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o meu amor e meu ex marido

Sentença de Cuidado e Desejo

O silêncio do quarto era quebrado apenas pelo som da chuva fina que começava a bater contra as janelas de vidro duplo do apartamento de Lily. A atmosfera carregada de tensão sexual e brigas de momentos antes havia se transformado em algo muito mais denso e íntimo. Lily estava sentada na beira da cama, com as mãos pressionando o baixo ventre, o rosto pálido denunciando a dor aguda que a cólica lhe causava. O ciclo hormonal, somado ao estresse emocional de ver Oscar no restaurante e à confusão com Julian, a deixara fisicamente exausta e psicologicamente vulnerável.

Oscar, já sem a gravata e com a camisa branca entreaberta, observava-a com aquela atenção minuciosa que o tornava um juiz tão temido. Mas não havia julgamento em seus olhos agora; havia apenas uma preocupação protetora que ele raramente permitia que o mundo visse.

— Você está sofrendo, Lily — constatou ele, a voz baixa e aveludada. — Por que não me disse que estava se sentindo assim antes de aceitar sair com aquele idiota?

— Eu não queria a sua piedade, Oscar — murmurou ela, fechando os olhos com força quando uma pontada mais forte a atingiu. — E eu queria provar que podia ter uma vida sem você.

Oscar soltou um suspiro curto e se aproximou, ajoelhando-se entre as pernas dela. Ele colocou as mãos quentes sobre as dela, que ainda pressionavam o ventre.

— Você não precisa provar nada para mim. E muito menos sofrer sozinha. Vem, eu vou cuidar de você.

Sem esperar por um protesto que ele sabia que seria fraco, Oscar a pegou no colo com uma facilidade impressionante. Lily soltou um pequeno suspiro de surpresa, passando os braços pelo pescoço dele e escondendo o rosto na curva de seu ombro. O cheiro de Oscar — aquela mistura de poder, sândalo e o calor da própria pele — agiu como um sedativo imediato em seu sistema nervoso.

Ele a levou para o banheiro principal, um santuário de mármore e luzes suaves. Com uma delicadeza que contrastava com sua postura rígida no tribunal, Oscar começou a encher a banheira, ajustando a temperatura da água até que estivesse perfeitamente morna. Ele a ajudou a se despir, removendo o vestido de seda vinho como se estivesse manuseando algo precioso e frágil. Lily, em sua carência e dor, não ofereceu resistência. Ela precisava ser cuidada, e ninguém no mundo sabia fazer isso como o homem que ela tentava, sem sucesso, odiar.

— A água está boa? — perguntou ele, ajudando-a a entrar na banheira.

— Sim... — Lily relaxou os músculos assim que o calor envolveu seu corpo. — Obrigada, Oscar.

Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, pegou uma esponja macia e começou a banhá-la. Seus movimentos eram lentos e rítmicos. Ele lavou suas costas, seus ombros e seus braços com uma devoção silenciosa. Lily sentia-se pequena sob o toque dele, mas, pela primeira vez em dias, sentia-se segura. A carência que a atormentava parecia encontrar um porto seguro na presença imponente dele.

Depois do banho, Oscar a envolveu em um roupão felpudo e a carregou de volta para a cama. Ele já havia providenciado tudo: uma bolsa de água quente, analgésicos e uma garrafa de água mineral.

— Tome isso — ordenou ele, entregando o remédio. — E deite-se. Vou pedir algo para você comer.

— Não estou com fome — protestou ela, a voz fraca.

— Você vai comer, Lily. Precisa de energia. O que você quer? Peça qualquer coisa. O restaurante mais caro de Nova York, o doce mais específico daquela confeitaria no Soho que você gosta... não importa o preço ou a distância.

Lily olhou para ele, vendo a determinação em seu rosto. Oscar Piastri não era apenas um juiz bilionário; ele era um homem que usava sua influência e recursos para garantir que os desejos dela fossem atendidos antes mesmo de serem verbalizados.

— Eu quero aqueles macarons de lavanda e mel... e sopa de missô — ela admitiu, sentindo-se um pouco mimada.

Oscar pegou o próprio celular e, em menos de dois minutos, as ordens foram dadas. Ele não apenas pediu a comida; ele garantiu que um motorista particular fosse buscar os itens pessoalmente para que chegassem o mais rápido possível.

— Pronto — disse ele, voltando para o lado dela na cama. — Agora, descanse um pouco.

Ele se acomodou na cabeceira da cama, retirando os sapatos e recostando-se nos travesseiros. Lily não hesitou. Ela se arrastou para perto dele, acomodando-se no espaço entre o braço e o peitoral firme de Oscar. Era o seu lugar favorito no mundo. O som do coração dele batendo ritmicamente contra seu ouvido era a melhor música que ela poderia ouvir.

