora subjugada pela necessidade. Oscar a despiu com uma reverência que beirava o religioso, seus olhos claros devorando cada curva dela sob a luz fraca do abajur.

— Você ainda está brava? — ele perguntou, sua mão subindo pela coxa dela enquanto a deitava na cama.

— Estou furiosa — ela respondeu, puxando-o pela gravata para um beijo ardente. — Mas se você parar de me tocar agora, eu juro que te processo por danos morais.

Oscar sorriu, o olhar vitorioso de quem acabara de ganhar o caso mais importante de sua vida.

— Não se preocupe, Lily. Eu sou um juiz muito rigoroso. E sua sentença vai durar a noite inteira.

Naquela noite, sob os lençóis de seda e o toque experiente de Oscar, Lily esqueceu Julian, esqueceu a Pearson Hardman e, por um breve momento, até esqueceu a mágoa da traição. Ela era apenas a mulher de Oscar, e ele era o homem que, por bem ou por mal, jamais permitiria que ela pertencesse a mais ninguém.

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