Oscar passou o braço por cima dela, puxando-a para mais perto, enquanto a outra mão começou a fazer carícias lentas em seu cabelo. Ele pegou seu tablet Apple de última geração, começando a revisar alguns documentos de um caso de alta prioridade que seria julgado na manhã seguinte. Mesmo em um momento de intimidade, a mente de Oscar nunca parava totalmente; ele era uma máquina de eficiência.

Lily, sentindo-se um pouco melhor devido ao remédio e ao calor da bolsa de água quente, esticou a mão para a mesa de cabeceira e pegou seu iPhone 18. O aparelho, um presente de Oscar que ele insistira que ela aceitasse "por segurança", brilhava com sua tela de titânio. Ela começou a navegar sem rumo pelas redes sociais, tentando distrair a mente da dor que ainda latejava de forma surda.

— Você deveria estar dormindo, não olhando para essa tela — comentou Oscar, sem desviar os olhos do tablet, mas apertando-a um pouco mais contra si.

— Eu não consigo dormir ainda — respondeu Lily, fazendo um biquinho que ela sabia que ele não veria, mas que ele certamente sentiria pelo tom de sua voz. — E você também está trabalhando.

— Eu sou um juiz, Lily. O crime não tira folga para ter cólicas — brincou ele, com aquele humor seco característico.

— Idiota — murmurou ela, mas se aconchegou ainda mais no peito dele.

O silêncio voltou a reinar, mas era um silêncio confortável. De vez em quando, Oscar deixava o tablet de lado por alguns segundos apenas para se inclinar e beijar o topo da cabeça de Lily, ou para dar uma pegada mais firme em sua cintura, reafirmando sua posse e sua presença. Lily se sentia preenchida. A carência que a fizera aceitar o convite de Julian agora parecia algo distante e absurdo. Como ela poderia ter buscado conforto em um estranho quando tinha *isso*?

— Oscar? — chamou ela, baixinho.

— Hum?

— Por que você faz isso? Por que cuida de mim desse jeito, mesmo depois de tudo? Mesmo depois de eu ter dito coisas horríveis para você hoje à noite?

Oscar parou de digitar no tablet. Ele suspirou e olhou para baixo, encontrando os olhos castanhos de Lily que o observavam com uma mistura de vulnerabilidade e curiosidade.

— Porque você é minha, Lily — disse ele, a voz carregada de uma seriedade absoluta. — Divórcio é apenas um pedaço de papel para o Estado. Para mim, você ainda é a mulher que eu prometi proteger. E porque, apesar da sua teimosia e da sua braveza, eu sei que você precisa de mim tanto quanto eu preciso de você para não me tornar um homem completamente frio.

Lily sentiu o coração falhar uma batida. Ela queria retrucar, queria dizer que não precisava dele, mas a verdade estava ali, na maneira como ela se agarrava à camisa dele.

— Você ainda é um maníaco controlador — ela disse, tentando manter a fachada de braveza.

— E você ainda é a mulher mais doce e irritante que eu já conheci — rebateu ele, inclinando-se para capturar os lábios dela em um beijo lento e profundo.

O beijo tinha gosto de cuidado e de uma paixão que nunca esfriava. Oscar usou a mão livre para segurar a nuca dela, intensificando o contato, enquanto a outra mão, que estava em sua cintura, deu uma apertada possessiva que fez Lily soltar um suspiro trêmulo.

— Sente-se melhor? — perguntou ele, separando os lábios apenas alguns milímetros.

— Um pouco — admitiu ela.

— Ótimo. Porque quando a comida chegar, eu vou te alimentar, e depois você vai dormir. E amanhã, você não vai para a Pearson Hardman. Vou ligar para o Harvey e dizer que você está indisposta.

— Você não vai fazer isso! — Lily se levantou um pouco, indignada. — O Harvey vai desconfiar!

— Deixe que desconfie — Oscar deu de ombros, voltando sua atenção para o tablet com um sorriso vitorioso. — Ele sabe que eu não aceito um "não" como resposta. Nem dele, nem seu.

Lily bufou e voltou a se deitar no peito dele, sabendo que tinha perdido aquela batalha. Mas, honestamente, enquanto sentia o carinho constante de Oscar e o luxo do conforto que ele lhe proporcionava, ela não se importava nem um pouco em ser derrotada. Naquela noite, a doce Lily Zneimer não era a estagiária esforçada ou a ex-esposa magoada; ela era apenas a mulher amada pelo homem mais poderoso de sua vida, e isso, por enquanto, era o suficiente para curar qualquer dor.

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